{"id":8721,"date":"2015-06-26T12:36:05","date_gmt":"2015-06-26T15:36:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8721"},"modified":"2015-07-20T14:32:49","modified_gmt":"2015-07-20T17:32:49","slug":"mais-de-4-mil-escolas-do-campo-fecham-suas-portas-em-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8721","title":{"rendered":"Mais de 4 mil escolas do campo fecham suas portas em 2014"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm1.staticflickr.com\/535\/19123533675_2d79081f3d_b.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Se dividirmos esses n\u00fameros ao longo do ano, temos oito escolas rurais fechadas por dia em todo pa\u00eds. Nos \u00faltimos 15 anos, mais de 37 mil unidades encerraram as atividades.<\/p>\n<p>24 de junho de 2015 18h23<\/p>\n<p><i>Por Maura Silva<br \/>\nDa P\u00e1gina do MST<\/i><!--more--><\/p>\n<p>\u201cSe a educa\u00e7\u00e3o sozinha n\u00e3o transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda\u201d, j\u00e1 dizia Paulo Freire em uma de suas mais famosas cita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todavia, o cruzamento de dados dispon\u00edveis pelo Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) nos mostra que a educa\u00e7\u00e3o no campo corre no sentido contr\u00e1rio.<br \/>\nApenas em 2014, mais 4.084 escolas do campo fecharam suas portas. Se pegarmos os \u00faltimos 15 anos, essa quantidade salta para mais de 37 mil unidades educacionais a menos no meio rural.<\/p>\n<p>Se dividirmos esses n\u00fameros ao longo do ano, temos oito escolas rurais fechadas por dia em todo pa\u00eds.<br \/>\nDentre as regi\u00f5es mais afetadas, norte e nordeste lideram o ranking. S\u00f3 em 2014 foram 872 escolas fechadas na Bahia. O Maranh\u00e3o aparece no segundo lugar, com 407 fechadas, seguido pelo Piau\u00ed com 377.<br \/>\nH\u00e1 tempo que estes n\u00fameros preocupam entidades e movimentos sociais ligados ao campo e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ainda mais pelo fato dos munic\u00edpios mais pobres serem os mais afetados.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm1.staticflickr.com\/383\/19126729271_ff6516f086_b.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>Para Clarice Santos, professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e Coordenadora Geral de Educa\u00e7\u00e3o do Campo e Cidadania do INCRA, \u201cesses n\u00fameros revelam o fracasso da atual pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o no campo\u201d.<br \/>\nPara ela, os instrumentos criados precisam ser revistos para que se alcance o resultado esperado. \u201cSe por um lado existe um esfor\u00e7o do governo federal em ampliar o transporte escolar rural, por outro, esse esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 o mesmo para evitar o fechamento das escolas\u201d, exemplifica.<br \/>\n\u201cN\u00e3o faz sentido pensarmos em transporte sem alunos. Ou seja, \u00e9 um conjunto de crit\u00e9rios que demonstram as falhas das atuais pol\u00edticas educacionais&#8221;, ressalta Santos.<\/p>\n<p>J\u00e1 para Erivan Hil\u00e1rio, do setor de educa\u00e7\u00e3o do MST, o fechamento destas escolas representa um atentado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, um direito historicamente conquistado.<\/p>\n<p>&#8220;O fechamento das escolas no campo n\u00e3o pode ser entendido somente pelo vi\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a op\u00e7\u00e3o do governo por um modelo de desenvolvimento para o campo, que \u00e9 o agroneg\u00f3cio\u201d, aponta.<br \/>\nSegundo Erivan, a situa\u00e7\u00e3o que vivemos \u201cn\u00e3o est\u00e1 isolada desta op\u00e7\u00e3o, porque o agroneg\u00f3cio pensa num campo sem gente, sem cultura e, portanto, um campo sem educa\u00e7\u00e3o e sem escola\u201d.<\/p>\n<p>Ele observa que ao mesmo tempo em que h\u00e1 fechamento sistematizado das escolas no campo, o n\u00famero de constru\u00e7\u00f5es de novas unidades educacionais nos centros urbanos t\u00eam crescido.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um dado importante de ser analisado. O fechamento das escolas do campo contribui para o \u00eaxodo rural, al\u00e9m de consolidar o papel do agroneg\u00f3cio nessas regi\u00f5es com a prioriza\u00e7\u00e3o dos lucros\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de escolas, outro fen\u00f4meno observado \u00e9 a chamada \u201cnuclea\u00e7\u00e3o\u201d, quando v\u00e1rias unidades escolares s\u00e3o concentradas numa \u201cescola polo\u201d. Isso tende a minar cada vez mais a educa\u00e7\u00e3o j\u00e1 cambaleante nestas regi\u00f5es, dificultando o processo de aprendizagem e crescimento de crian\u00e7as e jovens.<br \/>\n<b>Empurra-empurra<\/b><\/p>\n<p>A falta de investimento das prefeituras locais \u00e9 apontada como um dos grandes motivos para o fechamento das escolas no campo.<\/p>\n<p>As prefeituras, por sua vez, alegam que o n\u00famero de alunos matriculados n\u00e3o \u00e9 o suficiente para manter novas unidades educacionais. Por\u00e9m, o fechamento dessas escolas atingiu cerca de 83 mil alunos em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com Erivan, mesmo nas regi\u00f5es onde existem vagas, sobra precariedade. Das 70.816 institui\u00e7\u00f5es na \u00e1rea rural registradas em 2013 (uma d\u00e9cada antes eram 103.328), muitas delas continuam sem infraestrutura adequada, biblioteca, internet ou laborat\u00f3rio de ci\u00eancias. Outro ponto de alerta \u00e9 a falta de adequa\u00e7\u00e3o do material did\u00e1tico.<\/p>\n<p>Sem falar da ado\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, pr\u00e1ticas e atividades distantes do universo cotidiano e simb\u00f3lico dos alunos camponeses, quilombolas ou ribeirinhos, bem como aponta Erivan.<\/p>\n<p><b>Falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Lan\u00e7ada em 2014, a Lei 12.960 tinha como objetivo mudar as Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (LDB), e um dos pontos previstos era justamente aumentar o grau de exig\u00eancia para que uma escola fosse fechada, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o foi o que aconteceu.<\/p>\n<p>Para o Sem Terra, o grande problema \u00e9 a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o. \u201cO MEC institui as portarias, as leis s\u00e3o sancionadas, mas, na pr\u00e1tica, quem tem o poder de fechar as escolas \u00e9 o munic\u00edpio. Se o munic\u00edpio alega falta de alunos e de verbas, as escolas acabam sendo fechadas, e pol\u00edticas que poderiam impedir esse fato n\u00e3o s\u00e3o colocadas em pr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o faz sentindo investir na forma\u00e7\u00e3o de professores se n\u00e3o tem escolas, por exemplo. Por isso, bato na tecla de que a quest\u00e3o central \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo com os munic\u00edpios &#8211; que s\u00e3o os respons\u00e1veis diretos pelos fechamentos -, e tamb\u00e9m um pacote que contemple as demandas priorit\u00e1rios&#8221;, diz Santos.<\/p>\n<p>\u201cDentro desse contexto, eu vejo um cen\u00e1rio negativo, que s\u00f3 poder\u00e1 ser revertido com muita luta, de quem acredita que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica maneira efetiva de constru\u00e7\u00e3o social\u201d, destaca Erivan.<\/p>\n<p>http:\/\/www.mst.org.br\/2015\/06\/24\/mais-de-4-mil-escolas-do-campo-fecham-suas-portas-em-2014.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se dividirmos esses n\u00fameros ao longo do ano, temos oito escolas rurais fechadas por dia em todo pa\u00eds. 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