{"id":8996,"date":"2015-08-01T12:40:02","date_gmt":"2015-08-01T15:40:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=8996"},"modified":"2015-08-16T19:39:22","modified_gmt":"2015-08-16T22:39:22","slug":"assata-shakur-da-prisao-nos-eua-as-conquistas-sociais-e-a-liberdade-em-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8996","title":{"rendered":"Assata Shakur, da pris\u00e3o nos EUA, \u00e0s conquistas sociais e \u00e0 liberdade em Cuba"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/maxresdefault1-620x400.jpg?resize=620%2C400\" alt=\"imagem\" \/>\u201cO imperialismo \u00e9 um sistema de explora\u00e7\u00e3o internacional e n\u00f3s, como revolucion\u00e1rios, devemos ser internacionalistas para derrot\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n<p>Por Ram\u00f3n Pedregal Casanova, Resumen Latinoamericano.<\/p>\n<p>Negros del continente, al Nuevo Mundo<br \/>\nhab\u00e9is dado la sal que le faltaba:<br \/>\nsin negros no respiran los tambores<br \/>\ny sin negros no suenan las guitarras.\u201d<!--more--><\/p>\n<p>(\u201cBailando con los negros\u201d, del libro \u201cCanci\u00f3n de gesta\u201d, de Pablo Neruda.)<br \/>\nO neg\u00f3cio carcer\u00e1rio nos EUA se alimenta, sobretudo, da popula\u00e7\u00e3o negra e latina. \u00c9 um neg\u00f3cio empresarial do capitalismo, neg\u00f3cio da minoria privatista. Se antes o neg\u00f3cio era a captura de africanos e africanas para vend\u00ea-los, hoje os mesmos s\u00e3o capturados nos EUA para que o regime estadunidense pague com o dinheiro do Estado os empres\u00e1rios carcer\u00e1rios por cada afro-americano ou latino que os corpos de pol\u00edcia capturam. Depois, os negros e as negras aprisionados ter\u00e3o que trabalhar. Na pris\u00e3o, trabalham como escravos para empresas capitalistas que levam o fruto de seu trabalho. Lembra muito o que fazia o franquismo, a ditadura na Espanha, com os presos pol\u00edticos republicanos.<\/p>\n<p>O objetivo com a repress\u00e3o permanente sobre a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 isol\u00e1-la e submet\u00ea-la. Os brancos racistas controlam o aparato do regime estadunidense e um de seus numerosos bra\u00e7os desde os anos 70 do s\u00e9culo XX \u00e9 o FBI, centro de controle e terrorismo sobre a popula\u00e7\u00e3o negra, cujo objetivo priorit\u00e1rio at\u00e9 ent\u00e3o foi Martin Luther King, seguido por \u201cmilhares de ativistas por direitos civis menos proeminentes\u201d. Tudo isto aparece no \u201cinforme do Comit\u00ea Church, do Comit\u00ea Seleto do Senado para o Estudo das Opera\u00e7\u00f5es Governamentais e pelo Subcomit\u00ea de Intelig\u00eancia Interior\u201d, que se empenhavam \u201ccontra os direitos civis e humanos de todo tipo de ativistas pol\u00edticos e, de maneira muito particular, dos de ra\u00e7a negra\u201d.<\/p>\n<p>Assim, forjou-se a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas afro-americanas, levando Assata Shakur a integrar-se \u00e0s Panteras Negras. At\u00e9 ent\u00e3o, Shakur precisou fazer o caminho crescente do conhecimento, partindo da ignor\u00e2ncia causada pelo dom\u00ednio racista sobre o conjunto social.<\/p>\n<p>Em sua biografia, descobre tanto o tratamento di\u00e1rio dado pelos brancos desde a escola prim\u00e1ria aos negros e quanto \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o destes. Nele, possui grande peso a explica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica como uma engana\u00e7\u00e3o de grandes dimens\u00f5es. Na adolesc\u00eancia, come\u00e7a a desmistifica\u00e7\u00e3o de personagens como Elvis Presley, que declarava \u201cque a \u00fanica coisa que uma pessoa negra podia fazer por ele era comprar seus discos e lustrar seus sapatos\u201d. Depois, Assata soube que Elvis tinha se oferecido como informante ao FBI. Seu conhecimento da hist\u00f3ria dos EUA foi se tornando mais profundo at\u00e9 saber que aqueles que arrancavam cabeleiras eram os brancos e n\u00e3o os \u00edndios nativos, isso por um lado, e por outro como os EUA eram o invasor de toda a Am\u00e9rica do Sul, do Oriente, da Coreia e do Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Sua pr\u00f3pria vida, o contraste de ideias e o estudo foram fazendo dela uma pessoa cr\u00edtica e combativa, capaz de denunciar tudo o que contribui para a manuten\u00e7\u00e3o do regime. O conhecimento da realidade e a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o a faziam saber que existem 50 negros assassinados pela pol\u00edcia para cada policial morto. Tamb\u00e9m sabia que 90% dos presos nos EUA s\u00e3o negros e do terceiro Mundo. \u201cChamam-nos de ladr\u00f5es, por\u00e9m n\u00e3o somos n\u00f3s que roubamos bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano por meio de evas\u00e3o fiscal, tabelamento ilegal de pre\u00e7os, desfalque e fraude aos consumidores, ou com subornos, engana\u00e7\u00f5es e pagamento de comiss\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Assata levanta a voz para dizer que \u201cs\u00e3o necess\u00e1rias declara\u00e7\u00f5es positivas sobre n\u00f3s mesmos, \u00e9 preciso fazer ver o desejo de sermos livres. A cria\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Negro \u00e9 fruto das condi\u00e7\u00f5es sociais, do desejo de liberta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Assata recorda que em seus primeiros contatos teve que aprender desde o mais elementar da Hist\u00f3ria, da pol\u00edtica do momento, at\u00e9 chegar aos ensinamentos do col\u00e9gio: \u201cNo col\u00e9gio, ensinavam-nos que nos pa\u00edses comunistas trabalhava-se em minas de sal, que o povo n\u00e3o eram livre&#8230; Os africanos estremeciam, n\u00e3o sabiam quem era e n\u00e3o tinham nem ideia do que era o comunismo e, no entanto, estavam radicalmente contra. Da mesma maneira, quando voc\u00ea \u00e9 pequeno e acredita em assombra\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o tem ideia do que \u00e9, mas odeia e d\u00e1 medo&#8230;<\/p>\n<p>Ensinam-nos desde pequenos a ser contra os comunistas. Contudo, a maior parte de n\u00f3s n\u00e3o sabe nem o que \u00e9 o comunismo. S\u00f3 um idiota deixa que os demais digam quem \u00e9 seu inimigo\u201d.<\/p>\n<p>Foi aprendendo, foi mudando, foi tomando consci\u00eancia sobre a sociedade em que vivia e, assim, explica a escolha de seu nome: \u201cOs nomes de mulher n\u00e3o tinham nenhuma rela\u00e7\u00e3o com os de homem, que significavam coisas como \u2018forte, guerreiro, homem de ferro, valente\u2019, etc. Eu queria um nome que tivesse alguma rela\u00e7\u00e3o com a liberta\u00e7\u00e3o de nossa gente. Decidi por Assata Olugaba Shakur. Assata significa \u2018a que luta\u2019, Olugaba significa \u2018amor para o povo\u2019 e tomei o sobrenome Shakur por respeito \u00e0 Zayd e a sua fam\u00edlia. Shakur significa \u2018a agradecida\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Assata foi perseguida, ferida de morte pela pol\u00edcia, presa, torturada, julgada e, finalmente, declarada inocente. Ao ver que a persegui\u00e7\u00e3o racista n\u00e3o acabava, optou pelo ex\u00edlio em Cuba. A partir de ent\u00e3o, escreve sobre a import\u00e2ncia da consci\u00eancia nacional com ess\u00eancia internacionalista, pois qualquer comunidade interessada em sua pr\u00f3pria liberdade deve se interessar pela liberdade do restante. A vit\u00f3ria de qualquer povo \u00e9 a vit\u00f3ria dos oprimidos. \u201cO imperialismo \u00e9 um sistema de explora\u00e7\u00e3o internacional e n\u00f3s, como revolucion\u00e1rios, devemos ser internacionalistas para derrot\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p>Assata Olugaba Shakur agora vive em Cuba, onde comprova as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o na medicina, no ensino, alugu\u00e9is, cultura, economia, tudo nas m\u00e3os de um povo que se defende.<\/p>\n<p>Quando pergunta se existe racismo a respondem que \u201co racismo \u00e9 ilegal em Cuba\u201d e depois faz as comprova\u00e7\u00f5es pertinentes, defende que \u201co governo cubano est\u00e1 comprometido com a elimina\u00e7\u00e3o de toda forma de racismo. N\u00e3o existem institui\u00e7\u00f5es, estruturas ou organiza\u00e7\u00f5es racistas&#8230; o sistema econ\u00f4mico cubano minava o racismo, ao inv\u00e9s de contribuir com sua reprodu\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cFidel, em um discurso, falou para o povo: \u2018Todos somos afro-cubanos, dos mais p\u00e1lidos aos mais morenos\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Assata Shakur, mulher, negra e revolucion\u00e1ria. Um exemplo a ser aprendido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00edtulo: Assata Shakur. Uma autobiografia.<\/p>\n<p>Pref\u00e1cio de Angela Davis.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Ethel Odriozola e Carmen Valle.<\/p>\n<p>Editorial: Capit\u00e1n Swing.<br \/>\nFonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/07\/23\/assata-shakur-de-la-carcel-de-eeuu-a-los-logros-sociales-y-la-libertad-de-cuba\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO imperialismo \u00e9 um sistema de explora\u00e7\u00e3o internacional e n\u00f3s, como revolucion\u00e1rios, devemos ser internacionalistas para derrot\u00e1-lo.\u201d Por Ram\u00f3n Pedregal Casanova, Resumen Latinoamericano. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8996\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-8996","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c57-revolucao-cubana"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2l6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8996\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}