{"id":8371,"date":"2015-05-20T15:27:20","date_gmt":"2015-05-20T18:27:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8371"},"modified":"2015-05-27T21:51:07","modified_gmt":"2015-05-28T00:51:07","slug":"e-se-putin-estiver-dizendo-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8371","title":{"rendered":"E se Putin estiver dizendo a verdade?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"http:\/\/www.patrialatina.com.br\/imagemmenor.php?imagem=fotos\/18-05-2015_10_46_42_.jpg\" alt=\"imagem\" \/><strong>[*] F. William Engdahl \u2013 New Eastern Outlook, NEO<\/strong><\/p>\n<p><strong>What if Putin is Telling the Truth? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu<\/strong><!--more--><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal\/images\/stories\/outras-opinioes.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Dia 26\/4\/2015, o canal de TV Rossiya 1, o principal da R\u00fassia, mostrou o presidente Vladimir Putin num document\u00e1rio ao povo russo sobre os eventos do per\u00edodo recente, incluindo a reintegra\u00e7\u00e3o da Crimeia, o golpe de Estado dos EUA na Ucr\u00e2nia, e o estado geral das rela\u00e7\u00f5es com os EUA e a UE. Putin falou com franqueza. Em sua fala \u00e0 TV, o ex-chefe da KGB russa disparou uma bomba pol\u00edtica, algo de que a intelig\u00eancia russa j\u00e1 sabia h\u00e1 duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Putin disse sem meias palavras que, pela avalia\u00e7\u00e3o dele, o ocidente s\u00f3 se daria por satisfeito se encontrasse uma R\u00fassia fraca, sofrendo e implorando miseric\u00f3rdia ao oeste, o que, bem evidentemente, o pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 disposto a fazer. Adiante, pouco depois, o presidente russo disse, pela primeira vez publicamente, algo de que a intelig\u00eancia russa j\u00e1 sabia h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas mas mantivera em sil\u00eancio at\u00e9 agora, talvez com esperan\u00e7as de uma era de rela\u00e7\u00f5es mais normais entre R\u00fassia e EUA.<\/p>\n<p>Putin disse que o terror na Chech\u00eania e no C\u00e1ucaso russo no in\u00edcio dos anos 1990s foi ativamente apoiado pela CIA e pelos servi\u00e7os ocidentais de intelig\u00eancia, deliberadamente para enfraquecer a R\u00fassia. Disse que os servi\u00e7os de intelig\u00eancia do Gabinete de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da R\u00fassia encontraram provas do papel clandestino dos EUA naquelas a\u00e7\u00f5es, sem dar detalhes.<\/p>\n<p>O que Putin, que foi oficial do mais alto n\u00edvel da intelig\u00eancia da R\u00fassia, apenas sugeriu nos seus coment\u00e1rios, eu j\u00e1 havia relatado detalhadamente, colhido de fontes n\u00e3o russas. Aquele relat\u00f3rio teve implica\u00e7\u00f5es imensas, porque revelou ao mundo a agenda clandestina de c\u00edrculos muito influentes em Washington, dedicados a destruir a R\u00fassia como estado soberano funcional, agenda que inclui o golpe dos neonazistas na Ucr\u00e2nia e severa a\u00e7\u00e3o de guerra financeira contra Moscou.<\/p>\n<p>O que aqui publico \u00e9 extra\u00eddo do meu livro, Amerikas\u2019 Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014].<\/p>\n<p><strong>As guerras chechenas da CIA<\/strong><\/p>\n<p>Pouco depois de os mujahidin financiados pela CIA e pela intelig\u00eancia saudita terem devastado o Afeganist\u00e3o no final dos anos 1980s, for\u00e7ando a sa\u00edda do Ex\u00e9rcito Sovi\u00e9tico em 1989 e a dissolu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria URSS alguns meses depois, a CIA p\u00f4s-se a procurar pontos poss\u00edveis, na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, onde seus \u201c\u00e1rabes afeg\u00e3os\u201d treinados pudessem ser infiltrados para desestabilizar sempre mais a influ\u00eancia russa no espa\u00e7o eurasiano p\u00f3s-sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Eram chamados \u201c\u00e1rabes afeg\u00e3os\u201d porque haviam sido recrutados dos ultraconservadores mu\u00e7ulmanos sunitas wahhabistas da Ar\u00e1bia Saudita, dos Emirados \u00c1rabes, do Kuwait e de outros pontos do mundo \u00e1rabe onde se praticasse o Isl\u00e3 wahhabista ultrarestritivo. Haviam sido trazidos para o Afeganist\u00e3o no in\u00edcio dos anos 1980s por um saudita recrutado pela CIA e que havia sido mandado para o Afeganist\u00e3o, de nome Osama bin Laden.<\/p>\n<p>Com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica j\u00e1 em total caos e confus\u00e3o, o governo de George H.W. Bush (Bush pai) decidiu \u201cchut\u00e1-los quando estavam por baixo\u201d [orig. kick\u2019em when they\u2019re down], lament\u00e1vel erro. Washington realocou seus terroristas afeg\u00e3os veteranos, para desestabilizar e levar o caos a toda a \u00c1sia Central, at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria Federa\u00e7\u00e3o Russa, ent\u00e3o mergulhada em crise profunda e traum\u00e1tica durante o colapso econ\u00f4mico na era Yeltsin.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1990s, a empresa Halliburton, de Dick Cheney, havia examinado o Azerbaij\u00e3o, o Cazaquist\u00e3o e toda a Bacia do Mar C\u00e1spio, pesquisando para determinar o potencial de petr\u00f3leo em alto mar. Conclu\u00edram que a regi\u00e3o seria \u201coutra Ar\u00e1bia Saudita\u201d, valendo v\u00e1rios trilh\u00f5es de d\u00f3lares no c\u00e2mbio de hoje. EUA e Reino Unido decidiram que era necess\u00e1rio manter bem longe do controle dos russos toda aquela orgia de petr\u00f3leo, a qualquer custo.<\/p>\n<p>A primeira medida de Washington foi encenar um golpe no Azerbaij\u00e3o, contra o presidente eleito Abulfaz Elchibey, para ali instalar presidente mais amig\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a um oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC) controlado pelos EUA, \u201co oleoduto mais pol\u00edtico do mundo\u201d, levando petr\u00f3leo de Baku, do Azerbaij\u00e3o, atrav\u00e9s da Ge\u00f3rgia, at\u00e9 a Turquia e o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Naquele momento, o \u00fanico oleoduto que partia de Baku era da era sovi\u00e9tica e atravessava a capital chechena, Grozny, levando o petr\u00f3leo de Baku para o norte, pela prov\u00edncia russa do Daguest\u00e3o, atravessando a Chech\u00eania at\u00e9 o porto russo de Novorossiysk no Mar Negro. O oleoduto era o \u00fanico concorrente e grande obst\u00e1culo \u00e0 car\u00edssima rota alternativa de Washington e das grandes brit\u00e2nicas e norte-americanas do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O presidente Bush Pai deu aos seus velhos conhecidos na CIA autoriza\u00e7\u00e3o para destruir aquele oleoduto russo-checheno e para criar tal caos no C\u00e1ucaso que nenhuma empresa nem ocidental nem russa cogitaria de usar o oleoduto russo de Grozny.<\/p>\n<p>Graham E. Fuller, velho conhecido de Bush e ex-vice diretor do Conselho Nacional de Intelig\u00eancia da CIA havia sido um dos principais arquitetos da estrat\u00e9gia da CIA com os mujahidin. Fuller descreveu a estrat\u00e9gia da CIA no C\u00e1ucaso no in\u00edcio dos anos 1990s:<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de guiar a evolu\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3 e de ajud\u00e1-los contra nossos advers\u00e1rios funcionou maravilhosamente bem no Afeganist\u00e3o contra o Ex\u00e9rcito Vermelho. As mesmas doutrinas podem ainda ser usadas para desestabilizar o que resta do poder russo.\u201d (Nota 6, in Amerikas\u2019 Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014]).<\/p>\n<p>Para a opera\u00e7\u00e3o, a CIA usou um veterano em truques sujos, general Richard Secord. Secord criou uma empresa de fachada para a CIA, MEGA Oil. Secord havia sido condenado nos anos 1980s por seu papel chave nas opera\u00e7\u00f5es ilegais da CIA, de drogas e armas, do chamado \u201cCaso Iran-Contras\u201d.<\/p>\n<p>Em 1991, Secord, ex-Vice-Secret\u00e1rio de Defesa Assistente, aterrissou em Baku e cuidou da instala\u00e7\u00e3o da empresa de fachada para encobrir a a\u00e7\u00e3o da CIA, MEGA Oil. Era veterano das opera\u00e7\u00f5es clandestinas da CIA no com\u00e9rcio de \u00f3pio no Laos durante a Guerra do Vietn\u00e3. No Azerbaij\u00e3o, implantou uma empresa a\u00e9rea pela qual voaram clandestinamente centenas dos mujahidin da al-Qaeda de bin Laden, do Afeganist\u00e3o para dentro do Azerbaij\u00e3o. Em 1993, a empresa MEGA Oil j\u00e1 recrutara e armara 2 mil mujahidin, convertendo Baku numa base para opera\u00e7\u00f5es terroristas por toda a regi\u00e3o do C\u00e1ucaso.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o clandestina dos mujahidin do general Secord no C\u00e1ucaso iniciou o golpe militar que derrubou o presidente eleito Abulfaz Elchibey naquele ano, e instalou em seu lugar Heydar Aliyev, fantoche mais curv\u00e1vel aos desejos dos EUA. Relat\u00f3rio secreto da intelig\u00eancia turca que vazou para o Sunday Times de Londres confirmou que \u201cduas gigantes do petr\u00f3leo, BP e Amoco, uma brit\u00e2nica e outra norte-americana respectivamente, que juntas constituem o Cons\u00f3rcio Internacional Azerbaij\u00e3o de Petr\u00f3leo [orig. AIOC (Azerbaijan International Oil Consortium)], est\u00e3o por tr\u00e1s do golpe de estado.<\/p>\n<p>Turki al-Faisal, chefe da intelig\u00eancia saudita conseguiu que seu agente, Osama bin Laden, que ele pr\u00f3prio enviara para o Afeganist\u00e3o no in\u00edcio da guerra afeg\u00e3 nos primeiros anos da d\u00e9cada dos 1980s, usasse sua organiza\u00e7\u00e3o afeg\u00e3 Maktab al-Khidamat (MAK) para recrutar \u201c\u00e1rabes afeg\u00e3os\u201d para o que j\u00e1 se convertia rapidamente numa Jihad global. Os mercen\u00e1rios de Bin Laden eram usados como tropas de choque pelo Pent\u00e1gono e CIA, para coordenar e apoiar ofensivas de grupos mu\u00e7ulmanos n\u00e3o s\u00f3 no Azerbaij\u00e3o mas tamb\u00e9m na Chech\u00eania e, depois, na B\u00f3snia.<\/p>\n<p>Bin Laden trouxe outro saudita, Ibn al-Khattab, para ser comandante, ou emir dos mujahidin jihadistas na Chech\u00eania (sic!), com Shamil Basayev, senhor-da-guerra checheno. N\u00e3o importava que Ibn al-Khattab fosse \u00e1rabe saudita que mal pronunciava duas palavras em checheno, e nem isso em russo. Sabia reconhecer soldados russos e sabia matar.<\/p>\n<p>A Chech\u00eania era tradicionalmente uma sociedade em que predominavam o sufismo, ramo apol\u00edtico e moderado do Isl\u00e3. Mesmo assim a infiltra\u00e7\u00e3o sempre crescente de mujahidin terroristas bem pagos e bem treinados patrocinados pelos EUA e que pregavam uma Guerra Santa contra os russos transformou o movimento dos chechenos que inicialmente era reformista. Eles espalharam a ideologia linha dur\u00edssima da vers\u00e3o do islamismo praticada pela al-Qaeda por todo o C\u00e1ucaso. Sob a orienta\u00e7\u00e3o do general Secord, as opera\u00e7\u00f5es terroristas dos mujahidin j\u00e1 se haviam rapidamente estendido para os vizinhos Daguest\u00e3o e Chech\u00eania, o que fez de Baku um ponto de embarque de que se servia a m\u00e1fia chechena para suas exporta\u00e7\u00f5es de hero\u00edna afeg\u00e3.<\/p>\n<p>Desde meados da d\u00e9cada dos 1990s, bin Laden pagou aos l\u00edderes da guerrilha chechena Shamil Basayev e Omar ibn al-Khattab a bela soma de v\u00e1rios milh\u00f5es de d\u00f3lares\/m\u00eas, fortuna digna de reis naquela Chech\u00eania economicamente devastada nos anos 1990s, o que os capacitou para atropelar a maioria chechena, que era moderada. (Nota 21, in Amerikas\u2019 Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014]).<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia dos EUA permaneceu profundamente envolvida no conflito checheno at\u00e9 o final dos anos 1990s. Segundo Yossef Bodansky, ent\u00e3o diretor da For\u00e7a Tarefa do Congresso dos EUA para Terrorismo e Guerra n\u00e3o Convencional, Washington estava ativamente envolvida em \u201coutra jihad anti-R\u00fassia, buscando dar apoio e poder \u00e0s for\u00e7as islamistas antiocidentais mais virulentas\u201d.<\/p>\n<p>Bodansky revelou em detalhes toda a estrat\u00e9gia da CIA no C\u00e1ucaso. Diz que funcion\u00e1rios do governo dos EUA participaram de<\/p>\n<p><em>(&#8230;) uma reuni\u00e3o formal no Azerbaij\u00e3o em dezembro de 1999 na que se discutiram e aprovaram-se programas espec\u00edficos para dar treinamento e fornecer de equipamento e armas a mujahidin do C\u00e1ucaso, da \u00c1sia Sul e Central e de todo o mundo \u00e1rabe, culminando tudo isso no t\u00e1cito encorajamento, por Washington, aos aliados mu\u00e7ulmanos (principalmente Turquia, Jord\u00e2nia e Ar\u00e1bia Saudita) e a \u201cempresas privadas norte-americanas de seguran\u00e7a\u201d (&#8230;) para que dessem assist\u00eancia aos chechenos e aos seus aliados mu\u00e7ulmanos para um levante na primavera de 2000, e para que mantivessem por bem longo tempo a jihadque dali adviria (&#8230;).<\/em><\/p>\n<p>A jihad islamista no C\u00e1ucaso foi meio para impedir que a R\u00fassia se beneficiasse de uma rota vi\u00e1vel para seu oleoduto; para isso, disparou-se a espiral de viol\u00eancia e terrorismo que hoje se conhece.\u201d<\/p>\n<p>A fase mais intensa das guerras chechenas s\u00f3 come\u00e7ou a ceder em 2000, quando pesada a\u00e7\u00e3o militar russa derrotou afinal os islamistas. Foi vit\u00f3ria de Pirro, que custou perda massiva de vidas humanas e destrui\u00e7\u00e3o de cidades inteiras. O n\u00famero exato de mortos no conflito checheno insuflado pela CIA permanece ignorado. Estimativas n\u00e3o oficiais calculam de 25 mil a 50 mil mortos e desaparecidos, a maioria civis. Os russos perderam quase 11 mil soldados, segundo o Comit\u00ea de M\u00e3es de Soldados Mortos.<\/p>\n<p>As gigantes anglo-norte-americanas do petr\u00f3leo e os agentes da CIA gostaram muito. Obtiveram o oleoduto Baku\u2013Tbilisi\u2013Ceyhan que tanto queriam, e que passava ao largo do oleoduto russo em Grozny.<\/p>\n<p>Os jihadistas chechenos, sob comando islamista de Shamil Basayev, mantiveram os ataques terroristas dentro e fora da Chech\u00eania. A CIA j\u00e1 estava reorientada para o C\u00e1ucaso.<\/p>\n<p><strong>A conex\u00e3o saudita de Basayev<\/strong><\/p>\n<p>Basayev foi parte chave da jihad global criada pela CIA. Em 1992, reuniu-se com o terrorista saudita Ibn al-Khattag no Azerbaij\u00e3o. Do Azerbaij\u00e3o, Ibn al-Khattab levou Basayev ao Afeganist\u00e3o para encontrar-se com o aliado de al-Khattab e tamb\u00e9m saudita, Osama bin Laden. O papel de Ibn al-Khattab era recrutar mu\u00e7ulmanos chechenos que quisessem fazer sua Jihad contra for\u00e7as russas na Chech\u00eania, j\u00e1 como a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica clandestina da CIA para desestabilizar a R\u00fassia p\u00f3s-sovi\u00e9tica e assegurar para EUA e Gr\u00e3-Bretanha o controle sobre a energia do C\u00e1spio.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 Chech\u00eania, Basayev e al-Khattab criaram a Brigada Isl\u00e2mica Internacional [orig. International Islamic Brigade (IIB)] com dinheiro da intelig\u00eancia saudita, aprovada pela CIA e coordenada gra\u00e7as \u00e0 amizade \u00edntima entre o embaixador saudita em Washington, pr\u00edncipe Bandar bin Sultan, e a fam\u00edlia Bush. Bandar, embaixador saudita em Washington por mais de vinte anos era t\u00e3o \u00edntimo da fam\u00edlia Bush que George W. Bush referia-se ao playboy e embaixador saudita como \u201cBandar Bush\u201d, esp\u00e9cie de Bush honor\u00e1rio.<\/p>\n<p>Basayev e al-Khattab importaram para a Chech\u00eania fan\u00e1ticos sunitas wahhabistas. Ibn al-Khattab comandou o que se conhecia como \u201cos mujahidin \u00e1rabes na Chech\u00eania\u201d, seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito privado de \u00e1rabes, turcos e outros combatentes estrangeiros. Tamb\u00e9m recebeu a tarefa de organizar campos para treinamento paramilitar nas montanhas do C\u00e1ucaso checheno, para dar treinamento a chechenos e mu\u00e7ulmanos das rep\u00fablicas russas do norte do C\u00e1ucaso e da \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>A Brigada Isl\u00e2mica Internacional financiada por sauditas e pela CIA foi respons\u00e1vel por atos terroristas n\u00e3o s\u00f3 na Chech\u00eania. S\u00e3o autores tamb\u00e9m da captura de ref\u00e9ns em outubro de 2002 no Teatro Dubrovka em Moscou; e pelo horrendo massacre da escola Beslan, em setembro de 2004. Em 2010, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU publicou o seguinte relat\u00f3rio sobre a Brigada Isl\u00e2mica Internacional de al-Khattab e Basayev:<\/p>\n<p><em>Brigada Isl\u00e2mica Internacional foi listada dia 4\/3\/2003 (&#8230;) como associada \u00e0 Al-Qaeda, a Osama bin Laden ou ao Talib\u00e3, por \u201cparticipar no financiamento, planejamento, facilita\u00e7\u00e3o, prepara\u00e7\u00e3o e perpetra\u00e7\u00e3o de atos ou atividades, ou em conjun\u00e7\u00e3o com, ou sob o nome de, ou com o apoio da Al-Qaeda. (&#8230;) A Brigada Isl\u00e2mica Internacional foi fundada e comandada por Shamil Salmanovich Basayev (morto) e \u00e9 associada ao Batalh\u00e3o Riyadus-Salikhin dos Chechenos M\u00e1rtires de Reconhecimento e Sabotagem [orig. Reconnaissance and Sabotage Battalion of Chechen Martyrs (RSRSBCM)] (&#8230;) e ao Regimento Isl\u00e2mico para Opera\u00e7\u00f5es Especiais [orig. Special Purpose Islamic Regiment (SPIR)]. (&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>Na noite de 23\/10\/2002, membros do BII, do RSRSBCM e do SPIR em opera\u00e7\u00e3o conjunta, tomaram mais de 800 ref\u00e9ns no Teatro Podshipnikov Zavod (Dubrovka) em Moscou. <\/em><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>Em outubro de 1999, emiss\u00e1rios de Basayev e Al-Khattab viajaram at\u00e9 a base de Osama bin Laden na prov\u00edncia afeg\u00e3 de Kandahar, onde ficou acertado que forneceriam substancial assist\u00eancia militar e financeira, inclusive com arranjos para enviar \u00e0 Chech\u00eania v\u00e1rias centenas de combatentes, para combater contra tropas russas e executar atos de terrorismo. Adiante, no mesmo ano, Bin Laden enviou quantias substanciais de dinheiro para Basayev, Movsar Barayev (l\u00edder do SPIR) e Al-Khattab, que devia ser usado exclusivamente para treinar atiradores, recrutar mercen\u00e1rios e comprar muni\u00e7\u00e3o.<\/em><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>A \u201cferrovia terrorista\u201d, da al-Qaeda afeg\u00e3-caucasiana, financiada pela intelig\u00eancia saudita, tinha dois objetivos. Um era objetivo dos sauditas de disseminar a jihad wahhabista fan\u00e1tica por toda a regi\u00e3o centro-asi\u00e1tica da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. O segundo era a agenda da CIA, de desestabilizar e for\u00e7ar ao colapso a Federa\u00e7\u00e3o Russa depois da URSS.<\/em><\/p>\n<p><strong>Beslan<\/strong><\/p>\n<p>Dia 1\/9\/2004, terroristas armados da BII de Basayev e al-Khattab tomaram mais de 1.100 pessoas como ref\u00e9ns, num s\u00edtio que incluiu 777 crian\u00e7as e obrigaram-nos a entrar na School Number One (SNO) em Beslan na Ossetia do Norte, rep\u00fablica aut\u00f4noma da Federa\u00e7\u00e3o Russa no norte do C\u00e1ucaso, pr\u00f3ximo da fronteira com a Ge\u00f3rgia. V\u00eddeo a seguir com legendas em portugu\u00eas:<\/p>\n<p>No 3\u00ba dia da crise dos ref\u00e9ns, quando se ouviram explos\u00f5es dentro da escola, soldados do servi\u00e7o secreto e outros soldados de tropas de elite russas invadiram o pr\u00e9dio da escola. No final, havia 334 ref\u00e9ns mortos, inclusive 186 crian\u00e7as, com n\u00famero significativo de feridos e desaparecidos. Divulgou-se imediatamente que as for\u00e7as russas haviam executado mal a a\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A m\u00e1quina de propaganda de Washington, da Radio Free Europe ao New York Times e \u00e0 rede CNN, puseram-se imediatamente a demonizar Putin e a R\u00fassia pelo fracasso no encaminhamento de solu\u00e7\u00e3o para a crise de Beslan.<\/p>\n<p>A \u201cindigna\u00e7\u00e3o\u201d distraiu a aten\u00e7\u00e3o. E passou sem qualquer coment\u00e1rio, an\u00e1lise ou provid\u00eancia o fato de que havia links entre Basayev, Al-Qaeda e a intelig\u00eancia saudita. Qualquer refer\u00eancia a esses la\u00e7os chamaria a aten\u00e7\u00e3o mundial para as rela\u00e7\u00f5es muito \u00edntimas entre a fam\u00edlia do ent\u00e3o Presidente dos EUA, George W. Bush, e a fam\u00edlia bin Laden, de bilion\u00e1rios sauditas.<\/p>\n<p>Dia 1\/9\/2001, apenas dez dias antes do dia dos ataques ao WTC e ao Pent\u00e1gono, o chefe da intelig\u00eancia saudita, educado nos EUA, pr\u00edncipe Turki bin Faisal Al Saud, que dirigia a intelig\u00eancia saudita desde 1977, inclu\u00eddo a\u00ed todo o per\u00edodo da opera\u00e7\u00e3o dos mujahidin Osama bin Laden no Afeganist\u00e3o e no C\u00e1ucaso, renunciou abruptamente e inexplicavelmente, apenas alguns dias depois de ter sido nomeado pelo rei para mais um mandato como chefe da intelig\u00eancia. N\u00e3o deu qualquer explica\u00e7\u00e3o. E foi rapidamente nomeado para um posto em Londres, longe de Washington.<\/p>\n<p>Os registros das rela\u00e7\u00f5es muito \u00edntima entre as fam\u00edlias bin Laden e Bush foram soterrados \u2013 de fato foram totalmente apagados, sob alega\u00e7\u00e3o de \u201crisco \u00e0 seguran\u00e7a nacional\u201d (sic!) no relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o dos EUA sobre o 11\/9. A evid\u00eancia de que 14 dos 19 ditos terroristas do 11\/9 eram sauditas tamb\u00e9m foi deletada do relat\u00f3rio final da comiss\u00e3o oficial que investigou os ataques, e que s\u00f3 foi divulgado em julho de 2004 pelo governo Bush, quase tr\u00eas anos depois dos eventos.<\/p>\n<p>Basayev exigiu sua paga por ter mandado os terroristas a Beslan. Queria a total independ\u00eancia da Chech\u00eania (fim de todas as conex\u00f5es com a R\u00fassia), o que daria a Washington e ao Pent\u00e1gono consider\u00e1vel vantagem estrat\u00e9gica na barriga sul da Federa\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p><strong>Chech\u00eania e o C\u00e1ucaso<\/strong><\/p>\n<p>No final de 2004, depois da trag\u00e9dia de Beslan, o presidente Putin, ao que se sabe, ordenou uma miss\u00e3o secreta de identifica\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o para ca\u00e7ar e matar os l\u00edderes chaves dos mujahidin do C\u00e1ucaso de Basayev. Al-Khattab havia sido morto em 2002. N\u00e3o demorou para que as for\u00e7as de seguran\u00e7a da R\u00fassia descobrissem que praticamente todos os terroristas \u00e1rabes afeg\u00e3os da Chech\u00eania haviam fugido. E que se distribu\u00edram, ou na Turquia, pa\u00eds membro da OTAN; ou na Alemanha, pa\u00eds membro da OTAN; ou em Dubai \u2013 dos mais \u00edntimos aliados dos EUA nos pa\u00edses \u00e1rabes; ou no Qatar; todos esses aliados muito pr\u00f3ximos dos EUA haviam garantido para\u00edso seguro \u00e0queles terroristas. Em outras palavras: os terroristas chechenos haviam recebido asilo e abrigo seguro&#8230; da OTAN.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>[*] Frederick William Engdahl<\/strong> \u00e9 jornalista, conferencista e consultor para riscos estrat\u00e9gicos. \u00c9 graduado em pol\u00edtica pela Princeton University; autor consagrado e especialista em quest\u00f5es energ\u00e9ticas e geopol\u00edtica da revista online New Eastern Outlook.<\/p>\n<p>Nascido em Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos, \u00e9 filho de F. William Engdahl e Ruth Aalund (nascida Rishoff). F.W. Engdahl cresceu no Texas, e depois de se formar em engenharia e jurisprud\u00eancia na Princeton University em 1966 (bacharelado), e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em economia comparativa da University of Stockholm 1969-1970. Trabalhou como economista e jornalista free-lance em New York e na Europa. Come\u00e7ou a escrever sobre pol\u00edtica do petr\u00f3leo, com o primeiro choque do petr\u00f3leo na d\u00e9cada de 1970. Tem sido colaborador de longa data do movimento LaRouche.<\/p>\n<p>Seu primeiro livro foi A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order, onde discute os pap\u00e9is de Zbigniew Brzezinski, de George Ball e dos EUA na derrubada do x\u00e1 do Ir\u00e3 em 1979, que se destinava a manipular os pre\u00e7os do petr\u00f3leo e impedir a expans\u00e3o sovi\u00e9tica. Engdahl afirma que Brzezinski e Ball usaram o modelo de balcaniza\u00e7\u00e3o do mundo isl\u00e2mico proposto por Bernard Lewis.Em 2007, completou seu livro Seeds of Destruction: The Hidden Agenda of Genetic Manipulation. Seu \u00faltimo livro foi: Gods of Money: Wall Street and the Death of the American Century (2010).<\/p>\n<p>Engdahl \u00e9 autor frequente do s\u00edtio do Centre for Research on Globalization. \u00c9 casado desde 1987 e vive h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas perto de Frankfurt am Main, na Alemanha.<\/p>\n<p><em>[A rede castorphoto \u00e9 uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Est\u00e3o divididos em 28 operadores\/repetidores e 232 distribuidores; n\u00e3o est\u00e1 vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou s\u00edtio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, s\u00edtios, ag\u00eancias, jornais e revistas eletr\u00f4nicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribui\u00e7\u00e3o na rede]<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.patrialatina.com.<wbr \/>br\/editorias.php?cod=15417<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"[*] F. William Engdahl \u2013 New Eastern Outlook, NEO What if Putin is Telling the Truth? 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