{"id":8221,"date":"2015-05-11T15:59:02","date_gmt":"2015-05-11T18:59:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8221"},"modified":"2015-05-21T20:19:27","modified_gmt":"2015-05-21T23:19:27","slug":"depoimento-mirei-contra-civis-as-vezes-so-por-prazer-revela-soldado-israelense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8221","title":{"rendered":"Depoimento: &#8220;Mirei contra civis, \u00e0s vezes s\u00f3 por prazer&#8221;, revela soldado israelense"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/08\/03\/3ago2014---soldados-israelenses-circulam-em-um-tanque-na-faixa-de-gaza-neste-domingo-3-apos-uma-ofensiva-para-destruir-tuneis-construidos-pelo-grupo-palestino-hamas-parte-das-tropas-de-israel-deixou-a-1407067559893_615x470.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Piotr Smolar. Em Jerusal\u00e9m. 04\/05\/201517h05. Atef Safadi\/Epa\/Efe<\/p>\n<p><em>Vamos cham\u00e1-lo de Ari\u00e9. Digamos que ele tenha cerca de 20 anos e um esp\u00edrito cr\u00edtico. Ari\u00e9 faz parte dos cerca de 60 soldados israelenses que aceitaram<!--more--> testemunhar junto \u00e0 ONG Breaking the Silence a respeito da opera\u00e7\u00e3o &#8220;Fronteira Protetora&#8221;, conduzida no ver\u00e3o de 2014 na Faixa de Gaza. Ari\u00e9 contou ao &#8220;Le Monde&#8221; sobre sua experi\u00eancia como atirador a bordo de um tanque de combate. Ele se aproximava da reta final de seu servi\u00e7o militar quando foi enviado a Gaza. Seu esclarecedor depoimento foi confirmado em v\u00e1rios pontos por aqueles que constam na compila\u00e7\u00e3o da ONG, publicada na segunda-feira (4)<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Sou atirador em um tanque. Fiz um treinamento padr\u00e3o de quatro meses, depois mais quatro de um treinamento especializado, que envolve muita bal\u00edstica, c\u00e1lculos de dist\u00e2ncia, exerc\u00edcios pr\u00e1ticos. \u00c9 voc\u00ea que controla as armas, ent\u00e3o \u00e9 preciso ser calmo e preciso. Tem um bot\u00e3o que permite ligar a eletricidade no canh\u00e3o. Quando ele \u00e9 pressionado, quer dizer que est\u00e1 se aproximando do tiro. A regra elementar \u00e9: n\u00e3o se brinca com ele, nem mesmo se tenta verificar se est\u00e1 funcionando, ele s\u00f3 pode ser apertado se voc\u00ea for atirar. E para isso \u00e9 necess\u00e1ria a ordem do comandante. Isso se torna instintivo. Tamb\u00e9m descobri que tudo devia ser relatado. Aprendi a analisar um cen\u00e1rio, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, e fazer um relat\u00f3rio. A decis\u00e3o de se atirar \u00e9 tomada em seguida por algu\u00e9m acima de voc\u00ea.<\/p>\n<p>Quando fui chamado no in\u00edcio de julho [de 2014], fomos reunidos no Gol\u00e3 [norte de Israel]. Esperamos que os caminh\u00f5es chegassem, depois voltamos a partir para o sul, nas proximidades da Faixa de Gaza. Come\u00e7amos a preparar os tanques. Ningu\u00e9m fala para voc\u00ea naquele momento sobre a miss\u00e3o. \u00c9 tudo meio vago, a gente conversa entre os soldados, falamos de nossos medos, dividimos nossos pensamentos. Passamos o tempo. Um dia, o chefe do batalh\u00e3o nos reuniu para passar as ordens. &#8216;Amanh\u00e3 \u00e0 noite entraremos na Faixa de Gaza&#8217;, ele disse. &#8216;Precisamos pensar em nossas fam\u00edlias, em nossos lares. Isso que fazemos \u00e9 pela seguran\u00e7a deles.&#8217; Ele nos falou das regras de combate. &#8216;H\u00e1 um c\u00edrculo imagin\u00e1rio de 200 metros em torno de nossas for\u00e7as. Se virmos qualquer coisa dentro, temos o direito de atirar.&#8217;<\/p>\n<p><strong>&#8220;Eu era o \u00fanico a achar aquilo estranho&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Eu era o \u00fanico a achar aquilo estranho. Ele me respondeu: &#8216;Se uma pessoa v\u00ea um tanque e n\u00e3o foge, ela n\u00e3o \u00e9 inocente e pode ser morta&#8217;. Para ele, n\u00e3o existiam civis. Se algu\u00e9m podia nos fazer mal, era culpado. A margem de manobra era muito ampla, dependia de mim e de meu comandante. N\u00e3o investig\u00e1vamos o alvo como me haviam ensinado durante o treinamento. Era meio assim: se eu vejo algo suspeito na janela, ou se essa casa est\u00e1 perto demais de n\u00f3s, quero atirar. &#8216;Ok!&#8217;, dizia o comandante. Era a cadeia de decis\u00e3o em nossa unidade.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos metralhadoras calibre 50 e as 7-62, para as zonas abertas ou nas moitas pr\u00f3ximas. Mas a arma mais eficaz era o morteiro. Quando um carro se mexia estando na minha mira, morteiro. Mir\u00e1vamos em coisas, n\u00e3o pessoas. Nunca vimos seres humanos de perto, exceto pelos breves cessar-fogo de algumas horas. As pessoas acreditavam ent\u00e3o que podiam voltar para casa em total seguran\u00e7a. Tinha idosos, mulheres, crian\u00e7as&#8230; N\u00e3o sab\u00edamos o que fazer. Eles nos viam e continuavam a avan\u00e7ar. T\u00ednhamos medo de atentados suicidas.<\/p>\n<p>Cheguei a pegar a metralhadora para apontar ao lado deles, para assust\u00e1-los, pois tamb\u00e9m t\u00ednhamos medo. Mesmo os soldados de tend\u00eancia pol\u00edtica de direita ficavam arrasados pelos civis, presos entre eles e n\u00f3s, entre nossos tanques e os combatentes do Hamas. A gente pensava: eles os levaram ao poder democraticamente, mas mesmo assim&#8230; Que se danem os combatentes. Sempre comparamos o Hamas com o Hezbollah liban\u00eas, que \u00e9 visto como elite da elite. O Hamas s\u00e3o semiprofissionais, que mesmo assim nos causam medo.<\/p>\n<p>Eu nunca vi um combatente do Hamas. Eles s\u00e3o muito sorrateiros, se deslocam dentro de t\u00faneis. Voc\u00ea entra em uma zona aberta, e de repente eles atiram contra voc\u00ea, por tr\u00e1s. Voc\u00ea se vira e n\u00e3o tem mais ningu\u00e9m. Al\u00e9m disso tem os sentinelas nos telhados. Matei um deles. Sentinela \u00e9 uma palavra em nosso dicion\u00e1rio militar, que define uma pessoa que pode te observar do alto e fala pelo telefone. O sentinela \u00e9 um semi-combatente. At\u00e9 uma velhinha pode ser. Era comum ver uma pessoa ao longe no telhado, falando ao telefone. Verific\u00e1vamos junto ao comandante se n\u00e3o era dos nossos. Depois atir\u00e1vamos um morteiro passados alguns minutos. Isso aconteceu muito em nossa zona pois est\u00e1vamos em uma plan\u00edcie e tinha um bairro do Hamas logo em frente, no alto. A maior parte do tempo eu s\u00f3 via uma mancha preta, nunca os rostos, porque eu olhava de longe com o sol em frente. Mas n\u00e3o pod\u00edamos nos arriscar.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Mir\u00e1vamos em fazendas, pr\u00e9dios&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o era permitido mirar nos pr\u00e9dios das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Nem mesmo apontar o canh\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o deles, era preciso levant\u00e1-lo para impedir um tiro acidental. O mesmo valia para o hospital ou para a usina el\u00e9trica e os chamados pr\u00e9dios internacionais, a menos que atirassem contra n\u00f3s claramente a partir desses lugares. Seria ent\u00e3o preciso pedir autoriza\u00e7\u00e3o antes de responder. Esses lugares se situavam de 2 a 4 km de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Entramos na Faixa de Gaza no dia 19 de julho. Procuramos t\u00faneis do Hamas constru\u00eddos entre Gaza e Israel. Tamb\u00e9m dev\u00edamos destruir a infraestrutura do Hamas e causar os maiores danos poss\u00edveis \u00e0 paisagem, \u00e0 economia, \u00e0 infraestrutura, para que o Hamas pagasse o maior pre\u00e7o poss\u00edvel pelo conflito, e para que eles pensassem duas vezes no pr\u00f3ximo conflito. Era dissuas\u00e3o. Mir\u00e1vamos em fazendas, pr\u00e9dios, postes de luz. Se houvesse pr\u00e9dios civis elevados, pod\u00edamos mirar neles. Oficialmente nos diziam que era preciso evitar v\u00edtimas civis, mas ao mesmo tempo, fazer o m\u00e1ximo poss\u00edvel de estragos. Eu era o \u00fanico que me incomodava com aquilo. Os outros diziam: &#8216;Precisamos fazer isso, s\u00e3o eles ou n\u00f3s, sen\u00e3o acabar\u00e3o matando a gente, tudo bem&#8230;&#8217; Era realmente triste. Estou tentando entender por que era assim. Talvez eu seja mais maduro que eles, ou talvez minha educa\u00e7\u00e3o tenha influenciado. Muitos tentam n\u00e3o pensar, sobreviver dia por dia, apagar sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c0 noite entramos na Faixa de Gaza, estava um caos, havia muitas conversas por r\u00e1dio. Est\u00e1vamos com medo e achamos que \u00edamos levar um tiro. Mas n\u00e3o aconteceu nada. Ap\u00f3s alguns dias atirando sem nunca receber um tiro, minha vigil\u00e2ncia baixou. Um dia tentamos sair do tanque porque est\u00e1vamos com um problema no motor. Em menos de um minuto v\u00e1rias balas voaram perto da minha orelha, e me joguei ao ch\u00e3o. Foi intenso, e depois mais nada durante v\u00e1rios dias. Na primeira semana sa\u00edamos s\u00f3 para mijar, depois come\u00e7amos a reservar um tempo \u2013 15 minutos \u2013 para fazer caf\u00e9. Dorm\u00edamos no tanque. Fazia um calor terr\u00edvel, n\u00e3o tinha ar condicionado.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Mirei contra o 11\u00ba andar com um morteiro&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Quanto amanheceu, depois que chegamos, por volta das 8h ou 9h, o comandante pediu que seis tanques se enfileirassem em frente a Al-Burej [ampla zona de habita\u00e7\u00e3o no centro da Faixa de Gaza]. Eu havia ajustado meu r\u00e1dio para ouvir os outros tanques, cada atirador podia escolher seu alvo, ao acaso. Era meio assim: &#8220;Eu miro naquele pr\u00e9dio branco ali&#8221;. E era preciso esperar a contagem. Ningu\u00e9m havia atirado contra n\u00f3s nem durante, nem depois. O comandante chamou aquilo de &#8216;Bom dia, Al-Burej!&#8217;. Meio brincando, ele dizia que queria dar a eles o bom dia do ex\u00e9rcito. Oficialmente era dissuas\u00e3o. Ent\u00e3o disparamos contra pr\u00e9dios civis comuns, ao acaso. Diziam que Al-Burej era um ninho de vespas do Hamas, que seria suic\u00eddio entrar ali. Control\u00e1vamos com fogo. Todo dia, a cada meia hora, um tanque parava em frente e atirava. Quando um dia um de nossos soldados foi morto por um tiro de morteiro, o comandante disse que dev\u00edamos nos vingar, em homenagem a ele. N\u00f3s nos posicionamos, escolhi ao acaso um pr\u00e9dio a cerca de 3 ou 4 quil\u00f4metros, perto do mar, e mirei no 11\u00ba andar com um morteiro. Talvez tenha morrido gente.<\/p>\n<p>Durante todo esse tempo ficamos estacionados principalmente em uma zona rural em torno do vilarejo de Juhor ad-Dik, com muito verde, fazendas e muitas \u00e1rvores. Quando partimos s\u00f3 restavam uma ou duas constru\u00e7\u00f5es de p\u00e9. Eles pegaram o buld\u00f4zer blindado, o D-9, e trabalharam essa \u00e1rea 24 horas por dia, sete dias por semana, para transform\u00e1-la em deserto. O D-9 serve primeiro para abrir caminho para os tanques, para limpar os obst\u00e1culos, as eventuais armadilhas de bombas. Disseram que queriam nivelar essa \u00e1rea para ter uma capacidade de observa\u00e7\u00e3o para a pr\u00f3xima vez.<\/p>\n<p>Entramos no m\u00e1ximo a cerca de 3,5 km para dentro da Faixa. A gente se dividia e partia em miss\u00f5es de poucas horas, na dire\u00e7\u00e3o do sul e de Al-Burej, ou sen\u00e3o ao norte ou a oeste. Vi um t\u00fanel de ataque do Hamas. Ele era t\u00e3o largo que pod\u00edamos praticamente entrar com um tanque dentro. Tamb\u00e9m vi um pequeno t\u00fanel em Juhor ad-Dik, embaixo de um pr\u00e9dio que havia abrigado uma farm\u00e1cia da Cruz Vermelha. O pr\u00e9dio foi destru\u00eddo. Ficamos cerca de duas semanas e meia dentro da zona. A maior parte do tempo os tanques percorriam os arredores. T\u00ednhamos muito medo de eventuais incurs\u00f5es do Hamas, como aconteceu em outros lugares.<\/p>\n<p>Durante toda a opera\u00e7\u00e3o, os atiradores [dentro dos tanques] ficavam radiantes de poderem atirar morteiros, pois jamais pod\u00edamos fazer isso em tempos normais, pois custa caro demais. S\u00f3 fiz isso seis ou sete vezes durante meu treinamento. L\u00e1 era uma boa oportunidade para todos verificarem suas habilidades. Fic\u00e1vamos exaltados com aquilo porque era nossa vez de brilhar. Durante toda a opera\u00e7\u00e3o, tive de atirar 20 ou 25 morteiros, e os outros duas vezes toda semana. Eu via os civis por tr\u00e1s daquilo. Nossas discuss\u00f5es eram uma guerra de egos.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Quando deixei Gaza, eu estava amargurado e triste&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Na terceira semana, aconteceu de estarmos postados em um lugar de onde se via a rota Salaheddine, a grande art\u00e9ria que atravessa a Faixa do norte ao sul. As pessoas circulavam ali pois ela estava fora da zona de combate. \u00c9ramos em tr\u00eas tanques. Pensamos: Ok, vamos ver quem consegue atingir um ve\u00edculo ou uma bicicleta. O comandante disse: &#8216;Ok, me deem um motivo de orgulho!&#8217; Apostamos entre n\u00f3s, mas era dif\u00edcil demais, ningu\u00e9m conseguiu. Meu tanque era dos anos 1980, ele n\u00e3o consegue atingir alvos que se desloquem r\u00e1pido. Eu precisava calcular tudo em minha cabe\u00e7a em cinco segundos para antecipar a trajet\u00f3ria. E eu s\u00f3 via parte da estrada. Havia um ciclista l\u00e1. Miramos nele com uma metralhadora calibre 50, uma arma nada precisa. Atirei ao lado e em frente dele. Eu n\u00e3o a ajustei de fato. Ele se mandou t\u00e3o r\u00e1pido, mais r\u00e1pido que o [Lance] Armstrong, que todo mundo riu. \u00c9 o epis\u00f3dio do qual mais sinto vergonha.<\/p>\n<p>Quando deixei Gaza, eu estava amargurado e triste com aquilo que aconteceu. Mas estava aliviado de voltar \u00e0 vida civil. A maior parte das pessoas da minha companhia s\u00e3o de direita. Eles consideram a Breaking the Silence como uma organiza\u00e7\u00e3o antissionista. &#8216;Crimes de guerra&#8217;? Talvez n\u00e3o chegue a tanto. Mas tenho a sensa\u00e7\u00e3o de ter feito coisas amorais, no plano internacional. Mirei em alvos civis, \u00e0s vezes s\u00f3 por prazer.<\/p>\n<p>Tentei falar sobre isso. Mas em meu ambiente ningu\u00e9m quer ouvir tudo isso, sobre essas coisas ruins. &#8216;Voc\u00ea \u00e9 um her\u00f3i, fez o que devia fazer&#8230;&#8217; N\u00e3o \u00e9 o ex\u00e9rcito que eles conhecem, &#8216;o mais moral do mundo&#8217;. Em Israel, todo mundo vai para o ex\u00e9rcito, e ele faz parte de n\u00f3s. \u00c9 algo pessoal. Meus pais me disseram a mesma coisa. &#8216;Voc\u00ea fez o que devia fazer, estamos contentes que tenha voltado.&#8217;<\/p>\n<p>L\u00e1 todo o sistema de valores era invertido. As pessoas nas ruas me diziam que sou um her\u00f3i. Eu s\u00f3 ficava sentado em um tanque o dia inteiro. Eu me acostumei com essa presen\u00e7a, a atirar. Voc\u00ea pega um homem livre e o transforma em escravo: ao final de alguns anos, ele se acostuma. \u00c9 como um passeio no parque.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tinha janela. Meu mundo em Gaza era uma caixa de 20 cent\u00edmetros. Eu via tudo atrav\u00e9s de um visor, de uma cruz por cima de cada estrada, de cada pr\u00e9dio. Ainda tenho as no\u00e7\u00f5es de bem e de mal. Quando atirei contra pr\u00e9dios civis ou contra o ciclista, eu tinha a ci\u00eancia de estar fazendo algo ruim, mas sent\u00edamos que pod\u00edamos fazer tudo, que n\u00e3o havia lei. Dentro dos limites da l\u00f3gica militar. \u00c9 claro, n\u00e3o estuprar crian\u00e7as ou matar uma fam\u00edlia inteira s\u00f3 porque ela estava l\u00e1&#8230;. Mas poder destruir um pr\u00e9dio vazio, sim. Atirar contra uma estrada, sim. Se matamos algumas pessoas, teremos inimigos. Mas \u00e9 s\u00f3.&#8221;<\/p>\n<p>Tradutor: UOL<\/p>\n<p>Na imagem: Soldados israelenses circulam em um tanque na Faixa de Gaza em agosto de 2014<\/p>\n<p>http:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/le-monde\/2015\/05\/04\/depoimento-mirei-contra-civis-as-vezes-so-por-prazer-revela-soldado-israelense.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Piotr Smolar. Em Jerusal\u00e9m. 04\/05\/201517h05. Atef Safadi\/Epa\/Efe Vamos cham\u00e1-lo de Ari\u00e9. 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