{"id":835,"date":"2010-09-24T23:23:49","date_gmt":"2010-09-24T23:23:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=835"},"modified":"2010-09-24T23:23:49","modified_gmt":"2010-09-24T23:23:49","slug":"ique-pasa-en-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/835","title":{"rendered":"\u00bfQu\u00e9 pasa en Cuba?"},"content":{"rendered":"\n<p>22 de setembro de 2020<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 mesmo uma gigantesca pedra no sapato do sistema capitalista. Tanto que qualquer coisa que por l\u00e1 acontece, vira logo manchete da CNN, bra\u00e7o propagand\u00edstico do governo estadunidense. Agora, a bola da vez s\u00e3o as demiss\u00f5es que foram anunciadas por Raul Castro. Histericamente, as jornalistas bem apessoadas da Venus de Atlanta, falam em derrocada do sistema cubano. \u00c9 o fim do socialismo, guincham, aliviadas. \u00c9, porque o tal do regime cubano \u00e9 uma excresc\u00eancia que sobrevive h\u00e1 mais de 50 anos a todos os ataques do sistema capitalista e do governo mais armado do mundo. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que os suspiros aliviados sejam uma constante na m\u00eddia mundial, que reproduz acriticamente as histerias \u201c<em>ceeneanas\u201d<\/em>. Mas, para quem consegue enxergar al\u00e9m da ideologia, a quest\u00e3o cubana pode ser explicada de forma menos simplista.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, como bem lembra o professor Nildo Ouriques, do IELA, em entrevista \u00e0 CNN, Cuba nunca foi um pa\u00eds congelado. A cada aperto da conjuntura o pa\u00eds se analisa e inventa sa\u00eddas econ\u00f4micas e pol\u00edticas para suas crises. Foi assim quando ruiu o sistema sovi\u00e9tico. Todo mundo capitalista apostava na derrocada das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o haveria sa\u00edda para Cuba. Mas, num esfor\u00e7o descomunal a ilha se refez e seguiu em frente. Naqueles dias, a abertura para o turismo acabou sendo uma resposta eficaz para garantir ingressos ao pa\u00eds. Muitas foram as cr\u00edticas e boa parte do mundo apostava que esta abertura iria levar o pa\u00eds para a \u00f3rbita do sistema capitalista. \u00c9 certo que vieram muitos problemas com esta medida, mas as conquistas b\u00e1sicas da revolu\u00e7\u00e3o seguiram existindo. Sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura, moradia, comida e, fundamentalmente, soberania nacional. Depois, com a doen\u00e7a de Fidel, nova gritaria geral. \u201cAgora acabou\u201d, vaticinavam as harpias (aves de rapina das mais ferozes).<\/p>\n<p>Hoje Cuba enfrenta novos problemas conjunturais. H\u00e1 uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o viveu a revolu\u00e7\u00e3o e que, de certa forma, vive ap\u00e1tica diante das conquistas. Isso \u00e9 um problema e tanto para o governo. H\u00e1 que imprimir horizontes na rota da juventude. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um crescimento e congelamento da burocracia estatal, o que d\u00e1 mais imobilidade o sistema. Um pouco \u00e9 isso que Raul Castro quer desfazer com essa proposta de demiss\u00e3o de 12% dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Segundo o presidente cubano, essas demiss\u00f5es n\u00e3o afetar\u00e3o os servi\u00e7os estrat\u00e9gicos que se configuram as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o. Existem crit\u00e9rios muito claros para as demiss\u00f5es e elas ser\u00e3o feitas em setores onde a m\u00e1quina est\u00e1 definitivamente inchada e inerte.<\/p>\n<p>A proposta do governo \u00e9 permitir e incentivar que os trabalhadores cubanos possam investir em outros tipos de neg\u00f3cios que v\u00e3o desde propostas de trabalho privado a cooperativas. No geral, os cubanos est\u00e3o gostando desta iniciativa, uma vez que sempre houve reclama\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o aos sal\u00e1rios, considerados baixos, apesar de todos terem garantidos os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia. \u201cEu estive em Cuba h\u00e1 pouco tempo e pude ver e ouvir das pessoas o apoio a estas medidas. H\u00e1 uma discuss\u00e3o pesada sobre a quest\u00e3o moral que \u00e9 central neste momento: h\u00e1 gente roubando do estado e isso n\u00e3o pode acontecer. Porque roubar o estado \u00e9 roubar toda a gente. E tamb\u00e9m h\u00e1 um desejo das pessoas por mudan\u00e7as na economia. A maioria ap\u00f3ia essa proposta de se criar pequenos neg\u00f3cios\u201d, diz Nildo Ouriques, professor e economista.<\/p>\n<p>Agora, o governo quer descongelar a m\u00e1quina estatal e isso tamb\u00e9m \u00e9 saudado por uma parcela do povo que sempre se ressentiu dos burocratas encravados na m\u00e1quina governamental. Os trabalhadores, h\u00e1 tempos, buscavam abertura no governo para trabalharem fora do Estado e isso aparece agora como uma boa oportunidade. E, na verdade, j\u00e1 se formava em Cuba uma esp\u00e9cie de mundo paralelo, no qual os trabalhadores usavam seu tempo vago para arranjar alguma coisa \u201cpor fora\u201d. E esse \u201cpor fora\u201d, al\u00e9m de envolver trabalho privado, tamb\u00e9m funcionava como um mercado igualmente paralelo, formado por coisas roubadas do estado, como j\u00e1 relatou e analisou em seus textos semanais o pr\u00f3prio Fidel Castro. Esse trabalho ilegal agora n\u00e3o mais o ser\u00e1. Assim como tende a desaparecer o mercado paralelo. Pelo menos \u00e9 o que pretende o governo com essas medidas.<\/p>\n<p>Por outro lado, na camada de trabalhadores que sempre esteve nos quadros do Estado, h\u00e1 um grande medo com rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Muitos deles n\u00e3o saberiam o que fazer longe da m\u00e1quina estatal. Mas, o pr\u00f3prio governo cubano j\u00e1 deixou claro que vai ajudar aos trabalhadores a encontrarem um caminho nesta nova conjuntura, inclusive garantindo o cr\u00e9dito. A maioria, que segue acreditando no processo revolucion\u00e1rio, sabe que muito do que hoje t\u00eam de conquistas devem \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o e estes seguir\u00e3o fazendo aquilo que \u00e9 melhor para Cuba. Raul Castro tem dito que o regime cubano haver\u00e1 de encontrar os caminhos para resolver seus problemas como sempre fez. Mais de 100 novas atividades, antes s\u00f3 permitidas no \u00e2mbito estatal, poder\u00e3o ser realizadas por pessoas fora da m\u00e1quina. Ser\u00e1 necess\u00e1rio criar toda uma nova infraestrutura para esta gente, mas o grupo governante acredita que, coletivamente, o povo cubano pode encontrar as respostas.<\/p>\n<p>A Central de Trabalhadores Cubanos fez um pronunciamento a todos os cubanos onde conclama para a unidade e para manter em marcha os ideais da revolu\u00e7\u00e3o: \u201cA unidade dos trabalhadores cubanos e de nosso povo tem sido chave para materializar a gigantesca obra edificada pela Revolu\u00e7\u00e3o e, nas transforma\u00e7\u00f5es que agora empreendemos, ela continuar\u00e1 sendo nossa mais importante arma estrat\u00e9gica\u201d. Segundo a CTC, o Estado n\u00e3o pode mais continuar com o mesmo modelo de empresas ineficazes, com quadros inflados. Assim, respalda a proposta governamental de ampliar e diversificar as op\u00e7\u00f5es que resultam em novas formas de rela\u00e7\u00e3o trabalhista. A Central acredita que tudo isso vai ser bom para Cuba e para os cubanos.<\/p>\n<p>Fidel Castro sempre disse e continua afirmando isso: as sa\u00eddas encontradas por Cuba ao longo destes anos todos s\u00e3o as sa\u00eddas cubanas. N\u00e3o adianta a esquerda mundial se escabelar querendo que a ilha permane\u00e7a imut\u00e1vel diante das mudan\u00e7as do mundo. S\u00e3o os cubanos que sabem de seus problemas e s\u00e3o eles os que encontrar\u00e3o as formas de super\u00e1-los. Como lembra Raul, Cuba est\u00e1 frequentemente mudando para tentar seguir sempre a mesma: aquela que garante ao seu povo as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Analistas do mau agouro insistem em dizer que o regime faliu, que est\u00e1 se entregando ao capitalismo, que o povo cubano n\u00e3o quer mais viver \u00e0 margem do sistema capitalista, que as gentes querem poder comprar coisas bonitas e viverem em liberdade. Mas, para os dirigentes cubanos h\u00e1 uma grande dist\u00e2ncia entre o sistema privado capitalista (no qual um empres\u00e1rio \u00e9 dono da for\u00e7a de trabalho e da mais-valia de milhares) e o chamado \u201ctrabalho por conta pr\u00f3pria\u201d, o que est\u00e1 sendo agora incentivado. Este \u00e9 o pequeno neg\u00f3cio, em nada parecido ao sistema de explora\u00e7\u00e3o capitalista. Nos seus discursos e nas conversas com a popula\u00e7\u00e3o Raul Castro tem dito que o estado cubano precisa melhorar sua produtividade, inclusive, para seguir garantindo os servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade ao povo. Nas vozes que se podem escutar em outras fontes que n\u00e3o as da CNN h\u00e1 uma boa expectativa. Os trabalhadores sabem que o n\u00famero soa alto demais quando se fala em 500 mil despedidos, mas por outro lado, dizem que boa parte destes trabalhadores j\u00e1 tinha trabalhos paralelos. O governo cubano vai amparar quem tiver dificuldade. Assim diz Raul, em diversos comunicados divulgados pela televis\u00e3o, pelos jornais e pelo r\u00e1dio.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as em Cuba apontam para cen\u00e1rios m\u00faltiplos, \u00e9 certo. Pode acabar o socialismo, pode crescer a iniciativa privada, pode mudar a mentalidade do povo, pode crescer a id\u00e9ia do consumo, podem ruir as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o, pode fortalecer ainda mais o sistema, pode avan\u00e7ar no socialismo. Sim, tudo est\u00e1 aberto. Na verdade, sempre foi assim. O horizonte, desde a her\u00f3ica conquista em janeiro de 1959, tem se apresentado como um quadro a ser pintado, permanentemente, porque a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa cristalizada. Ela \u00e9 um processo. Para os velhos militantes, a esperan\u00e7a \u00e9 que estes 50 anos de educa\u00e7\u00e3o, cultura e luta pela soberania nacional fa\u00e7am valer o que j\u00e1 foi conquistado. Eles fazem quest\u00e3o de lembrar que nestes mais de 50 anos houve um bloqueio feroz e, por vezes, desumano, contra o pa\u00eds e contra o povo cubano. E Cuba sempre conseguiu se reinventar. Agora, a ilha passa por nova onda de mudan\u00e7as. Haver\u00e1 de encontrar seus caminhos. A diferen\u00e7a, cr\u00eaem, \u00e9 que o governo e o povo fazem isso juntos e de forma soberana.<\/p>\n<p>Enfim, Cuba segue seu caminho, com todas as suas limita\u00e7\u00f5es, seus erros, mas tamb\u00e9m seus acertos. O povo cubano responder\u00e1 \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>*Florianopolis, jornalista da UFSC<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/eteia.blogspot.com\/2010\/09\/que-pasa-en-cuba.html<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Granma\n\n\n\n\n\n\n\n\nElaine Tavares*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/835\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c57-revolucao-cubana"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-dt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/835\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}