{"id":8726,"date":"2015-06-26T12:42:04","date_gmt":"2015-06-26T15:42:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8726"},"modified":"2015-07-20T14:38:21","modified_gmt":"2015-07-20T17:38:21","slug":"venezuela-construir-o-auge-ante-o-retrocesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8726","title":{"rendered":"Venezuela: construir o auge ante o retrocesso!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/guerra-economica_venezuela.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Marco Teruggi, de Caracas\/Resumen Latinoamericano, 19 de junho de 2015 \u2013\u00a01-\u00a0O atual cen\u00e1rio parece indicar a exist\u00eancia de um retrocesso cada vez mais marcado de um setor do povo venezuelano. Para descrever este fen\u00f4meno \u00e9 necess\u00e1rio trazer a explica\u00e7\u00e3o feita por Rodolfo Walsh: \u201cAs massas n\u00e3o retrocedem para o vazio, mas para o mal terreno, <!--more-->mas conhecido, para rela\u00e7\u00f5es que dominam, para pr\u00e1ticas comuns, em definitivo para sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, sua pr\u00f3pria cultura e sua pr\u00f3pria psicologia, ou seja, para os componentes de sua identidade social e pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Por que o retrocesso? A morte de Hugo Ch\u00e1vez, a perman\u00eancia e aprofundamento da guerra econ\u00f4mica, as respostas insuficientes sobre os fatos referentes a esse ponto por parte do Governo, a crescente perda de credibilidade que opera devido a esta situa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o algumas das causas do fen\u00f4meno. Em que se expressa? Em desmobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e em eventos que muitos apontam como marca de ingratid\u00e3o, trai\u00e7\u00e3o popular: \u201cbachaqueo\u201d, revenda de conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o, vendas especulativas, contrabando, \u201craspacupos\u201d, etc.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de desculpar estes atos, nem de ver traidores em cada esquina, mas de entend\u00ea-los sob a l\u00f3gica do retrocesso. Porque, quais s\u00e3o as pr\u00e1ticas comuns de uma sociedade regida durante d\u00e9cadas por uma cultura petroleira da revenda improdutiva? Dito de outro modo: ante a dificuldade econ\u00f4mica sustentada e em crescimento, seria esperado que os setores populares se voltassem para a compra e revenda, ou para a forma\u00e7\u00e3o de empresas de propriedade social no marco das comunas? Que buscassem a sa\u00edda dentro dos mecanismos do mercado ou dentro das formas poss\u00edveis desta transi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>2-\u00a0O passar do tempo e o aprofundamento da guerra econ\u00f4mica ampliam este fen\u00f4meno. Esse \u00e9 seu objetivo: empurrar para o j\u00e1 conhecido e depredador, corromper o conquistado at\u00e9 anul\u00e1-lo. No entanto, junto ao retrocesso se v\u00ea desenvolvendo outro processo, sua ant\u00edtese em termos de pr\u00e1ticas, valores e resultados: o crescimento comunal, experi\u00eancia que mais potencializa o que foi implantado, e o aparecimento, ainda incipiente em muitos casos, dos conselhos de governo popular, inst\u00e2ncias inovadoras de projetar a forma\u00e7\u00e3o de um sistema de cogoverno.<\/p>\n<p>O amadurecimento do processo comunal parece indicar que ali, em articula\u00e7\u00e3o com alguns movimentos sociais inseridos nestes processos, se encontra atualmente parte importante da vanguarda coletiva e popular da Revolu\u00e7\u00e3o. Fraco talvez para as dimens\u00f5es das tarefas planejadas, por\u00e9m em p\u00e9, com um ac\u00famulo qualitativo e quantitativo inexistente em anos anteriores, e projetado em pilares estrat\u00e9gicos: governo do povo, autogest\u00e3o, controle e liberta\u00e7\u00e3o territorial, etc.<\/p>\n<p>Nesta din\u00e2mica, o apoio e o incentivo de Nicol\u00e1s Maduro foram imprescind\u00edveis, apesar de serem poucos os minist\u00e9rios, governos estaduais e prefeituras que respaldem o processo comunal e a forma\u00e7\u00e3o dos nascentes conselhos. Talvez isto n\u00e3o seja inovador, por\u00e9m a atual situa\u00e7\u00e3o, onde o tempo \u00e9 uma guilhotina, torna a situa\u00e7\u00e3o urgente.<\/p>\n<p>3-\u00a0A luta de classes n\u00e3o acontece somente entre o chavismo e o inimigo nacional e estrangeiro: a burguesia, a oligarquia e o imperialismo, que buscam sua revanche classista. Tamb\u00e9m se encontra dentro do mesmo chavismo \u2013 as tens\u00f5es desatadas pelo crescimento comunal \u00e9 um exemplo \u2013, e \u00e9 parte nodal da atual situa\u00e7\u00e3o. Tampouco parece ser algo novo: a heterogeneidade do chavismo foi fundamental, assim como tamb\u00e9m a capacidade de Hugo Ch\u00e1vez de direcionar sempre o movimento para suas facetas mais revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nessa complexidade, a atual situa\u00e7\u00e3o parece indicar certo estancamento desfavor\u00e1vel ao aprofundamento revolucion\u00e1rio, traduzido na n\u00e3o ado\u00e7\u00e3o \u2013 ap\u00f3s j\u00e1 dois anos de guerra econ\u00f4mica \u2013 de algumas medidas solicitadas por muitos \u2013 comunas, conselhos presidenciais, movimentos sociais, intelectualidade cr\u00edtica e participante do processo, etc. Para citar algumas: a nacionaliza\u00e7\u00e3o de ramos chaves do com\u00e9rcio exterior, a fiscaliza\u00e7\u00e3o popular, a coloca\u00e7\u00e3o em marcha de planos especiais de produ\u00e7\u00e3o industrial e agr\u00edcola, o encerramento da sangria na fronteira.<\/p>\n<p>Ante a situa\u00e7\u00e3o iniciada em 2013 predominou uma busca pela resolu\u00e7\u00e3o estatal e pelas tentativas de acordos com os setores privados. Os resultados atuais, seguindo esta dire\u00e7\u00e3o, parecem golpear sobre as duas din\u00e2micas sociais: a acentua\u00e7\u00e3o do retrocesso e o mal-estar nos setores organizados, na vanguarda coletiva e popular.<\/p>\n<p>4-\u00a0Ante o cen\u00e1rio de deteriora\u00e7\u00e3o constante da economia \u2013 a direita sabe manter uma guerra sem tr\u00e9gua baseando-se na propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, campanhas psicol\u00f3gicas e apoiando-se sobre setores corruptos e burocr\u00e1ticos do chavismo \u2013 a comunica\u00e7\u00e3o oficial n\u00e3o parece poder construir um discurso necess\u00e1rio. O relato propagand\u00edstico, centrado em torno do governo, se mostrou sem capacidade de responder e dialogar com os setores populares em retrocesso e aqueles organizados \u2013 que debatem, criticam, prop\u00f5em, etc.<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o de palavras, consignas e ideias for\u00e7a \u2013 den\u00fancia da guerra econ\u00f4mica, o golpismo da direita e o imperialismo, parecem ir distanciando-se, deixando de fora muitos dos debates do dia a dia do povo. \u00c9 preciso incorporar as quest\u00f5es mais problem\u00e1ticas \u2013 o caso da produ\u00e7\u00e3o e do aumento acelerado de pre\u00e7os, por exemplo \u2013, falar de fal\u00eancias, reconhec\u00ea-las e apontar solu\u00e7\u00f5es. S\u00e3o aspectos que a linha oficial n\u00e3o incorporou.<\/p>\n<p>Ante essa necessidade comunicativa, v\u00e1rios espa\u00e7os tentam apontar esses debates, construindo um relato das experi\u00eancias populares e seus projetos, uma narrativa das comunas e do empoderamento \u2013 o caso do portal Cultura Nuestra (laculturanuestra.com) busca ser um ensaio nessa dire\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 certo que existe um alcance que s\u00f3 pode ser obtido pelos meios oficiais\/estatais, e sua rigidez e l\u00f3gica de campanha permanente \u2013 criticada por Hugo Ch\u00e1vez \u2013 agrava o quadro atual, distanciando o relato da realidade.<\/p>\n<p>5-\u00a0Esta situa\u00e7\u00e3o em constante movimento ter\u00e1 como ponto de inflex\u00e3o as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es parlamentares: perd\u00ea-las seria a abertura de um cen\u00e1rio de confronto direto, o in\u00edcio da tentativa de revanche \u2013 porta-vozes da direita j\u00e1 reconhecem a exist\u00eancia em territ\u00f3rio venezuelano de unidades paramilitares. Perder n\u00e3o \u00e9 uma possibilidade, assim como o \u00e9 uma ruptura do chavismo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ante o que parecia ser o estancamento no qual cresce o retrocesso e o mal-estar nos setores mais avan\u00e7ados, parece necess\u00e1rio \u2013 al\u00e9m de como se vem fazendo, disputando candidaturas dentro do PSUV para transformar l\u00f3gicas verticais onde restam votos e tradi\u00e7\u00e3o \u2013 retomar n\u00edveis de mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Para mostrar respaldo ativo, cr\u00edtico, com propostas, incomodar a burocracia instalada no aparato estatal em postos de dire\u00e7\u00e3o, por\u00e9m tamb\u00e9m acrescida pela realidade em deteriora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do Estado \u2013 um dos setores que mais se viu afetado pelo crescimento irracional de pre\u00e7os.<br \/>\nRetomar a iniciativa, um ato que poderia ser impulsionado por Nicol\u00e1s Maduro em alian\u00e7a com os setores populares organizados, chamando a ocupar o cen\u00e1rio p\u00fablico, as ruas, ensaiando fiscaliza\u00e7\u00f5es populares \u2013 com poderes reais \u2013 come\u00e7ando com as experi\u00eancias de organiza\u00e7\u00e3o territorial mais avan\u00e7ada, poderiam ser passos para sair dos tempos permanentes da defensiva. Existe no povo \u2013 que vem resistindo \u00e0 guerra econ\u00f4mica como poucos povos poderiam fazer \u2013 a for\u00e7a para tentar esses movimentos, para voltar a levantar o auge que aguarda em sil\u00eancio seu retorno.<\/p>\n<p>6-\u00a0A luta de classes implica justamente isso, lutar, e como bem disse Jorge Massetti, existem os que lutam e os que choram, e s\u00f3 se pode estar do primeiro lado caso se carregue o desejo de transforma\u00e7\u00e3o, de aprofundamento e sa\u00edda revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>O apontamento das car\u00eancias leva \u00e0 responsabilidade de contribuir com sua solu\u00e7\u00e3o \u2013 ainda que seja esta somente parcial, neste caso a partir da comunica\u00e7\u00e3o e da tentativa entre outras coisas de viabilizar o processo comunal e de empoderamento popular. Mais que nunca nesta etapa, na qual a defini\u00e7\u00e3o por parte do imperialismo e das burguesias do continente de acabar com a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana \u2013 ou seja, conosco, f\u00edsica, ideol\u00f3gica e moralmente \u2013, n\u00e3o tem volta.<\/p>\n<p>Creio, como afirmou Vicente Zito Lema em sua recente passagem por Caracas, que: \u201cTrata-se de construir os atos sociais do bem, construir do que em sonho chamamos de revolu\u00e7\u00e3o e, na pr\u00e1tica, chamamos de atos da revolu\u00e7\u00e3o. Atos que demandam cada um. Porque se algu\u00e9m deposita a vida, a constru\u00e7\u00e3o da vida s\u00f3 nos her\u00f3is, nos anjos e nos m\u00e1rtires, n\u00e3o \u00e9 um bom companheiro. Quanto mais construirmos cada um de n\u00f3s pelo bem de todos, mais f\u00e1cil ser\u00e1 a tarefa. Porque semelhante tarefa de construir a cultura da revolu\u00e7\u00e3o mata dia a dia os que est\u00e3o a cargo das tarefas mais dif\u00edceis. Cada um \u00e9 o ator da revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>E creio, sobretudo, na capacidade de um povo que conseguiu uma das \u00fanicas vit\u00f3rias populares do continente contra um Golpe de Estado como foi em 13 de abril de 2002, que demonstrou sua for\u00e7a criadora, sua imensa reserva moral e sua capacidade de avan\u00e7ar no exerc\u00edcio da liberdade como poucas vezes foi visto na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/06\/19\/venezuela-construir-la-epica-ante-el-repliegue\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marco Teruggi, de Caracas\/Resumen Latinoamericano, 19 de junho de 2015 \u2013\u00a01-\u00a0O atual cen\u00e1rio parece indicar a exist\u00eancia de um retrocesso cada vez mais \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8726\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-8726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2gK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}