{"id":8775,"date":"2015-07-03T14:54:45","date_gmt":"2015-07-03T17:54:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8775"},"modified":"2015-07-20T14:43:07","modified_gmt":"2015-07-20T17:43:07","slug":"a-contraofensiva-dos-herdeiros-do-neoliberalismo-no-equador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8775","title":{"rendered":"A contraofensiva dos herdeiros do neoliberalismo no Equador"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abpnoticias.org\/images\/ecuador\/a-derrotar-los-facistas-alfredo-pierre.gif?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Por Dax Toscano Segovia<\/p>\n<p>Imagem: Alfredo Pierre<br \/>\n<b>Os atores do golpe:<\/b><\/p>\n<p><b>Os EUA e suas ag\u00eancias de intelig\u00eancia comandadas pela CIA:<\/b><!--more--><\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o estadunidense expressou seu mal-estar frente ao governo do presidente Rafael Correa. V\u00e1rias s\u00e3o as raz\u00f5es pelas quais Correa \u00e9 uma pedra no sapato do imperialismo: a pol\u00edtica soberana a n\u00edvel internacional que permitiu o Equador manter rela\u00e7\u00f5es com diversos pa\u00edses como China e Ir\u00e3, por exemplo, assim como expressar uma pol\u00edtica solid\u00e1ria com os povos do mundo como com a Palestina, Cuba, Venezuela, Honduras, entre outros.<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o com Cuba \u00e9 muito inc\u00f4moda para o governo americano, assim como a amizade com Fidel e Ra\u00fal Castro. Nesse sentido, tamb\u00e9m geram desgosto no governo dos EUA os la\u00e7os de amizade profunda entre o governo equatoriano e o da Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela.<\/p>\n<p>Por outro lado, cabe recordar que o governo do presidente Rafael Correa n\u00e3o permitiu a inger\u00eancia de funcion\u00e1rios estrangeiros nos assuntos internos do pa\u00eds. N\u00e3o se deve perder de vista que Correa expulsou a embaixadora dos EUA no Equador Heather Hodges, ao mesmo tempo em que solicitou um informe sobre a penetra\u00e7\u00e3o da CIA na pol\u00edcia equatoriana, uma das causas pelas quais se deu a intentona golpista de 30 de setembro de 2010.<\/p>\n<p>Da mesma maneira, o governo de Correa chamou a aten\u00e7\u00e3o do embaixador Adam Namm por intrometer-se em assuntos internos do pa\u00eds, com amparo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o privados.<\/p>\n<p>As ONG\u2019s estrangeiras, leia-se CIA, como USAID, NED, realizam tarefas desestabilizadoras com o financiamento a organiza\u00e7\u00f5es vinculadas ao campo da comunica\u00e7\u00e3o, como Fundamedios, para acusar o governo equatoriano de atentar contra a liberdade de express\u00e3o. A SIP, a servi\u00e7o dos EUA e dos empres\u00e1rios dos jornais latino-americanos, cumpre papel igual.<\/p>\n<p><b>A pequena-burguesia ou a classe m\u00e9dia com aspira\u00e7\u00f5es burguesas:<\/b><\/p>\n<p>Nas principais cidades do pa\u00eds, a classe m\u00e9dia, que durante os anos de mandato de Rafael Correa aumentou sua capacidade de consumo, expressou seu rep\u00fadio \u00e0s pol\u00edticas do governo em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria, o qual se fez evidente com o estabelecimento das salvaguardas tarif\u00e1rias a uma lista de produtos de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mal-estar j\u00e1 se evidenciava antes mesmo das medidas tomadas a respeito da importa\u00e7\u00e3o de celulares, o aumento no custo dos ve\u00edculos e de alguns produtos que, com estas medidas tarif\u00e1rias, subiram novamente de pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o estes produtos de importa\u00e7\u00e3o: bebidas como whisky, vinhos, tequila ou vodka, presuntos, eletrodom\u00e9sticos, entre outros. \u00c9 poss\u00edvel observar que s\u00e3o produtos que n\u00e3o s\u00e3o de consumo permanente, nem fundamentais para a popula\u00e7\u00e3o. No entanto, a classe m\u00e9dia, acostumada a ter formas de vida cada vez mais aburguesadas, sente que a est\u00e3o golpeando ao n\u00e3o poder obter a pre\u00e7os baixos esses produtos. Por outro lado, este setor importante da popula\u00e7\u00e3o evidencia seu individualismo, seu ego\u00edsmo como classe e sua falta de entendimento da realidade nacional e mundial.<\/p>\n<p>As medidas tomadas respondem \u00e0 crise internacional que derivou na queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo. S\u00e3o medidas que n\u00e3o afetam a economia real da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel notar a ida de pessoas da classe m\u00e9dia de diversos lugares do pa\u00eds para a fronteira colombiana, \u00e0 zona de Ipiales, para comprar mais barato tudo o que podem, nos centros comerciais dessa cidade colombiana, o que evidencia que possuem poder aquisitivo.<\/p>\n<p>Dentro dos setores da classe m\u00e9dia se encontram profissionais de diversos ramos, insatisfeitos pelas raz\u00f5es expostas. A burocracia que v\u00ea seus sal\u00e1rios congelados, tamb\u00e9m est\u00e1 irritada com o governo de Correa.<\/p>\n<p>De igual forma, a juventude pertencente a essa classe m\u00e9dia expressa seu rep\u00fadio, n\u00e3o por raz\u00f5es de peso, mas por quest\u00f5es muitas vezes de car\u00e1ter formal.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido feita uma reestrutura\u00e7\u00e3o no sistema universit\u00e1rio, com o prop\u00f3sito de obter sua melhoria (processo n\u00e3o isento de terr\u00edveis falhas), existe um mal-estar nos jovens pelo que ocorre na Universidade. Aqui joga um papel fundamental o extinto MPD, insatisfeito por ter perdido seu espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dentro da Universidade. Ainda assim, dentro da Universidade p\u00fablica, jogam papel contr\u00e1rio ao governo agrupamentos reciclados ou aparentemente novos que se autodenominam de esquerda, os mesmos que chegaram sem nenhum crit\u00e9rio pol\u00edtico v\u00e1lido a qualificar Rafael Correa de fascista e at\u00e9 de agente da CIA, como UJIR, Mari\u00e1tegui, ligados a membros do MIR, do Pachacutik e da CONAIE respectivamente.<\/p>\n<p>Muitos jovens universit\u00e1rios consultados assinalaram que sua insatisfa\u00e7\u00e3o com o governo e com Correa \u00e9 por sua \u201catitude prepotente\u201d, \u201cporque ataca muito os meios de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cporque quer impor coisas, como os fog\u00f5es el\u00e9tricos\u201d, etc., o que demonstra sua falta de an\u00e1lise dos problemas reais do pa\u00eds. Muitas vezes Correa \u00e9 visto como um algoz das m\u00eddias e dos jornalistas e n\u00e3o como v\u00edtima permanente de desprest\u00edgio e ataque.<\/p>\n<p><b>A esquerda extremista, dogm\u00e1tica e a da academia e dos caf\u00e9s:<\/b><\/p>\n<p>Insatisfeitos com o governo porque apontam que foi o regime de Correa que os dividiu e que afetou seus interesses.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio partir do fato de que se existe uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica forte, o trabalho divisionista poderia ser empreendido ou teria sido m\u00ednimo.<\/p>\n<p>A chamada \u201cesquerda\u201d equatoriana se caracterizou por suas estruturas verticais, burocr\u00e1ticas e dogm\u00e1ticas, pouco cr\u00edticas e reflexivas frente aos problemas nacionais e mundiais. Seu n\u00edvel de teoriza\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o intelectual tamb\u00e9m \u00e9 m\u00ednimo, a ponto de categorizar muitas vezes o governo de Correa como fascista ou, muito simplesmente, de populista. Nos \u00faltimos tempos, para desqualific\u00e1-lo, o chamam de extrativista, o que tem como prop\u00f3sito acus\u00e1-lo de atentar contra o meio ambiente, a natureza.<\/p>\n<p>Figuras como a do eterno reitor da Universidade Andina Sim\u00f3n Bol\u00edvar, o historiador Enrique Ayala Mora, lan\u00e7am a partir da academia universit\u00e1ria seus ataques contra Correa. \u00c9 vis\u00edvel nas aulas universit\u00e1rias, tanto nas das institui\u00e7\u00f5es privadas como p\u00fablicas, docentes de diversos ramos expressarem seus ataques furiosos contra o governo. Para al\u00e9m das reflex\u00f5es te\u00f3ricas, que s\u00e3o v\u00e1lidas dentro do espa\u00e7o universit\u00e1rio (sendo favor\u00e1veis ou contr\u00e1rias), o que se faz \u00e9 emitir mensagens soltas, ofensivas contra Correa, o que n\u00e3o contribui para o corpo discente compreender a problem\u00e1tica nacional. O caso not\u00f3rio \u00e9 o de um professor na Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Universidade Central do Equador, que dentro das aulas universit\u00e1rias assinalou ante seus alunos que \u201cCorrea \u00e9 um homossexual e que gosta de se vestir de mulher e fazer suas festas\u201d.<\/p>\n<p>O acad\u00eamico da Universidade Andina Sim\u00f3n Bol\u00edvar, C\u00e9sar Mont\u00fafar, que foi fundador da Participa\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3, grupo que recebeu dinheiro da USAID, hoje membro da Concertaci\u00f3n Democr\u00e1tica [Coaliz\u00e3o Democr\u00e1tica], \u00e9 outro cabe\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o a Correa.<\/p>\n<p>O movimento Pachacutik, no qual se destaca a figura da congressista Lourdes Tib\u00e1n, se exibe como de esquerda e n\u00e3o faz mais que representar posturas pr\u00f3prias da direita ao atacar a Venezuela Bolivariana de Nicol\u00e1s Maduro, ao defender os meios de comunica\u00e7\u00e3o da oligarquia equatoriana e de, inclusive, pedir a interven\u00e7\u00e3o dos EUA como fez Fernando Villavicencio, assessor do ex-congressista Cl\u00e9ver Jim\u00e9nez, ambos deste grupamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode perder de vista que dentro do movimento ind\u00edgena existe uma luta ideol\u00f3gica entre diversos setores e que, al\u00e9m disso, como organiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 isenta de press\u00f5es contra seus membros, como nas marchas realizadas em que se cobram multas pela n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o ou se amea\u00e7a de tirar os servi\u00e7os de \u00e1gua das comunidades. Da mesma maneira, tampouco est\u00e1 livre de atos de corrup\u00e7\u00e3o entre seus dirigentes que gozam de privil\u00e9gios, tal como se evidenciou nas marchas quando estes dirigentes se hospedaram em bons hot\u00e9is, enquanto as bases ficaram nos parques e caminhando e eles em caminhonetes de luxo.<\/p>\n<p><b>A oligarquia corrupta, a partidocracia e seus meios:<\/b><\/p>\n<p>Comandada pelo banqueiro Lasso, que possui aspira\u00e7\u00f5es presidenciais. Da mesma forma, est\u00e3o por tr\u00e1s destas intentonas golpistas os banqueiros desertores, aliados da extrema direita estadunidense, como os Isa\u00edas envolvidos na tentativa de golpe de 30 de setembro de 2010. Outro cabe\u00e7a vis\u00edvel dos setores olig\u00e1rquicos \u00e9 Blasco Pe\u00f1aherrera Solah, presidente da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio de Quito, filho do ex-vice-presidente Blasco Pe\u00f1aherrera, outro ass\u00edduo advers\u00e1rio do regime de Correa. Outro inimigo, ainda que em desgra\u00e7a, \u00e9 o empres\u00e1rio, sonegador de impostos, \u00c1lvaro Noboa. Igualmente est\u00e3o os representantes da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio de Guayaquil, comandados por Pablo Arosemena. Outro cabe\u00e7a vis\u00edvel desta burguesia envelhecida \u00e9 o advogado Juan Carlos Solines, ex-candidato \u00e0 vice-presid\u00eancia com Guillermo Lasso.<\/p>\n<p>Em termos de partidocracia, por\u00e9m tamb\u00e9m constituindo essa oligarquia corrupta e enriquecida, est\u00e3o Lucio Guti\u00e9rrez, o melhor amigo dos EUA e Uribe, Cynthia Viteri ex-social-crist\u00e3 agora Madera de Guerrero, Andr\u00e9s P\u00e1ez ex-ID hoje partid\u00e1rio do Creo e, fundamentalmente, os prefeitos de Quito e Guayaquil, Mauricio Rodas e Jaime Nebot respectivamente.<\/p>\n<p>Nebot convocou para 25 de junho de 2015 uma marcha contra o governo, onde expressou, mais uma vez, suas posturas machistas, violentas e de defesa dos setores mais abastados do pa\u00eds. Correa quer dividir o pa\u00eds e fala de luta de classes disse, como se isso fosse uma inven\u00e7\u00e3o do presidente equatoriano e n\u00e3o uma realidade evidente em um pa\u00eds, em que uns poucos continuam gozando da riqueza fundamental a custa do trabalho de outros ou da corrup\u00e7\u00e3o e da pilhagem. Igualmente, Nebot lan\u00e7ou seus ataques contra a Venezuela, o que evidencia as posturas comuns da oligarquia latino-americana contra os projetos progressistas na regi\u00e3o. N\u00e3o podia faltar no discurso de Nebot sua refer\u00eancia aos colh\u00f5es, para demonstrar que \u00e9 um cabra macho.<\/p>\n<p>O preocupante s\u00e3o os n\u00edveis de influ\u00eancia do governante de Guayaquil em diversos setores da popula\u00e7\u00e3o da cidade portenha, com escasso n\u00edvel de prepara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e muito suscet\u00edvel \u00e0 gritaria, \u00e0 bravata. O nacionalismo extremo joga um papel fundamental. Tudo isto canalizado por Nebot, que em entrevista \u00e0 CNN reconheceu, sem nenhum constrangimento, que ele era um desses personagens que formam parte desses 2% opulentos que, se aprovada, a Lei de Heran\u00e7as e da Mais-valia, tocaria pagar altos impostos.<\/p>\n<p>Por outro lado, o chamado oculto \u00e0 viol\u00eancia no discurso de Nebot foi evidente, ao responsabilizar o governo de qualquer coisa que possa acontecer caso n\u00e3o considere, segundo ele, o que pede o povo. Nebot esconde seu discurso elitista, em defesa dos ricos, com palavras como P\u00e1tria, Unidade, Povo, uma vez que fala de Liberdade, Democracia. A defesa do patrim\u00f4nio de uns poucos, \u00e9 a defesa da P\u00e1tria, tal como o expressa Nebot, uma vez que adota a ideia de fam\u00edlia, como o resto de oligarcas, para criar uma psicose coletiva ao manipular as pessoas fazendo-as crer que se atenta contra os filhos, posto que o que os pais promoveram ao longo de sua vida, Correa supostamente quer tirar.<\/p>\n<p>Para a oligarquia, o problema da pobreza ou da riqueza \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de empreendimento, e assim o apresentam.<\/p>\n<p>Entre os representantes de meios de comunica\u00e7\u00e3o ou que se apresentam como comunicadores sociais ou jornalistas est\u00e3o Carlos Vera, ex-apresentador de televis\u00e3o, e Jorge Ortiz. Vera, em entrevista com Jorge Lanata h\u00e1 alguns anos, dizia que sua melhor amiga era sua pistola e que sua aspira\u00e7\u00e3o era ser ditador do Equador. Ortiz \u00e9 um anticomunista declarado e suas mentiras sobre o que acontece na Venezuela e Cuba s\u00e3o constantes. Gonzalo Rosero, da Radio Democracia, EXA FM, Janeth Hinostroza, Teresa Arboleda de Schotel, Bernardo Abad, Gisella Bayona, Alfonso Espinosa de los Monteros, Alfredo Pinargote, Diego Oquendo, da Radio Visi\u00f3n, di\u00e1ria e permanentemente lan\u00e7am seus ataques contra Correa.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o dirigida por C\u00e9sar Ricaurte, Fundamedios, \u00e9 outra que iniciou as campanhas acusat\u00f3rias a n\u00edvel nacional e internacional contra o governo do presidente Rafael Correa, culpando-o fundamentalmente de violar a liberdade de express\u00e3o e o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As revistas Vistazo, Plan V tamb\u00e9m participam do grupo de meios de comunica\u00e7\u00e3o que atacam as pol\u00edticas de Correa, assim como a figura do mandat\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em termos internacionais, sobressai o jornalista Jaime Bayly, personagem que felicitou o ex-mandat\u00e1rio colombiano, o chefe do paramilitarismo nesse pa\u00eds, \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez, pelo bombardeio de Angostura no qual foi assassinado o Comandante Comandante Ra\u00fal Reyes, das FARC-EP. N\u00e3o podia faltar nesta lista a cadeia estadunidense CNN, assim como os jornais estrangeiros El Nuevo Herald, o Miami Herald, assim como El Diario de las Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p><b>Campanhas midi\u00e1ticas desestabilizadoras e o golpe suave com viol\u00eancia:<\/b><\/p>\n<p>V\u00e1rias s\u00e3o as campanhas empreendidas pela propaganda da oligarquia equatoriana e seus meios contra o regime do presidente Rafael Correa. Lamentavelmente, muitos setores que se autodenominam de esquerda, tamb\u00e9m fizeram eco das mesmas.<\/p>\n<p>Algumas para recordar s\u00e3o as seguintes:<\/p>\n<p>Correa quer converter o Equador em outra Cuba e pretende dividir as habita\u00e7\u00f5es para colocar v\u00e1rias fam\u00edlias inteiras nas mesmas.<\/p>\n<p>O Governo quer formar Comit\u00eas de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o, como os de Cuba, para vigiar as pessoas. Nesse sentido, tamb\u00e9m se assinalou que o governo equatoriano estava propiciando o ingresso de agentes do regime cubano para levar adiante estas tarefas de vigil\u00e2ncia e espionagem.<\/p>\n<p>Correa se relaciona com pa\u00edses que patrocinam o terrorismo, como o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>O regime de Correa est\u00e1 vinculado ao \u201cnarcoterrorismo\u201d (supostas contribui\u00e7\u00f5es das FARC-EP a sua campanha, o caso da \u201cnarco-maleta\u201d na It\u00e1lia).<\/p>\n<p>O governo \u00e9 respons\u00e1vel por milhares de estudantes ficarem sem estudar pelo fechamento de in\u00fameras universidades privadas que n\u00e3o cumpriam requisitos m\u00ednimos para funcionar.<\/p>\n<p>O governo de Correa atenta contra a liberdade de express\u00e3o (Lei de Comunica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Correa mant\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o aterrorizada.<\/p>\n<p>Finalmente, os meios de comunica\u00e7\u00e3o criaram uma psicose coletiva a partir da Lei de Redistribui\u00e7\u00e3o da Riqueza e Mais-Valia, assinalando que com estas o governo pretendia tirar da popula\u00e7\u00e3o seu patrim\u00f4nio, a heran\u00e7a que os pais por direito podiam deixar a seus filhos.<\/p>\n<p>O presidente foi claro ao apontar que se trata \u00e9 de alcan\u00e7ar uma maior equidade no pa\u00eds atrav\u00e9s de uma melhor redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza, e que a lei apenas afetar\u00e1 2% da popula\u00e7\u00e3o que usufrui de 90% da riqueza do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O erro do governo radicou no fato de n\u00e3o ter socializado as leis antes de coloc\u00e1-las em vota\u00e7\u00e3o na Assembleia Nacional. Isto serviu para que a oligarquia equatoriana, que se viu afetada por ditas leis, lan\u00e7asse uma poderosa campanha de desinforma\u00e7\u00e3o em torno delas. As mobiliza\u00e7\u00f5es aconteceram e grupos de cidad\u00e3os fundamentalmente da classe m\u00e9dia, muito confusos, mais os ricos \u201cpelucones\u201d, sa\u00edram \u00e0s ruas para se manifestarem-se contra estas leis.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es levadas a cabo n\u00e3o s\u00e3o resultado, como se diz, da espontaneidade da popula\u00e7\u00e3o. Por tr\u00e1s disso existe um planejamento adequado. As mobiliza\u00e7\u00f5es respondem aos mesmos esquemas das manifesta\u00e7\u00f5es contra o Governo Bolivariano da Venezuela e, inclusive, t\u00eam o respaldo desses mesmos setores golpistas, assim como da oligarquia colombiana.<\/p>\n<p>O que se est\u00e1 levando adiante \u00e9 um golpe brando contra o governo de Correa.<\/p>\n<p>Brando em teoria, porque na realidade implica a execu\u00e7\u00e3o de atos violentos ou a provoca\u00e7\u00e3o dos mesmos.<\/p>\n<p>Setores de extrema direita do interior do ex\u00e9rcito e a pol\u00edcia equatoriana constituem a intentona golpista. Nem a pol\u00edcia, nem o ex\u00e9rcito mudaram de mentalidade no Equador. Continuam respondendo \u00e0 mesma Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional repressiva e seu porta-voz \u00e9 abertamente anticomunista, pr\u00f3-imperialista. Estar\u00e3o relativamente em paz, enquanto satisfa\u00e7am suas demandas econ\u00f4micas. O chamado nas redes sociais \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar-policial n\u00e3o se faz esperar.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio que se prev\u00ea \u00e9 o de maiores mobiliza\u00e7\u00f5es nas principais cidades do pa\u00eds, com caracter\u00edsticas cada vez mais violentas. Isto se intensificar\u00e1 antes da chegada do Papa Francisco. J\u00e1 circulam cartazes de boas vindas ao Pont\u00edfice, com mensagens contr\u00e1rias ao governo. J\u00e1 a oposi\u00e7\u00e3o assinalou que aproveitar\u00e1 a visita do Papa para atacar Correa. O pa\u00eds est\u00e1 de luto, dizem.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade que queiram esperar uma sa\u00edda democr\u00e1tica para o ano de 2017, quando ocorrer\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica. A oposi\u00e7\u00e3o quer tirar Correa do poder antes desse ano. Para isso v\u00e3o incendiar as ruas e seu principal suporte ser\u00e3o os meios de comunica\u00e7\u00e3o privados.<\/p>\n<p>O governo deve mudar sua estrat\u00e9gia propagand\u00edstica. N\u00e3o deve lutar no cen\u00e1rio no qual a oposi\u00e7\u00e3o deseja faz\u00ea-lo. \u00c9 preciso trabalhar mais a parte pol\u00edtica e isso implica apontar para conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre os problemas fundamentais do pa\u00eds e do mundo. Nas sabatinas se deve considerar este aspecto.<\/p>\n<p>Por outro lado, o presidente Rafael Correa deve levar adiante um maior aprofundamento do processo. N\u00e3o deve s\u00f3 planejar a redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza. \u00c9 preciso ir mais fundo e isso requer um estudo de como se adquiriram as fortunas no pa\u00eds para saber se s\u00e3o resultantes de processos legais ou fraudulentos, de atos de corrup\u00e7\u00e3o e, acima de tudo, da explora\u00e7\u00e3o do trabalho oper\u00e1rio e campon\u00eas. Isto permite ter os argumentos suficientes para que essa riqueza infundada, sobretudo a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, passe aos coletivos de trabalhadores.<\/p>\n<p>Tampouco pode se descuidar do cen\u00e1rio das ruas e muito menos do midi\u00e1tico.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, a oligarquia abastada e a classe m\u00e9dia com aspira\u00e7\u00f5es burguesas, amparadas em seus meios, querem retornar ao passado e \u00e9 preciso det\u00ea-las com muita intelig\u00eancia e coragem.<\/p>\n<p><b>Quito, 27 de junho de 2017<\/b><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.abpnoticias.org\/index.php\/ecuador\/2434-la-contraofensiva-de-los-herederos-del-neoliberalismo-en-el-ecuador<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Dax Toscano Segovia Imagem: Alfredo Pierre Os atores do golpe: Os EUA e suas ag\u00eancias de intelig\u00eancia comandadas pela CIA:\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8775\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-8775","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2hx","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8775","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8775"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8775\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}