{"id":8542,"date":"2015-06-07T15:58:37","date_gmt":"2015-06-07T18:58:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8542"},"modified":"2015-06-28T15:47:56","modified_gmt":"2015-06-28T18:47:56","slug":"ministro-da-defesa-zomba-da-comissao-nacional-da-verdade-ao-prestar-honras-militares-ao-general-torturador-leonidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8542","title":{"rendered":"Ministro da Defesa zomba da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade ao prestar honras militares ao general torturador Le\u00f4nidas"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"161\" width=\"300\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/images.pagina13.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/general_leonidas_wagner-300x161.jpg?resize=300%2C161\" alt=\"imagem\" \/><strong><em>O ministro Jacques Wagner e o comandante do Ex\u00e9rcito, general Eduardo Villas Boas, fazem tro\u00e7a da Comiss\u00e3o e, ainda, da mem\u00f3ria das v\u00edtimas de Le\u00f4nidas.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Pedro Estevam da Rocha Pomar*<\/em><!--more--><\/p>\n<p>O ministro da Defesa, Jacques Wagner, zombou da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) ao autorizar, ou permitir, honras militares e mandar um general como seu representante no funeral do general Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves, cujo corpo foi velado na manh\u00e3 deste 6 de maio.<\/p>\n<p>O nome de Le\u00f4nidas consta do Relat\u00f3rio Final da CNV, identificado que foi como torturador. A CNV tinha raz\u00f5es de sobra para faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Quando general de brigada, Le\u00f4nidas chefiou o Estado-Maior do I Ex\u00e9rcito e, por consequ\u00eancia, o Comando de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (CODI) do I Ex\u00e9rcito, no Rio de Janeiro, entre mar\u00e7o de 1974 e novembro de 1976. Nesse per\u00edodo, dezenas de presos pol\u00edticos capturados pela repress\u00e3o foram torturados nas depend\u00eancias do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es (DOI-CODI), subordinado a Le\u00f4nidas, no quartel da Rua Bar\u00e3o de Mesquita (no Rio de Janeiro), ou levados para a \u201cCasa da Morte\u201d (em Petr\u00f3polis).<\/p>\n<p>Destaque-se: nesse per\u00edodo, Thomaz Antonio da Silva Meirelles Netto, Davi Capistrano, Jos\u00e9 Roman, Wilson Silva e Ana Rosa Kucinski, opositores da Ditadura Militar, foram assassinados na \u201cCasa da Morte\u201d e tiveram seus corpos esquartejados, como revelado inicialmente pelo ex-sargento Marival Chaves do Canto (e depois confirmado \u00e0 CNV pelo coronel Paulo Malh\u00e3es), ou incinerados, como declara o ex-delegado de pol\u00edcia Cl\u00e1udio Guerra.<\/p>\n<p>Registre-se: \u201cO militante comunista Armando Teixeira Fructuoso foi executado pelo DOI-CODI do I Ex\u00e9rcito, no pr\u00f3prio centro de torturas da Bar\u00e3o de Mesquita, em setembro ou outubro de 1975, conforme detalhado depoimento do seu companheiro Gild\u00e1sio Westin Consenza, preso no mesmo local e testemunha da morte. Como chefe dos torturadores, o general Le\u00f4nidas t\u00eam de responder por esta morte e por todas as outras ocorridas no per\u00edodo em que comandou o CODI do I Ex\u00e9rcito\u201d (<a href=\"http:\/\/goo.gl\/aP4VKU\" target=\"_blank\">http:\/\/goo.gl\/aP4VKU<\/a>).<\/p>\n<p>Le\u00f4nidas n\u00e3o era nenhum ing\u00eanuo, muito pelo contr\u00e1rio. Envolveu-se nas tarefas da repress\u00e3o pol\u00edtica e exerceu com gosto seu protagonismo criminoso, como revelam suas declara\u00e7\u00f5es posteriores. Teve participa\u00e7\u00e3o destacada no desmantelamento do PCdoB no Rio de Janeiro e no suborno a um dirigente comunista preso pelo I Ex\u00e9rcito, para que colaborasse com a localiza\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Central desse partido. \u201cEu era o chefe do DOI\u201d, declarou \u00e0 rep\u00f3rter Ana Maria Mandim, do jornal <em>Folha de S. Paulo<\/em>, em 1996.<\/p>\n<p>Em 1985, Le\u00f4nidas tornou-se ministro do Ex\u00e9rcito de Jos\u00e9 Sarney, de cuja posse foi um dos autores e fiador, embora o vice de Tancredo Neves fosse t\u00e3o bi\u00f4nico quanto seu companheiro de chapa, uma vez que ambos foram eleitos pelo voto indireto. Na condi\u00e7\u00e3o de ministro, tornou-se um dos principais respons\u00e1veis pelo massacre de Volta Redonda (1988), quando tropas do Ex\u00e9rcito assassinaram a golpes de baioneta tr\u00eas oper\u00e1rios da Companhia Sider\u00fargica Nacional, ent\u00e3o em greve, em epis\u00f3dio que comoveu o pa\u00eds. Tamb\u00e9m exerceu press\u00e3o sobre os deputados constituintes, com sucesso, para que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal mantivesse o arcabou\u00e7o legal da repress\u00e3o policial e pol\u00edtica herdado da Ditadura Militar.<\/p>\n<p>A gravidade do gesto do ministro Jacques Wagner, que vem ignorando acintosamente as recomenda\u00e7\u00f5es da CNV, pode ser medida n\u00e3o apenas pela trajet\u00f3ria do general Le\u00f4nidas, mas por suas in\u00fameras e reiteradas declara\u00e7\u00f5es depreciativas dos militantes pol\u00edticos que combateram a Ditadura Militar. Vale relembrar duas delas, que fez aos pesquisadores do CPDOC da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas: \u201cNunca vi tend\u00eancia maior para a dela\u00e7\u00e3o do que em um comunista. Comunista \u00e9 um delator nato! Fala tudo! Depois, para se justificar, diz que foi torturado\u201d. \u201cPorque, n\u00e3o tenham a menor d\u00favida, os subversivos, com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, eram desequilibrados. Eram psicologicamente desequilibrados, por quest\u00f5es familiares, por quest\u00f5es fisiol\u00f3gicas. E as mulheres s\u00e3o de uma viol\u00eancia incr\u00edvel\u201d (<em>Anos de Chumbo<\/em>, 1994).<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 cobertura institucional promovida pelo ministro da Defesa (<a href=\"http:\/\/goo.gl\/B1j88G\" target=\"_blank\">http:\/\/goo.gl\/B1j88G<\/a>), o comandante do Ex\u00e9rcito, general Eduardo Villas Boas, sentiu-se \u00e0 vontade, ao discursar no vel\u00f3rio de Le\u00f4nidas, para atacar indiretamente as conclus\u00f5es da CNV: \u201cOs soldados do seu Ex\u00e9rcito n\u00e3o consentir\u00e3o que a retid\u00e3o de seu car\u00e1ter e a transcend\u00eancia de sua alma sejam maculados por vers\u00f5es hist\u00f3ricas capciosas\u201d (Ag\u00eancia Estado, 6\/6\/15).<\/p>\n<p>\u201cVers\u00f5es hist\u00f3ricas capciosas\u201d? A verdade \u00e9 que os generais de hoje pensam como os generais de ontem. Se depender da mentalidade retr\u00f3grada deste generalato, o pa\u00eds continuar\u00e1 sob tutela militar, a Ditadura jamais ser\u00e1 condenada pelos crimes cometidos, o Terrorismo de Estado promovido pelas For\u00e7as Armadas entre 1964 e 1985 ser\u00e1 eternamente justificado.<\/p>\n<p>A presidenta Dilma Rousseff foi a primeira a desmerecer o Relat\u00f3rio Final da CNV, ao declarar, na solenidade em que recebeu o documento, sua disposi\u00e7\u00e3o de manter intocada a Lei da Anistia de 1979, que protege os torturadores que agiram a servi\u00e7o da Ditadura Militar. Ora, a CNV recomendou a anula\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia. E agora s\u00e3o o ministro Jacques Wagner e o comandante do Ex\u00e9rcito que fazem tro\u00e7a da Comiss\u00e3o e, ainda, da mem\u00f3ria das v\u00edtimas de Le\u00f4nidas.<\/p>\n<p>Vergonha, imensa vergonha.<\/p>\n<p><em>*Pedro Estevam da Rocha Pomar, jornalista, membro do Comit\u00ea Paulista por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a (CPMVJ), \u00e9 neto de Pedro Felipe Ventura de Ara\u00fajo Pomar, assassinado pelo II Ex\u00e9rcito e Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE) em 1976, em S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.pagina13.org.br\/memoria-verdade-e-justica\/ministro-da-defesa-zomba-da-comissao-nacional-da-verdade-ao-prestar-honras-militares-ao-general-torturador-leonidas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ministro Jacques Wagner e o comandante do Ex\u00e9rcito, general Eduardo Villas Boas, fazem tro\u00e7a da Comiss\u00e3o e, ainda, da mem\u00f3ria das v\u00edtimas \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8542\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-8542","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2dM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8542\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}