{"id":8869,"date":"2015-07-14T17:52:20","date_gmt":"2015-07-14T20:52:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8869"},"modified":"2015-08-01T13:43:55","modified_gmt":"2015-08-01T16:43:55","slug":"exodos-dantescos-e-guerras-imperialistas-crimes-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8869","title":{"rendered":"\u00caxodos dantescos e guerras imperialistas: Crimes do capitalismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/3-LA-UE-QUIERE-LAS-RIQUEZAS-AFRICA-620x400.jpg?resize=620%2C400\" alt=\"imagem\" \/>Por\u00a0Cecilia Zamudio\u00a0\/\u00a0Resumen Latinoamericano \/ 10 de julho de 2015 \u2013 Continua o crime de lesa humanidade que o capitalismo e a UE est\u00e3o perpetrando contra dezenas de milhares de pessoas for\u00e7adas a migrar, gerando uma terr\u00edvel cat\u00e1strofe, ante a qual n\u00e3o podemos ficar calados, e ante a qual n\u00e3o podemos cometer a obscenidade de adotar por certas as teorias falaciosas que tentam culpar supostas \u201cm\u00e1fias\u201d pelo drama.<!--more--><\/p>\n<p>Culpar as supostas \u201cm\u00e1fias de migrantes\u201d \u00e9 tentar encobrir os verdadeiros respons\u00e1veis. O capitalismo \u00e9 o respons\u00e1vel por esta trag\u00e9dia: os que lucram com o suor alheio e com o saqueio do planeta. As transnacionais ampliam suas fortunas na base da tortura dos povos: viabilizam o saqueio mediante guerras imperialistas e o paramilitarismo. 85 multimilion\u00e1rios possuem uma riqueza igual \u00e0 riqueza compartilhada pela metade da popula\u00e7\u00e3o do planeta (1); 3.570 milh\u00f5es de pessoas que sobrevivem exploradas em buracos, tendo que comer os lixos, tendo que vender seus \u00f3rg\u00e3os ou seu sangue, tendo que prostituir-se desde a inf\u00e2ncia, ou tendo que empenhar-se em \u00eaxodos terr\u00edveis, cujo resultado n\u00e3o ser\u00e1 outro que a morte por afogamento em vida, tendo que padecer com a explora\u00e7\u00e3o extrema na Europa-Fortaleza, em caso de sobreviver \u00e0 viagem.<\/p>\n<p><strong>1. Uma cat\u00e1strofe descomunal: uma crise de refugiados do saqueio capitalista e das guerras imperialistas<\/strong><\/p>\n<p>Milhares de pessoas perderam a vida no Mediterr\u00e2neo s\u00f3 no ano de 2015 na tentativa de chegar \u00e0 Europa: concretamente, trinta vezes mais em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado. A Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (ACNUR) estima em 137.000 o n\u00famero de migrantes que chegaram durante os seis primeiros meses de 2015 \u00e0s costas europeias, ap\u00f3s cruzar o Mediterr\u00e2neo. Em 2014, a It\u00e1lia resgatou n\u00e3o menos que 170.000 pessoas; um aumento de 277% a respeito de 2013 (2).\u00a0\u201cA grande maioria das milhares de pessoas que fez a perigosa viagem por mar nos seis primeiros meses de 2015, fugia da guerra, do conflito ou da persegui\u00e7\u00e3o. Isso converte a crise no Mediterr\u00e2neo em uma crise dos refugiados\u201d, expressou a ACNUR em seu \u00faltimo informe (3).\u00a0\u201cOs \u00f3bitos aumentam significativamente no segundo semestre do ano, durante os meses do ver\u00e3o; se espera que continuem aumentando\u201d (Ibid.).\u00a0Aproximadamente 90 mil pessoas cruzaram a Europa entre 1\u00b0 de julho e 30 de setembro de 2014 e, ao menos, 2.200 perderam a vida.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas \u201cregistradas\u201d s\u00e3o somadas \u00e0s desaparecidas, aquelas cujos cad\u00e1veres n\u00e3o s\u00e3o encontrados. E as v\u00edtimas do \u00eaxodo por saqueio que falecem no Mediterr\u00e2neo precisam ser somadas \u00e0s milhares de v\u00edtimas no deserto. A elas somam-se as v\u00edtimas assassinadas nas cercas de Ceuta e Melilla e nos centros de \u201cinternamento\u201d.<\/p>\n<p>Existe um aumento no \u00eaxodo, com trag\u00e9dias como a das mil mortes em uma semana, no m\u00eas de abril de 2015 (4). S\u00e3o pessoas fugindo da mis\u00e9ria na qual o saqueio \u00e9 perpetrado pelo grande capital, que submete a \u00c1frica. Seguem a rota que previamente seguiram as imensas riquezas extra\u00eddas de seus pa\u00edses. O continente africano padece novas perdas com esta trag\u00e9dia: perde juventude com tudo que isso implica para a sociedade. Os familiares das v\u00edtimas nunca saber\u00e3o o que ocorreu com seus entes queridos, pois nem todos os cad\u00e1veres s\u00e3o recuperados, e os que s\u00e3o recuperados s\u00e3o enterrados como indigentes na maior parte das vezes.<\/p>\n<p><strong>2. A desculpa das \u201cm\u00e1fias\u201d: cai como uma luva para encobrir os saqueadores<\/strong><\/p>\n<p>Tenta-se esconder que o saqueio e as denominadas \u201cguerras humanit\u00e1rias\u201d perpetradas pela UE e os Estados Unidos contra a \u00c1frica, t\u00eam como l\u00f3gica consequ\u00eancia o \u00eaxodo massivo. Os grandes capitalistas imp\u00f5em midiaticamente uns bodes expiat\u00f3rios para ocultar as verdadeiras causas do \u00eaxodo. Responsabilizam pela cont\u00ednua trag\u00e9dia do Mediterr\u00e2neo e do Atl\u00e2ntico as supostas \u201cm\u00e1fias\u201d de transporte de pessoas, quando se sabe que em muitas ocasi\u00f5es o suposto \u201cmafioso\u201d n\u00e3o \u00e9 outra coisa que um pescador que j\u00e1 n\u00e3o pode sobreviver da pesca em um mar saqueado pela a\u00e7\u00e3o das grandes transnacionais; um pescador reconvertido em condutor de embarca\u00e7\u00f5es que, clandestinamente, tentam passar pelas fronteiras da Europa-Fortaleza. Inclusive, ainda que muitos transportadores destas viagens clandestinas se aproveitem das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de \u00eaxodo, n\u00e3o podem ser tidos como os respons\u00e1veis por esta trag\u00e9dia, por estes crimes de lesa humanidade, a menos que se queira encobrir os verdadeiros respons\u00e1veis. Na ONU apresentaram como \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d outro plano militar. O fascismo avan\u00e7a como ferramenta para a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p><strong>3. Nova opera\u00e7\u00e3o militar europeia contra a L\u00edbia, com um pretexto banal<\/strong><\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o militar europeia leva o nome\u00a0EUNAVFOR MED e atua pela OTAN (5).\u00a0Possui um or\u00e7amento de 11,82 milh\u00f5es de euros para os dois primeiros meses e, a princ\u00edpio, se manter\u00e1 durante um ano (6). Cinco navios de guerra, dois submarinos, seis avi\u00f5es e helic\u00f3pteros, dois Drones e aproximadamente 1.000 militares europeus come\u00e7am a avan\u00e7ar pelas \u00e1guas internacionais pr\u00f3ximas \u00e0 L\u00edbia (Ibid.).<\/p>\n<p>Trata-se da primeira miss\u00e3o militar que a UE coloca em marcha sob o pretexto de \u201cdesmantelar as m\u00e1fias que traficam com migrantes\u201d. Os ministros europeus aprovaram o projeto militar em junho. No momento, esta nova agress\u00e3o europeia contra a L\u00edbia n\u00e3o conta com uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que permita entrar no territ\u00f3rio l\u00edbio, gra\u00e7as ao fato da R\u00fassia ter se mantido firme em sua oposi\u00e7\u00e3o a uma nova interven\u00e7\u00e3o na L\u00edbia e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o militar de barcos. A R\u00fassia exige obter a solicita\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de um Governo de unidade l\u00edbia. O enviado especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a L\u00edbia, Bernardino Le\u00f3n, h\u00e1 meses tenta, por\u00e9m os l\u00edbios resistem em dar um aval para uma nova invas\u00e3o. \u201cFontes da diplomacia europeia confiam na possibilidade de darem o aval \u00e0 opera\u00e7\u00e3o na L\u00edbia com o Governo de Tobruk\u201d (Ibid.), internacionalmente reconhecido para que sirva a estes fins belicistas. Uma dezena de Estados europeus participar\u00e1 da opera\u00e7\u00e3o contra a L\u00edbia, entre eles: Espanha, Reino Unido, Alemanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia. Os militares est\u00e3o preparados para passar da \u201ccoleta de informa\u00e7\u00f5es\u201d \u00e0 etapa de apreens\u00e3o de barcos em \u00e1guas internacionais e na zona territorial l\u00edbia. Em uma terceira fase, \u201cinutilizariam\u201d barcos sob o pretexto de ser de supostos \u201ctraficantes\u201d. Tudo isso permitiria uma nova presen\u00e7a militar em territ\u00f3rio l\u00edbio.<\/p>\n<p>V\u00e1rias vozes se elevam contra esta opera\u00e7\u00e3o militar, como a de v\u00e1rios sindicatos: \u201cN\u00e3o estamos de acordo com medidas de tipo militar como o bombardeio das embarca\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de colocar em risco a vida dos migrantes, cerceia o direito de escapar de uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica e solicitar o status de refugiado\u201d (7). Reclamam:\u00a0\u201cVoltar a implantar o programa humanit\u00e1rio e de resgate Mare Nostrum 1 (*), desta vez com o apoio log\u00edstico e econ\u00f4mico dos pa\u00edses da UE. (\u2026) \u00c9 preciso criar corredores humanit\u00e1rios para os migrantes que fogem de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, persegui\u00e7\u00e3o e guerra, priorizando a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que solicitam o status de refugiado\u201d\u00a0(Ibid.).<\/p>\n<p><strong>4. O Atl\u00e2ntico: a maior dificuldade imposta nas rotas migrat\u00f3rias, maior quantidade de desaparecidos<\/strong><\/p>\n<p>Esta iniciativa militar contra a L\u00edbia \u00e9 alheia a Frontex, que agora conta com um or\u00e7amento triplicado para os dois programas do Mediterr\u00e2neo (Trit\u00e3o e Poseidon): estes programas t\u00eam um enfoque repressivo, de \u201cdefesa\u201d das fronteiras europeias, que torna mais dif\u00edcil as rotas de migra\u00e7\u00e3o, aumentando assim a periculosidade das mesmas.<\/p>\n<p>Por causa da repress\u00e3o, nas rotas do oc\u00e9ano Atl\u00e2ntico as sa\u00eddas de embarca\u00e7\u00f5es se fazem cada vez mais ao sul; saindo agora do Senegal, quando antes sa\u00edam do Marrocos ou Maurit\u00e2nia, o que aumenta os dias de viagem em alto mar e submete as pessoas migrantes a um perigo ainda maior de ser arrastadas pelas correntes mar\u00edtimas. O oceano Atl\u00e2ntico \u00e9 outro imenso cemit\u00e9rio de mulheres e homens falecidos tentando buscar uma sa\u00edda para sobreviver \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria causadas pelo saqueio capitalista: ali os desaparecimentos s\u00e3o dantescos, dado que as pessoas s\u00e3o arrastadas \u00e0 metade do Atl\u00e2ntico, falecendo de sede e fome, nas condi\u00e7\u00f5es de tortura a que s\u00e3o obrigadas pelas novas rotas migrat\u00f3rias que imp\u00f5e a Europa-Fortaleza (8).\u00a0A Ditadura do Capital obriga as pessoas a empreender \u00eaxodos terr\u00edveis, em condi\u00e7\u00f5es de perigo extremas.<\/p>\n<p><strong>5. A agress\u00e3o contra a L\u00edbia em 2011: a servi\u00e7o do Grande Capital Transnacional<\/strong><\/p>\n<p>A trag\u00e9dia do falecimento de milhares de pessoas oriundas da L\u00edbia \u00e9 tamb\u00e9m uma das consequ\u00eancias da invas\u00e3o contra a L\u00edbia, perpetrada pela OTAN em 2011. A invas\u00e3o da L\u00edbia foi uma interven\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o do Grande Capital Transnacional, empreendida com a ajuda de mercen\u00e1rios paramilitares infiltrados na L\u00edbia a partir dos servi\u00e7os secretos europeus e estadunidenses. Esta invas\u00e3o se articulou com a total cumplicidade do aparato midi\u00e1tico do capitalismo transnacional, que chamavam os paramilitares mercen\u00e1rios de \u201crebeldes\u201d com a finalidade de justificar a invas\u00e3o e genoc\u00eddio contra o povo l\u00edbio e seu governo de ent\u00e3o. Durante o governo de Kadaffi, a L\u00edbia era o pa\u00eds com o maior n\u00edvel de vida da \u00e1frica; raz\u00e3o pela qual na L\u00edbia se estabeleceram muit\u00edssimos africanos de outras regi\u00f5es. Estes africanos hoje se somam aos que tentam chegar \u00e0 Europa-Fortaleza: a essa UE que saqueia as riquezas da \u00c1frica, por\u00e9m depois n\u00e3o quer as pessoas.<\/p>\n<p>A L\u00edbia foi o alvo da cobi\u00e7a capitalista por v\u00e1rias raz\u00f5es: tem em sem solo um petr\u00f3leo dos mais leves do mundo e um potencial produtivo estimado em mais de 3 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios. Desde 2009, Kadaffi adiantava um plano para nacionalizar o petr\u00f3leo l\u00edbio. O plano de nacionaliza\u00e7\u00e3o foi impedido por opositores no pr\u00f3prio seio do governo. Muitos destes opositores \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o assumiram o papel de \u201cchefes rebeldes\u201d a servi\u00e7o dos interesses transnacionais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de a L\u00edbia possuir uma imensa reserva h\u00eddrica subterr\u00e2nea estimada em 35.000 quil\u00f4metros c\u00fabicos de \u00e1gua, que constitui o Sistema Aqu\u00edfero N\u00fabio de Arenito (NSAS, sigla em ingl\u00eas), a maior reserva f\u00f3ssil de \u00e1gua do mundo. Nos anos oitenta, a L\u00edbia iniciou um projeto de grande escala de abastecimento de \u00e1gua: o Grande Rio Artificial da L\u00edbia, considerado um dos maiores projetos de engenharia, que provinha \u00e1gua a partir dos aqu\u00edferos f\u00f3sseis. O sistema uma vez finalizado cobriria a L\u00edbia, Egito, Sud\u00e3o e Chade, potencializando a seguran\u00e7a alimentar de uma regi\u00e3o afetada pela escassez de \u00e1gua para cultivos. Isso evitaria que esses pa\u00edses recorressem aos fundos do FMI: algo que se oporia \u00e0 aspira\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio global dos recursos h\u00eddricos e alimentares por parte do Ocidente.<\/p>\n<p>Por outro lado, a L\u00edbia possu\u00eda 200 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de reservas internacionais que foram confiscados por seus agressores.<\/p>\n<p>Depois da agress\u00e3o imperialista, a L\u00edbia ficou destru\u00edda, sem infraestrutura aqu\u00edfera nem rodovi\u00e1ria, nem escolas, nem hospitais, j\u00e1 que at\u00e9 estes foram bombardeados. Antes da invas\u00e3o imperialista, na L\u00edbia as mulheres viviam com muito mais liberdade que em outros pa\u00edses da regi\u00e3o; ap\u00f3s a invas\u00e3o, uma das primeiras medidas do governo de mercen\u00e1rios enaltecido pela OTAN, foi decretar a lei da Sharia, atrozmente cruel com as mulheres, tudo sob os aplausos da UE e dos EUA. Outra das consequ\u00eancias da invas\u00e3o \u00e0 L\u00edbia \u00e9 o surgimento de grupos de terrorismo paramilitar em diferentes pa\u00edses da regi\u00e3o: os mercen\u00e1rios empregados pelos servi\u00e7os secretos europeus e estadunidenses se reciclam em outras opera\u00e7\u00f5es do terror. Destas opera\u00e7\u00f5es surge o Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>A L\u00edbia foi torturada pelo que a falsa m\u00eddia teve o cinismo de chamar de \u201cbombardeios humanit\u00e1rios\u201d. Uma absurda opera\u00e7\u00e3o do imperialismo com vistas \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o dos recursos l\u00edbios.<\/p>\n<p><strong>6. As 10 pessoas mais ricas da Europa, a capitaliza\u00e7\u00e3o da riqueza e a f\u00e1bula das \u201cajudas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A riqueza das 10 pessoas mais ricas da Europa equivale a 217 bilh\u00f5es de euros e supera a \u201cajuda\u201d total que a Europa diz dar aos pa\u00edses empobrecidos (8). Pa\u00edses empobrecidos precisamente pela a\u00e7\u00e3o de multinacionais que saqueiam e exploram sob a prote\u00e7\u00e3o de regimes mantidos mediante a repress\u00e3o e o exterm\u00ednio dos opositores pol\u00edticos, quando n\u00e3o de golpes e genoc\u00eddios impulsionados diretamente dos servi\u00e7os secretos e militares dos Estados Unidos e da UE. Multinacionais cujos maiores acionistas n\u00e3o s\u00e3o outros que os detentores dessas grandes fortunas da Europa e do mundo. Resta dizer que muitas dessas grandes fortunas se consolidaram gra\u00e7as \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o e escraviza\u00e7\u00e3o de africanos, gra\u00e7as ao saqueio colonial e gra\u00e7as ao atual saqueio imperialista.<\/p>\n<p>E quanto \u00e0 suposta \u201cajuda\u201d, falta dizer que essa \u201cajuda\u201d provavelmente \u00e9 ineficiente: posto que as somas s\u00e3o dirigidas a investimentos decididos pelos que as outorgam, destinando-as, na maioria das vezes, a quebrar o campesinato local, a fortalecer mecanismos de submiss\u00e3o econ\u00f4mica e de depend\u00eancia, a financiar grandes contratos que reinvertem as somas no capitalismo metropolitano (mediante a aquisi\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rio cujas pe\u00e7as criam v\u00ednculos de depend\u00eancia, mediante a aquisi\u00e7\u00e3o de sementes transg\u00eanicas, mediante a introdu\u00e7\u00e3o de costumes alimentares que contribuam para quebrar toda soberania alimentar, mediante a imposi\u00e7\u00e3o de modelos produtivos, etc). A suposta \u201cajuda\u201d tamb\u00e9m \u00e9 destinada a fortalecer projetos c\u00edvicos articulados para amparar projetos militares, projetos funcionais de coopta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a fortalecer ONGs em detrimento da luta popular, e a fortalecer especificamente certas ONGs em detrimento de outras, sendo sempre um condicionante para que estas se dobrem a ado\u00e7\u00e3o das linhas impostas pelos think tanks funcionais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do sistema capitalista. Isso para n\u00e3o mencionar os interesses de grande parte da \u201cajuda\u201d.<\/p>\n<p><strong>7. Dram\u00e1ticos \u00eaxodos populacionais: consequ\u00eancias do sistema capitalista<\/strong><\/p>\n<p>Os \u00eaxodos populacionais, tanto da \u00c1frica e da \u00c1sia para Europa, como da Am\u00e9rica Latina para os Estados Unidos (essencialmente), continuar\u00e3o aumentando enquanto permanecer o saqueio capitalista.\u00a0Milh\u00f5es de seres humanos se veem obrigados a migrar para que suas fam\u00edlias possam sobreviver. E a este drama da desintegra\u00e7\u00e3o familiar e da remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, se somam as perigos\u00edssimas condi\u00e7\u00f5es do \u00eaxodo, produto das pol\u00edticas migrat\u00f3rias dos pa\u00edses para os quais se dirigem as popula\u00e7\u00f5es em \u00eaxodo que, n\u00e3o por acaso, s\u00e3o os mesmos pa\u00edses destinat\u00e1rios das riquezas saqueadas dos pa\u00edses de origem dos migrantes. As pessoas n\u00e3o v\u00e3o para o\u00a0\u201csonho\u201d\u00a0europeu ou estadunidense, fogem do pesadelo no qual as transnacionais se converteram em todo o planeta: continuam a rota que previamente seguiram as imensas riquezas extra\u00eddas de seus pa\u00edses. Por\u00e9m, os pa\u00edses da metr\u00f3pole capitalista querem as riquezas, mas n\u00e3o as pessoas.<\/p>\n<p>Este sistema funciona na base do saqueio e da explora\u00e7\u00e3o, e produz incessantes guerras imperialistas e regimes a servi\u00e7o do grande capital que n\u00e3o vacilam em agredir as popula\u00e7\u00f5es das zonas cobi\u00e7adas, mediante seus ex\u00e9rcitos oficiais, ou a implanta\u00e7\u00e3o do paramilitarismo (ferramenta do Terrorismo de Estado). E s\u00e3o as l\u00f3gicas inerentes ao capitalismo as que produzem leis migrat\u00f3rias c\u00ednicas e desumanas, e que produzem tamb\u00e9m grupos que se aproveitam das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade. J\u00e1 abordamos o exagerado tema das \u201cm\u00e1fias\u201d, assinalando que muitos transportadores n\u00e3o s\u00e3o outra coisa que pescadores sedentos por redes de arrasto, que tamb\u00e9m colocam suas vidas em perigo. Apontamos que, inclusive considerando os transportadores que exploram os migrantes nessas rotas do \u00eaxodo, se deve incluir o fen\u00f4meno no contexto que o gera e n\u00e3o us\u00e1-lo como bode expiat\u00f3rio para isentar os verdadeiros respons\u00e1veis por este drama. O fen\u00f4meno de explora\u00e7\u00e3o dos migrantes \u00e9 inerente ao pr\u00f3prio sistema. Existem grupos criminosos que sequestram migrantes na rota que passa pela Am\u00e9rica Central para os Estados Unidos, para pedir recompensas a suas fam\u00edlias, para escraviz\u00e1-los sexualmente ou extrair \u00f3rg\u00e3os para o tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os. A cumplicidade da pol\u00edcia n\u00e3o \u00e9 casualidade: o \u201cneg\u00f3cio\u201d \u00e9 o que prima no sistema capitalista. Da mesma forma abundam os exploradores dos imigrantes uma vez na Europa: aproveitando-se de sua condi\u00e7\u00e3o de \u201cilegais\u201d para cobrar alugu\u00e9is inflacionados, explorando-os com sal\u00e1rios mais miser\u00e1veis ainda que o dos \u201clegais\u201d, ou em troca de comida pelo modo de escravid\u00e3o, explorando-os sexualmente, etc. Toda essa barb\u00e1rie \u00e9 inerente ao capitalismo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lutar contra um sistema que produz barb\u00e1rie. E \u00e9 um imperativo \u00e9tico combater o uso de bodes expiat\u00f3rios para viabilizar mais guerras imperialistas e ocultar os verdadeiros respons\u00e1veis pelo colapso humanit\u00e1rio: os grandes capitalistas. \u00c9 hora de compreender onde est\u00e3o as causas e onde est\u00e3o as consequ\u00eancias, e deixar de aceitar a obscenidade que consiste em tentar inverter virtualmente as causas e as consequ\u00eancias. Milhares de olhos de mulheres, homens e crian\u00e7as est\u00e3o nos olhando da espuma do mar: v\u00edtimas do sistema capitalista, de uma barb\u00e1rie que se tenta cobrir e perpetuar com cinismo.<\/p>\n<p>Cecilia Zamudio, Julho 2015<\/p>\n<p>http:\/\/www.cecilia-zamudio.blogspot.com<\/p>\n<p>____________<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>(1) Informe OXFAM: 85 multimilion\u00e1rios possuem uma riqueza igual \u00e0 riqueza compartilhada pela metade da popula\u00e7\u00e3o do planeta, 3.570 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>http:\/\/myslide.es\/news-politics\/informe-oxfam-85-personas-poseen-como-3570-millones-de-personasgobernar-para-las-elites-secuestro-democratico-y-desigualdad-economica.html<\/p>\n<p>(2)\u00a0http:\/\/www.tercerainformacion.es\/spip.php?article86153.<\/p>\n<p>(3).http:\/\/www.cuatro.com\/noticias\/sociedad\/ACNUR-inmigrantes-Europa_0_2012325079.html<\/p>\n<p>(4).http:\/\/cecilia-zamudio.blogspot.com\/2015\/05\/crimen-de-lesa-humanidad-la-ue-quiere-las-riquezas-de-africa-pero-a-las-personas-no.html<\/p>\n<p>(5)\u00a0http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2015\/05\/18\/actualidad\/1431939481_084438.html<\/p>\n<p>(6)\u201cA UE aprova sua primeira miss\u00e3o militar contra as m\u00e1fias de migrantes\u201d<\/p>\n<p>http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2015\/06\/22\/actualidad\/1434973413_386631.html<\/p>\n<p>(7) A via militar na pr\u00e1tica: bombardear embarca\u00e7\u00f5es. Uma falsa solu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>http:\/\/www.tercerainformacion.es\/spip.php?article86153<\/p>\n<p>(*) O programa humanit\u00e1rio Mare Nostrum, iniciado em 2013 pela It\u00e1lia, previa patrulhas no Mediterr\u00e2neo fora das \u00e1guas territoriais da Uni\u00e3o Europeia, para ajudar milhares de pessoas que tentavam chegar ao pa\u00eds. Foi recome\u00e7ado pela opera\u00e7\u00e3o Trit\u00e3o, que \u00e9 financiada pela UE e que possui um enfoque de \u201cdefesa\u201d das fronteiras.<\/p>\n<p>(8) Document\u00e1rio \u201cO muro invis\u00edvel: o saqueio causa \u00eaxodo\u201d<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Akpgpa3M3aI?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>(9)\u00a0http:\/\/myslide.es\/news-politics\/informe-oxfam-85-personas-poseen-como-3570-millones-de-personasgobernar-para-las-elites-secuestro-democratico-y-desigualdad-economica.html<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/07\/10\/exodos-dantescos-y-guerras-imperialistas-crimenes-del-capitalismo\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por\u00a0Cecilia Zamudio\u00a0\/\u00a0Resumen Latinoamericano \/ 10 de julho de 2015 \u2013 Continua o crime de lesa humanidade que o capitalismo e a UE est\u00e3o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8869\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-8869","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2j3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8869\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}