{"id":8816,"date":"2015-07-08T18:57:25","date_gmt":"2015-07-08T21:57:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8816"},"modified":"2015-07-24T18:44:33","modified_gmt":"2015-07-24T21:44:33","slug":"luta-pela-memoria-esta-nas-maos-da-sociedade-civil-afirma-integrante-da-comissao-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8816","title":{"rendered":"Luta pela mem\u00f3ria est\u00e1 nas m\u00e3os da sociedade civil, afirma integrante da Comiss\u00e3o da Verdade"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.brasildefato.com.br\/sites\/default\/files\/u1131\/MariaRitaKehl_2_RafaelStedile.gif?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong><em>A psicalinalista Maria Rita Kehl acredita que, com o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio final da CNV, caber\u00e1 a organiza\u00e7\u00f5es e movimentos populares darem continuidade \u00e0 luta pelo resgate da mem\u00f3ria e, principalmente, pela justi\u00e7a.<\/em><\/strong><!--more--><\/p>\n<p><em>02\/07\/2015<\/em><\/p>\n<p><em>Por Rafael Tatemoto,<\/em><\/p>\n<p><em>De S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n<p>Criada oficialmente em 2012, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) entregou seu relat\u00f3rio final, contendo diversas recomenda\u00e7\u00f5es, no final do ano passado. Para Maria Rita Kehl, psicanalista e uma das integrantes do grupo, para que os esfor\u00e7os em prol da Mem\u00f3ria e Verdade se concretizem no Brasil, a sociedade civil deve pressionar o pode p\u00fablico.<\/p>\n<p>Kehl participou de um debate promovido pela Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), no \u00faltimo s\u00e1bado (27). Tamb\u00e9m estava na mesa Maurice Politi, ex-preso pol\u00edtico e membro do N\u00facleo de Preserva\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Pol\u00edtica. O encontro foi mediado Aton Fon Filho, advogado da Rede Social de Justi\u00e7a e Direitos Humanos e tamb\u00e9m ex-preso pol\u00edtico.<br \/>\n&lt;ta<strong><em>Maria Rita Kehl | Foto: Rafael Stedile<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Cidad\u00e3os de segunda classe<\/strong><\/p>\n<p>Maria Rita Kehl, em sua fala, lembrou de diversas v\u00edtimas \u201can\u00f4nimas\u201d da Ditadura Militar brasileira, principalmente ind\u00edgenas e camponeses. \u201cA quantidade de crimes sem apura\u00e7\u00e3o [nesse per\u00edodo] \u00e9 gigantesca\u201d, disse.<\/p>\n<p>No caso dos camponeses, Kehl afirmou que era \u201cmuito claro o conluio do Estado com os grandes propriet\u00e1rios de terra\u201d. Segundo ela, os crimes sequer eram cometidos em propriedades ocupadas por posseiros, mas \u201cnas terras que os propriet\u00e1rios queriam invadir e tomar\u201d.<\/p>\n<p>Lembrando parte de seu trabalho na Comiss\u00e3o, Maria Rita apontou o caso do Reformat\u00f3rio Agr\u00edcola Krenak. A unidade se situava na cidade de Resplendor (MG) e, segundo as apura\u00e7\u00f5es, funcionou como centro de torturas de ind\u00edgenas. ( <u><a href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/10854\">http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/10854<\/a><\/u>).<\/p>\n<p><strong>Disputas<\/strong><\/p>\n<p>A psicanalista foi cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio da CNV, \u201cn\u00e3o pelo que est\u00e1 l\u00e1, mas pelo que n\u00e3o est\u00e1\u201d. Kehl afirmou que, internamente, a Comiss\u00e3o se dividiu entre aquelas que defendiam com maior \u00eanfase o conceito de justi\u00e7a, com puni\u00e7\u00e3o dos agentes de Estado envolvidos em viola\u00e7\u00f5es, e os que pendiam para a ideia de concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNo final, a divis\u00e3o pol\u00edtica se traduziu em uma divis\u00e3o de g\u00eanero. Ficamos Rosa [Maria Cardoso da Cunha] e eu contra os cinco cavalheiros\u201d, afirmou em tom jocoso. Ela ainda lembrou de peculiaridades do caso brasileiro \u201co \u00fanico pa\u00eds latino-americano que anistiou seus torturadores\u201d.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno teria reflexos no presente: \u201cnossa pol\u00edcia mata mais na democracia do que na \u00e9poca da Ditadura\u201d. Al\u00e9m dos impactos no cotidiano, apontou desdobramentos pol\u00edticos: \u201ca demora do Estado brasileiro em assumir essa quest\u00e3o permitiu, por exemplo, que, durante os protestos recentes, pessoas demonstrassem simpatia expl\u00edcita pela Ditadura, al\u00e9m do retorno de discursos reacion\u00e1rios de parlamentares\u201d.<\/p>\n<p><strong>Futuro<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA n\u00e3o continuidade dos trabalhos da Comiss\u00e3o, tem um aspecto positivo: antes havia a ideia de &#8216;algu\u00e9m estava levando o assunto adiante&#8217;. Agora, a bola est\u00e1 na m\u00e3o da sociedade\u201d, disse Kehl.<\/p>\n<p>Maurice Politi concordou com as an\u00e1lises de Kehl e demonstrou otimismo em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o do resgate da mem\u00f3ria. Ele lembrou o caso argentino, no qual \u201cse passaram 22 anos sem ningu\u00e9m tocar no assunto, e hoje vemos oficiais sendo condenados\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA mem\u00f3ria e a verdade dependem da atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico, mas tamb\u00e9m da mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade. As principais recomenda\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o foram adotas, mas algumas j\u00e1 foram implementadas\u201d, opinou ele.<\/p>\n<p>\u201cQuando vemos o n\u00famero de pessoas que frequentam o Memorial da Resist\u00eancia, por exemplo, \u00e9 animador. N\u00e3o devemos perder a esperan\u00e7a nunca\u201d, finalizou Politi.<\/p>\n<p><em>Visite o nosso site: <u><a href=\"http:\/\/www.nucleomemoria.org.br\">www.nucleomemoria.org.br<\/a> <\/u><\/em><\/p>\n<p>http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/32367<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A psicalinalista Maria Rita Kehl acredita que, com o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio final da CNV, caber\u00e1 a organiza\u00e7\u00f5es e movimentos populares darem continuidade \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8816\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-8816","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2ic","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8816"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8816\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}