{"id":8585,"date":"2015-06-09T17:40:45","date_gmt":"2015-06-09T20:40:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8585"},"modified":"2015-06-28T15:49:06","modified_gmt":"2015-06-28T18:49:06","slug":"as-causas-profundas-da-crise-hidrica-a-luta-ambiental-e-uma-luta-anticapitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8585","title":{"rendered":"As causas profundas da crise h\u00eddrica. A luta ambiental \u00e9 uma luta anticapitalista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/fGnG9LMZ4waHbhpFzDb_q45nm7gUgIW-13pASBK2SWA=w900-h350-no\" alt=\"imagem\" \/>A \u00e1gua doce representa apenas 3% do total de \u00e1gua na Terra. O uso intensivo deste recurso pode impedir sua renova\u00e7\u00e3o, pois apenas 1\/3 desta \u00e1gua \u00e9 acess\u00edvel, a partir de rios, lagos, len\u00e7\u00f3is subterr\u00e2neos pr\u00f3ximos \u00e0 superf\u00edcie e atmosfera. Sua manuten\u00e7\u00e3o depende da preserva\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal no seu entorno, o <!--more-->que, al\u00e9m de evitar a eros\u00e3o das margens, gera parte da evapora\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a forma\u00e7\u00e3o da chuva, somando-se \u00e0 umidade que vem da Amaz\u00f4nia para outras regi\u00f5es, por correntes de ar \u00famido. O Brasil, que tem uma grande reserva de recursos h\u00eddricos (73% na Amaz\u00f4nia) e bom volume de chuvas, apresenta, hoje, um quadro de crise: em S\u00e3o Paulo, o maior reservat\u00f3rio esteve quase seco por meses. Houve queda na gera\u00e7\u00e3o de hidroeletricidade, obrigando o sistema a acionar usinas termoel\u00e9tricas, mais poluentes e mais caras.<\/p>\n<p>Cerca de 80% do consumo de \u00e1gua vem da agricultura e da ind\u00fastria, sendo os 20% restantes gerados pelo consumo dom\u00e9stico e outros usos. A elevada taxa de urbaniza\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos e o uso intensivo de \u00e1gua nas grandes planta\u00e7\u00f5es e ind\u00fastrias criam uma enorme press\u00e3o sobre o sistema h\u00eddrico. A redu\u00e7\u00e3o das matas nas margens dos rios e lagos e ao longo dos territ\u00f3rios diminui a evapora\u00e7\u00e3o e a reten\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da chuva no solo. A falta de tratamento de efluentes industriais e de acesso ao saneamento b\u00e1sico \u2013 que atinge cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 torna a \u00e1gua de muitas reservas invi\u00e1vel para consumo, como no caso da represa Billings, em S\u00e3o Paulo, e de muitos outros mananciais.<\/p>\n<p>Ainda que se possa utilizar a \u00e1gua dispon\u00edvel de forma mais eficaz, com redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o, tratamento da \u00e1gua para seu reaproveitamento, controle de desperd\u00edcios, ado\u00e7\u00e3o de tecnologias agr\u00edcolas e industriais menos intensivas em \u00e1gua e at\u00e9 com o uso da dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar (solu\u00e7\u00e3o cara que n\u00e3o produz muito volume de \u00e1gua pot\u00e1vel), a situa\u00e7\u00e3o tende a se agravar. Este quadro \u00e9 o resultado do processo de desenvolvimento do capitalismo, que concentra a propriedade da terra no campo, forma grandes empresas industriais e induz \u00e0 migra\u00e7\u00e3o para as cidades.<\/p>\n<p>O est\u00edmulo \u00e0 agricultura monocultora de exporta\u00e7\u00e3o e ao consumismo desenfreado contribuem para o crescimento desordenado da economia sem qualquer planejamento na gera\u00e7\u00e3o de energia e a aus\u00eancia de moradia adequada para a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, que evitasse a ocupa\u00e7\u00e3o de encostas e margens dos rios. A isso se soma o uso de largas extens\u00f5es de terra na Amaz\u00f4nia para extra\u00e7\u00e3o de madeira e cria\u00e7\u00e3o extensiva de gado. Agroneg\u00f3cio e pecuaristas obtiveram vantagens no c\u00f3digo florestal, como a permiss\u00e3o para o plantio em encostas e a redu\u00e7\u00e3o de matas ciliares, entre outras.<\/p>\n<p>A luta pela sustentabilidade ambiental passa pela luta de classes, rumo \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do trabalho e ao usufruto dos recursos naturais pelos produtores diretos. Os territ\u00f3rios onde est\u00e3o as riquezas ambientais como as \u00e1guas de superf\u00edcie e subterr\u00e2neas, os min\u00e9rios, as florestas e sua biodiversidade s\u00e3o recursos coletivos, propriedades p\u00fablicas, que devem ser utilizados com vistas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vida e n\u00e3o para favorecer a propriedade privada, o capital e a mercantiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente a luta pelo fim do latif\u00fandio capitalista, por moradia digna sem ocupa\u00e7\u00e3o desordenada do solo nas cidades, ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias agr\u00edcolas e industriais para redu\u00e7\u00e3o do uso de \u00e1gua e gera\u00e7\u00e3o de energia a partir de fontes renov\u00e1veis. A luta ambiental \u00e9, portanto, uma luta anticapitalista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A \u00e1gua doce representa apenas 3% do total de \u00e1gua na Terra. 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