{"id":8751,"date":"2015-06-30T16:58:59","date_gmt":"2015-06-30T19:58:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8751"},"modified":"2015-07-20T14:39:09","modified_gmt":"2015-07-20T17:39:09","slug":"eua-admitem-que-testes-em-humanos-com-arma-quimica-na-2a-guerra-tiveram-criterio-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8751","title":{"rendered":"EUA admitem que testes em humanos com arma qu\u00edmica na 2\u00aa Guerra tiveram crit\u00e9rio racial"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/dariodasilva.files.wordpress.com\/2015\/06\/a0608-vitimas_dos_euayyy.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Reda\u00e7\u00e3o | S\u00e3o Paulo \u2013 24\/06\/2015 \u2013 17h16<\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos admitiram que, para al\u00e9m de terem usado soldados como cobaias em experimentos realizados com g\u00e1s mostarda durante a Segunda Guerra Mundial, havia um recorte racial nos testes realizados com a arma qu\u00edmica. A <!--more-->informa\u00e7\u00e3o foi publicada pela NPR, emissora de r\u00e1dio p\u00fablica norte-americana, que, pela primeira vez, localizou alguns dos ex-combatentes que foram usados nos experimentos, comprovando que tinham como motiva\u00e7\u00f5es crit\u00e9rios de ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Questionado diante das evid\u00eancias, o Pent\u00e1gono, sede do Departamentod e Defesa dos EUA, afirmou \u00e0 rep\u00f3rter Caitlin Dickerson que \u201cj\u00e1 n\u00e3o realiza testes com armas qu\u00edmicas\u201d e que para o Ex\u00e9rcito, \u201couvir e ver algo como isso \u00e9 cruel. Isso ainda \u00e9 um pouco chocante\u201d.<\/p>\n<p><em>Arquivo Nacional<\/em><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/troops-diptych1_custom-1accb08d22093b840f1bbb893a1db58c356073be-s1300-c85.jpg\" alt=\"imagem\" \/><br \/>\n<em> Tropas com negros segregados em Maryland, nos anos 1940<\/em><\/p>\n<p>\u201cEu senti como se eu estivesse queimando. Os garotos come\u00e7aram a gritar e tentaram fugir. Alguns deles desmaiaram. Ent\u00e3o, finalmente eles abriram a porta e nos deixaram sair. Os rapazes estavam em um mau estado\u201d. Lembra Rollins Edwards, hoje com 93 anos, ao contar como foi sua experi\u00eancia ao ser colocado em uma c\u00e2mera com g\u00e1s mostarda, juntamente com outros soldados.<\/p>\n<p>Edwards \u00e9 um dos 60 mil homens envolvidos em um programa secreto do governo \u2014 formalmente <a href=\"https:\/\/archive.org\/stream\/departmentofdefe1993unit#page\/96\/mode\/2up\" target=\"_blank\">desclassificado em 1993<\/a> \u2014 para testar o uso de g\u00e1s mostarda e outros agentes qu\u00edmicos em tropas norte-americanas.<\/p>\n<p>Ele conta, no entanto, que houve um fator principal para sua escolha no teste: ser negro. \u201cEles disseram que n\u00f3s est\u00e1vamos sendo testados para ver o efeito que esses gases poderiam ter na pele negra\u201d, lembra.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o conduzida pela emissora revelou, no entanto, que os testes n\u00e3o foram aplicados apenas em afro-americanos, mas tamb\u00e9m em nipo-americanos e porto-riquenhos, servindo como forma para verificar como o g\u00e1s mostarda e outras armas qu\u00edmicas poderiam afetar as tropas japonesas.<\/p>\n<p>Apesar dos danos \u00e0 sa\u00fade, muitos permanentes, eles n\u00e3o receberam qualquer acompanhamento de sa\u00fade ou cuidado por parte do governo.<\/p>\n<p>Outra evid\u00eancia de discrimna\u00e7\u00e3o racial na condu\u00e7\u00e3o dos eventos militares da \u00e9poca consiste no fato de que, de acordo com a <em>NPR<\/em>, tropas nipo-americanas, afro-americanas e porto-riquenhas eram confinadas em unidades segregadas durante a guerra por serem consideradas menos capazes que norte-americanos brancos. Muitos deles eram destinados a servi\u00e7os de cozinha ou como motoristas das tropas.<\/p>\n<p>Susan Matsumoto contou \u00e0 reportagem que seu marido Tom, que morreu em 2004 de pneumonia, disse a ela que aceitou fazer o teste porque sentia que isso poderia ajud\u00e1-lo a \u201cprovar que ele era um bom cidad\u00e3o norte-americano\u201d. Ela lembra que agentes do FBI entraram na sua casa durante a guerra e queimaram livros e m\u00fasicas japonesas para provar a lealdade da fam\u00edlia aos EUA.<\/p>\n<p><em>Laborat\u00f3rio de Pesquisa Naval<\/em><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem100a\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/plates-quad_custom-54cafadeb03329937f2c729da669e71cea24ee4e-s1300-c85.jpg\" alt=\"imagem\" \/><br \/>\n<em> Fotografias retratam teste em cobaias humanas em Washington DC durante 2\u00aa Guerra<\/em><\/p>\n<p><strong>Experimento clandestino<\/strong><\/p>\n<p>Homens brancos eram usados em grupos de controle cient\u00edficos. As rea\u00e7\u00f5es ocorridas neles eram usadas para estabelecer o que era \u201cnormal\u201d e ent\u00e3o comparado com as tropas minorit\u00e1rias. O g\u00e1s mostarda danifica o DNA em segundos ap\u00f3s o contato, causando queimaduras e bolhas na pele, e pode levar a s\u00e9rios danos \u00e0 sa\u00fade, e \u00e0s vezes doen\u00e7as fatais como leucemia, c\u00e2ncer de pele, enfisema e asma.<\/p>\n<p>Todas as experi\u00eancias com g\u00e1s mostarda durante a Segunda Guerra Mundial foram feitas em segredo e n\u00e3o foram registradas nos relat\u00f3rios oficiais militares. De acordo com documentos desclassificados, foram realizados tr\u00eas tipos de experimentos: testes de contato, onde g\u00e1s mostarda em estado l\u00edquido era aplicado diretamente na pele da cobaia; testes de campo, onde as pessoas eram expostas ao g\u00e1s em ambiente aberto em simula\u00e7\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o de combate; e testes de c\u00e2mera, quando homens eram colocados em locais fechados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os soldados fizeram juramento para manter em segredo as informa\u00e7\u00f5es sobre os testes sob a amea\u00e7a de pris\u00e3o ou dispensa desonrosa. Muitos ficaram sem possibilidade de receber o tratamento adequado para seus ferimentos porque eles n\u00e3o podiam contar aos m\u00e9dicos o que lhes ocorrera.<\/p>\n<p>O recorte de ra\u00e7a desse experimento ficou omitido at\u00e9 que uma pesquisadora no Canad\u00e1 revelou <a href=\"http:\/\/www.researchgate.net\/publication\/23304639_Mustard_gas_and_American_race-based_human_experimentation_in_World_War_II\" target=\"_blank\">alguns dos detalhes e 2008<\/a>. Susan Smith, uma m\u00e9dica e historiadora da University of Alberta no Canada, publicou um <a href=\"http:\/\/www.researchgate.net\/publication\/23304639_Mustard_gas_and_American_race-based_human_experimentation_in_World_War_II\" target=\"_blank\">artigo no <em>The Journal of Law, Medicine &amp; Ethics<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>No texto, que n\u00e3o obteve repercuss\u00e3o midi\u00e1tica, ela sugere que negros e porto-riquenhos foram testados para encontrar um \u201csoldado qu\u00edmico ideal\u201d. Assim, se fossem mais resistentes, eles poderia ser usados na linha de frente, enquanto soldados brancos permaneceriam atr\u00e1s, protegidos do g\u00e1s. \u00c0 \u00e9poca, o Departamento de Defesa n\u00e3o se pronunciou.<\/p>\n<p><strong>Pent\u00e1gono<\/strong><\/p>\n<p>O Coronel do Ex\u00e9rcito Steve Warren, diretor de opera\u00e7\u00f5es de imprensa do Pent\u00e1gono, tomou conhecimento da investiga\u00e7\u00e3o da <em>NPR<\/em> e ressaltou a dist\u00e2ncia existente entre os militares de hoje e os experimentos da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>\u201cA primeira coisa que precisa ficar clara \u00e9 que o Departamento de Defesa j\u00e1 n\u00e3o realiza testes com armas qu\u00edmicas\u201d e acrescentou: \u201ceu penso particularmente que para n\u00f3s do Ex\u00e9rcito, ouvir e ver algo como isso \u00e9 cruel. Isso ainda \u00e9 um pouco chocante\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s meses de solicita\u00e7\u00f5es, a <em>NPR <\/em>n\u00e3o conseguiu acesso \u00e0s centenas de p\u00e1ginas de documentos relatando os experimentos, que poderiam prover informa\u00e7\u00f5es sobre as motiva\u00e7\u00f5es. O que foi descoberto pela reportagem foi baseado nos depoimentos das cobaias que ainda permanecem vivas.<\/p>\n<p>Em um dos estudos aos quais a <em>NPR<\/em> teve acesso pela Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, consta que, na primavera de 1944, 39 soldados japoneses e 40 brancos foram submetidos ao contato com o g\u00e1s mostarda por 20 dias. Leia <a href=\"https:\/\/www.documentcloud.org\/documents\/2107693-mustardgasstudy.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a> o estudo.<\/p>\n<p>Lopez Negron, hoje com 95 anos, conta que ele e outras cobaias foram enviados para a selva e bombardeados com g\u00e1s mostarda lan\u00e7ado por avi\u00f5es militares. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos uniforme para nos proteger, mas os animais n\u00e3o. Havia coelhos ali. Todos morreram\u201d. Ele conta que assim como os colegas, passou mal imediatamente ap\u00f3s o experimento. \u201cEu passei tr\u00eas semanadas no hospital com um febre terr\u00edvel. Muitos de n\u00f3s ficamos doentes\u201d, conta.<\/p>\n<p>Os documentos divulgados pelo Departamento de Defesa nos anos 1990 revelam que o plano secreto dos Estados Unidos era usar g\u00e1s mostarda contra os japoneses, o que poderia ter provocado a morte de cinco milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/noticias\/40804\/eua+admitem+que+testes+em+humanos+com+arma+quimica+na+2+guerra+tiveram+criterio+racial.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">http:\/\/operamundi.uol.com.br\/<wbr \/>conteudo\/noticias\/40804\/eua+<wbr \/>admitem+que+testes+em+humanos+<wbr \/>com+arma+quimica+na+2+guerra+<wbr \/>tiveram+criterio+racial.shtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Reda\u00e7\u00e3o | S\u00e3o Paulo \u2013 24\/06\/2015 \u2013 17h16 As For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos admitiram que, para al\u00e9m de terem usado soldados como \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8751\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[],"class_list":["post-8751","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2h9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8751","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8751"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8751\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}