{"id":8653,"date":"2015-06-18T02:43:38","date_gmt":"2015-06-18T05:43:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8653"},"modified":"2015-07-08T18:38:31","modified_gmt":"2015-07-08T21:38:31","slug":"nota-da-comissao-da-verdade-do-rio-sobre-a-vila-autodromo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8653","title":{"rendered":"Nota da Comiss\u00e3o da Verdade do Rio sobre a Vila Aut\u00f3dromo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/-RqKzR1M4cRY\/VYG1DCktfaI\/AAAAAAAAAWE\/4_Hw2z20qns\/s1600\/Vila%2BAutodromo%2B2015.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>A Comiss\u00e3o da Verdade do Rio vem investigando as remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas perpetradas pela ditadura militar brasileira, em preju\u00edzo do direito \u00e0 moradia adequada entre os anos de 1964 a 1985. A pesquisa, orientada por Juliana Oakim e Marco Pestana, observa com aten\u00e7\u00e3o que o projeto ditatorial, a fim de promover a exclus\u00e3o social das popula\u00e7\u00f5es empobrecidas e o favorecimento econ\u00f4mico da classe dominante, viabilizou as pol\u00edticas de remo\u00e7\u00e3o em \u00e1reas nobres do Rio de Janeiro, em uma iniciativa que visava a erradica\u00e7\u00e3o das <!--more-->favelas da cidade. Deste modo, favelas h\u00e1 muito tempo estabelecidas na Lagoa, G\u00e1vea, Maracan\u00e3, etc. sofreram processos de remo\u00e7\u00e3o, todos mediante viol\u00eancia, persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia pol\u00edtica e sem di\u00e1logo com os moradores, que se viram obrigados a morar em bairros distantes de seu local de trabalho, rede de amigos e familiares e sem infraestrutura b\u00e1sica de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Em depoimento prestado \u00e0 CEV-Rio, Altair Guimar\u00e3es, lideran\u00e7a da Vila Aut\u00f3dromo, na Barra da Tijuca, relatou a traum\u00e1tica experi\u00eancia de ser desalojado da Ilha dos Cai\u00e7aras, em 1968, e da atual tentativa da Prefeitura em remover os moradores da Vila Aut\u00f3dromo:<\/p>\n<p>\u201cFomos tirados dessas comunidades (Favela do Pinto, Ilha das Dragas e Ilha dos Cai\u00e7aras) como animais. Na \u00e9poca, a COMLURB* tinha caminh\u00f5es com janelinhas iguais as dos trens. O governo, a Pol\u00edcia Militar e a COMLURB iam botando nossas coisas pra cima dos caminh\u00f5es de lixo, metendo p\u00e9 de cabra e marreta nos barracos, derrubando. N\u00e3o respeitavam as crian\u00e7as, n\u00e3o respeitavam os mais velhos e n\u00e3o \u00e9 diferente hoje. A mesma coisa que acontecia na \u00e9poca da ditadura, acontece hoje. N\u00e3o conhecia nada em Jacarepagu\u00e1 e com 14 anos olhando pela janela do caminh\u00e3o da COMLURB eu ficava me perguntando para onde eu estaria indo. E aonde eu fui cair? Na Cidade de Deus. Sem nenhuma infraestrutura, pois na \u00e9poca do [governador] Lacerda ainda estava em constru\u00e7\u00e3o, era barro puro, n\u00e3o tinha escola, s\u00f3 tinha uma padaria, n\u00e3o tinha nada. E a\u00ed eu os meus amigos fomos separados, alguns foram para Cordovil e outros foram para outro lugar. Vivi uma vida muito ruim na minha adolesc\u00eancia com essa mudan\u00e7a de um lugar para o outro. Eu n\u00e3o desejava que as crian\u00e7as dessa comunidade [Vila Aut\u00f3dromo] passassem pelas mesmas coisas que eu passei, mas, infelizmente, n\u00e3o consegui\u201d.<\/p>\n<p>Chama aten\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o a fragilidade e altern\u00e2ncia das justificativas apresentadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas para a remo\u00e7\u00e3o da Vila Aut\u00f3dromo, que v\u00e3o desde o infundado dano est\u00e9tico e ambiental provocado pela comunidade nos anos 90, at\u00e9 o atual preju\u00edzo \u00e0 mobilidade urbana supostamente representados pelo bairro. Ao visitar a Vila Aut\u00f3dromo para ouvir Altair, a equipe da CEV-Rio constatou o interesse do mercado imobili\u00e1rio nesta regi\u00e3o, que possibilita a continua\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o urbana da Zona Oeste da cidade. Neste cen\u00e1rio, a Vila Aut\u00f3dromo est\u00e1 localizada entre hot\u00e9is de luxo (j\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o) e a Lagoa de Jacarepagu\u00e1, para\u00edso natural semelhante \u00e0 Lagoa Rodrigo de Freitas, visada pelo mercado imobili\u00e1rio durante os anos 60 e motivadora das remo\u00e7\u00f5es das favelas do Pinto, Catacumba, Ilha das Dragas e Ilha dos Cai\u00e7aras naquela d\u00e9cada. \u00c0 \u00e9poca, a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica tamb\u00e9m alegava a impossibilidade de se residir nessas \u00e1reas. No entanto, logo em seguida grandes empreendimentos imobili\u00e1rios foram constru\u00eddos no mesmo local, sem chance de que os antigos moradores retornassem.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o da Verdade do Rio se preocupa com a possibilidade de que Altair e os demais moradores sejam for\u00e7adamente removidos, ao inv\u00e9s de terem finalmente garantido seu direito \u00e0 moradia digna mediante investimentos p\u00fablicos em urbaniza\u00e7\u00e3o. Somente com a mudan\u00e7a dos paradigmas autorit\u00e1rios alcan\u00e7aremos a n\u00e3o-repeti\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos que caracterizaram a ditadura militar, objetivo perseguido pela CEV-Rio ao promover mem\u00f3ria e verdade, e encaminhar recomenda\u00e7\u00f5es ao Estado brasileiro.<\/p>\n<p>*A empresa encarregada da limpeza urbana \u00e0 \u00e9poca era a DLU \u2013 Departamento de Limpeza Urbana do Estado da Guanabara.<\/p>\n<p>Foto: Lucas Pedretti<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pelamoradia.wordpress.com\/2015\/06\/17\/nota-da-comissao-da-verdade-do-rio-sobre-a-vila-autodromo-rj\/\">Nota da Comiss\u00e3o da Verdade do Rio sobre a Vila Aut\u00f3dromo&nbsp;(RJ)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Comiss\u00e3o da Verdade do Rio vem investigando as remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas perpetradas pela ditadura militar brasileira, em preju\u00edzo do direito \u00e0 moradia adequada \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8653\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-8653","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2fz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8653\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}