{"id":8927,"date":"2015-07-24T18:02:19","date_gmt":"2015-07-24T21:02:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8927"},"modified":"2015-08-12T13:37:47","modified_gmt":"2015-08-12T16:37:47","slug":"impunidade-prevalece-nos-casos-de-assassinatos-de-civis-pelo-exercito-colombiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8927","title":{"rendered":"Impunidade prevalece nos casos de assassinatos de civis pelo Ex\u00e9rcito colombiano"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015\/07\/2015_07_legenda1_falso-positivo-mapa_hrw.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><em>Segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (OACNUDH), a quantidade de v\u00edtimas dos falsos positivos pode chegar a 5.000 casos.<\/em><!--more--><\/p>\n<p><strong>Adital<\/strong><\/p>\n<p>Em recente relat\u00f3rio, a organiza\u00e7\u00e3o internacional Human Rights Watch (HRW) revela que generais e coron\u00e9is do Ex\u00e9rcito colombiano estiveram envolvidos em execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais de civis, ocorridas entre 2002 e 2008. A Promotoria investiga mais de 3 mil desses casos, nos quais tropas do Ex\u00e9rcito seriam pressionadas a mostrarem resultados positivos na luta contra a guerrilha armada no pa\u00eds. Eles assassinariam civis para faz\u00ea-los passar por guerrilheiros mortos em combate. S\u00e3o os chamados &#8220;falsos positivos\u201d. Nas investiga\u00e7\u00f5es, foram identificados mais de 180 batalh\u00f5es envolvidos.<\/p>\n<p>O documento \u00e9 intitulado &#8220;O papel dos chefes nos falsos positivos: evid\u00eancias da responsabilidade de generais e coron\u00e9is do Ex\u00e9rcito colombiano por execu\u00e7\u00f5es de civis\u201d. Embora a Promotoria tenha encontrado evid\u00eancias de &#8220;falsos positivos\u201d em 41 brigadas, a HRW concentrou o estudo em 11 delas, por consider\u00e1-las mais representativas.<\/p>\n<p>Mapa com as supostas execu\u00e7\u00f5es em cada uma das 11 brigadas que o estudou focou. Os casos s\u00e3o baseados no per\u00edodo de 2002 a 2008 e est\u00e3o sendo investigados pela Unidade de Direitos Humanos da Promotoria Geral da Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em setembro de 2008, os falsos positivos vieram a p\u00fablico a partir da repercuss\u00e3o midi\u00e1tica sobre a execu\u00e7\u00e3o de 19 jovens que tinham desaparecido do Munic\u00edpio de Soacha, sub\u00farbio de Bogot\u00e1. Os jovens apareceram assassinados no Departamento do Norte de Santander, e foram apresentados como guerrilheiros mortos em combate. As incoer\u00eancias do caso e as press\u00f5es dos familiares fizeram com o governo passasse a investigar as mortes e a tomar medidas contra novos desaparecimentos for\u00e7ados, classificados como falsos positivos.<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Miguel Vivanco, diretor executivo para as Am\u00e9ricas da HRW, os falsos positivos representam um dos epis\u00f3dios &#8220;mais nefastos das atrocidades massivas no Hemisf\u00e9rio ocidental, nos \u00faltimos anos\u201d, e h\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias de que os altos oficiais do Ex\u00e9rcito seriam os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>A HRW obteve acesso \u00e0s grava\u00e7\u00f5es e transmiss\u00f5es de depoimentos prestados \u00e0 Promotoria por militares envolvidos nos falsos positivos, que afirmavam que seus superiores, incluindo generais e coron\u00e9is, supostamente, sabiam, planejaram, ordenaram ou facilitaram a realiza\u00e7\u00e3o desses crimes. A organiza\u00e7\u00e3o documentou ainda amea\u00e7as, ataques e atos de intimida\u00e7\u00e3o contra os soldados que delataram seus superiores. \u00c9 o caso de Nix\u00f3n de Jes\u00fas C\u00e1rcamo, morto asfixiado em 27 de outubro de 2014, na pris\u00e3o militar da D\u00e9cima Primeira Brigada, em Monter\u00eda, C\u00f3rdoba, ap\u00f3s revelar a suposta participa\u00e7\u00e3o de seus superiores nos crimes de falsos positivos.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, mais de 800 membros do Ex\u00e9rcito, em geral soldados de patentes inferiores, foram condenados por execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, realizadas entre 2002 e 2008. Apenas alguns poucos ex-comandantes de Batalh\u00f5es est\u00e3o nesse grupo. Nenhum oficial de posi\u00e7\u00e3o superior foi condenado e 16 generais est\u00e3o sendo investigados, mas sem acusa\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n<p>De acordo com os depoimentos, existiria um modus operandi nas execu\u00e7\u00f5es: as v\u00edtimas eram assassinadas em situa\u00e7\u00f5es de n\u00e3o combate, em seguida, os soldados informavam oficialmente as baixas como sendo de membros das guerrilhas, paramilitares ou delinquentes mortos em confronto. Em muitos casos, as v\u00edtimas eram atra\u00eddas para algum lugar, sob falsas promessas de emprego, quando eram ent\u00e3o executadas. Em outros epis\u00f3dios, membros do Ex\u00e9rcito sequestravam ou detinham as pessoas em locais p\u00fablicos e as transportavam para algum local onde eram assassinadas. Havia tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es em que as v\u00edtimas eram entregues aos soldados por grupos paramilitares.<\/p>\n<p>Segundo o relator especial da ONU, ap\u00f3s assassinar os falsos guerrilheiros ou paramilitares, os militares montavam uma cena para que parecesse um homic\u00eddio leg\u00edtimo ocorrido em combate. A montagem ia desde colocar armas nas m\u00e3os das v\u00edtimas a vestir os mortos com roupas associadas a guerrilheiros. Em seguida, ap\u00f3s receberem o comunicado das mortes, os superiores divulgavam na m\u00eddia como baixas de combate. Como resultado, alguns soldados eram premiados com dinheiro ou f\u00e9rias.<\/p>\n<p>O estudo aponta que havia um perfil das v\u00edtimas, eram civis em situa\u00e7\u00e3o marginalizada \u2013 menores de idade, desempregados, indigentes, viciados em drogas, deficientes mentais, pessoas com antecedentes criminais e at\u00e9 l\u00edderes comunit\u00e1rios e agricultores.<\/p>\n<p>Numerosos processos est\u00e3o no \u00e2mbito da Justi\u00e7a Penal Militar, que \u00e9 acusada de arquivar v\u00e1rios casos, n\u00e3o colaborar com a Promotoria e dificultar o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, o que tem contribu\u00eddo para a manuten\u00e7\u00e3o da impunidade.<\/p>\n<p>http:\/\/www.patrialatina.com.br\/editorias.php?idprog=969a086e0717a9b496dd0e9a50ec8010&#038;cod=15640<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (OACNUDH), a quantidade de v\u00edtimas dos falsos positivos pode chegar a 5.000 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8927\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-8927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2jZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}