{"id":9029,"date":"2015-08-05T11:25:49","date_gmt":"2015-08-05T14:25:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9029"},"modified":"2017-08-24T22:48:04","modified_gmt":"2017-08-25T01:48:04","slug":"violencia-paramilitar-dificulta-processo-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9029","title":{"rendered":"Viol\u00eancia paramilitar dificulta processo de paz"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015_07_capa_e-legenda_1_reproducao.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Marcela Belchior<\/p>\n<p>Adital<\/p>\n<p>Apesar de alguns avan\u00e7os no processo de paz entre o Estado colombiano e as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc), possibilitados pela mesa de di\u00e1logo e negocia\u00e7\u00e3o de Havana, capital da Cuba, uma importante face do conflito armado permanece como <!--more-->elemento central da viol\u00eancia, repress\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico. Trata-se da presen\u00e7a paramilitar em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Den\u00fancias de organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos indicam que s\u00e3o esses grupos os respons\u00e1veis por muitos casos de assassinato, extors\u00e3o, controle social e econ\u00f4mico, implicando, diretamente, na dificuldade de supera\u00e7\u00e3o do confronto entre o Estado e as for\u00e7as insurgentes.<\/p>\n<p>No Departamento de Putumayo, por exemplo, sudoeste do pa\u00eds, apesar da desmobiliza\u00e7\u00e3o oficial do paramilitarismo, em 2006, unidades paramilitares permanecem dedicadas, especialmente, a protegerem o narcotr\u00e1fico. Den\u00fancias apontam que um dos grandes chefes do tr\u00e1fico de drogas na zona Carlos Mario Jim\u00e9nez (conhecido como Macaco) comprou, ainda em 2002, a &#8220;franquia\u201d paramilitar da \u00e1rea, buscando benef\u00edcios para o crime organizado e mantendo em pleno funcionamento o narcotr\u00e1fico e a pistolagem.<\/p>\n<p>No ano de 2014, grupos paramilitares da regi\u00e3o de Putumayo passaram a recrutar jovens por meio da oferta de drogas. Em maio deste ano, um grupo armado a paisana atacou uma comunidade ind\u00edgena justamente na \u00e1rea onde s\u00e3o instaladas opera\u00e7\u00f5es empresariais petroleiras, denunciadas por afetarem a popula\u00e7\u00e3o local, com a multinacional Gran Tierra, do Canad\u00e1.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Departamento de Meta, h\u00e1 den\u00fancias de que, no munic\u00edpio de El Castillo, os paramilitares exercem, desde 2013, o controle social e econ\u00f4mico das zonas urbana e rural, vestidos com uniformes militares, com roupas de civis e munidos de armas e r\u00e1dios. Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos apontam que os grupos atuam de maneira aberta, extorquindo comerciantes e fazendeiros locais.<\/p>\n<p>Nessa regi\u00e3o do pa\u00eds, os paramilitares t\u00eam exigido da popula\u00e7\u00e3o informa\u00e7\u00f5es sobre o paradeiro da guerrilha, nomes de l\u00edderes das comunidades e de ex-integrantes do Partido Comunista, al\u00e9m de perseguirem quem \u00e9 membro de igrejas diferentes da Cat\u00f3lica. Da mesma forma, controlam os roubos e a venda de maconha para usu\u00e1rios e guerrilheiros. A presen\u00e7a da estrutura paramilitar tamb\u00e9m converge com o avan\u00e7o do processo de instala\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de perfura\u00e7\u00e3o petroleira.<\/p>\n<p>Ainda no Departamento de Meta, o munic\u00edpio de Mapirip\u00e1n vive um contexto no qual estruturas paramilitares controlam o tr\u00e1fego de ve\u00edculos e de pessoas na regi\u00e3o, abrindo caminho para as atividades da empresa \u00edtalo-espanhola Poligrow, que desenvolve a monocultura de Palma na zona. Na regi\u00e3o, h\u00e1 presen\u00e7a policial e uma base do Ex\u00e9rcito colombiano, que, segundo organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, n\u00e3o fazem qualquer tipo de frente \u00e0s opera\u00e7\u00f5es ilegais paramilitares.<\/p>\n<p>Viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos<\/p>\n<p>\u00c9 na cidade de Buenaventura, Departamento de Valle, que s\u00e3o registrados mais casos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e deslocamentos for\u00e7ados em todo o pa\u00eds. A maioria dessas viola\u00e7\u00f5es \u00e9 atribu\u00edda aos grupos neoparamilitares, sucessores daqueles que foram desmobilizados no in\u00edcio dos anos 2000. Na regi\u00e3o, v\u00e1rios desses grupos disputam o controle da cidade e atuam ao lado das for\u00e7as p\u00fablicas para garantirem a usurpa\u00e7\u00e3o de bens a partir da remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da popula\u00e7\u00e3o, manterem o controle social e territorial para o tr\u00e1fico de drogas e favorecerem o investimento empresarial estrangeiro na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Na zona urbana de Buenaventura, foram tra\u00e7adas fronteiras imagin\u00e1rias, que restringem a mobilidade dos habitantes, por meio de chantagem, extors\u00e3o e amea\u00e7a, acentuadas nos \u00faltimos meses. Segundo a organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch (HRW), dos Estados Unidos, os grupos paramilitares vigiam a movimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pelos bairros; em caso de suspeita de vincula\u00e7\u00e3o com grupos rivais, os moradores podem sofrer desaparecimento for\u00e7ado ou, at\u00e9 mesmo, serem assassinados. &#8220;Em v\u00e1rios bairros, os residentes denunciam que existem \u2018casas de pique\u2019, onde os grupos esquartejam suas v\u00edtimas\u201d, aponta a entidade de direitos humanos.<\/p>\n<p>Segundo a Defensoria P\u00fablica (&#8216;Defensoria de Pueblo&#8217;) da regi\u00e3o, somente entre outubro e novembro de 2012, houve oito deslocamentos for\u00e7ados motivados pela intensifica\u00e7\u00e3o do confronto armado entre grupos paramilitares, afetando seis bairros, 1.500 fam\u00edlias e 5.000 pessoas. O \u00f3rg\u00e3o indica que, desde 2011, Buenaventura tem sido o munic\u00edpio colombiano que sofre com mais deslocamentos for\u00e7ados: 22.028 residentes abandonaram seus lares, em 2011, 15.191, em 2012, e 13.468, entre janeiro e outubro de 2013. Al\u00e9m disso, l\u00e1 foram registrados 35 casos de tentativas de recrutamento de jovens entre 17 e 15 anos de idade, somente no ano de 2013, por meio da oferta de drogas e de t\u00e9cnicas de terror e intimida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entenda o paramilitarismo<\/p>\n<p>O paramilitarismo \u00e9 uma estrat\u00e9gia estatal contrainsurgente, preconizada a partir dos Estados Unidos e cofinanciada pelas multinacionais. Funciona como ferramenta de terrorismo de Estado para combater a organiza\u00e7\u00e3o armada anarco-sindicalista, operando por meio de saques, extors\u00f5es, assassinatos, controle econ\u00f4mico e ideol\u00f3gico, dentre outros recursos ilegais pra reprimirem e submeterem a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com isso, os paramilitares debilitam e eliminam a oposi\u00e7\u00e3o armada, como as for\u00e7as insurgentes guerrilheiras, que v\u00eam atuando por meio de uma guerra contra o Estado, em nome de trabalho, sa\u00fade, moradia, educa\u00e7\u00e3o, terra, democracia, justi\u00e7a e dignidade para os povos.<\/p>\n<p>Os grupos paramilitares s\u00e3o recrutados e apoiados pelo Estado da Col\u00f4mbia, com recursos econ\u00f4micos e militares, treinamento, prote\u00e7\u00e3o e impunidade garantidos. Muitas vezes, recrutam membros em comunidades tradicionais, como as ind\u00edgenas, que s\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0s hist\u00f3ricas condi\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o econ\u00f4mica e social, buscando no paramilitarismo um caminho para sa\u00edrem desse contexto.<\/p>\n<p>Sua motiva\u00e7\u00e3o s\u00e3o promessas do governo de recursos econ\u00f4micos, muitas vezes disfar\u00e7ados em programas de benef\u00edcio \u00e0s comunidades.<\/p>\n<p>http:\/\/site.adital.com.br\/site\/noticia.php?lang=PT&#038;cod=85951&#038;langref=PT&#038;cat=<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marcela Belchior Adital Apesar de alguns avan\u00e7os no processo de paz entre o Estado colombiano e as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc), \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9029\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-9029","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2lD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9029"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9029\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}