{"id":8837,"date":"2015-07-11T16:22:02","date_gmt":"2015-07-11T19:22:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8837"},"modified":"2015-08-01T13:29:13","modified_gmt":"2015-08-01T16:29:13","slug":"porto-rico-o-fracasso-da-colonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8837","title":{"rendered":"Porto Rico: o fracasso da col\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Puerto-Rico-default.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Resumen Latinoamericano\/Peri\u00f3dico Claridad, 2 de julho de 2015 \u2013\u00a0Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do chamado Informe Krueger, a mais recente e devastadora descri\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e fiscal do Porto Rico, ningu\u00e9m, exceto os alienados e politiqueiros, deve ter d\u00favida acerca do fracasso retumbante da experi\u00eancia colonial dos Estados Unidos em nosso pa\u00eds.<!--more--><\/p>\n<p>Por 117 anos, o governo estadunidense e seus c\u00famplices tentam desmentir as hist\u00f3ricas den\u00fancias sobre nossa condi\u00e7\u00e3o colonial, feitas pelo movimento independente porto-riquenho e nossos aliados internacionais, empenhando-se em mostrar ao mundo o rosto pr\u00f3spero e exitoso de um Porto Rico ao que \u201cgenerosamente\u201d concederam em 1952 um singular modelo de \u201cgoverno pr\u00f3prio\u201d com o estabelecimento do Estado Livre Associado (ELA). Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o ELA unicamente o fracassado aqui, mas o pr\u00f3prio processo colonial mediante o qual o governo dos Estados Unidos estabeleceu seu dom\u00ednio sobre Porto Rico, come\u00e7ando pelo desembarque de suas tropas pela ba\u00eda de Gu\u00e1nica.<\/p>\n<p>O Informe Krueger, que \u00e9 desprovido da ret\u00f3rica oca de tantos informes econ\u00f4micos, retrata despojadamente a verdadeira situa\u00e7\u00e3o de Porto Rico, um pa\u00eds sem poder pol\u00edtico para sair por si pr\u00f3prio da pior crise econ\u00f4mica e fiscal de sua hist\u00f3ria, em virtude de um modelo colonial esgotado, de um Congresso e um Governo dos Estados Unidos que, mediante a cl\u00e1usula, territorial t\u00eam a \u00faltima palavra sobre nossos assuntos mais importantes. Por\u00e9m, agora nos olham com indiferen\u00e7a e se negam a assumir a responsabilidade sobre o desastre colonial que criaram. Agora, continuamos \u00e0 merc\u00ea do mesmo imperialismo estadunidense que, ap\u00f3s militarizar e contaminar com bombas o melhor de nossa terra e \u00e1guas territoriais; de explorar nossas melhores pastagens sob seu monop\u00f3lio canavieiro para depois abandon\u00e1-los e for\u00e7ar nossa primeira grande migra\u00e7\u00e3o; de converter o trabalho de nossa gente em m\u00e3o de obra barata para suas ind\u00fastrias leves e pesadas, e agora para seus armaz\u00e9ns, com sal\u00e1rios que n\u00e3o permitem uma fam\u00edlia cobrir suas necessidades b\u00e1sicas; de converter nosso solo e aqu\u00edferos em aterros de seus res\u00edduos petrol\u00edferos e farmac\u00eauticos; de impulsionar o desenvolvimento desmedido que pretendeu nos transformar em uma pe\u00e7a de \u201creal estate\u201d; de nos converter em um mercado cativo para sua mercadoria barata, sem querer tributar os impostos em nosso pa\u00eds, e de que em uma gan\u00e2ncia incontrol\u00e1vel seu sistema financeiro tenha promovido o endividamento do Pa\u00eds, por cima de nossas capacidades, pretende agora ignorar e nos deixar sozinhos neste beco sem sa\u00edda, com a migra\u00e7\u00e3o massiva de nossas gera\u00e7\u00f5es em idade produtiva como marca do passado, presente e futuro de nossa trag\u00e9dia coletiva.<\/p>\n<p>O que \u00e9 ainda pior, porque ruma \u00e0 ess\u00eancia mesma de como se pode minar o car\u00e1ter e a dignidade de um povo colonizado. Esse mesmo governo e esse mesmo imperialismo, em seu empenho por negar-se a enfrentar o fracasso de sua gest\u00e3o no Porto Rico, promoveu a pior depend\u00eancia entre nossa gente, uma depend\u00eancia que desencoraja o trabalho porque, como assinala o pr\u00f3prio Informe Krueger, um trabalhador que ganha o sal\u00e1rio m\u00ednimo no Porto Rico e tem uma fam\u00edlia para manter, receberia $400 mais por m\u00eas para ficar em sua casa sem trabalhar, vivendo das transfer\u00eancias de programas assistenciais \u2013 as chamadas \u201cajudas\u201d \u2013 do Governo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria natureza da rela\u00e7\u00e3o de poder entre uma metr\u00f3pole e um territ\u00f3rio colonizado torna imposs\u00edvel que existam col\u00f4nias vitoriosas. O prop\u00f3sito da domina\u00e7\u00e3o colonial \u00e9 precisamente explorar os recursos e os habitantes das col\u00f4nias para benef\u00edcio da metr\u00f3pole e de seus interesses econ\u00f4micos dominantes. O sucesso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pela rela\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o na qual o poder colonial imp\u00f5e e controla as regras do jogo e se nega a reparar os preju\u00edzos causados pelo colonizador, a menos que sejam expostos \u00e0 vergonha p\u00fablica por suas arbitrariedades. Assim, o vimos durante o s\u00e9culo XX com o advento da independ\u00eancia de muitos territ\u00f3rios coloniais. Todos foram explorados, espoliados e deixados na mis\u00e9ria por suas respectivas metr\u00f3poles. Um exemplo emblem\u00e1tico e dram\u00e1tico, dada a vastid\u00e3o de seu territ\u00f3rio e a magnitude de seus recursos naturais, \u00e9 a \u00cdndia, na\u00e7\u00e3o que demorou quase um s\u00e9culo para come\u00e7ar a se recuperar dos estragos do colonialismo brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>A crise que os Estados Unidos incubaram e lan\u00e7aram sobre Porto Rico chegou a sua m\u00e1xima express\u00e3o. A consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o de nosso povo depender\u00e3o que n\u00e3o possam evitar a responsabilidade de reparar os muitos preju\u00edzos sofridos por nossa na\u00e7\u00e3o durante estes 117 anos. E a maior repara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 reconhecer, voluntariamente ou n\u00e3o, o direito do povo porto-riquenho a sua autodetermina\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia, o que nos permitir\u00e1 reunir as ferramentas necess\u00e1rias para superar o fracasso colonial e direcionar o Pa\u00eds por um caminho melhor.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/07\/02\/puerto-rico-el-fracaso-de-la-colonia\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Resumen Latinoamericano\/Peri\u00f3dico Claridad, 2 de julho de 2015 \u2013\u00a0Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do chamado Informe Krueger, a mais recente e devastadora descri\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8837\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[92],"tags":[],"class_list":["post-8837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c105-porto-rico"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2ix","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8837\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}