{"id":9031,"date":"2015-08-05T11:34:19","date_gmt":"2015-08-05T14:34:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9031"},"modified":"2015-08-16T19:39:12","modified_gmt":"2015-08-16T22:39:12","slug":"analfabetismo-funcional-opressao-de-classe-e-exploracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9031","title":{"rendered":"Analfabetismo funcional, opress\u00e3o de classe e explora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"264\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogconvergencia.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/escola-620x264.jpg?resize=620%2C264\" alt=\"imagem\" \/><b>Diego Braga<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o se pode dizer que a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria do letramento no Brasil seja alarmante. Afinal, alarmante \u00e9 o problema que chama aten\u00e7\u00e3o por ser uma surpresa. Todos, at\u00e9 mesmo os que o negam, sabem que o n\u00famero de analfabetos no pa\u00eds \u00e9 gritante. Alguns reconhecem que o de analfabetos funcionais \u00e9 muito maior*. Mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior do que muitos imaginam. Para ter no\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o de sua gravidade, comecemos examinando o que caracteriza o analfabetismo funcional.<!--more--><\/p>\n<p>Os <em>analfabetos funcionais<\/em> ou <em>parcialmente alfabetizados<\/em> se dividem em duas categorias. Os <em>alfabetizados em n\u00edvel rudimentar<\/em> (ou analfabetos funcionais de n\u00edvel 1) conseguem identificar a maior parte das palavras na forma escrita e localizar informa\u00e7\u00e3o simples em microtextos, mas apenas se a informa\u00e7\u00e3o for expl\u00edcita. T\u00eam dificuldades em produzir enunciados escritos maiores ou mais complexos que frases em bilhetes, pequenas mensagens de texto em meios virtuais ou cart\u00f5es de natal, por exemplo, listas de informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas e respostas curtas. Ainda assim, mesmo ao redigir pequenos enunciados produzem uma escrita com graves problemas de coer\u00eancia e de clareza.<\/p>\n<p><em>Alfabetizados em n\u00edvel b\u00e1sico<\/em> (analfabetos funcionais de n\u00edvel 2) leem e compreendem boa parte dos textos simples de tamanho pequeno, nos quais s\u00e3o capazes de localizar informa\u00e7\u00f5es simples, mesmo que impl\u00edcitas. Em textos de tema mais complicado deste mesmo tamanho, contudo, t\u00eam muita dificuldade de depreender informa\u00e7\u00f5es complexas n\u00e3o expl\u00edcitas ou resumir as ideias essenciais apresentadas. Ou seja, n\u00e3o conseguem interpretar com compet\u00eancia satisfat\u00f3ria textos sen\u00e3o de assuntos cotidianos. Assuntos densos lhes devem ser expostos em linguagem dilu\u00edda. Ao escrever, conseguem produzir no m\u00e1ximo pequenas reda\u00e7\u00f5es com tema simples. S\u00e3o quase sempre incapazes expressar ideias complexas por escrito ou de sintetizar textualmente informa\u00e7\u00f5es colhidas de fontes diversas. T\u00eam muita dificuldade em produzir par\u00e1frases de informa\u00e7\u00f5es ou argumentos, mesmo dos de m\u00e9dia complexidade. No geral, n\u00e3o t\u00eam h\u00e1bito de leitura. Embora possam esporadicamente atravessar livros de leitura f\u00e1cil \u2013 ou ler com regularidade passagens curtas da B\u00edblia e de outros textos complexos, em geral com pouco entendimento \u2013 via de regra consideram cansativo ou inc\u00f4modo ter de ler qualquer texto que n\u00e3o seja curto e \u00f3bvio.<\/p>\n<p><em>Plenamente alfabetizado<\/em> (alfabetiza\u00e7\u00e3o em n\u00edvel 3) \u00e9 quem consegue ler e compreender, depreender informa\u00e7\u00e3o impl\u00edcita e resumir o sentido geral da maior parte dos textos de qualquer tamanho e grau de complexidade. Os que o s\u00e3o, t\u00eam o h\u00e1bito da leitura, o que no Brasil significa uma m\u00e9dia de 4 a 6 livros por ano. Conseguem expressar com razo\u00e1vel clareza e coer\u00eancia a maior parte de suas ideias e t\u00eam capacidade de produzir textos de qualquer tamanho que sintetizem ideias e informa\u00e7\u00f5es colhidas em diversas fontes.<\/p>\n<p>Antes de continuar a ler, firme-se na cadeira e respire fundo. Os dados, apesar de n\u00e3o serem novos, n\u00e3o deixam de apavorar. Segundo o Inaf \u2013 Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional \u2013 publicado em\u00a02012 (IPM; EA, 2012), o n\u00famero de pessoas plenamente alfabetizadas com o ensino m\u00e9dio completo \u00e9 de apenas 35%. Ou seja, 65% dos estudantes brasileiros considerados aptos a entrar na universidade s\u00e3o ou analfabetos ou \u2013 a maioria, provavelmente \u2013 analfabetos funcionais de n\u00edvel 1 e 2. Assustado? Entre estudantes de n\u00edvel superior completo a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 catastr\u00f3fica. Esta \u201celite intelectual\u201d do pa\u00eds, que era de 7,9% do total da popula\u00e7\u00e3o em 2010**, segundo os n\u00fameros oficiais, utilizados pelo MEC (2012) como se fosse uma propaganda positiva, tem no seu contingente um total assustador de 48% de analfabetos funcionais (a maioria, talvez, em n\u00edvel 2, mas aqui tudo \u00e9 poss\u00edvel!). Ou seja, quase metade das pessoas que concluem n\u00edvel superior no Brasil n\u00e3o dominam plenamente a escrita e a leitura de textos mais longos ou complexos. Grosso modo, metade dos trabalhadores mais qualificados n\u00e3o \u00e9 plenamente alfabetizada neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esta cat\u00e1strofe \u00e9 pol\u00edtica e fruto de longos e longos anos de descaso, privatiza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. A fabrica\u00e7\u00e3o de analfabetos funcionais com diploma come\u00e7a no ensino fundamental, onde as condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o prec\u00e1rias, os professores ganham um sal\u00e1rio humilhante, para dizermos o m\u00ednimo, e as crian\u00e7as n\u00e3o contam com infraestrutura did\u00e1tico-pedag\u00f3gica elementar. Nas escolas privadas, salvo as de elite, acess\u00edveis a pouqu\u00edssimas rendas, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o muda ou muda pouco. No ensino m\u00e9dio, em geral, o drama segue, quando n\u00e3o piora, tanto no setor p\u00fablico como no privado. A prolifera\u00e7\u00e3o de \u201cuniesquinas\u201d, universidades que brotam pelos pr\u00e9dios comerciais das cidades como cogumelos depois da chuva, institutos de ensino \u201csuperior\u201d que fabricam bachar\u00e9is a toque de caixa e a pre\u00e7os alt\u00edssimos (pela qualidade do servi\u00e7o oferecido), aliada ao sucateamento da universidade p\u00fablica, \u00e9 respons\u00e1vel pelo elo final da cadeia de produ\u00e7\u00e3o de iletrados diplomados. Depois de mais de 12 anos de governos do PT, continuando a pol\u00edtica do PSDB, a situa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira segue tr\u00e1gica, ainda que a p\u00e1tria, para fins de propaganda, se autoproclame \u201ceducadora\u201d.<\/p>\n<p>Em tal quadro, professores de portugu\u00eas e literatura enfrentam uma realidade pelo menos horripilante. \u00c9 a rigor imposs\u00edvel cumprir as metas mais elementares. Conforme se avan\u00e7a no ensino, ou melhor, nos anos do sistema de ensino, maior a dist\u00e2ncia entre o que se deveria ensinar e o que os alunos, na verdade, ainda precisam aprender. Um amigo meu, professor \u201cde filosofia\u201d da rede p\u00fablica, disse que, em suas aulas, em vez de ler Plat\u00e3o com seus alunos, tentava apenas lhes ensinar a ler ao menos palavras e frases simples. E ele, como licenciado em filosofia, n\u00e3o tinha forma\u00e7\u00e3o de alfabetizador. A tarefa, n\u00e3o precisamos ter muita imagina\u00e7\u00e3o, est\u00e1 condenada ao fracasso. Surgir\u00e1 dela mais uma gera\u00e7\u00e3o de jovens a que se negou o direito b\u00e1sico da educa\u00e7\u00e3o plena. Ofereceu-se, em vez deste direito, quando muito, um canudo de papel.<\/p>\n<p>O objetivo de formar diplomados semianalfabetos \u00e9, al\u00e9m de produzir estat\u00edsticas parciais alarde\u00e1veis, inundar o mercado de trabalho especializado com trabalhadores \u201cqualificados\u201d que servir\u00e3o, como ex\u00e9rcito desempregado de m\u00e3o de obra reserva, apenas para baixar a m\u00e9dia salarial geral do trabalhador qualificado empregado. Nessa bola de neve, a cada gera\u00e7\u00e3o, quem estuda mais recebe um sal\u00e1rio menor, porque, como se diz: \u201ch\u00e1 muita gente desempregada com diploma por a\u00ed. Se n\u00e3o quiser este sal\u00e1rio, tem quem queira\u201d. Some-se a isso o fato de que as vagas de empregos que exigem qualifica\u00e7\u00e3o superior v\u00eam diminuindo proporcionalmente no Brasil. Os governos do PT criaram empregos? \u00c9 claro. Mas a maioria esmagadora destes empregos criados paga at\u00e9 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos. \u00c9 trabalho n\u00e3o qualificado. Estes trabalhadores, agora, sofrem com as demiss\u00f5es. A \u201calegria\u201d do trabalho, mesmo do mal pago e desqualificado, durou pouco. Assim, ano ap\u00f3s ano, os jovens perdem o est\u00edmulo para estudar: ou n\u00e3o encontrar\u00e3o vagas para exercer as profiss\u00f5es para as quais \u201cse qualificaram\u201d, muitas vezes pagando muito caro por isso, ou encontrar\u00e3o trabalho, mas receber\u00e3o sal\u00e1rios cada vez mais desmoralizadores. Os \u00fanicos a sorrir nesta hist\u00f3ria s\u00e3o os patr\u00f5es, lucrando progressivamente mais com os sal\u00e1rios continuamente menores que pagam.<\/p>\n<p>Como professor, lamento, mas me esfor\u00e7o ao m\u00e1ximo, junto com meus alunos, para superar estes enormes desafios. Contudo, \u00e9 preciso reconhecer que tal supera\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e ir al\u00e9m dos estreit\u00edssimos limites de medidas pedag\u00f3gicas ou administrativas. N\u00e3o se trata de um problema did\u00e1tico ou de gest\u00e3o, embora o professor de portugu\u00eas tenha a obriga\u00e7\u00e3o de se esfor\u00e7ar didaticamente para ensinar t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de reda\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o a alunos que n\u00e3o raro mal conseguem redigir um \u00fanico par\u00e1grafo com clareza. Nossa indigna\u00e7\u00e3o cresce ao ver que muitos destes alunos n\u00e3o t\u00eam sequer ideia da sua condi\u00e7\u00e3o de semianalfabetos ou analfabetos funcionais. Acham que tal condi\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada aos moradores dos bols\u00f5es rurais de pobreza. Iludidos pelas estat\u00edsticas hasteadas pelos governos, que apontam o aumento de diplomados com n\u00edvel superior, alguns acreditam, por frequentarem bancos de universidades ou do ensino m\u00e9dio, que s\u00e3o alfabetizados plenamente. Quando descobrem o tamanho do logro em que os enredaram, sua revolta \u00e9 n\u00e3o somente esperada, mas necess\u00e1ria. O que mais me corta o cora\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 ver que muitos deles trabalham o dia inteiro para ganhar um magro sal\u00e1rio, do qual boa parte \u00e9 subtra\u00edda para pagar uma escola ou universidade incapaz de produzir o m\u00ednimo: um usu\u00e1rio da escrita, porque para ser \u201ccompetitiva\u201d no mercado de educa\u00e7\u00e3o (que no Brasil tem a balb\u00fardia pr\u00f3pria das feiras) a empresa escolar ou universit\u00e1ria precisa formar r\u00e1pido e a baixo custo. Baixo custo para o dono da empresa, n\u00e3o para o \u201ccliente\u201d, que fique claro.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica, a raiz do problema de que s\u00e3o v\u00edtimas, parece \u00e0 maioria destes jovens e adultos semiletrados algo distante, que n\u00e3o entendem, e portanto suspeito. Creem, distorcidamente, que <em>eles l\u00e1 em Bras\u00edlia<\/em> fazem pol\u00edtica, <em>mas n\u00f3s, aqui, pegando o \u00f4nibus para o trabalho<\/em>, n\u00e3o. Iludem-se de que \u00e9 poss\u00edvel para qualquer pessoa \u201cn\u00e3o participar da pol\u00edtica\u201d, porque s\u00e3o levados pelos jornais, pela TV e pelos ide\u00f3logos a servi\u00e7o da ordem dominante a pensar que pol\u00edtica se limita a digitar n\u00fameros e apertar o bot\u00e3o verde, vermelho ou branco a cada dois anos, ou \u00e0 lama que jorra \u00e0 farta das sedes de todos os governos e dos parlamentos, estas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas gangrenadas, que n\u00e3o t\u00eam salva\u00e7\u00e3o. Pretender n\u00e3o se envolver com pol\u00edtica j\u00e1 \u00e9 uma postura pol\u00edtica. E, acreditem, \u00e9 a postura que eles querem que n\u00f3s tenhamos: participar votando individualmente, isolados numa cabine, a cada dois anos, sem nos envolvermos com as decis\u00f5es de fato. Assim, dividem nossa for\u00e7a pol\u00edtica em um monte de dedos individuais que apertam bot\u00f5es \u00e0s escondidas. Dif\u00edcil imaginar maneira mais eficaz de destruir a for\u00e7a pol\u00edtica de uma classe inteira que reduzir sua participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 a\u00e7\u00e3o individual isolada a cada dois anos, escondida atr\u00e1s de um papel\u00e3o com bras\u00e3o federal.<\/p>\n<p>Na verdade, pol\u00edtica, tamb\u00e9m a fazemos n\u00f3s, todo dia. Como raiz do problema, a pol\u00edtica \u00e9 o \u00fanico \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o humana em que estes alunos \u2013 vitimados pelos governos ao batalharem por diplomas que talvez n\u00e3o consigam ler \u2013 poderiam se engajar para canalizar sua indigna\u00e7\u00e3o e vencer a demanda de toda a classe trabalhadora, que padece de analfabetismo em suas camadas mais proletarizadas. Saber que existem jovens e adultos que tanto sofrem para ler ou escrever pequenos textos assim, alheios \u00e0 \u00fanica possibilidade de solucionarem o seu problema, \u00e9 entristecedor. Principalmente quando se sabe que s\u00f3 confiando em nossas pr\u00f3prias for\u00e7as resolveremos o problema que assola a n\u00f3s, que vivemos de sal\u00e1rio, problema de que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas parte. A passividade pol\u00edtica, que s\u00f3 serve para conservar a ordem de coisas tal como est\u00e1, \u00e9 mais uma das condi\u00e7\u00f5es opressivas sob as quais vivem tantos jovens e trabalhadores, condi\u00e7\u00e3o gerada pela aliena\u00e7\u00e3o que surge de serem explorados em troca de sal\u00e1rio, pela car\u00eancia de cultura, pela ideologia de competi\u00e7\u00e3o individualista inerente a qualquer sociedade estruturada em torno das leis irracionais do mercado e, tamb\u00e9m, pelo analfabetismo ou semianalfabetismo, etc.<\/p>\n<p>No entanto, alguns destes jovens e adultos podem ser, inclusive, meus pr\u00f3prios alunos. E quando estou em sala de aula e olho em cada rosto, percebo neles, tamb\u00e9m, contraditoriamente, uma enorme disposi\u00e7\u00e3o para lutar e enfrentar os problemas. Enxergo, sobretudo nos mais jovens, uma imensid\u00e3o de sonhos, os mais variados e bonitos, sobre como ser\u00e1 o amanh\u00e3. Fito a mim mesmo em cada um deles quando, na tela crua do que todos somos hoje, desenham-se as flores de uma primavera nunca antes vista. E ela chegar\u00e1, se depender de n\u00f3s. Consigo entrever, em suas reda\u00e7\u00f5es, ainda que por vezes n\u00e3o t\u00e3o bem redigidas, que seus cora\u00e7\u00f5es pulsam, cheios de uma vontade imensa de gozar os direitos \u00e0 vida, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o plena e aos sonhos, que suas cabe\u00e7as pensam e fazem planos, e que s\u00e3o capazes de aprender tudo, bem como de descobrir coisas novas, desde que lhes sejam dadas as chances e as condi\u00e7\u00f5es. S\u00e3o inteligentes e esfor\u00e7ados, brilhantes, capazes e inspiradores. Principalmente quando come\u00e7am a reivindicar, conforme as mar\u00e9s da hist\u00f3ria novamente ficam altas, o papel que nos cabe de reconstruir a sociedade em novas bases, de tomar o destino em nossas pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n<p>Escrevo isto em agradecimento aos meus caros alunos, que me enchem de esperan\u00e7a e me inspiram com a for\u00e7a que guardam em si, de conjunto, apesar de todos os obst\u00e1culos que enfrentam todo dia. Embora costume eu ficar de frente para voc\u00eas nas aulas, n\u00e3o se enganem: estamos do mesmo lado nesta batalha e nas que vir\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Os \u00faltimos n\u00fameros do IBGE indicavam 20,3% de analfabetos funcionais sobre o total da popula\u00e7\u00e3o em 2009. (IBGE, 2009)<\/p>\n<p>**O MEC alardeia propaganda sobre o aumento da quantidade de diplomados em n\u00edvel superior, mas faz vistas grossas \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 implicada no modelo de expans\u00e3o universit\u00e1ria aplicado, que deteriorou o ensino superior.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios.<br \/>\nTabela extra\u00edda das S\u00edntese de Indacadores Sociais. 2009.\u00a0Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/seriesestatisticas.ibge.gov.br\/series.aspx?no=4&amp;op=0&amp;t=taxa-analfabetismo-funcional.&amp;vcodigo=PD384&gt;, acesso em 12\/06\/2015<\/p>\n<p>IPM (Instituto Paulo Montenegro); EA (Educa\u00e7\u00e3o Ativa).\u00a0Inaf 2011\/2012 \u2013 Instituto Paulo Montenegro e A\u00e7\u00e3o Educativa mostram evolu\u00e7\u00e3o do alfabetismo funcional na \u00faltima d\u00e9cada.\u00a02012. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/www.ipm.org.br\/pt-br\/programas\/inaf\/relatoriosinafbrasil\/Paginas\/inaf2011_2012.aspx&gt;, acesso em 13\/06\/2015.<\/p>\n<p>MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o).\u00a0N\u00famero de brasileiros com gradua\u00e7\u00e3o cresce 109,83% em 10 anos. 2012. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_content&amp;id=17725&gt;, acesso em 13\/06\/2015<\/p>\n<blockquote data-secret=\"zQVWIDI5iw\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4687\">O novo que nasce velho<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4687\/embed#?secret=zQVWIDI5iw\" data-secret=\"zQVWIDI5iw\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;O novo que nasce velho&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Diego Braga N\u00e3o se pode dizer que a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria do letramento no Brasil seja alarmante. 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