{"id":8531,"date":"2015-06-07T00:20:41","date_gmt":"2015-06-07T03:20:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8531"},"modified":"2015-06-28T15:45:33","modified_gmt":"2015-06-28T18:45:33","slug":"negros-e-latinos-a-logica-racista-do-imperialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8531","title":{"rendered":"Negros e latinos: a l\u00f3gica racista do imperialismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"352\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/racismo-USA-620x352.jpg?resize=620%2C352\" alt=\"imagem\" \/><b>Norberto Emmerich e Edgard Valenzuela\/Resumen Latinoamericano\/Rebeli\u00f3n, 26 de maio de 2015 \u2013<\/b> H\u00e1 poucas semanas aconteceram nos Estados Unidos os maiores protestos de corte racial desde o final do movimento pelos direitos civis, h\u00e1 pouco mais de <!--more--><br \/>\nmeio s\u00e9culo. O detonante foi uma serie de abusos policiais cometidos contra membros da comunidade negra que ficaram impunes pela absolvi\u00e7\u00e3o dos policiais, apesar de terem assassinado homens desarmados. Trata-se de um mero abuso de autoridade ou estamos assistindo outra demonstra\u00e7\u00e3o do racismo pr\u00f3prio dos Estados Unidos? Caso seja assim, por que ocorre precisamente agora que a economia americana cresce?<br \/>\n<b>O imp\u00e9rio \u00e9 uma quest\u00e3o de est\u00f4mago<\/b><\/p>\n<p>Para Immanuel Wallerstein, o racismo atual \u00e9 resultado de uma estrat\u00e9gia de coopta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora praticada pelas elites europeias em meados do s\u00e9culo XIX. Tentando elaborar um mecanismo de conten\u00e7\u00e3o efetiva as cada vez mais militantes e numerosas classes trabalhadoras de seus pr\u00f3prios pa\u00edses, as burguesias imperialistas outorgaram alguns direitos pol\u00edticos e algumas melhorias econ\u00f4micas, ao mesmo tempo em que estas condi\u00e7\u00f5es eram negadas ao resto do mundo. \u00c9 a explica\u00e7\u00e3o que Lenin coloca na boca do magnata ingl\u00eas Cecil Rhodes, em seu texto sobre o imperialismo: \u201ca ideia que eu aprecio \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o do problema social: para salvar os quarenta milh\u00f5es de habitantes do Reino Unido de uma mort\u00edfera guerra civil, n\u00f3s, pol\u00edticos coloniais, devemos nos apoderar de novos territ\u00f3rios; a eles enviaremos o excesso de popula\u00e7\u00e3o e neles encontraremos novos mercados para os produtos de nossas f\u00e1bricas e de nossas minas. O imp\u00e9rio, disse sempre, \u00e9 uma quest\u00e3o de est\u00f4mago. Caso queiram evitar a guerra civil, devem se converter em imperialistas\u201d. O que Arrighi denomina o \u201cpacote triplo\u201d consistiu em outorgar o direito ao voto, oferecer melhorias sociais pr\u00f3prias do que constituiria depois o Estado de bem-estar social e promover uma dupla nacionalidade: a de seus pr\u00f3prios Estados (nacionalismo) e a do mundo branco (racismo) [1].<\/p>\n<p>Assim, o racismo fica compreendido como uma cria\u00e7\u00e3o capitalista que justifica as disparidades econ\u00f4micas caracter\u00edsticas do mundo industrial.<\/p>\n<p>O racismo sempre existente, ainda que oculto atr\u00e1s de um v\u00e9u de democracia, direitos humanos e elei\u00e7\u00f5es, reaparece com virul\u00eancia em momentos em que na crise americana se forma e se vislumbra um novo crescimento. As tens\u00f5es raciais crescem como se volt\u00e1ssemos aos anos 60, porque o acesso \u00e0s migalhas da renda crescente se far\u00e1 sob os par\u00e2metros \u00e9tnicos classicamente imperialistas: homens, anglo-sax\u00f5es e brancos. O racismo americano, constru\u00eddo e assentado em v\u00e1rios s\u00e9culos de acultura\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 um sentimento espont\u00e2neo. \u00c9 estruturado e alentado a partir das pr\u00f3prias elites dirigentes. Quando a base trabalhadora americana culpa os imigrantes latinos (sobretudo mexicanos) e as comunidades negras pelo descenso de seu n\u00edvel de vida, eleva a uma considera\u00e7\u00e3o simplesmente intelectual e acad\u00eamica a f\u00faria contra os verdadeiros culpados do desastre financeiro-econ\u00f4mico: a c\u00fapula empresarial de Wall Street e a dirig\u00eancia pol\u00edtica de Washington.<\/p>\n<p>No entanto, esta constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica est\u00e1 sofrendo profundas mudan\u00e7as e apresenta s\u00e9rias limita\u00e7\u00f5es: enquanto se alenta o racismo e a xenofobia em todos os n\u00edveis, incluindo o ambiente acad\u00eamico com textos como o \u201cWho we are\u201d do extinto Samuel Huntington, o peso crescente do eleitorado hisp\u00e2nico obriga os candidatos presidenciais a solidificar v\u00ednculos estrat\u00e9gicos com dita comunidade. Jeff Bush, irm\u00e3o do ex-presidente, buscou a complac\u00eancia do voto latino publicizando a origem mexicana de sua esposa Columba e apresentando-se como membro da comunidade latina. Inclusive as voltas do eleitorado variam desde o tradicional voto \u201cgusano\u201d e o lobby cubano na Fl\u00f3rida para o peso do voto latino-americano nos Estados da Calif\u00f3rnia, Colorado, Novo M\u00e9xico, Nevada, Nova Jersey, Texas, Fl\u00f3rida e Illinois.<\/p>\n<p>Assim, racismo na economia e peso eleitoral na pol\u00edtica refletem as contradit\u00f3rias ainda que irrefre\u00e1veis altera\u00e7\u00f5es que experimentam os Estados Unidos, cuja previs\u00e3o sup\u00f5e um avan\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o latina sobre os WASP (white, anglo-saxon, protestant).<\/p>\n<p><b>O perigo estrat\u00e9gico de um conflito racial nos Estados Unidos <\/b><\/p>\n<p>Acrescentar as tens\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es raciais como meio para obter vantagens estrat\u00e9gicas \u00e9 uma velha pr\u00e1tica de todos os imp\u00e9rios ao longo da hist\u00f3ria, por\u00e9m tem sido uma ferramenta especialmente aperfei\u00e7oada pelos anglo-sax\u00f5es. Assim \u00e9 demonstrado pelos tratados secretos de Sykes-Picot nos quais a Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha planificaram a divis\u00e3o do Imp\u00e9rio Turco ap\u00f3s sua derrota na primeira guerra mundial. Do mesmo modo, se incentivaram os conflitos \u00e9tnicos no interior da ex-Iugosl\u00e1via no que se denominou a \u201cbalcaniza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mais recentemente estas pol\u00edticas foram implantadas nas zonas sens\u00edveis das grandes pot\u00eancias que rivalizam com a hegemonia dos Estados Unidos no mundo: o leste da Ucr\u00e2nia, o C\u00e1ucaso russo [2] e Xinjiang, a prov\u00edncia isl\u00e2mica chinesa [3].<\/p>\n<p>Utilizada como instrumento da pol\u00edtica exterior, motorizada e monitorada pelo departamento de Estado americano, esta pol\u00edtica de motiva\u00e7\u00e3o \u00e9tnica tem sido um jogo ben\u00e9fico para os Estados Unidos. Por\u00e9m, o que aconteceria se estas tens\u00f5es surgissem dentro de seu pr\u00f3prio pa\u00eds, incentivadas pelas contradi\u00e7\u00f5es e tens\u00f5es do \u201ccrescimento\u201d agonizante do imperialismo americano? A fase B negativa da onda econ\u00f4mica mundial de Kondratieff n\u00e3o foi detida. Os indicadores macroecon\u00f4micos de crescimento da economia americana estariam sendo produzidos dentro de um decl\u00ednio sem fim da economia mundial.<\/p>\n<p>Diferente do que acontece na R\u00fassia, China ou \u00cdndia, a tens\u00e3o interna americana n\u00e3o seria produto do choque entre mu\u00e7ulmanos e outros grupos, um projeto muito a gosto do Departamento de Estado. O racismo americano bem poderia ser a express\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es mais profundas que o imperialismo americano em crise j\u00e1 n\u00e3o pode conter exitosamente com os mecanismos habituais.<\/p>\n<p>A sociedade estadunidense \u00e9 a mais armada do mundo, com uma m\u00e9dia de 89 armas para cada 100 habitantes, e proliferam grupos militarizados que asseguram que defender\u00e3o a sua comunidade contra os abusos. Ao mesmo tempo, as press\u00f5es separatistas est\u00e3o aumentando significativamente. No ano de 2012, converteu-se no principal movimento pol\u00edtico nada menos que no Texas, um \u201cnacionalismo\u201d americano que n\u00e3o pode ser desconhecido nem menosprezado nas estrat\u00e9gias de pol\u00edtica exterior mexicana.<\/p>\n<p>A respeito destes grupos que lutam por sua independ\u00eancia, o presidente da organiza\u00e7\u00e3o \u201cVamos unidos USA\u201d, Juan Jos\u00e9 Guti\u00e9rrez, afirma que \u201cs\u00e3o pessoas que quiseram continuar vivendo com a ilus\u00e3o de que os Estados Unidos deve se manter como um pa\u00eds majoritariamente branco anglo-sax\u00e3o, sem ter que conceder nada aos grupos que n\u00e3o s\u00e3o anglos nem sax\u00f5es\u201d [4].<\/p>\n<p><b>Notas:<\/b><\/p>\n<p>[1] Arrighi, Giovanni. Caos y orden en el mundo moderno. Ed. Akal, 2001. P\u00e1g 22.<\/p>\n<p>[2] Putin revela contactos entre los servicios especiales de EU y extremistas del C\u00e1ucaso. RT, 26 de abril de 2015.<\/p>\n<p>[3] Jalife-Rahme, Alfredo. La agenda oculta de Xinjiang: petr\u00f3leo, gas y oleoductos. La Jornada, 19 de julio de 2009.<\/p>\n<p>[4] Separatismo en EU: fruto de la frustraci\u00f3n racista. Actualidad RT, 15 de noviembre de 2012.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/05\/26\/negros-y-latinos-la-logica-racista-del-imperialismo\/<\/p>\n<p><i><b>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/b><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Norberto Emmerich e Edgard Valenzuela\/Resumen Latinoamericano\/Rebeli\u00f3n, 26 de maio de 2015 \u2013 H\u00e1 poucas semanas aconteceram nos Estados Unidos os maiores protestos de \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8531\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-8531","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2dB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8531\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}