{"id":884,"date":"2010-10-07T03:21:30","date_gmt":"2010-10-07T03:21:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=884"},"modified":"2010-10-07T03:21:30","modified_gmt":"2010-10-07T03:21:30","slug":"sem-a-ajuda-do-brasil-a-cia-nao-liquidaria-os-tupamaros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/884","title":{"rendered":"\u201cSem a ajuda do Brasil, a CIA n\u00e3o liquidaria os tupamaros\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p lang=\"pt-BR\">Um ex-repressor brasileiro confessou que participou dos preparativos da Opera\u00e7\u00e3o Charr\u00faa para invadir o Uruguai em 1971 se Juan Mar\u00eda Bordaberry n\u00e3o ganhasse as elei\u00e7\u00f5es. Disse que com a execu\u00e7\u00e3o de Dan Mitrione e o seq\u00fcestro do c\u00f4nsul Aloysio Dias Gomide, o Brasil e a Central de Intelig\u00eancia Americana (CIA) tiveram participa\u00e7\u00e3o direta na repress\u00e3o dos tupamaros.<\/p>\n<p>Texto: Roger Rodriguez<\/p>\n<p>As revela\u00e7\u00f5es do advogado Marco Polo Giordani, ex-agente em Porto Alegre do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00e3o (DOI), ligado ao Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (CODI), \u00f3rg\u00e3o federal com sede em S\u00e3o Paulo, foram realizadas ao jornalista Jos\u00e9 Mitchell durante uma entrevista do ciclo Hist\u00f3rias que, produzido pela TVCOM, foi emitido no \u00faltimo 11 de setembro na rede de TV a cabo do Rio Grande do Sul, gerando grande repercuss\u00e3o em blog e webs dos telespectadores.<\/p>\n<p>Marco P\u00f3lo Giordani, que chegou ao grau de Segundo Sargento do Ex\u00e9rcito Brasileiro, foi cooptado em sua juventude pelos servi\u00e7os de intelig\u00eancia da ditadura norte-americana, treinado em teoria e repress\u00e3o pela Escola Superior de Guerra (ESG) e infiltrado na Faculdade de Direito de Porto Alegre, onde atuou como espi\u00e3o durante dez anos a servi\u00e7o do tem\u00edvel DOI-CODI, respons\u00e1vel pela maioria das mortes e desaparecimentos de opositores durante o regime militar brasileiro.<\/p>\n<p>Giordani admitiu que durante seus anos de espionagem seguiu pol\u00edticos da atualidade, como Pedro Sim\u00f3n, Tarso Genro e Ibsen Pinheiro, al\u00e9m de controlar algumas viagens a terras ga\u00fachas do falecido l\u00edder comunista Luis Carlos Prestes, os quais qualificou como \u201cessa turba de esquerdistas\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">\u201cOpera\u00e7\u00e3o Charr\u00faa\u201d<\/p>\n<p>Giordani explicou que o Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es, criado no Brasil logo depois da deposi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart em 1964, foi um modelo para a DINA de Chile, os servi\u00e7os da Argentina e, particularmente, os aparelhos repressivos do Uruguai, aos quais o Brasil provinha \u201cde armas, muni\u00e7\u00f5es, materiais e gente, porque n\u00e3o tinham infra-estrutura\u201d para enfrentar a um \u201cmovimento subversivo como os tupamaros. que tinham at\u00e9 hospitais subterr\u00e2neos\u201d.<\/p>\n<p>O repressor brasileiro afirmou: \u201cQuando estava na tropa nos preparamos para a Opera\u00e7\u00e3o Carr\u00faa porque \u00edamos invadir o Uruguai se Bordaberry n\u00e3o ganhasse as elei\u00e7\u00f5es. Como ganhou, n\u00e3o invadimos. Eu tenho conhecimento que n\u00f3s colaboramos substancialmente para a liquida\u00e7\u00e3o do movimento tupamaro. Se n\u00e3o fosse por n\u00f3s, e tamb\u00e9m pela CIA, os uruguaios por si n\u00e3o poderiam liquid\u00e1-los. Essa \u00e9 a realidade\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cDepois que mataram a Dan Mitrione e seq\u00fcestraram ao c\u00f4nsul no Uruguai, houve uma reuni\u00e3o entre o presidente norte-americano [Richard Nixon] e [Em\u00edlio Garrastazu] M\u00e9dici, e eles decidiram desmantelar o movimento tupamaro\u201d, afirmou Giordani para confirmar o que assinalam arquivos estadunidenses recentemente desificados nos quais Nixon, em um di\u00e1logo com seu secret\u00e1rio de Estado Henry Kissinger, diz precisamente que o ditador brasileiro os havia ajudado com a situa\u00e7\u00e3o do Uruguai.<\/p>\n<p>Giordani se fez conhecido no Brasil quando editou o livro \u201cBrasil Sempre\u201d, como resposta ao livro \u201cBrasil Nunca Mais\u201d, onde se enumeravam os crimes de lesa humanidade cometidos pela ditadura militar entre 1964 e 1985. Tamb\u00e9m editou o livro Opera\u00e7\u00e3o Estrela Vermelha, entre outras publica\u00e7\u00f5es que reivindicam a repress\u00e3o e a Doutrina da Seguridade Nacional brasileira.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Lilian e Universindo<\/p>\n<p>O ex-agente brasileiro tamb\u00e9m revelou que em 1978, quando se realizou o seq\u00fcestro em Porto Alegre dos uruguaios Celiberti y Universindo Rodr\u00edguez, \u201calgu\u00e9m\u201d queria que a parte operativa fosse realizada pelo setor de informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito Brasileiro, mas os chefes militares se negaram e a coordena\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o repressiva com os repressores uruguaios foi encomendada ao Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) da pol\u00edcia ga\u00facha.<\/p>\n<p>O seq\u00fcestro de Celiberti e Rodr\u00edguez foi descoberto pelos jornalistas brasileiros que ao denunciar o caso provocaram um esc\u00e2ndalo internacional e obrigaram ao comando militar uruguaio, encabe\u00e7ado pelo capit\u00e3o Eduardo Ferro, manter vivos os militantes do Partido pela Vit\u00f3ria do Povo (PVP) que foram transferidos ilegalmente ao Uruguai e finalmente terminaram processados pela Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00f3s tiv\u00e9ssemos feito a opera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ocorreria o que passou, mas a deram ao DOPS. Esses uruguaios eram subversivos. Pintaram a eles como her\u00f3is, Mas eram subversivos tupamaros\u201d, confessou Giordani, que tamb\u00e9m admitiu que durante os anos de ditadura, pessoal brasileiro foi ao Uruguai para preparar os agentes uruguaios na luta contra a subvers\u00e3o. \u201cInclusive o delegado Fleury foi l\u00e1 e deu aulas. N\u00e3o sei se realizou opera\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Sergio Paranhos Fleury, chefe do DOPS brasileiro, foi assinalado pelo ex-agente uruguaio Mario Barreiro Neira como o repressor brasileiro enviado pelo ditador M\u00e9dici para coordenar com os militares uruguaios a denominada Opera\u00e7\u00e3o Escorpi\u00e3o, na qual se trocou um medicamento do presidente deposto Jo\u00e3o Goulart, para provocar sua morte em 1976, no marco do Plano Condor.<\/p>\n<p>Traduzido do Espanhol de: <strong><a href=\"http:\/\/200.40.211.253\/detail.asp?IdEdition=85&amp;NewsId=693&amp;Portal=1\" target=\"_blank\">http:\/\/200.40.211.253\/detail.asp?IdEdition=85&amp;NewsId=693&amp;Portal=1<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Wikipedia\n\n\n\n\n\n\n\n\n(Confiss\u00e3o de ex-repressor brasileiro Marco Polo Giordani)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/884\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-eg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/884\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}