{"id":8706,"date":"2015-06-24T20:46:28","date_gmt":"2015-06-24T23:46:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8706"},"modified":"2015-07-08T18:38:19","modified_gmt":"2015-07-08T21:38:19","slug":"violencia-contra-indigenas-numeros-de-homicidios-e-suicidios-seguem-assustadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8706","title":{"rendered":"Viol\u00eancia contra ind\u00edgenas: n\u00fameros de homic\u00eddios e suic\u00eddios seguem \u2018assustadores\u2019"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015_06_legenda-1_relatorio-cimi_cimi.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Cristina Fontenele*<\/p>\n<p>Adital<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/cimi.org.br\/pub\/Arquivos\/Relat.pdf\" target=\"_blank\">Relat\u00f3rio Viol\u00eancia Contra os Povos Ind\u00edgenas no Brasil<\/a>, publicado pelo Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), relata um severo aumento da viol\u00eancia praticada contra os povos ind\u00edgenas no Brasil em 2014. O estudo compila den\u00fancias e relatos dos povos, das lideran\u00e7as e organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es das equipes mission\u00e1rias do Cimi que atuam no pa\u00eds.<!--more--><\/p>\n<p>Relat\u00f3rio revela aumento da viol\u00eancia contra os ind\u00edgenas em todos os quesitos. Em 2014 foram registrados 138 homic\u00eddios e 84 invas\u00f5es possess\u00f3rias para explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos naturais.<\/p>\n<p>Em 2014, foram registrados 138 homic\u00eddios, 135 suic\u00eddios, 785 mortes de crian\u00e7as de zero a cinco anos, 19 conflitos territoriais, 84 invas\u00f5es possess\u00f3rias para explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrim\u00f4nio, 118 casos de omiss\u00e3o e morosidade na regulamenta\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Adital, a antrop\u00f3loga Lucia Helena Rangel, assessora do Cimi e coordenadora da pesquisa que, anualmente, publica o relat\u00f3rio, avalia que a viol\u00eancia contra os ind\u00edgenas \u00e9 &#8220;recorrente e assustadora, \u00e9 um padr\u00e3o que se repete\u201d. Ela diz que n\u00e3o h\u00e1 grande diferen\u00e7a entre este \u00faltimo relat\u00f3rio e o anterior. As varia\u00e7\u00f5es para mais ou para menos n\u00e3o teriam grande significado diante de um padr\u00e3o de viol\u00eancia que n\u00e3o muda.<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga comenta que o \u00f3dio aos ind\u00edgenas vem do n\u00e3o reconhecimento de uma d\u00edvida hist\u00f3rica para com esses povos, vem da nega\u00e7\u00e3o do direito dos ind\u00edgenas viverem e se reproduzirem de acordo com os seus pr\u00f3prios padr\u00f5es. &#8220;O Brasil tem uma hist\u00f3ria violenta que nos marcou profundamente. Vivemos em uma sociedade colonial que, h\u00e1 quatro s\u00e9culos, extermina e escraviza os negros e os povos ind\u00edgenas. Estamos a somente um s\u00e9culo da Rep\u00fablica, o que ainda n\u00e3o foi suficiente para extirpar a mentalidade escravocrata. Quando se fala em direitos humanos no Brasil, a elite se horroriza e se arrepia\u201d.<\/p>\n<p>Ela cita o caso emblem\u00e1tico do povo Tenharim, na cidade de Humait\u00e1, no Amazonas. Os corpos de tr\u00eas homens foram encontrados em uma cova rasa dentro da aldeia Taboca, em fevereiro de 2014. O fato causou revolta nos moradores de Humait\u00e1, que atearam fogo contra carros e o pr\u00e9dio da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai). Lucia Helena assinala que foi um &#8220;um verdadeiro \u2018Mississipi em chamas\u2019 [refer\u00eancia ao filme sobre o racismo no sul dos Estados Unidos], com a popula\u00e7\u00e3o toda contra os ind\u00edgenas\u201d. Para ela, esse epis\u00f3dio conceitua a contradi\u00e7\u00e3o e os elementos da viol\u00eancia contra os \u00edndios, que \u00e9 presente em todo o Brasil e assume em cada regi\u00e3o caracter\u00edsticas espec\u00edficas. &#8220;Percebe-se racismo, assassinato, amea\u00e7a, depreda\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio e abuso de poder. \u00c9 um \u00f3dio aos ind\u00edgenas que explode e n\u00e3o h\u00e1 mais como esconder\u201d.<\/p>\n<p>Suic\u00eddiosO estudo revela 135 casos de suic\u00eddios entre povos ind\u00edgenas, no ano passado, sendo a maioria praticada por jovens. O Estado do Mato Grosso do Sul \u00e9 um caso end\u00eamico, com um dos maiores \u00edndices, 48 casos. Considerando-se os registros feitos entre 2000 e 2014, somente neste Estado, chega-se ao alarmante n\u00famero de 707 suic\u00eddios. A faixa et\u00e1ria com maior n\u00famero de casos \u00e9 a dos 15 aos 19 anos (36%), seguido de casos na faixa de 10 a 14 anos (17%). O maior registro ocorreu no munic\u00edpio de Amambai (38%).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preocupante o alto n\u00famero de suic\u00eddios registrados no Alto Rio Solim\u00f5es, localizado no Amazonas, onde s\u00e3o atendidos os povos Tikuna, Kokama e Caixana. Foram registrados 37 casos.<\/p>\n<p>Lucia Helena explica que o suic\u00eddio n\u00e3o pode ser tratado como uma simples equa\u00e7\u00e3o de causa e efeito, pois \u00e9 um fen\u00f4meno humano. A avalia\u00e7\u00e3o que se faz \u00e9 que existe uma forte rela\u00e7\u00e3o entre suic\u00eddio, o conflito pela terra e o racismo.<\/p>\n<p>Assassinatos<\/p>\n<p>Graves tamb\u00e9m s\u00e3o as ocorr\u00eancias de assassinatos. Em 2014, foram registrados 138, sendo muitos destes praticados em fun\u00e7\u00e3o de conflitos fundi\u00e1rios, no intuito de coibirem as lutas e amedrontarem os l\u00edderes ind\u00edgenas. Os Estados do Mato Grosso do Sul, Amazonas e Bahia lideram as estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio indica que alguns casos resultaram de conflitos internos, em fun\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas nas \u00e1reas ind\u00edgenas. Outros foram consequ\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de confinamento populacional, especialmente nas min\u00fasculas reservas em Mato Grosso do Sul. &#8220;Intoler\u00e2ncia, gan\u00e2ncia e preconceito continuam motivando as agress\u00f5es contra os direitos ind\u00edgenas\u201d, denuncia o documento.<\/p>\n<p>Lucia Helena avalia que os assassinatos mant\u00eam um padr\u00e3o recorrente e que os conflitos parecem n\u00e3o cessar.<\/p>\n<p>Mortalidade infantil<\/p>\n<p>Os casos de mortalidade infantil de zero a cinco anos v\u00eam aumentando a cada ano. Constata-se um agravamento entre as aldeias Xavante, com 116 mortes e entre os Yanomami, com 46 registros. Lucia Helena ressalta que a presen\u00e7a de garimpeiros ilegais nos territ\u00f3rios destes povos \u00e9 um fator de vulnerabilidade, uma porta aberta para o aumento das epidemias.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que em Altamira, no Par\u00e1, munic\u00edpio atingido pelas obras da hidrel\u00e9trica de Belo Monte, a taxa de mortalidade na inf\u00e2ncia chegou a 141,84 por mil.<\/p>\n<p>Demarca\u00e7\u00e3o de terras<\/p>\n<p>Em 2014, o Cimi registrou 118 casos de omiss\u00e3o e morosidade na regulamenta\u00e7\u00e3o de terras, mais que o dobro do que foi registrado em 2013, 51 ocorr\u00eancias. O Par\u00e1 \u00e9 o estado com o maior n\u00famero de casos. O relat\u00f3rio revela que o n\u00e3o reconhecimento das terras ind\u00edgenas est\u00e1 diretamente ligado \u00e0s inten\u00e7\u00f5es do governo federal em construir grandes hidrel\u00e9tricas, como no caso da usina S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s que, se constru\u00edda, alagar\u00e1 aldeias, florestas e cemit\u00e9rios da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, do povo Munduruku.<\/p>\n<p>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio, recomenda-se a instala\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Nacional Ind\u00edgena da Verdade, exclusiva para o estudo das graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos contra os povos ind\u00edgenas, visando a aprofundar os casos n\u00e3o detalhados no presente estudo. Tamb\u00e9m \u00e9 sugerida a promo\u00e7\u00e3o de campanhas nacionais de informa\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do respeito aos direitos dos povos ind\u00edgenas, que s\u00e3o garantidos pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>Segundo Lucia Helena, espera-se que o relat\u00f3rio contribua com argumentos para endossar a luta ind\u00edgena por seus direitos, e colabore com dados para a formula\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica indigenista mais humana.<\/p>\n<p>Cristina Fontenele \u00e9 estudante de Jornalismo pela Faculdades Cearenses (FAC), publicit\u00e1ria e Especialista em Gest\u00e3o de Marketing pela Funda\u00e7\u00e3o DomCabral (FDC\/MG).<\/p>\n<p>http:\/\/site.adital.com.br\/site\/noticia.php?lang=PT&#038;cod=85492<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cristina Fontenele* Adital O Relat\u00f3rio Viol\u00eancia Contra os Povos Ind\u00edgenas no Brasil, publicado pelo Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), relata um severo aumento da \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8706\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163],"tags":[],"class_list":["post-8706","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2gq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8706\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}