{"id":893,"date":"2010-10-11T21:43:36","date_gmt":"2010-10-11T21:43:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=893"},"modified":"2010-10-11T21:43:36","modified_gmt":"2010-10-11T21:43:36","slug":"para-los-pobres-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/893","title":{"rendered":"Para los pobres, mercado"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o muitas as provas que, actualmente, demonstram a inviabilidade do capitalismo como modo de organiza\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f3mica. Um dos seus m\u00e1ximos apologistas, o economista austr\u00edaco-americano Joseph Schumpeter, gostava de argumentar que o que o caracterizava era um processo cont\u00ednuo de &#8220;destrui\u00e7\u00e3o criadora&#8221;: velhas formas de produ\u00e7\u00e3o ou de organiza\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f3mica eram substitu\u00eddas por outras num processo virtuoso e de ascens\u00e3o ininterrupta para n\u00edveis de prosperidade e bem-estar crescentes. Contudo, as duras r\u00e9plicas da hist\u00f3ria demonstram que se produziu um desequil\u00edbrio cada vez mais acentuado na equa\u00e7\u00e3o schumpeteriana, em resultado do qual os aspectos destrutivos tendem a prevalecer, cada vez com mais for\u00e7a, sobre os criativos: destrui\u00e7\u00e3o cada vez mais acelerada do meio ambiente e do tecido social; dos Estado e institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e, tamb\u00e9m, dos produtos da actividade econ\u00f3mica mediante guerra, a obsolesc\u00eancia planificada de quase todas as mercadorias e o desperd\u00edcio sistem\u00e1tico dos recursos produtivos.<\/p>\n<p>Uma prova desta inviabilidade do capitalismo, n\u00e3o a longo mas sim a m\u00e9dio prazo, \u00e9 a sua escandalosa incapacidade para resolver o problema da pobreza, temas agora se discute no \u00e2mbito da Assembleia-Geral da ONU. Apesar dos modestos objectivos colocados pelas chamadas &#8220;Metas do Mil\u00e9nio&#8221; para o ano 2015 \u2013 dentro os quais destaca-se a redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial a viver com menos de 1,25 d\u00f3lar por dia \u2013, o certo \u00e9 que nem sequer \u00eaxitos t\u00e3o austeros (para n\u00e3o dizer insignificantes) poder\u00e3o ser garantidos. De facto, se a n\u00edvel mundial se verificou uma relativa melhoria isto deve ser atribu\u00eddo \u00e0s pol\u00edticas seguidas pela China e \u00cdndia, que se afastaram consideravelmente das recomenda\u00e7\u00f5es emanadas do Consenso de Washington. Al\u00e9m disto, seria interessante que os tecnocratas do Banco Mundial e do FMI explicassem como poderia qualificar-se uma pessoa que tendo superado o fat\u00eddico limiar de 1,25 d\u00f3lar por dia ganha, por exemplo, 1,50. Deixou de ser pobre? \u00c9 por isso um &#8220;n\u00e3o pobre&#8221;? E que dizer da estabilidade dos seus mis\u00e9rrimos rendimentos num mundo onde aquelas institui\u00e7\u00f5es apregoam as virtudes da flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado laboral?<\/p>\n<p>Esta incapacidade para enfrentar um problema que afecta mais de mil milh\u00f5es de habitantes \u2013 n\u00famero que cresceria extraordinariamente si, ainda a partir de uma vis\u00e3o economicista, situ\u00e1ssemos a linha da pobreza nos 2 d\u00f3lares di\u00e1rios \u2013 torna-se motivo de esc\u00e2ndalo e abomina\u00e7\u00e3o quando se recorda a celeridade y generosidade com que os governos do capitalismo avan\u00e7ado avan\u00e7aram com centenas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares para o resgate dos grandes oligop\u00f3lios, lan\u00e7ado pela borda fora todo o palavr\u00f3rio vazio do neoliberalismo. O resgate dos grandes oligop\u00f3lios financeiros e industriais, segundo informa a Ag\u00eancia Bloomberg, de clara identifica\u00e7\u00e3o com a &#8220;comunidade de neg\u00f3cios&#8221; norte-americana, at\u00e9 finais do ano passado custava &#8220;um total de 12,8 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares, uma quantia que se aproxima muito do Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds&#8221;. Em contrapartida, a &#8220;Ajuda Oficial ao Desenvolvimento&#8221; (AOD), que havia sido fixada pela ONU nuns irris\u00f3rios 0,7 por cento do PIB dos pa\u00edses desenvolvidos, \u00e9 respeitada apenas pelos pa\u00edses escandinavos e a Holanda. Dados dos \u00faltimos anos revelam que, por exemplo, os Estados Unidos destinaram \u00e0 AOD s\u00f3 uma frac\u00e7\u00e3o do acordado: 0,17 por cento do seu PIB, ao passo que a Espanha contribu\u00eda com 0,24 e a It\u00e1lia com 0,15 por cento.<\/p>\n<p>Os principais pa\u00edses da economia mundial, agrupados no G-7, dedicaram \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional apenas 0,22 por cento do PIB. Ao contr\u00e1rio do que ocorreu com as grandes empresas oligopolistas, o &#8220;resgate&#8221; dos pobres fica nas m\u00e3os do mercado. Para os ricos h\u00e1 Estado, os pobres ter\u00e3o que desembrulhar-se com o mercado. E se aparece o Estado \u00e9 para reprimir ou desorganizar o protesto social. Algu\u00e9m disse uma vez que as crises ensinam. Tinha raz\u00e3o.<\/p>\n<p>[*] Polit\u00f3logo.<\/p>\n<p>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.pagina12.com.ar\/imprimir\/diario\/elmundo\/subnotas\/153566-49332-2010-09-22.html\" target=\"_blank\"> www.pagina12.com.ar<\/a><\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/boron_22set10.html\" target=\"_blank\"> http:\/\/resistir.info<\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\npor Atilio A. Boron [*]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/893\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-893","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-ep","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/893\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}