{"id":843,"date":"2010-09-27T01:15:47","date_gmt":"2010-09-27T01:15:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=843"},"modified":"2010-09-27T01:15:47","modified_gmt":"2010-09-27T01:15:47","slug":"honduras-e-a-luta-anti-imperialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/843","title":{"rendered":"Honduras e a luta anti-imperialista"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>ENTREVISTA <\/strong>\u201cO vigor das grandes manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 garantido por um trabalho regular e muito consistente nas comunidades, nas ocupa\u00e7\u00f5es, bairros e demais setores do pa\u00eds\u201d, afirma Ronaldo Pagotto<\/p>\n<p><strong>Nilton Viana<\/strong><\/p>\n<p>da Reda\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cA SITUA\u00c7\u00c3O \u00e9 bastante cr\u00edtica. H\u00e1 uma crise econ\u00f4mica profunda que fora agravada pelo golpe civil-militar\u201d. Esta \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de Ronaldo Pagotto, militante da Consulta Popular que esteve em Honduras durante 40 dias, entre os meses de julho e agosto. Segundo ele, que participou de atividades de solidariedade com organiza\u00e7\u00f5es populares e com a Frente Nacional de Resist\u00eancia Popular (FNRP), mesmo passados 13 meses do golpe que dep\u00f4s o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho de 2009, o povo segue resistindo. \u201cAs mobiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o cessaram, o povo segue se organizando nas ruas, e com um vigor incr\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Nesta entrevista ao <strong>Brasil de Fato<\/strong>, Pagotto analisa o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico e econ\u00f4mico de Honduras e afirma: \u201cA liga\u00e7\u00e3o de Zelaya com as massas populares \u00e9 profunda, n\u00e3o se explica somente com elementos objetivos. \u00c9 algo que amea\u00e7a qualquer golpista\u201d.<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato \u2013 Voc\u00ea esteve durante 40 dias em Honduras. Qual a avalia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que faz do pa\u00eds passados mais de um ano do golpe civil-militar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ronaldo Pagotto \u2013 <\/strong>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante cr\u00edtica. H\u00e1 uma crise econ\u00f4mica profunda que fora agravada pelo golpe civil-militar. O desemprego \u00e9 crescente, entre jovens alcan\u00e7a \u00edndices alarmantes; o pre\u00e7o dos alimentos sobe e impulsiona o aumento do custo de vida, resultando em fome cr\u00f4nica em grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Essa crise econ\u00f4mica \u00e9 a base das mudan\u00e7as mais significativas do governo Zelaya, com medidas para combat\u00ea-la e desde uma prioridade aos mais pobres. O golpe n\u00e3o s\u00f3 rompe com isso como patrocina um verdadeiro saque \u00e0s finan\u00e7as do Estado. At\u00e9 mesmo o dinheiro oriundo da Alba foi roubado dos cofres!<\/p>\n<p>O governo atual, que \u00e9 parte do processo do golpe e sua tentativa de legitima\u00e7\u00e3o, n\u00e3o passa uma semana sem uma nova crise. Ele \u00e9 um misto de atabalhoado e um fi el t\u00edtere dos ditames do Pent\u00e1gono. Passou meses correndo atr\u00e1s de situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, sem resultado algum. Combateu enchentes, e o povo todo sofrendo; a dengue, e os dados oficiais apontam para um volume de casos recorde no pa\u00eds. E o sujeito vestido de ca\u00e7a-mosquitos n\u00e3o perde nem batizado. Qualquer oportunidade de aparecer sorrindo, o sujeito vai. Se chamar para batida de carro, show, copa do mundo, jogo de bot\u00e3o, festa, inaugura\u00e7\u00e3o da placa da pra\u00e7a ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><strong>O povo hondurenho assimilou o golpe ou ainda tem resist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo passados 13 meses do golpe, as mobiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o cessaram, o povo segue se organizando nas ruas, e com um vigor incr\u00edvel. Pude notar uma disposi\u00e7\u00e3o muito boa. Apesar de j\u00e1 ter passado todo esse tempo e da forte repress\u00e3o. Mas a resist\u00eancia segue firme, com boa unidade, trabalho nacional e muito \u00e2nimo. A Frente Nacional de Resist\u00eancia Popular, que re\u00fane todos os setores populares que est\u00e3o contra o golpe, n\u00e3o nasceu do golpe apenas. \u00c9 parte de um trabalho de resist\u00eancia anterior. A coordena\u00e7\u00e3o nacional de resist\u00eancia popular foi organizada em 2003 e \u00e9 a base da FNRP, o que ajuda a entender como a resist\u00eancia foi capaz de organizar atos, manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es e outras formas de resistir desde os primeiros momentos do golpe. Nos 40 dias em que por l\u00e1 estive, conheci e participei de algumas manifesta\u00e7\u00f5es em um volume incr\u00edvel. Em dias de semana, \u00e9 certo que todos tivemos alguma mobiliza\u00e7\u00e3o, seja geral e mais unit\u00e1ria, seja de algum setor \u2013 taxistas, professores, ind\u00edgenas, pequenos camponeses, sem-terra, movimento de mulheres, juventude, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, liberais em resist\u00eancia e outros.<\/p>\n<p>Agora, no in\u00edcio deste m\u00eas, est\u00e3o concluindo um trabalho de coleta de assinaturas para a convocat\u00f3ria de uma Assembleia Constituinte. J\u00e1 tinham alcan\u00e7ado mais de 1 milh\u00e3o no dia 30 de agosto. E preparam uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional para o dia 7. Outra atividade que far\u00e3o \u00e9 um grande ato nacional que promete mobilizar centenas de milhares de pessoas no dia 15, data comemorativa da independ\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a Espanha.<\/p>\n<p><strong>E como tem se comportado os movimentos populares de Honduras?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o a base e estrutura da resist\u00eancia. E o vigor que aflora nas grandes manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 garantido por um trabalho regular e muito consistente nas comunidades, nas ocupa\u00e7\u00f5es, bairros e demais setores. Podemos afirmar que o golpe acelerou o trabalho popular e dos movimentos. H\u00e1 um esfor\u00e7o muito claro em articular as lutas espec\u00edficas com as grandes quest\u00f5es. Todos os temas de lutas pautam as linhas gerais da Resist\u00eancia Popular [FNRP], com uma unidade entre os movimentos sociais, as centrais de trabalhadores, os professores (que s\u00e3o a maior for\u00e7a organizada). Juntamente com esse impulso, muitas organiza\u00e7\u00f5es de bairros, de artistas, de jovens em resist\u00eancia nasceram desse momento de ruptura. N\u00e3o h\u00e1 controle sobre isso. \u00c9 um florescer de organiza\u00e7\u00f5es que re\u00fane pessoas que nunca haviam se mobilizado, mas agora est\u00e3o nas ruas, usando os muros como tribunas populares e agitando o povo a se mobilizar. Esse clima \u00e9 geral e muito animador.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma repress\u00e3o muito forte contra os movimentos contr\u00e1rios ao golpe. O que voc\u00ea pode perceber sobre essa viol\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>A repress\u00e3o \u00e9 a primeira face do golpe, e podemos dizer que tem momentos distintos. A primeira fase, do golpe \u00e0 posse do Pepe Lobo [27 dejaneiro] foi de repress\u00e3o mais ampla nas ruas, sobretudo nas marchas, com sequestros e assassinatos durante os longos per\u00edodos de toque de recolher. Nesse per\u00edodo foram mais de 140 mortos e uma centena de exilados. Ap\u00f3s a posse, a repress\u00e3o adota outra estrat\u00e9gia, mais seletiva, combinada com a militariza\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es de maior conflito, desaparecimento de pessoas e muita tortura e amea\u00e7as. E o governo adota a mesma postura desde o golpe: em Honduras n\u00e3o h\u00e1 tortura, n\u00e3o h\u00e1 repress\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 assassinatos pol\u00edticos. Parece at\u00e9 que resgataram os manuais das ditaduras sanguin\u00e1rias da Am\u00e9rica Latina e n\u00e3o mudam uma v\u00edrgula. E h\u00e1 comprovadamente uma opera\u00e7\u00e3o mais estrat\u00e9gica orquestrada pela CIA e Mossad em identificar lideran\u00e7as, infiltrar agentes na resist\u00eancia e promover a\u00e7\u00f5es mais contundentes e \u201ccir\u00fargicas\u201d. H\u00e1 casos de jovens que j\u00e1 foram presos e torturados mais de dez vezes, mas que seguem na luta.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que a atual conjuntura pol\u00edtica do pa\u00eds permite um retorno de Zelaya?<\/strong><\/p>\n<p>Zelaya, conhecido pelo apelido de Mel (contra\u00e7\u00e3o de Manoel) \u00e9 uma refer\u00eancia de massas incr\u00edvel. Seu nome \u00e9 bradado por todos os setores com a carinhosa frase \u201cUrge, Mel\u201d. Sua volta \u00e9 uma das bandeiras centrais da unidade da FNRP, e uma amea\u00e7a aos golpistas. S\u00f3 para se ter ideia, durante a estada de Zelaya na Embaixada do Brasil, o povo fez vig\u00edlia permanente dentro da casa, com mais de 70 pessoas. E, do lado de fora, sempre aos milhares, por vezes eram dezenas de milhares. No dia da sua sa\u00edda, 27 de janeiro, tamb\u00e9m da posse de Pepe Lobo, o ato de despedida no aeroporto da capital levou mais de 500 mil pessoas \u00e0s ruas. A liga\u00e7\u00e3o de Zelaya com as massas populares \u00e9 profunda, n\u00e3o se explica somente com elementos objetivos. \u00c9 algo que amea\u00e7a qualquer golpista.<\/p>\n<p>Sua capacidade de mobilizar as massas, de ser a principal refer\u00eancia e, mesmo ap\u00f3s o golpe, continuar demonstrando o compromisso com o povo e as pautas populares que deram raz\u00e3o ao golpe levam os setores golpistas a temerem seu retorno. Isso simboliza que ele \u00e9 um l\u00edder sustentado pelas massas, dispostas a irem at\u00e9 o fim, ao que me parece. Zelaya est\u00e1 exilado na Rep\u00fablica Dominicana, com restri\u00e7\u00f5es para dar entrevistas e manifestar-se nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, e, sempre que amea\u00e7ou voltar, os golpistas respondem que, caso volte, ser\u00e1 preso. A resist\u00eancia tem como um dos pontos a volta do presidente deposto, mas seu conte\u00fado est\u00e1 nos pontos program\u00e1ticos de combate \u00e0 pobreza e enfrentamento com os interesses da oligarquia, das transnacionais e do imperialismo. Diversas lideran\u00e7as d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o a isso e tamb\u00e9m se multiplicam no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Temos recebido informa\u00e7\u00f5es sobre v\u00e1rios assassinatos de lideran\u00e7as, inclusive jornalistas, no pa\u00eds. Isto \u00e9 verdade? Na sua avalia\u00e7\u00e3o, qual o porqu\u00ea desses assassinatos?<\/strong><\/p>\n<p>Nesse quadro repressivo, os alvos seletivos preferidos s\u00e3o jornalistas, professores, lideran\u00e7as de organiza\u00e7\u00f5es populares e militantes com algum destaque. Nesse ano foram dez jornalistas mortos, e isso explica parte da estrat\u00e9gia dos golpistas: repress\u00e3o ampla e agora seletiva, medidas circenses do governo e uma m\u00eddia que todos os dias repete: em Honduras n\u00e3o se passa nada. Os assassinatos dos jornalistas t\u00eam sempre justificativas da imprensa que apoia o golpe. E as explica\u00e7\u00f5es variam: ou eram jornalistas com muitos problemas pessoais, ou conjugais, com grupos pol\u00edticos locais&#8230; e, quando nada pode ser dito, usavam o argumento de que foram mortos por grupos de narcotraficantes. E o mais torpe \u00e9 que, logo no dia seguinte das mortes, os jornais golpistas j\u00e1 tinham as justificativas prontas.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 que voc\u00ea citou a imprensa, que an\u00e1lise faz do papel da m\u00eddia burguesa no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00eddia golpista, aliada da oligarquia hondurenha, \u00e9 muito semelhante ao que temos aqui no Brasil. Nos lembra o comportamento da m\u00eddia brasileira no golpe civil-militar. Repeti\u00e7\u00e3o de imagens boas, tentativa de criminalizar lutas, organiza\u00e7\u00f5es, e de silenciar ante aos movimentos da resist\u00eancia. Mas h\u00e1 uma perda gradativa dessa capacidade de construir uma vers\u00e3o dos fatos desde os interesses golpistas.<\/p>\n<p><strong>E a imprensa alternativa, popular; qual tem sido o papel desses meios frente a esse cen\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>A resist\u00eancia conta com uma ampla gama de r\u00e1dios comunit\u00e1rias. Em Honduras, a popula\u00e7\u00e3o, sobretudo do campo, preserva o h\u00e1bito de ouvir mais r\u00e1dios do que ver televis\u00e3o ou ler jornal. Ent\u00e3o, essas r\u00e1dios alcan\u00e7am todo o territ\u00f3rio. Tamb\u00e9m contam com um programa di\u00e1rio, de duas horas, veiculado \u00e0 noite em uma das r\u00e1dios mais importantes do pa\u00eds \u2013 Globo \u2013, coordenado pela FNRP. Nesse programa se compartilham informes, orienta\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias, entrevistas gerais com pessoas da FNRP ou internacionalistas. Tamb\u00e9m falam sobre a agenda da semana e comentam os passos dos golpistas. \u00c9 um programa organizador do processo. E h\u00e1 um programa di\u00e1rio tamb\u00e9m de s\u00e1tira contra os golpistas, de muito boa qualidade, comentando os fatos mais importantes da conjuntura e com uma audi\u00eancia grande entre os jovens.<\/p>\n<p><strong>O Brasil se mostrou solid\u00e1rio abrigando o presidente deposto e condenou o golpe. Como o povo hondurenho viu essa postura brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>Participei de muitos espa\u00e7os, debates, estudo, sauda\u00e7\u00f5es, e, apenas por ser apresentado como brasileiro, gerava uma simpatia incr\u00edvel. N\u00e3o foram poucos os que vieram pessoalmente me agradecer pela solidariedade prestada pelo governo brasileiro nafigura do presidente Lula ao povo hondurenho e a Zelaya. Queriam saudar, mandar abra\u00e7os ao povo brasileiro. Na marcha de 18 de agosto, com mais de 70 mil pessoas, a segunda bandeira mais vista era a do Brasil. Isso se combina com uma certa ideia generalizada de que no Brasil tudo est\u00e1 sendo resolvido, n\u00e3o h\u00e1 fome, pobreza. Ou seja, n\u00e3o existiria aqui os problemas que vivem l\u00e1. O que \u00e9 falso. Em alguns debates, quando expusemos o quadro da situa\u00e7\u00e3o do campo, por exemplo \u2013 em que a reforma agr\u00e1ria est\u00e1 paralisada, o enorme incentivo ao agroneg\u00f3cio, o uso recorde de agrot\u00f3xicos, monocultivo e o velho problema da pior distribui\u00e7\u00e3o de renda do mundo \u2013, n\u00e3o geramos espanto, mas uma certa decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>E como acha que ser\u00e3o os desdobramentos e opera\u00e7\u00f5es dos golpistas nos pr\u00f3ximos meses?<\/strong><\/p>\n<p>Com todo esse quadro de mobiliza\u00e7\u00f5es, de fortalecimento da unidade popular e incapacidade dos golpistas de assegurarem uma m\u00ednima governabilidade, os rumos est\u00e3o indefinidos. Dependem da capacidade dos dois blocos \u2013 golpistas e resist\u00eancia \u2013 em operar uma t\u00e1tica exitosa e forte. Do lado dos golpistas, operam resumidamente buscando neutralizar setores populares estimulando as divis\u00f5es \u2013 embora sem muito sucesso \u2013 e cooptar setores com medidas pontuais do governo que resolveriam parte do problema da fome. Al\u00e9m disso, h\u00e1 movimenta\u00e7\u00f5es do governo para neutralizar o movimento campon\u00eas, embora tamb\u00e9m sem sucesso. Mas seguem com a estrat\u00e9gia. Tudo isto, junto ao pretexto da militariza\u00e7\u00e3o com a justificativa de combate ao narcotr\u00e1fico. Honduras \u00e9 uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica da log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o de drogas para os EUA. Esta \u00e9 a justificativa para duas novas bases militares estadunidenses no pa\u00eds. Tamb\u00e9m h\u00e1 um esfor\u00e7o para reconhecimento internacional do atual governo, comprometido desde o golpe com o n\u00e3o reconhecimento da OEA, ONU, Unasul e outros.<\/p>\n<p>E h\u00e1 um setor dentro do campo golpista que quer o endurecimento do regime. Quer o fim das liberdades de organiza\u00e7\u00e3o, de imprensa etc. Para derrotar o movimento de massas. Hoje essa alternativa n\u00e3o encontra respaldo, em parte por n\u00e3o contar com o apoio \u2013 por enquanto \u2013 do Pent\u00e1gono e tamb\u00e9m por n\u00e3o ter coes\u00e3o com um setor da burguesia ligado ao com\u00e9rcio internacional, temendo perder espa\u00e7o e neg\u00f3cios. Mas n\u00e3o deve ser descartada. E \u00e9 disso que fala Pepe Lobo, temeroso de ser golpeado pelo seu pr\u00f3prio grupo.<\/p>\n<p><strong>E a resist\u00eancia, como deve se comportar nos pr\u00f3ximos meses?<\/strong><\/p>\n<p>Por parte da resist\u00eancia, n\u00e3o temos clareza de quanto tempo mais conseguir\u00e3o manter as mobiliza\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es populares. O tempo gera desgaste e, se n\u00e3o s\u00e3o obtidas conquistas e vit\u00f3rias, pode gerar uma desmobiliza\u00e7\u00e3o. Pode ser ousado dizer, mas a vit\u00f3ria de processos como este depende de a\u00e7\u00f5es de desgaste, de demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e unidade. E tamb\u00e9m de a\u00e7\u00f5es que sejam capazes de reverter a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Honduras \u00e9 hoje um s\u00edmbolo da luta antiimperialista e antineoliberal. L\u00e1, os enfrentamentos s\u00e3o com uma oligarquia sanguin\u00e1ria, que atua com apoio dos falc\u00f5es do Pent\u00e1gono. Portanto, penso que toda solidariedade \u00e9 fundamental. Honduras somos todos n\u00f3s, povos do mundo combatendo o imperialismo, o neoliberalismo, as es dominantes locais e caminhando para a constru\u00e7\u00e3o de um outro mundo e da nossa Am\u00e9rica sonhada por Bol\u00edvar, Morazan e Mart\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Ronaldo Pagotto <\/strong><strong>\u00e9 militante da <\/strong>Consulta Popular e graduado em Direito.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Di\u00e1rio da Liberdade\n\n\n\n\n\n\n\n\nBrasil de Fato \u2013 edi\u00e7\u00e3o 393 &#8211; de 9 a 15 de setembro de 2010\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/843\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-843","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c38-honduras"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-dB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/843\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}