{"id":8820,"date":"2015-07-08T19:13:50","date_gmt":"2015-07-08T22:13:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8820"},"modified":"2015-07-24T18:43:41","modified_gmt":"2015-07-24T21:43:41","slug":"haiti-saida-das-tropas-da-onu-nao-significara-fim-da-opressao-ao-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8820","title":{"rendered":"Haiti: sa\u00edda das tropas da ONU n\u00e3o significar\u00e1 fim da opress\u00e3o ao Haiti"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"http:\/\/www.adital.com.br\/site\/mostrafoto_cortada.php?lrg=620&amp;alt=310&amp;img=destaques\/2015_07_minustah_haiti_capa_legenda2_foto_reproducao.jpg\" alt=\"imagem\" \/>Adital<\/p>\n<p>&#8220;O fim da Minustah n\u00e3o significa o fim da ocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e, suspeito, militar, no Haiti. Ela [ocupa\u00e7\u00e3o imperialista], provavelmente, vai ter uma outra forma, se, de fato, a Minustah acabar mesmo\u201d, explica o historiador. A raz\u00e3o s\u00e3o os interesses das transnacionais presentes em solo haitiano, que se beneficiam da legisla\u00e7\u00e3o frouxa e da instabilidade pol\u00edtica no pa\u00eds.<!--more--><\/p>\n<p>&#8220;Situa\u00e7\u00f5es como essas s\u00e3o produzidas pela gan\u00e2ncia de empresas, como a Levis, a Disney, a brasileira Coteminas [produtoras de vestu\u00e1rio], Halliburton, entre outras, que querem pagar sal\u00e1rios baix\u00edssimos, os mais baixos do continente americano, para continuarem mantendo suas margens de lucro\u201d, assinala S\u00e1.<\/p>\n<p>A real solu\u00e7\u00e3o para a instabilidade no Haiti passa pela pol\u00edtica, e n\u00e3o pela interven\u00e7\u00e3o militar, defende Borba de S\u00e1. &#8220;A solu\u00e7\u00e3o para o colonialismo n\u00e3o passa pelo colonizador, nunca passou [&#8230;] O povo deve ter a chance de acertar suas contas com sua pr\u00f3pria elite, e n\u00e3o tem tido essa chance por conta da ocupa\u00e7\u00e3o das tropas estrangeiras.\u201d<\/p>\n<p><b>Adital<\/b><b>Adital: Como voc\u00eas, representantes dos movimentos sociais contra a ocupa\u00e7\u00e3o da Minustah, receberam a decis\u00e3o do governo brasileiro de retirar suas tropas do Haiti?<\/b><\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o n\u00e3o chegou a pegar a gente de surpresa porque existem muitas disputas dentro do governo, dentro das pr\u00f3prias for\u00e7as armadas, nas esferas internacionais, nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, sobre a continuidade da miss\u00e3o no Haiti, porque ela \u00e9 um fracasso retumbante. Em todos os sentidos, mas, principalmente, no objetivo que ela se prop\u00f4s a cumprir: democracia. Hoje, [a Minustah] \u00e9 uma ocupa\u00e7\u00e3o que legitima um presidente que est\u00e1 atrasando por mais de um ano as elei\u00e7\u00f5es, para poder governar sozinho por decreto. Ou seja, do ponto de vista institucional, pol\u00edtico, ela veio com um mandato de ajudar na realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es e, hoje, atrapalha. Em rela\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, ela veio para proteger esses direitos, mas os viola, um grande fracasso neste sentido tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><b>Ent\u00e3o, a sa\u00edda da Minustah representar\u00e1 o fim desses problemas para o Haiti?<\/b><\/p>\n<p>Minha expectativa \u00e9 que, se a Minustah acabar de verdade, alguma outra &#8220;solu\u00e7\u00e3o\u201d de for\u00e7a vai vir para substituir esse lugar, porque os interesses econ\u00f4micos dependem de uma situa\u00e7\u00e3o de caos constante, que joga para baixo o pre\u00e7o da m\u00e3o de obra, dos recursos naturais, lucrando assim muito com a pobreza, a desgra\u00e7a, o sofrimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o, de modo algum, infelizmente. Claro, [a retirada] \u00e9 uma vit\u00f3ria e eles, nessa decis\u00e3o, certamente, acusam essa press\u00e3o pol\u00edtica que a gente [movimentos sociais] vem realizando h\u00e1 muito tempo, mas, certamente, n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o tomada para reverter a opress\u00e3o. Por exemplo, n\u00e3o tem nenhuma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da ocupa\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o cumpriu seus objetivos? Est\u00e3o saindo porque realizaram o proposto inicialmente? Est\u00e3o saindo porque assumiram o fracasso? O m\u00ednimo que se esperaria \u00e9 que quem inventou essa interven\u00e7\u00e3o militar explicasse porque est\u00e1 terminando, n\u00e3o simplesmente deixe-a discretamente, melancolicamente, terminando aos poucos. J\u00e1 foi levantado aqui, hoje, [durante o &#8220;Semin\u00e1rio nacional sobre o Haiti: construindo solidariedade\u201d, em maio \u00faltimo, em S\u00e3o Paulo] que esse prazo de mais de um ano \u00e9 necess\u00e1rio para fecharem todos os contratos que ainda n\u00e3o foram fechados, ou seja, privatizar tudo que d\u00e1 para ser privatizado ainda no Haiti, vender para as companhias estrangeiras as terras e os direitos de explora\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o outorgados&#8230; Ent\u00e3o, a gente v\u00ea com muita preocupa\u00e7\u00e3o o futuro do Haiti p\u00f3s Minustah. N\u00e3o que a gente queira a Minustah, evidentemente, vamos acompanhar a retirada das tropas, mas porque a gente n\u00e3o acredita na benevol\u00eancia desses que s\u00e3o os mesmos atores que criaram essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito haitiano existe, \u00e9 um problema e sempre foi. Um ex\u00e9rcito que foi dominado pela elite branca francesa durante muito tempo, por isso que at\u00e9 os pr\u00f3prios ditadores haitianos durante o s\u00e9culo XX, Fran\u00e7ois Duvalier e seu filho [Jean-Claude Duvalier], criaram esquadr\u00f5es paramilitares pr\u00f3prios para contornar o ex\u00e9rcito, porque n\u00e3o \u00e9 um ex\u00e9rcito afeito nem a ditadores negros.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Aristide [ex-presidente Jean-Bertrand Aristide] dissolveu o ex\u00e9rcito haitiano nos anos 1990. Ele tinha sofrido um golpe desse ex\u00e9rcito, depois o dissolveu, uma atitude corajosa que deveria ser apoiada. A gente costuma apoiar a Costa Rica por ter dissolvido seu ex\u00e9rcito, mas ningu\u00e9m falou nada do Haiti quando ele fez a mesma coisa. O problema foi a forma como foi tomada essa decis\u00e3o, de cima pra baixo, sem plano de desmobiliza\u00e7\u00e3o. Foram criados &#8220;deuses da guerra\u201d, locais, um ex-general, um ex-coronel, por exemplo, que t\u00eam pessoal, algum dinheiro e capacidade de criar mil\u00edcias semiprivadas para vender prote\u00e7\u00e3o a quem pode pagar: as transnacionais, a elite haitiana&#8230; Ou seja, essa viol\u00eancia, esse caos que a imprensa brasileira retrata como um estado quase &#8220;natural\u201d no Haiti, \u00e9 criado deliberadamente, produzido ativamente.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia nacional haitiana \u00e9 formada, hoje, por reminisc\u00eancias desse antigo ex\u00e9rcito dissolvido, esse ex\u00e9rcito rancoroso, golpista e colonial, que, agora, tenta juntar cacos e fragmentos para tentar construir uma for\u00e7a que possa atender aos interesses desse governo golpista que est\u00e1 a\u00ed sendo sustentado pela comunidade internacional h\u00e1 mais de 10 anos. Reprimem o povo haitiano, mas n\u00e3o conseguem porque \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, s\u00f3 uma grande for\u00e7a militar internacional \u00e9 capaz de sustentar essa rela\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o acho que a solu\u00e7\u00e3o seja pol\u00edcia ou ex\u00e9rcito. A primeira solu\u00e7\u00e3o \u00e9 que os povos imperialistas deixem o Haiti, aceitem que o Haiti ficou independente 200 anos atr\u00e1s, porque parecem n\u00e3o aceitar. O trabalhador e trabalhadora haitianos t\u00eam direito \u00e0 soberania, a viverem uma vida sem a explora\u00e7\u00e3o das transnacionais, sem a explora\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio norte-americano.<\/p>\n<p>O primeiro passo para se pensar no que fazer \u00e9 pensar quem deve fazer. Ser\u00e3o esses mesmos atores? Essa chamada comunidade internacional, que est\u00e1 criando um problema a mais no s\u00e9culo, utilizando o Haiti para seus pr\u00f3prios interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos? N\u00e3o nos parece. A solu\u00e7\u00e3o para o colonialismo n\u00e3o passa pelo colonizador, nunca passou. Os ingleses adorariam que sim, os franceses tamb\u00e9m. Hoje, os americanos [estadunidenses] e, infelizmente, \u00e0s vezes, os brasileiros, parecem pensar da mesma forma, e a gente discorda completamente desse tipo de atitude.<\/p>\n<p><b>Pelo que vimos at\u00e9 aqui, o problema e a solu\u00e7\u00e3o para o Haiti passam, ent\u00e3o, pela pol\u00edtica.<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida. \u00c9, inclusive, importante lembrar que existe sim pol\u00edtica no Haiti. Essa imagem que a imprensa brasileira passa, muitas vezes, de uma guerra irracional dos haitianos contra eles mesmos \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o mentirosa. O Haiti tem uma sociedade muito desenvolvida, tem uma sociedade civil organizada, robusta, com movimentos sociais, sindical, de mulheres, movimentos por direitos de toda forma, contra a ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira&#8230; \u00c9 uma sociedade que produz bons economistas, bons historiadores, bons advogados, e que merece ser tratada como \u00e9, como uma sociedade. Que sim, possui conflitos pol\u00edticos, mas que s\u00e3o fomentados de fora h\u00e1 muitas d\u00e9cadas, se n\u00e3o s\u00e9culos. Essa sociedade precisa ter a chance de resolver seus conflitos pol\u00edticos. Claro, a elite haitiana tem uma grande parcela nessa culpa, porque ela se associa ao capital estrangeiro para explorar o seu pr\u00f3prio povo. O povo deve ter a chance de acertar suas contas com sua pr\u00f3pria elite, e n\u00e3o tem tido essa chance por conta da ocupa\u00e7\u00e3o das tropas estrangeiras.<\/p>\n<p>http:\/\/www.adital.com.br\/site\/autor.asp?lang=PT&#038;cod=16366<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Adital &#8220;O fim da Minustah n\u00e3o significa o fim da ocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e, suspeito, militar, no Haiti. 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