{"id":9054,"date":"2015-08-08T19:50:40","date_gmt":"2015-08-08T22:50:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9054"},"modified":"2015-08-15T18:33:57","modified_gmt":"2015-08-15T21:33:57","slug":"cunhal-e-o-anti-imperialismo-a-proposito-da-grecia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9054","title":{"rendered":"Cunhal e o anti-imperialismo: a prop\u00f3sito da Gr\u00e9cia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/grecia\/imagens\/cunhal.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>Rumo<i> \u00e0 Vit\u00f3ria, <\/i>Cunhal escrevia que &#8220;h\u00e1 antifascistas que defendem que o movimento democr\u00e1tico portugu\u00eas jogue j\u00e1 hoje na carta do Mercado Comum, prometendo aos monop\u00f3lios alem\u00e3es, franceses, e italianos, todas as facilidades e vantagens ap\u00f3s o derrubamento da ditadura fascista&#8221; . <!--more-->A precis\u00e3o milim\u00e9trica com que este plano se cumpriu nos anos que se seguiram ao 25 de Abril, quando estes tais &#8220;antifascistas&#8221; se transformaram no PS e no PPD, \u00e9 assombrosa. Como assombrosa \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o, que veio a fazer dois anos mais tarde, de que &#8220;a admitir-se a sobreviv\u00eancia no essencial do aparelho de Estado fascista, as liberdades estariam desde o in\u00edcio amea\u00e7adas, e n\u00e3o deixariam de ser violadas e suprimidas pelo mesmo aparelho de Estado, no dia em que as classes que efectivamente continuariam a dominar esse aparelho sentissem amea\u00e7ados os seus interesses&#8221; .<\/p>\n<p>Estes dois ensinamentos de Cunhal t\u00eam uma aplica\u00e7\u00e3o evidente ao caso grego. S\u00e3o os dois elementos fundamentais que constituem o caso grego, sem os quais nada do que na Gr\u00e9cia se passa seria minimamente leg\u00edvel para quem observa o desenrolar dos acontecimentos. Por um lado, as &#8220;facilidades e vantagens&#8221; dadas pela burguesia grega aos monop\u00f3lios alem\u00e3es dentro do seu pa\u00eds, e a fus\u00e3o operada entre os interesses da burguesia grega e os do imperialismo, que reservaram \u00e0 primeira um estatuto de s\u00f3cia menor e a absoluta \u2013 e definitiva \u2013 aus\u00eancia de um papel hist\u00f3rico a cumprir. A Gr\u00e9cia vive hoje num estatuto em que &#8220;cada d\u00f3lar, cada libra, cada marco [e hoje em dia, sobretudo, cada euro] investido no pa\u00eds \u00e9 mais uma vergonhosa corrente amarrada \u00e0 independ\u00eancia&#8221; nacional e em que a burguesia grega e o imperialismo alem\u00e3o, os tais &#8220;g\u00e9meos siameses unidos n\u00e3o pelas costas mas pela barriga&#8221; , na divertida e esclarecedora met\u00e1fora de Cunhal, agem concertadamente para explorar e oprimir os trabalhadores da Gr\u00e9cia. Sendo que o fazem \u2013 e aqui estamos no segundo e crucial ponto \u2013 porque disp\u00f5em de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f3mica, diplom\u00e1tica, e quando for preciso policial e militar, para vibrar sobre os trabalhadores gregos as mais violentas agress\u00f5es. Ainda no Cunhal n\u00e3o podia ser mais esclarecedor sobre este ponto: &#8220;o dom\u00ednio imperialista estrangeiro (\u2026) cria uma dificuldade suplementar para a liberta\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas: \u00e9 a for\u00e7a econ\u00f3mica, diplom\u00e1tica, e militar, que est\u00e1 por detr\u00e1s dos monop\u00f3lios estrangeiros&#8221; .<\/p>\n<p>Com essa for\u00e7a econ\u00f3mica, diplom\u00e1tica e militar, o di\u00e1logo \u00e9 de tal modo imposs\u00edvel que a sua proposta \u00e9 j\u00e1 rid\u00edcula. N\u00e3o se negoceia com o imperialismo. N\u00e3o se conversa com o imperialismo. N\u00e3o se leva o imperialismo pela m\u00e3o, com bons modos e palavras doces, a moderar-se e a portar-se bem. A mera enuncia\u00e7\u00e3o desta proposta \u00e9 j\u00e1 um disparate que seria c\u00f3mico, n\u00e3o fosse arrastar atr\u00e1s de si o drama e o sofrimento de milh\u00f5es de pessoas: &#8220;Lenine alertava contra quaisquer ilus\u00f5es que pudessem existir acerca da possibilidade de realizar a revolu\u00e7\u00e3o socialista se o proletariado e as classes oprimidas se limitasse a tomar conta do aparelho de Estado, cuidando poder utiliz\u00e1-lo contra a burguesia. Em conformidade com tal conclus\u00e3o, indicava ao proletariado russo e ao seu partido uma tarefa capital para a conquista do poder pelos trabalhadores: a destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas e a constru\u00e7\u00e3o de um novo Estado, dum Estado dos oper\u00e1rios e camponeses que, sob a direc\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria, quebrasse a resist\u00eancia decerto encarni\u00e7ada da burguesia, suprimisse a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, pusesse termo \u00e0 divis\u00e3o da sociedade em classes, assegurasse a transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade capitalista em sociedade socialista. Tal \u00e9 a ess\u00eancia da ditadura do proletariado&#8221; . A que dist\u00e2ncia long\u00ednqua de compreender esta evid\u00eancia, que \u00e9 v\u00e1lida por maioria de raz\u00e3o para as institui\u00e7\u00f5es internacionais de Estados burgueses tanto como para os Estados nacionais individualmente consideradas, se encontra o Syriza e o seu Governo!<\/p>\n<p>\u00c9 de uma evid\u00eancia que se mete pelos olhos adentro que a incompreens\u00e3o destes dois fen\u00f3menos, a natureza de classe da Uni\u00e3o Europeia e a necessidade premente da liberta\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia do dom\u00ednio imperialista, s\u00e3o a base fundamental da trai\u00e7\u00e3o do Syriza. Proponente de um programa pol\u00edtico pequeno-burgu\u00eas, reformista, de UE sim mas menos bruta na agress\u00e3o do povo, programa rid\u00edculo e materialmente inexequ\u00edvel, Tsipras e o Syriza (tirando certas frac\u00e7\u00f5es do Syriza que come\u00e7am a rebelar-se) mostrou precisar, com urg\u00eancia, de revisitar estes textos de \u00c1lvaro Cunhal. Muito teria a aprender com eles e ainda com um outro, onde \u00e9 dito que &#8220;esta corrente ideol\u00f3gica do radicalismo pequeno-burgu\u00eas manifesta-se, por um lado, na cria\u00e7\u00e3o de grupos ou partidos pequeno-burgueses de &#8220;op\u00e7\u00e3o socialista&#8221; e de verbalismo esquerdista; por outro, &#8221; . O sublinhado \u00e9 meu, por esta frase captar como nenhuma outra a consequ\u00eancia nefasta da influ\u00eancia do Syriza no seio do proletariado grego: o semear de ilus\u00f5es reformistas, a revis\u00e3o dos princ\u00edpios centrais da ideologia do proletariado, o desarmamento ideol\u00f3gico da classe, o seu encaminhar para a derrota. Cunhal seria um precioso aux\u00edlio para os trabalhadores gregos se libertarem da esc\u00f3ria revisionista que o encaminha para becos sem sa\u00edda. Que o seus ensinamentos sejam colhidos, na pr\u00e1tica da luta, por esses trabalhadores.<\/p>\n<p>(1) Cunhal, \u00c1lvaro \u2013 . 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es Avante, 1979, p. 93.<br \/>\n(2) Cunhal, \u00c1lvaro \u2013 . Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es Avante, 1977, p. 26. Escrito em 1967, este texto n\u00e3o consta das Obras Escolhidas do autor relativas ao per\u00edodo de 1967-74.<br \/>\n(3) Rumo \u00e0 Vit\u00f3ria, p. 93.<br \/>\n(4) Rumo \u00e0 Vit\u00f3ria, p. 87.<br \/>\n(5) Rumo \u00e0 Vit\u00f3ria, p. 86.<br \/>\n(6) A Quest\u00e3o do Estado\u2026, p. 12.<br \/>\n(7) Cunhal, \u00c1lvaro \u2013 . In Obras Escolhidas, vol. IV, Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es Avante, 2013, p. 462. <b>O original encontra-se em <\/b><b> <\/b><b>Este artigo encontra-se em <\/b><b> .<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rumo \u00e0 Vit\u00f3ria, Cunhal escrevia que &#8220;h\u00e1 antifascistas que defendem que o movimento democr\u00e1tico portugu\u00eas jogue j\u00e1 hoje na carta do Mercado Comum, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9054\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[107],"tags":[],"class_list":["post-9054","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c120-grecia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2m2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9054"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9054\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}