{"id":8636,"date":"2015-06-17T13:34:36","date_gmt":"2015-06-17T16:34:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8636"},"modified":"2015-07-08T18:16:03","modified_gmt":"2015-07-08T21:16:03","slug":"ignacio-ramonet-a-nova-geopolitica-do-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8636","title":{"rendered":"Ign\u00e1cio Ramonet: A nova geopol\u00edtica do petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/150614-Petr%C3%B3leo3b.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Para amea\u00e7ar China e manter hegemonia, Washington desejava recuperar autossufici\u00eancia e afastar-se do Oriente M\u00e9dio. Faltou combinar com a Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Em que contexto geral desenha-se uma nova geopol\u00edtica do petr\u00f3leo? O pa\u00eds hegem\u00f4nico, <!--more-->os Estados Unidos, considera a China como a \u00fanica pot\u00eancia contempor\u00e2nea capaz, a m\u00e9dio prazo (na segunda metade do s\u00e9culo XXI), de rivalizar com ele e de amea\u00e7ar sua hegemonia solit\u00e1ria em n\u00edvel mundial. Por isso, Washington estabeleceu secretamente, desde o princ\u00edpio dos anos 2000, uma \u201cdesconfian\u00e7a estrat\u00e9gica\u201d com rela\u00e7\u00e3o a Pequim.<\/p>\n<p>O presidente Barack Obama decidiu reorientar a pol\u00edtica exterior norte-americana considerando como crit\u00e9rio principal esse par\u00e2metro. Os Estados Unidos n\u00e3o querem encontrar-se de novo na humilhante situa\u00e7\u00e3o da Guerra Fria (1948-1989), quando tiveram de compartilhar sua hegemonia mundial com outra \u201csuperpot\u00eancia\u201d, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Os conselheiros de Obama formularam essa teoria da seguinte maneira: \u201cUm s\u00f3 planeta, uma s\u00f3 superpot\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, Washington n\u00e3o deixa de ampliar suas for\u00e7as e bases militares na \u00c1sia Oriental para tentar \u201cconter\u201d a China. Pequim j\u00e1 constata o bloqueio de sua capacidade de expans\u00e3o mar\u00edtima por meio de m\u00faltiplos \u201cconflitos de ilhotas\u201d com a Coreia do Sul, Taiwan, Jap\u00e3o, Vietn\u00e3, Filipinas\u2026 E pela poderosa presen\u00e7a da VII\u00aa frota dos Estados Unidos. Paralelamente, a diplomacia norte-americana refor\u00e7a suas rela\u00e7\u00f5es com todos os Estados que possuem fronteiras terrestres com a China (exceto a R\u00fassia). O que explica a recente e espetacular aproxima\u00e7\u00e3o de Washington com o Vietn\u00e3 e com a Birm\u00e2nia.<\/p>\n<p>Esta pol\u00edtica de aten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria ao Extremo Oriente e de conten\u00e7\u00e3o da China s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se os Estados Unidos conseguirem afastar-se do Oriente M\u00e9dio. Neste cen\u00e1rio estrat\u00e9gico, Washington interv\u00e9m tradicionalmente em tr\u00eas esferas. Em primeiro lugar, no \u00e2mbito militar. Os EUA encontram-se imersos em v\u00e1rios conflitos, especialmente no Afeganist\u00e3o contra os talib\u00e3s e no Iraque-S\u00edria contra a Organiza\u00e7\u00e3o do Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, no \u00e2mbito da diplomacia, em particular com a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3, com o objetivo de limitar sua expans\u00e3o ideol\u00f3gica e impedir o acesso de Teer\u00e3 \u00e0 for\u00e7a nuclear. E, em terceiro lugar, no \u00e2mbito da solidariedade, especialmente no que diz respeito a Israel, para quem os Estados Unidos continuam sendo uma esp\u00e9cie de \u201cprotetores em \u00faltima inst\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>Esta \u201csob reimplica\u00e7\u00e3o\u201d direta de Washington no Oriente M\u00e9dio (particularmente depois da Guerra do Golfo em 1991) mostrou os \u201climites da pot\u00eancia norte-americana\u201d, que n\u00e3o pode ganhar realmente nenhum dos conflitos nos quais se envolveu fortemente (Iraque, Afeganist\u00e3o). Conflitos que tiveram, para os cofres de Washington, um custo astron\u00f4mico e consequ\u00eancias desastrosas, inclusive para o sistema financeiro internacional.<\/p>\n<p>Atualmente, a Casa Branca tem claro que os Estados Unidos n\u00e3o podem realizar simultaneamente duas grandes guerras de alcance mundial. Portanto, a alternativa \u00e9 a seguinte: ou os Estados Unidos continuam envolvendo-se no \u201cpantanal\u201d do Oriente M\u00e9dio, em conflitos t\u00edpicos do s\u00e9culo XIX; ou se concentram na urgente conten\u00e7\u00e3o da China, cujo impulso fulgurante poderia anunciar, a m\u00e9dio prazo, a decad\u00eancia dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de Barack Obama \u00e9 \u00f3bvia: deve fazer frente ao segundo desafio, pois este ser\u00e1 decisivo para o futuro dos Estados Unidos no s\u00e9culo XXI. Em consequ\u00eancia, Washington deve retirar-se progressivamente \u2013 por\u00e9m imperativamente \u2013 do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Aqui se coloca uma pergunta: por que os Estados Unidos envolveram-se tanto no Oriente M\u00e9dio, a ponto de descuidar do resto do mundo, desde o fim da Guerra Fria? Para esta pergunta, a resposta pode limitar-se a uma palavra: petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Desde que os Estados Unidos deixaram de ser autossuficientes, no final dos anos 1940, o controle das principais zonas de produ\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos converteu-se em \u201cobsess\u00e3o estrat\u00e9gica\u201d norte-americana. O que explica parcialmente a \u201cdiplomacia dos golpes de Estado\u201d de Washington, especialmente no Oriente M\u00e9dio e na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No Oriente M\u00e9dio, nos anos 1950, \u00e0 medida em que o velho Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico retirava-se e se reduzia a seu arquip\u00e9lago inicial, o imp\u00e9rio norte-americano substitu\u00eda-o. Para isso, colocou \u00e0 frente dos pa\u00edses desta regi\u00e3o seus \u201chomens\u201d, sobretudo na Ar\u00e1bia Saudita e Ir\u00e3, principais produtores de petr\u00f3leo do mundo \u2013 junto com a Venezuela, na \u00e9poca j\u00e1 sob controle norte-americano.<\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 pouco, a depend\u00eancia de Washington em rela\u00e7\u00e3o ao petr\u00f3leo e ao g\u00e1s do Oriente M\u00e9dio impediu-lhe considerar a possibilidade de se retirar da regi\u00e3o. Que mudou ent\u00e3o, para que os Estados Unidos pensem agora em faz\u00ea-lo? O petr\u00f3leo e o g\u00e1s de xisto, cuja produ\u00e7\u00e3o, por meio do m\u00e9todo conhecido por \u201cfracking\u201d, aumentou significativamente no in\u00edcio dos anos 2000. Isso modificou todos os par\u00e2metros. A explora\u00e7\u00e3o deste tipo de hidrocarbonetos (cujo custo \u00e9 mais elevado que o do petr\u00f3leo \u201ctradicional\u201d) foi favorecida pelo importante aumento do pre\u00e7o do combust\u00edvel que, em m\u00e9dia, superou os 100 d\u00f3lares por barril entre 2010 e 2013.<\/p>\n<p>Atualmente, os Estados Unidos recuperaram a autossufici\u00eancia energ\u00e9tica e est\u00e3o, inclusive, convertendo-se de novo em importante exportador de petr\u00f3leo. Portanto, j\u00e1 podem considerar, por fim, a possibilidade de se retirar do Oriente M\u00e9dio, com a condi\u00e7\u00e3o de garantir rapidamente a cicatriza\u00e7\u00e3o de algumas feridas que, em alguns casos, datam de mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, Obama retirou a quase totalidade das tropas norte-americanas do Iraque e Afeganist\u00e3o. Os EUA participaram muito discretamente nos bombardeios da L\u00edbia e negaram-se a intervir contra as autoridades de Damasco, na S\u00edria. Por outro lado, Washington busca, em marcha for\u00e7ada, um acordo como Teer\u00e3 sobre a quest\u00e3o nuclear, e pressiona Israel para que seu governo caminhe urgentemente a um acordo com os palestinos. Em todos estes movimentos, percebe-se o desejo de Washington de fechar as frentes de guerra no Oriente M\u00e9dio, para esquecer os pesadelos l\u00e1 vividos e passar a outro cen\u00e1rio, muito mais importante.<\/p>\n<p>Tudo isso se desenvolvia perfeitamente enquanto os pre\u00e7os do petr\u00f3leo permaneciam altos, cerca de 100 d\u00f3lares o barril. O pre\u00e7o de explora\u00e7\u00e3o do barril de petr\u00f3leo de xisto, por \u201cfracking\u201d \u00e9 de aproximadamente US$ 60, o que deixa aos produtores uma margem consider\u00e1vel (entre US$ 30 e 40 o barril).<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que a Ar\u00e1bia Saudita decidiu intervir. Riad op\u00f5e-se a que os Estados Unidos retirem-se do Oriente M\u00e9dio. Sobretudo se Washington estabelecer antes, com Teer\u00e3, um acordo sobre a quest\u00e3o nucelar, que os sauditas consideram muito favor\u00e1vel ao Ir\u00e3. Al\u00e9m disso, segundo a monarquia wahabita, isso exporia os sauditas, e os sunitas em geral, a se converter em v\u00edtimas do que chamam de \u201cexpansionismo xiita\u201d. \u00c9 preciso ter em conta que as principais jazidas de petr\u00f3leo sauditas encontram-se em zonas de popula\u00e7\u00e3o xiita.<\/p>\n<p>Considerando que disp\u00f5e das segundas reservas mundiais de petr\u00f3leo, a Ar\u00e1bia Saudita [e, de longe, as mais facilmente explor\u00e1veis (nota da tradu\u00e7\u00e3o)], decidiu usar o combust\u00edvel para sabotar a estrat\u00e9gia norte-americana. Opondo-se \u00e0s consignas da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (OPEP), Riad decidiu, contra toda l\u00f3gica comercial aparente, aumentar de modo consider\u00e1vel sua produ\u00e7\u00e3o e provocar, deste modo, a baixa dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, inundando o mercado de combust\u00edvel barato. A estrat\u00e9gia deu rapidamente resultados. Em pouco tempo, os pre\u00e7os do petr\u00f3leo baixaram cerca de 50%. O pre\u00e7o do barril caiu a US$ 40 (antes de subir ligeiramente, aos cerca de US$ 55-60 atuais).<\/p>\n<p>Esta pol\u00edtica assestou um duro golpe contra o \u201cfracking\u201d. A maioria dos grandes produtores norte-americanos de g\u00e1s de xisto est\u00e1 atualmente em crise, endividada e corre risco de quebrar (o que implica uma amea\u00e7a para o sistema banc\u00e1rio norte-americano que havia oferecido cr\u00e9ditos abundantes aos neopetroleiros). A US$ 40 o barril, o xisto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel. Nem boa parte das escava\u00e7\u00f5es profundas \u201coffshore\u201d. Diversas empresas petroleiras importantes j\u00e1 anunciaram que cessar\u00e3o suas exporta\u00e7\u00f5es em alto mar porque n\u00e3o s\u00e3o rent\u00e1veis \u2013 o que provoca a perda de dezenas de milhares de empregos[1].<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, uma vez mais, o petr\u00f3leo tornou-se menos abundante. Os pre\u00e7os subiram levemente. Mas as reservas da Ar\u00e1bia Saudita s\u00e3o suficientemente grandes para que Riad regule o fluxo e ajuste sua produ\u00e7\u00e3o de maneira que permita um ligeiro aumento do pre\u00e7o (at\u00e9 60 d\u00f3lares aproximadamente), mas sem superar os limites que permitiriam retomar a produ\u00e7\u00e3o por meio de \u201cfracking\u201d ou na maior parte das jazidas mar\u00edtimas de grande profundidade. Deste modo, Riad converteu-se no \u00e1rbitro absoluto em mat\u00e9ria de pre\u00e7o do petr\u00f3leo (um par\u00e2metro decisivo para as economias de pa\u00edses, entre os quais Arg\u00e9lia, Venezuela, Nig\u00e9ria, M\u00e9xico, Indon\u00e9sia etc).<\/p>\n<p>Estas novas circunst\u00e2ncias obrigam Barack Obama a reconsiderar seus planos. A crise do \u201cfracking\u201d poderia representar o fim da autossufici\u00eancia de energia f\u00f3ssil nos Estados Unidos. E, portanto, a volta \u00e0 depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Oriente M\u00e9dio (e tamb\u00e9m \u00e0 Venezuela, por exemplo). Por enquanto, Riad parece ter ganhado a aposta. At\u00e9 quando?<\/p>\n<p>Nota:<\/p>\n<p>[1] Esta considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o abrange as reservas de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal brasileiro. L\u00e1, as jazidas est\u00e3o localizadas a enorme profundidade (as sondas precisam ultrapassar entre 120 e 2.200 metros de l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua, para depois perfurar entre 1.900 e 5.300 metros abaixo do fundo do mar); por\u00e9m, o volume e concentra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo permitem extra\u00e7\u00e3o a cerca de 50 d\u00f3lares por barril, inclu\u00eddos os custos de opera\u00e7\u00e3o e a transfer\u00eancia de recursos ao Estado brasileiro. Por isso, a intensa disputa pelo futuro das reservas. Ler, a este respeito, em Outras Palavras, \u201cPetr\u00f3leo: a virada nos pre\u00e7os globais e o pr\u00e9-sal\u201d, de Andr\u00e9 Ghirardi. (Nota do editor)<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543565-ignacio-ramonet-a-nova-geopolitica-do-petroleo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para amea\u00e7ar China e manter hegemonia, Washington desejava recuperar autossufici\u00eancia e afastar-se do Oriente M\u00e9dio. 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