{"id":8480,"date":"2015-05-30T23:11:01","date_gmt":"2015-05-31T02:11:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8480"},"modified":"2015-06-28T15:43:45","modified_gmt":"2015-06-28T18:43:45","slug":"as-migracoes-nao-caem-do-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8480","title":{"rendered":"As migra\u00e7\u00f5es n\u00e3o caem do c\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/fernando-buenabad.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Fernando Buen Abad Dom\u00ednguez<\/p>\n<p>A burguesia derrama l\u00e1grimas de crocodilo pelos mortos no Mediterr\u00e2neo. Finge ignorar que os principais respons\u00e1veis por essas mortes s\u00e3o o capitalismo e o imperialismo, as suas agress\u00f5es militares, a explora\u00e7\u00e3o desenfreada, o b\u00e1rbaro saque que prosseguem das riquezas e dos recursos dos pa\u00edses de onde fogem esses migrantes.<!--more--><\/p>\n<p>Urge a unidade Sul-Sul<\/p>\n<p>Todos os dias milh\u00f5es de pessoas expulsas das suas terras por variadas e intermin\u00e1veis raz\u00f5es v\u00e3o, condenados pelo capitalismo, em busca de migalhas laborais e de esmolas pol\u00edticas. V\u00e3o com a sua descomunal carga de mis\u00e9ria planet\u00e1ria aos ombros e com a esperan\u00e7a de que a sorte os acompanhe para que n\u00e3o morram na tentativa. Na Alemanha, em It\u00e1lia, em Fran\u00e7a, em Espanha\u2026 e nos EUA, por exemplo, pol\u00edticos, cl\u00e9rigos e empres\u00e1rios re\u00fanem-se para ensaiar gestos de perplexidade e consterna\u00e7\u00e3o. Aplaudem-se entre si, d\u00e3o palmas nas costas, re\u00fanem algumas d\u00e1divas e regressam satisfeitos ao sonho uterino\u00a0mass media com suas c\u00e2maras e os seus microfones treinados em inocular um pouco de tranquilidade aos seus chefes banc\u00e1rios e aos seus pares empres\u00e1rios. \u201cJ\u00e1 foram tomadas as medidas pertinentes para atender a esta emerg\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Em um sector nada pequeno da burguesia planet\u00e1ria vive a ideia de que a \u201cGente que Faz\u201d, quer dizer a que \u00e9 realmente \u00fatil e produtiva, \u00e9 aquela que \u201cfaz\u201d neg\u00f3cios, que acumula propriedades e que \u201cfaz\u201d dinheiro. Dizem-no sem se engasgar em p\u00fablico e em privado, \u00e9 uma convic\u00e7\u00e3o enraizada e \u00e9 um pilar da ideologia dominante. Todos os demais s\u00e3o um lastro, s\u00e3o um estorvo ou s\u00e3o inimigos do \u201cfazer\u201d. E custam caro. Em Espanha j\u00e1 se organiza a rapaziada enamorada da limpeza\u2026 \u00e9tnica. Na Argentina a direita conta com poucos, est\u00e3o emocionados.<\/p>\n<p>Esse sector sente e cr\u00ea que o mundo foi feito por eles e para eles, \u00e9 o seu mundo. Sentem e cr\u00eaem que tudo o que os \u201coutros\u201d fazem e exigem \u00e9 um abuso, um furto, um parasitismo da maioria que n\u00e3o s\u00f3 exerce de lastro como desfeia torna perigosa a \u201cpaisagem\u201d. Consola-se a burguesia mirando-se no espelho de uma arrogante ideologia baseada na exclus\u00e3o e no desprezo. \u00c9 a irracionalidade funcional da propriedade privada.<\/p>\n<p>A tal ponto chega a petul\u00e2ncia e o engano que se convencem a si mesmos &#8211; e a outros &#8211; de que o Trabalho s\u00e3o eles, de que s\u00e3o eles quem mais trabalha e que sua \u201cmiss\u00e3o salv\u00edfica\u201d \u00e9 \u201cdar trabalho\u201d aos \u201cmais necessitados\u201d. V\u00e3o \u00e0 missa, comem a h\u00f3stia e sentem-se bons. Depois n\u00e3o sabem explicar a si pr\u00f3prios como h\u00e1 gente que abandona os seus pa\u00edses para ir padecer, como imigrante, as injusti\u00e7as que isso tr\u00e1s consigo. \u00a1N\u00e3o conseguem explic\u00e1-lo!<\/p>\n<p>Fica\u00a0debaixo do tapete\u00a0do cen\u00e1rio hist\u00f3rico oligarca, escondido com vassouras ideol\u00f3gicas, militares e policiais, o horror do saque, a monstruosidade do despojo e desde logo o fluxo de lucros que transita de um pa\u00eds saqueado para os bancos dos para\u00edsos \u201ccentrais\u201d onde a \u201ctele\u201d exibe estupefacta toda essa gente empoleirada em barcos tratando de colar-se ao \u201cprimeiro mundo\u201d. O burgu\u00eas assusta-se, sente-se encurralado, n\u00e3o quer tanto pobre pr\u00f3ximo dos seus bairros e toma decis\u00f5es nazi-fascistas disfar\u00e7adas de filantropia.<\/p>\n<p>Entretanto o saque n\u00e3o cessa nem na L\u00edbia, nem no Iraque. T\u00e3o-pouco cessa a escravatura e o despojo em \u00c1frica nem na India, nem na China. Nem no M\u00e9xico nem na Am\u00e9rica Central\u2026 \u201cNos anos 60 do s\u00e9culo passado, em pleno processo descolonizador, a \u00c1frica exportava alimentos \u00e0 raz\u00e3o de 1,3 milh\u00f5es de toneladas anuais. Na actualidade, a \u00c1frica tem que importar 25% dos alimentos que consome, enquanto as mortes por fome s\u00e3o algo de corrente.\u201d\u2026\u201cE os lucros destas empresas s\u00e3o exorbitantes. Temos uns dados de 2007: \u2015 Cargill aumentou os seus lucros 36 por cento; ADM, 67 por cento; ConAgra, 30 por cento; Bunge, 49 por cento; Dreyfus, 77 por cento, no \u00faltimo trimestre de 2007. Monsanto obteve 44 por cento mais do que em 2006 e Dupont-Pioneer 19 por cento. \u201d\u2026 \u201c \u2015 Liderando o saque internacional de neg\u00f3cios agr\u00edcolas africanos encontram-se bancos de investimento, fundos de cobertura, comerciantes de mat\u00e9rias-primas e fundos soberanos que entesouram riqueza, bem como fundos de pens\u00f5es brit\u00e2nicos, e funda\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos atra\u00eddos por obter algo da terra mais barata do mundo. Juntos est\u00e3o prejudicando Sud\u00e3o, Qu\u00e9nia, Nig\u00e9ria, Tanz\u00e2nia, Malawi, Eti\u00f3pia, Congo, Z\u00e2mbia, Uganda, Madag\u00e1scar, Zimbabwe, Mali, Serra Leoa, Gana e outras na\u00e7\u00f5es africanas. S\u00f3 a Eti\u00f3pia aprovou 815 projectos agr\u00edcolas estrangeiros desde 2007 \u2016 (43). Multinacionais como as norte-americanas ADM (Archer Daniels Midland) ou a brit\u00e2nica Actis est\u00e3o a destinar milh\u00f5es de d\u00f3lares para a aquisi\u00e7\u00e3o de terras no Terceiro Mundo.\u201d\u00a0[1]<\/p>\n<p>Poder\u00edamos afogar-nos com n\u00fameros e dados no invent\u00e1rio do horror planet\u00e1rio desencadeado pelo capitalismo. Poder\u00edamos paralisar-nos e deprimir-nos se n\u00e3o acontecesse que no pr\u00f3prio centro desse inferno explorador e desumano os povos lutam a seu modo, e como podem, contra a barb\u00e1rie que os esmaga.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 coisa de apenas ter em vista o \u201cfestim da besta\u201d para, com isso, esperar um salto da consci\u00eancia e um sobressalto organizado e revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nenhuma revolu\u00e7\u00e3o se comporta linearmente nem opera com manuais do \u201cfeliz usu\u00e1rio\u201d. Os m\u00e9todos emergem das condi\u00e7\u00f5es objectivas e do grau de consci\u00eancia que ascende delas, questionando-as para as superar na pr\u00e1tica. Isso a burguesia sabe-o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00c9 uma tarefa crucial n\u00e3o engolir as \u201cl\u00e1grimas de crocodilo\u201d com que a ideologia da classe dominante surge na cena medi\u00e1tica a\u00a0proporcionar-nos\u00a0o seu rosto compungido pelos milhares de mortos no Mediterr\u00e2neo ou pelos pobres que\u00a0buscam\u00a0p\u00e3o em \u201cterras boas\u201d levados por n\u00e3o se sabe que aventura ou que ilus\u00e3o. \u00c9 parte da Batalha de las Ideias explicar a n\u00f3s pr\u00f3prios &#8211; e explicar &#8211; que antes de que esses milhares joguem a vida em migra\u00e7\u00f5es criminosas ocorreram nos seus pa\u00edses saques, crimes e despojos \u00e0 r\u00e9dea solta e que o capitalismo, simplesmente, n\u00e3o tem sa\u00eddas.<\/p>\n<p>Nota<br \/>\n[1]\u00a0http:\/\/resistir.info\/ livros\/el_saqueo_de_africa.pdf<\/p>\n<p>Rebeli\u00f3n publicou este artigo com autoriza\u00e7\u00e3o do autor mediante uma\u00a0licen\u00e7a de Creative Commons, respeitando a sua liberdade para o publicar em outras fontes.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"LlfwLrTWKh\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3656\">Grande participa\u00e7\u00e3o na greve de 26 de Setembro \u2013 resposta significativa \u00e0s b\u00e1rbaras medidas anti-laborais<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3656\/embed#?secret=LlfwLrTWKh\" data-secret=\"LlfwLrTWKh\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Grande participa\u00e7\u00e3o na greve de 26 de Setembro \u2013 resposta significativa \u00e0s b\u00e1rbaras medidas anti-laborais&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fernando Buen Abad Dom\u00ednguez A burguesia derrama l\u00e1grimas de crocodilo pelos mortos no Mediterr\u00e2neo. Finge ignorar que os principais respons\u00e1veis por essas mortes \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8480\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-8480","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2cM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8480\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}