{"id":8226,"date":"2015-05-11T16:12:05","date_gmt":"2015-05-11T19:12:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8226"},"modified":"2015-05-21T20:20:18","modified_gmt":"2015-05-21T23:20:18","slug":"a-america-latina-na-dinamica-da-guerra-global-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8226","title":{"rendered":"A Am\u00e9rica Latina na din\u00e2mica da guerra global"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.edicionuncuyo.com\/upload\/IMG_2825-1.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>por Jorge Beinstein*<\/p>\n<p>Tudo ao mesmo tempo: em meados do m\u00eas de Mar\u00e7o de 2015 os Estados Unidos deram um salto qualitativo de claro perfil belicista nas suas a\u00e7\u00f5es contra a Venezuela, <!--more-->tamb\u00e9m desenvolvem exerc\u00edcios militares em pa\u00edses lim\u00edtrofes com a R\u00fassia na chamada opera\u00e7\u00e3o &#8220;Atlantic Resolve&#8221;, algumas dessas opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas a uns 100 quil\u00f3metros de S\u00e3o Petersburgo\u00a0[1], al\u00e9m disso, intensificam-se informa\u00e7\u00f5es acerca de uma nova ofensiva do governo de Kiev contra a regi\u00e3o do Donbass\u00a0[2], aumenta a circula\u00e7\u00e3o de naves de guerra da NATO no Mar Negro, continuam as velhas guerras imperiais no Iraque e no Afeganist\u00e3o \u00e0s quais se acrescentou a seguir a ofensiva contra a S\u00edria (passando pela L\u00edbia)&#8230; e muito mais&#8230;<\/p>\n<p>Evidentemente o Imp\u00e9rio est\u00e1 lan\u00e7ado numa catastr\u00f3fica fuga militar para frente estendendo suas opera\u00e7\u00f5es a todos os continentes, encontramo-nos em plena guerra global. Nem os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, nem os dirigentes internacionais mais importantes registaram publicamente o facto, todos falam como se viv\u00eassemos em tempos de paz, s\u00f3 em alguns poucos casos surgem alguns deles a advertir sobre o perigo de guerra mundial ou regional. Uma exce\u00e7\u00e3o recente \u00e9 a do Papa Francisco quando afirmou que atualmente nos encontramos perante &#8220;uma terceira guerra mundial&#8221; que ele descreve como a desenvolver-se &#8220;por partes&#8221; ainda que sem designar os contendores e fazendo vagas refer\u00eancias \u00e0 &#8220;cobi\u00e7a&#8221; e a &#8220;interesses esp\u00farios&#8221; com a linguagem confusa e jesu\u00edtica que o caracteriza\u00a0[3].<\/p>\n<p>A cada m\u00eas acrescenta-se algum novo indiciar que anuncia a proximidade de uma nova recess\u00e3o global muito mais forte e extensa que a de 2009. O capitalismo, a come\u00e7ar pelo seu polo imperialista, foi-se convertendo velozmente num sistema de saqueio onde a reprodu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as produtivas fica completamente subordinada \u00e0 l\u00f3gica do parasitismo. As elites imperiais e suas lumpen-burguesias sat\u00e9lites &#8220;necessitam&#8221; superexplorar at\u00e9 ao exterm\u00ednio seus recursos naturais e mercados perif\u00e9ricos para sustentar as taxas de lucro do seu decadente sistema produtivo-financeiro.<\/p>\n<p>As tend\u00eancias globais rumo \u00e0 decad\u00eancia econ\u00f4mica exprimem-se de m\u00faltiplas maneiras no dia a dia. Dentre elas, a volatilidade dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, o petr\u00f3leo, por exemplo, chave mestra da economia mundial, cujo estancamento extrativo (que n\u00e3o conseguiu ser superado pelo show medi\u00e1tico em torno do &#8220;milagroso&#8221; petr\u00f3leo de xisto) combina-se com desacelera\u00e7\u00f5es da procura internacional como ocorre atualmente. A isso se somam golpes especulativos e geopol\u00edticos que convertem os mercados em espa\u00e7os inst\u00e1veis onde as manobras de curto prazo imp\u00f5em a incerteza.<\/p>\n<p>O curto-prazismo especulativo hegem\u00f4nico engendra pacotes tecnol\u00f3gicos depredadores como a minera\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto, a fratura hidr\u00e1ulica ou a agricultura com base em transg\u00eanicos acompanhados por opera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e comunicacionais que degradam, desarticulam sistemas sociais procurando convert\u00ea-los em espa\u00e7os indefesos diante dos saqueios.<\/p>\n<p>O otimismo econ\u00f4mico da \u00e9poca do auge neoliberal deu lugar ao pessimismo do &#8220;estancamento secular&#8221; agora apregoado pelos grandes peritos do sistema\u00a0[4]. Eles indicam que a salva\u00e7\u00e3o do capitalismo n\u00e3o chegar\u00e1 a partir da economia condenada a sofrer recess\u00f5es ou crescimentos insignificantes, o melhor \u00e9 nem falar demasiado desses tristes temas. Ent\u00e3o a guerra ascende ao primeiro plano, algum massacre protagonizado por tropas regulares ou mercen\u00e1rias, algum bombardeio, alguma amea\u00e7a de ataque na Europa do Leste, \u00c1sia, \u00c1frica ou Am\u00e9rica Latina. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o nos esmagam com essas not\u00edcias, contudo ningu\u00e9m fala da guerra global.<\/p>\n<p>Tudo acontece como se a din\u00e2mica da guerra se houvesse autonomizado mas empregado um discurso embrulhado, dif\u00edcil de entender. Mas assim como os super-poderes dos homens de neg\u00f3cios dos anos 1990 n\u00e3o eram independentes e sim compartilhados no interior de uma complexa trama de poderes (pol\u00edticos, medi\u00e1ticos, militares, etc) que em termos gerais costuma-se denominar como &#8220;classe dominante&#8221;, tamb\u00e9m a aparente autonomia do militar dificulta-nos ver as redes mafiosas de interesses onde se borram as fronteiras entre os seus componentes. As elites da era neoliberal sofreram mudan\u00e7as decisivas, experimentaram muta\u00e7\u00f5es que as converteram em classes completamente degeneradas que, cada vez mais, s\u00f3 podem recorrer \u00e0 for\u00e7a bruta, \u00e0 l\u00f3gica da guerra. N\u00e3o se trata, portanto de a componente militar se autonomizar e sim, antes, de que as elites imperialistas se militarizam. Elas j\u00e1 n\u00e3o seduzem com ofertas de consumo mais algumas doses de viol\u00eancia, agora s\u00f3 propagam o medo, amea\u00e7am com as suas armas ou utilizam-nas.<\/p>\n<p>Progressismos latino-americanos<\/p>\n<p>Dentro desse contexto global devemos avaliar os progressismos latino-americanos\u00a0[5]\u00a0que se instalaram na base das crises de governabilidade dos regimes neoliberais.<\/p>\n<p>Os bons pre\u00e7os internacionais das mat\u00e9rias-primas durante a d\u00e9cada passada, somados a pol\u00edticas de conten\u00e7\u00e3o social dos pobres, permitiram-lhes recompor a governabilidade dos sistemas existentes. Em alguns desses casos desenvolveram-se amplia\u00e7\u00f5es ou renova\u00e7\u00f5es das elites capitalistas e em quase todos eles prosperaram as classes m\u00e9dias. Os governos progressistas iludiram-se supondo que as melhorias econ\u00f4micas lhes permitiriam ganhar politicamente os referidos setores, mas, como era previs\u00edvel, ocorreu o contr\u00e1rio: as camadas m\u00e9dias iam para a direita e, enquanto ascendiam, olhavam com desprezo os de baixo e assumiam como pr\u00f3prios os del\u00edrios mais reacion\u00e1rios das suas burguesias. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples, na medida em que s\u00e3o preservados (e ainda fortalecidos) os fundamentos do sistema e em que seus n\u00facleos decisivos radicalizam seu elitismo depredador seguindo a rota tra\u00e7ada pelos Estados Unidos (e &#8220;Ocidente&#8221; em geral) produz-se um encadeamento de subculturas neofascistas que v\u00e3o desde acima at\u00e9 abaixo, desde o centro at\u00e9 as burguesias perif\u00e9ricas e desde estas at\u00e9 suas camadas m\u00e9dias. Na Venezuela, Brasil ou Argentina as classes m\u00e9dias melhoravam seu n\u00edvel de vida e ao mesmo tempo despejavam seus votos nos candidatos da direita velha ou renovada.<\/p>\n<p>Estabeleceu-se um conflito intermin\u00e1vel entre governos progressistas que tornavam govern\u00e1veis os capitalismos locais e direitas selvagens ansiosas por realizar grandes roubos e esmagar os pobres. O progressismo, confrontado politicamente com essa direita qualificada de &#8220;irrespons\u00e1vel&#8221;, cujos fundamentos econ\u00f3micos respeitava, chantageava aqueles na esquerda que criticavam sua submiss\u00e3o \u00e0s regras do jogo do capitalismo utilizando o pap\u00e3o reacion\u00e1rio (&#8220;n\u00f3s ou a besta&#8221;), acusando-os de fazerem o jogo da direita. Na realidade o progressismo \u00e9 um grande jogo favor\u00e1vel ao sistema e em \u00faltima an\u00e1lise \u00e0 direita, sempre em condi\u00e7\u00f5es de retornar ao governo gra\u00e7as \u00e0 modera\u00e7\u00e3o, \u00e0 &#8220;ast\u00facia&#8221; aparentemente est\u00fapida dos progressistas que por vezes conseguem cooptar esquerdas claudicantes cuja obsess\u00e3o em &#8220;n\u00e3o fazer o jogo da direita&#8221; (e simultaneamente integrar-se no sistema) \u00e9 completamente funcional \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds burgu\u00eas e em consequ\u00eancia a essa detest\u00e1vel direita.<\/p>\n<p>Agora o jogo come\u00e7a a esgotar-se. Os progressismos governantes, com diferentes ritmos e variados discursos, acossados pelo arrefecimento econ\u00f3mico global e pelo crescente intervencionismo dos Estados Unidos, v\u00e3o perdendo espa\u00e7o pol\u00edtico. Em v\u00e1rios casos suas dificuldades fiscais pressionam-nos a ajustar despesas p\u00fablicas (e de modo algum a reduzir os super lucros dos grupos econ\u00f3micos mais concentrados), a aceitar as devasta\u00e7\u00f5es da mega-minera\u00e7\u00e3o ou a adotar medidas que facilitam a concentra\u00e7\u00e3o de rendimentos. No Brasil, o segundo governo Dilma colocou um neoliberal puro e duro no comando da pol\u00edtica econ\u00f3mica, encurralado por uma direita ascendente, uma economia oscilando entre o estancamento e a recess\u00e3o e uma interven\u00e7\u00e3o norte-americana cada vez mais ativa. No Uruguai o novo governo de Tabar\u00e9 Vazquez mostra um rosto claramente conservador e no Chile a presid\u00eancia Bachelet n\u00e3o precisa correr demasiado \u00e0 direita, depois da sua rosada demagogia eleitoral afirma-se como continuidade do governo anterior e em consequ\u00eancia, passada a confus\u00e3o inicial, herdar\u00e1 tamb\u00e9m a hostilidade de importantes faixas de esquerda e dos movimentos sociais.<\/p>\n<p>Na Argentina, o n\u00facleo duro agro mineral exportador-financeiro e os grupos industriais exportadores mais concentrados est\u00e3o mais pr\u00f3speros do que nunca enquanto a inger\u00eancia norte-americana amplia-se conduzindo o jogo de t\u00edteres pol\u00edticos rumo a uma ruptura ultra-direitista. Na Venezuela a eterna transi\u00e7\u00e3o rumo a um socialismo que nunca acaba de chegar n\u00e3o conseguiu superar o capitalismo ainda que torne ca\u00f3tico o seu funcionamento, forjando desse modo o cen\u00e1rio de uma grande trag\u00e9dia. Por enquanto s\u00f3 a Bol\u00edvia parece salvar-se da avalanche, afirmando-se na maior muta\u00e7\u00e3o social da sua hist\u00f3ria moderna sem superar o \u00e2mbito do subdesenvolvimento capitalista mas recompondo-o integrando as massas submersas, multiplicando por mil o que havia feito o peronismo na Argentina entre 1945 e 1955 (de qualquer forma isso n\u00e3o a liberta da mudan\u00e7a de contexto regional-global).<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina assistimos a um processo de crise muito profundo onde convergem progressismos declinantes com neoliberalismo integralmente degradados, como na Col\u00f4mbia ou no M\u00e9xico, conformando um panorama comum de perda de legitimidade do poder pol\u00edtico, avan\u00e7os de grupos econ\u00f4micos saqueadores e ativismo imperialista cada vez mais forte.<\/p>\n<p>A este panorama sombrio \u00e9 necess\u00e1rio incorporar elementos que d\u00e3o esperan\u00e7a, sem os quais n\u00e3o poder\u00edamos come\u00e7ar a entender o que est\u00e1 a ocorrer. Por debaixo dos truques pol\u00edticos, dos neg\u00f3cios r\u00e1pidos e das histerias fascistas aparecem os protestos populares multitudin\u00e1rios, a persist\u00eancia de esquerdas n\u00e3o cooptadas pelo sistema (para al\u00e9m dos seus perfis mais ou menos moderados ou radicais), a presen\u00e7a de insurg\u00eancias incipientes ou poderosas (como na Col\u00f4mbia).<\/p>\n<p>Nem os cantos de sereia progressistas nem a repress\u00e3o neoliberal puderam fazer desaparecer ou marginalizar completamente esses fantasmas. Realidade latino-americana que preocupa os estrategas do Imp\u00e9rio, que temem o que consideram como sua inevit\u00e1vel arremetida contra a regi\u00e3o possa desencadear o inferno da insurg\u00eancia continental. Nesse caso o para\u00edso dos grandes neg\u00f3cios poderia converter-se num grande atoleiro onde afundaria o conjunto do sistema.<\/p>\n<p>Geopol\u00edtica do Imp\u00e9rio, integra\u00e7\u00f5es e coloniza\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia dos Estados Unidos aparece articulada em torno de tr\u00eas grandes eixos; o transatl\u00e2ntico e o transpac\u00edfico que apontam num gigantesco jogo de pin\u00e7as contra a converg\u00eancia russo-chinesa, centro motor da integra\u00e7\u00e3o euro-asi\u00e1tica. E a seguir o eixo latino-americano destinado \u00e0 recoloniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos tentam converter a massa continental asi\u00e1tica e sua amplia\u00e7\u00e3o russo-europeia num espa\u00e7o desarticulado, com grandes zonas ca\u00f3ticas, objeto de saqueio e super-explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os recursos naturais, assim como os laborais, desses territ\u00f3rios constituem seu centro de aten\u00e7\u00e3o principal, na elipse estrat\u00e9gica que cobre o Golfo P\u00e9rsico e a Bacia do Mar C\u00e1spio estendendo-se em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia encontram-se 80% das reservas globais de g\u00e1s e 60% das de petr\u00f3leo e na China habitam pouco mais de 230 milh\u00f5es de oper\u00e1rios industriais (aproximadamente um ter\u00e7o do total mundial).<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina aparece como o quintal a recolonizar. Ali se encontram, por exemplo, as reservas petrol\u00edferas da Venezuela (as primeira do mundo, 20% do total global), cerca de 80% das reservas mundiais de l\u00edtio (num tri\u00e2ngulo territorial compreendido pelo Norte do Chile e Argentina e pelo Sul da Bol\u00edvia) imprescind\u00edvel na futura ind\u00fastria do autom\u00f3vel el\u00e9ctrico, as reservas de g\u00e1s e petr\u00f3leo de xisto do Sul argentino, fabulosas reservas de \u00e1gua doce do aqu\u00edfero guarani entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina.<\/p>\n<p>Uma das ofensivas fortes do Imp\u00e9rio na d\u00e9cada passada foi a tentativa de constitui\u00e7\u00e3o da ALCA, zona de livre com\u00e9rcio e investimentos que significava a anexa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da regi\u00e3o por parte dos Estados Unidos. O projeto fracassou. A ascens\u00e3o do progressismo latino-americano somado \u00e0 emerg\u00eancia de pot\u00eancias n\u00e3o ocidentais, sobretudo a China, e o atolamento estadunidense nas suas guerras asi\u00e1ticas foram fatores decisivos que em diferentes medidas debilitaram a investida imperial.<\/p>\n<p>Mas a partir da chegada de Obama \u00e0 presid\u00eancia os Estados Unidos desencadearam uma ofensiva flex\u00edvel de reconquista da Am\u00e9rica Latina: foi posta em marcha uma complexa mescla de press\u00f5es, negocia\u00e7\u00f5es, desestabiliza\u00e7\u00f5es e golpes de estado. Os golpes brandos com \u00eaxito em Honduras e no Paraguai, as tentativas de desestabiliza\u00e7\u00e3o no Equador, Argentina, Brasil e sobretudo na Venezuela (onde se vai perfilando uma interven\u00e7\u00e3o militar), mas tamb\u00e9m a tentativa em curso de extin\u00e7\u00e3o negociada da guerrilha colombiana e a domestica\u00e7\u00e3o de Cuba fazem parte dessa estrat\u00e9gia de recoloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mesma \u00e9 implementada atrav\u00e9s de uma sucess\u00e3o de tentativas suaves e duras tendente a desarticular as resist\u00eancias estatais e os processos de integra\u00e7\u00e3o regional (Unasul, Celac, Alba) e extra-regionais perif\u00e9ricos (BRICS, acordos com a China e a R\u00fassia, etc) assim como a bloquear, corromper ou dissolver as resist\u00eancias sociais e as alternativas pol\u00edticas mais avan\u00e7adas, em curso ou potenciais. Tentando levar avante uma din\u00e2mica de desarticula\u00e7\u00e3o mas procurando evitar que a mesma gere rebeli\u00f5es que se propaguem como um rastilho de p\u00f3lvora numa regi\u00e3o atualmente muito inter-relacionada.<\/p>\n<p>Sabem muito bem que em muitos pa\u00edses da regi\u00e3o a substitui\u00e7\u00e3o de governos &#8220;progressistas&#8221; por outros abertamente pr\u00f3-imperialistas significa a ascens\u00e3o de camarilhas enlouquecidas que a curto prazo causariam situa\u00e7\u00f5es de caos que poderiam desencadear insurg\u00eancias perigosas. Alguns estrategas do Imp\u00e9rio acreditam poder neutralizar esse perigo com o pr\u00f3prio caos, desenvolvendo &#8220;guerras de quarta gera\u00e7\u00e3o&#8221; instalando diferentes formas de viol\u00eancia social desestruturante combinadas com destrui\u00e7\u00f5es medi\u00e1tico-culturais e repress\u00f5es seletivas. Nesse sentido, o modelo mexicano \u00e9 para eles (por agora) um paradigma interessante.<\/p>\n<p>Temem, por exemplo, que um cen\u00e1rio de caos fascista na Venezuela derive numa guerra popular que os obrigaria a intervir diretamente num conflito prolongado, o que somado \u00e0s suas guerras asi\u00e1ticas os conduziria a uma super extens\u00e3o estrat\u00e9gica ingovern\u00e1vel. \u00c9 por isso que consideram imprescind\u00edvel obter o apaziguamento da guerrilha colombiana, potencial aliada estrat\u00e9gica de uma poss\u00edvel resist\u00eancia popular venezuelana.<\/p>\n<p>O panorama \u00e9 completado com o processo de integra\u00e7\u00e3o colonial dos pa\u00edses da chamada Alian\u00e7a do Pac\u00edfico (M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Peru e Chile). A isso se somam os tratados de livre com\u00e9rcio de maneira individual com pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e outros como o Chile e a Col\u00f4mbia e o velho tratado entre EUA, Canad\u00e1 e M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Integra\u00e7\u00e3o colonial e desarticula\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o do caos e fortalecimento de polos repressivos, Capriles mais Pe\u00f1a Nieto, Ollanta Humana mais Santos mais bandos narco-mafiosos&#8230; tudo isso dentro de um contexto global de decad\u00eancia sist\u00e9mica onde a velha ordem unipolar declina sem ser substitu\u00edda por uma nova ordem multipolar. Tentativa de controle imperialista da Am\u00e9rica Latina submersa na desordem do capitalismo mundial.<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro do Imp\u00e9rio n\u00e3o consegue superar as mazelas do seu corpo envelhecido e enfermo, os del\u00edrios reproduzem-se, as fugas para frente multiplicam-se. Evidentemente encontramo-nos num momento hist\u00f3rico decisivo.<\/p>\n<p>19\/Mar\u00e7o\/2015<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>[1] Finian Cunningham, &#8220;NATO&#8217;s Shadow of Nazi Operation Barbarossa&#8221;, Strategic Culture Foundation, 13\/03\/2015<\/p>\n<p>[2] Colonel Cassad, &#8220;Ukraine: Reprise de la guerre au printemps?&#8221;,\u00a0http:\/\/lesakerfrancophone.net\/\u00a0le 13 mars 2015<\/p>\n<p>[3] &#8220;El papa Francisco advirti\u00f3 que vivimos una tercera guerra mundial combatida &#8216;por partes&#8217; &#8220;,\u00a0http:\/\/www.lanacion.com.ar\u00a0, 13 de septiembre de 2014<\/p>\n<p>[4] Laurence H Summers, &#8220;Reflections on the &#8216;New Secular Stagnation Hypothesis'&#8221; y Robert J Gordon, &#8220;The turtle&#8217;s progress: Secular stagnation meets the headwinds&#8221; en &#8220;Secular Stagnation: Facts, Causes, and Cures&#8221;, CEPR Press, 2014.<\/p>\n<p>[5] Utilizo o termo &#8220;progressista&#8221; no sentido mais amplo, desde governos que se proclamam socialistas ou pr\u00f3 socialistas como na Venezuela ou Bol\u00edvia at\u00e9 outros de corte neoliberal-progressista como os do Uruguai ou Brasil.<\/p>\n<p>[*]\u00a0Doutorado em economia e professor catedr\u00e1tico das universidades de Buenos Aires e C\u00f3rdoba, na Argentina, e de Havana, em Cuba. \u00c9 autor de\u00a0Capitalismo senil: a grande crise da economia global,\u00a0publicado no Brasil pela editora Record (2001). Dirige o Instituto de Pesquisa Cient\u00edfica da Universidade da Bacia do Prata e publica regularmente em\u00a0Le Monde Diplomatique\u00a0(em castelhano).<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em\u00a0http:\/\/resistir.info\/\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Jorge Beinstein* Tudo ao mesmo tempo: em meados do m\u00eas de Mar\u00e7o de 2015 os Estados Unidos deram um salto qualitativo de \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8226\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-8226","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-28G","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8226","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8226\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}