{"id":8386,"date":"2015-05-22T20:43:51","date_gmt":"2015-05-22T23:43:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8386"},"modified":"2015-06-08T08:37:40","modified_gmt":"2015-06-08T11:37:40","slug":"relatorio-mostra-violencia-no-campo-durante-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8386","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio mostra viol\u00eancia no campo durante a ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/heNDsXDgBRfhDlyuIq7946CPX-Wh_t5A_P-rUMxJE_0=w336-h185-no\" alt=\"imagem\" \/><i>Arquivo Carta Maior<\/i><\/p>\n<p><strong><b><i> \u201cHouve omiss\u00e3o do Estado. Muitos camponeses foram expulsos de suas terras e perseguidos\u201d, apontou a professora Leonilde Medeiros, uma das colaboradoras da Comiss\u00e3o Camponesa da Verdade.<\/i><\/b><\/strong><!--more--><\/p>\n<p><em><i>19\/05\/2015<\/i><\/em><\/p>\n<p><em><i>Por Fania Rodrigues<\/i><\/em><\/p>\n<p><em><i>Do Rio de Janeiro (RJ)<\/i><\/em><\/p>\n<p>Durante a ditadura militar, muitos camponeses foram expulsos de suas terras, perseguidos e duramente reprimidos. Para revelar fatos marcantes dessa \u00e9poca, a Comiss\u00e3o da Verdade do Rio de Janeiro e o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancias Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA-UFRRJ) realizou, nesta ter\u00e7a-feira (19), na OAB\/RJ, o evento Testemunho da Verdade \u2013 Conflitos no campo no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O objetivo foi tra\u00e7ar um panorama da repress\u00e3o e da luta por direitos dos trabalhadores do campo durante a ditadura militar no Estado do Rio de Janeiro. Para falar sobre esse tema o <strong><b>Brasil de Fato<\/b><\/strong> entrevistou a professora e pesquisadora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Leonilde Medeiros, uma das colaboradoras da Comiss\u00e3o Camponesa da Verdade.<\/p>\n<p><strong><b>Brasil de Fato \u2013 Como foi esse processo de investiga\u00e7\u00e3o dos crimes contra camponeses? De que forma ele foi inserido na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade?<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>Leonilde Medeiros &#8211;<\/b><\/strong><b> <\/b>Foi criado um grupo de trabalho respons\u00e1vel por relatar os crimes e viola\u00e7\u00f5es contra os camponeses e ind\u00edgenas. A ideia surgiu no Encontro Unit\u00e1rio dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das \u00c1guas e das Florestas, em agosto 2012. Esse grupo de trabalho recebeu o nome de Comiss\u00e3o Camponesa da Verdade, que aconteceu em conjunto e paralelo a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV). A gente tinha um mapa muito amplo de onde buscar essas viola\u00e7\u00f5es e o objetivo era investigar e fornecer subs\u00eddio para a CNV. E esse trabalho resultou em um relat\u00f3rio, protocolado na CNV, e que deve ser publicado em breve.<\/p>\n<p><strong><b>Qual \u00e9 a dimens\u00e3o dessas viola\u00e7\u00f5es, h\u00e1 uma estimativa de quantos camponeses foram mortos, desaparecido, presos ou torturados?<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Tem um n\u00famero sim, mas nossa preocupa\u00e7\u00e3o maior n\u00e3o era com a quantidade, mas em demonstrar que houve omiss\u00e3o do Estado e que isso \u00e9 uma forma de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos. Muitos camponeses foram expulsos de suas terras e perseguidos.<\/p>\n<p><strong><b>Quais as regi\u00f5es onde houve mais viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o rural?<\/b><\/strong><\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, foi no literal sul Angra e Paraty. A gente identificou mais de 130 conflitos no estado, desse total mais de 40 % foram no litoral sul. Observamos que durante e depois da constru\u00e7\u00e3o da rodovia federal Rio-Santos foram desalojados centenas de campon\u00eas nessa regi\u00e3o. Os cai\u00e7aras, por exemplo, foram muito prejudicados. Isso tem muito a ver com os grandes investimentos tur\u00edsticos e as grandes empresas que se instalaram nessa regi\u00e3o. Queremos mostrar que durante a ditadura os camponeses foram expulsos de suas terras e que nada foi feito, esses casos n\u00e3o foram investigados, o governo n\u00e3o tomou nenhuma provid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong><b>Esses camponeses faziam parte de alguma organiza\u00e7\u00e3o?<\/b><\/strong><\/p>\n<p>A maioria n\u00e3o, mas mesmo n\u00e3o existindo nenhuma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de esquerda, n\u00e3o deixou de existir viola\u00e7\u00f5es. Queremos mostrar como a ditadura afetou o mundo do trabalho. Os camponeses perderam suas terras e seu modo de vida. Isso, sem falar das in\u00fameras pris\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong><b>As popula\u00e7\u00f5es rurais, os camponeses organizados, foram os primeiros as serem vitimas da ditadura. Porque eles foram t\u00e3o perseguidos?<\/b><\/strong><\/p>\n<p>Eles foram t\u00e3o perseguidos quanto os sindicatos urbanos. Alguns sindicatos foram fechados, as lideran\u00e7as presas. Nos lugares onde haviam pessoas da Ligas Camponesas foi onde houve mais viol\u00eancia contra as popula\u00e7\u00f5es rurais. Teve muita repress\u00e3o sobre as \u00e1reas mais organizadas, onde havia uma resist\u00eancia. No Rio de Janeiro, os lugares que sofreram maior repress\u00e3o foram a Baixada Fluminense e os munic\u00edpios de Cachoeira de Macacu, Mag\u00e9 e Campos.<\/p>\n<p><b>Fonte: <\/b><a href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/32087\" target=\"_blank\"><span style=\"color: black;\">http:\/\/www.<wbr \/>brasildefato.com.br\/node\/32087<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Arquivo Carta Maior \u201cHouve omiss\u00e3o do Estado. 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