{"id":9069,"date":"2015-08-13T20:47:36","date_gmt":"2015-08-13T23:47:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9069"},"modified":"2015-08-26T00:01:41","modified_gmt":"2015-08-26T03:01:41","slug":"o-caso-de-miguel-angel-beltran-terrorismo-de-estado-em-tres-atos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9069","title":{"rendered":"O caso de Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n: Terrorismo de estado em tr\u00eas atos"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Miguel-%C3%81ngel-Beltr%C3%A1n.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Por Ren\u00e1n Vega Cantor \/ Resumen Latinoamericano \/ LaHaine \/7 de agosto de 2015 \u2013 O aparato jur\u00eddico colombiano funciona perfeitamente quando se trata de castigar trabalhadores, camponeses, estudantes&#8230;<!--more--><\/p>\n<p>Em 18 de dezembro de 2014, a Se\u00e7\u00e3o Penal do Tribunal Superior de Bogot\u00e1 condenou em segunda inst\u00e2ncia o professor e pesquisador Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n a 100 meses de pris\u00e3o, acusando-o do delito de rebeli\u00e3o. Em 31 de julho passado, foi detido e conduzido ao Pres\u00eddio de La Picota, em Bogot\u00e1. Este evento rubrica um sistem\u00e1tico processo de persegui\u00e7\u00e3o contra um intelectual cr\u00edtico durante os \u00faltimos seis anos, em que o Estado e seus diversos \u00f3rg\u00e3os deram mostras do que significa o terrorismo oficial e trazem a certeza do dito popular de que \u201ca justi\u00e7a \u00e9 para os de terno\u201d. Analisemos tr\u00eas atos desta persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Primeiro ato: sequestro no M\u00e9xico<\/b><\/p>\n<p>Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n encontrava-se h\u00e1 nove meses no M\u00e9xico desenvolvendo seus estudos de p\u00f3s-doutorado na Universidade Nacional Aut\u00f4noma, pa\u00eds onde viveu, anteriormente, v\u00e1rios anos. Seu visto tinha vencido h\u00e1 quinze dias e, para permanecer no pa\u00eds, precisava de um visto definitivo. Miguel \u00c1ngel se preocupava com o fato do Instituto Nacional de Migra\u00e7\u00e3o (INM) cham\u00e1-lo insistentemente pelo telefone. Era, como logo se comprovou, uma isca para obrig\u00e1-lo a comparecer a um desses escrit\u00f3rios onde pretendiam sequestr\u00e1-lo, como de fato ocorreu. Em 22 de maio de 2009, em companhia do advogado Jorge Becerril e de sua esposa Luisa Natalia, dirigiu-se \u00e0 sede do INM, com um compromisso previamente acertado com o Subdiretor de Migra\u00e7\u00f5es. Entrou sozinho, enquanto seus dois acompanhantes o esperavam do lado de fora. Passaram as horas e Miguel \u00c1ngel n\u00e3o sa\u00eda. Sua esposa e o advogado perguntaram sobre a demora e foram informados por um funcion\u00e1rio que \u00c1ngel tinha sido transferido para outra depend\u00eancia, pois estava em condi\u00e7\u00f5es de ilegalidade, mas que n\u00e3o se preocupassem que rapidamente regressaria para a casa.<\/p>\n<p>Sem imaginarem o que tinha acontecido, Natalia foi para seu apartamento, ligou a televis\u00e3o e viu com surpresa as imagens transmitidas de Bogot\u00e1, em que se informava ter sido capturado e trazido para Bogot\u00e1 um tal Jaime Cienfuegos, membro da Comiss\u00e3o Internacional das FARC, o pr\u00f3prio Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n.<\/p>\n<p>Rapidamente, algo que n\u00e3o costuma caracterizar nem os burocratas do M\u00e9xico nem da Col\u00f4mbia, Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n foi agredido e retirado das instala\u00e7\u00f5es do INM, metido \u00e0 for\u00e7a em uma caminhonete e levado ao aeroporto, onde um avi\u00e3o militar colombiano o esperava para traz\u00ea-lo, como fruto do sequestro, para Bogot\u00e1. O regime criminoso da \u201cSeguran\u00e7a Democr\u00e1tica\u201d apresentou o professor como um perigoso terrorista e de maneira exagerada se precipitou a dizer que tinha capturado \u201cum dos terroristas mais perigosos da organiza\u00e7\u00e3o narcoterrorista FARC\u201d, exultante \u201cporque este professor de sociologia dedicado a ser professor do crime esteja hoje nos c\u00e1rceres colombianos. Gra\u00e7as \u00e0 boa vontade do presidente do M\u00e9xico\u201d.<\/p>\n<p>Estamos dizendo que no dia 22 de maio de 2009 aconteceu um evento vergonhoso para a hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina e do M\u00e9xico, em particular, posto que dentro das instala\u00e7\u00f5es do INM foi sequestrado de forma conjunta entre a DIJIN da Col\u00f4mbia e o Estado mexicano um cidad\u00e3o colombiano. Violando os mais elementares procedimentos diplom\u00e1ticos e descartando uma tradi\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria de ref\u00fagio de intelectuais e perseguidos pol\u00edticos, o governo de Felipe Calder\u00f3n autorizou o sequestro e a posterior entrega ao regime criminoso de \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez de um intelectual colombiano. Na pr\u00e1tica, tentou ressuscitar o Plano Condor das d\u00e9cadas de 1970 e 1980, mediante o qual as ditaduras de Seguran\u00e7a Nacional do Cone Sul trocavam pessoas que depois eram torturadas, assassinadas e desaparecidas.<\/p>\n<p>Paralelamente, os meios de desinforma\u00e7\u00e3o (RCN, Caracol, El Tiempo, El Espectador\u2026) se encarregaram de reproduzir a vers\u00e3o oficial \u2013 ocultando a magnitude dos crimes do Estado colombiano e reproduzindo, sem nenhum sentido cr\u00edtico, as mentiras propaladas pelo regime de \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez.<\/p>\n<p>Miguel \u00c1ngel foi encarcerado, foram declarados como \u201cprovas cabais\u201d os supostos e-mails encontrados no computador m\u00e1gico de Ra\u00fal Reyes e sem nenhum tipo de julgamento, tanto os meios de desinforma\u00e7\u00e3o como o inquilino da Casa de Nari\u00f1o o condenaram. Depois, efetuou-se uma par\u00f3dia de julgamento, com provas fr\u00e1geis e testemunhos manipulados e obtusos, em uma tosca a\u00e7\u00e3o na qual a defesa de Miguel \u00c1ngel desmontou uma a uma das mentiras e conseguiu que fosse declarado inocente e sa\u00edsse da pris\u00e3o, ap\u00f3s dois anos de encarceramento arbitr\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>Segundo ato: a morte do trabalho<\/b><\/p>\n<p>Quando Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n foi sequestrado e trazido de forma ilegal para a Col\u00f4mbia, a Universidade Nacional, institui\u00e7\u00e3o na qual trabalhava como professor, n\u00e3o realizou nenhuma a\u00e7\u00e3o de apoio nem de solidariedade e tampouco ofereceu respaldo legal enquanto esteve na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante esse tempo, o retirou de sua folha de pagamento docente e teve o descaramento, quase kafkiano, de enviar um advogado ao c\u00e1rcere, por\u00e9m n\u00e3o para oferecer assessoria jur\u00eddica, mas para comunic\u00e1-lo que devia responder pelo invent\u00e1rio das coisas que a UN tinha cedido a seu escrit\u00f3rio ou, do contr\u00e1rio, abriria um processo disciplinar.<\/p>\n<p>As diretrizes da UN se submeteram \u00e0s decis\u00f5es arbitr\u00e1rias da \u201cjusti\u00e7a colombiana\u201d e nunca questionaram nem denunciaram os procedimentos terroristas do Estado colombiano. Ainda pior, os acad\u00eamicos e pesquisadores da UN \u2013 com honrosas exce\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o se manifestaram para defender um de seus colegas, assumindo uma atitude c\u00famplice com o terrorismo de Estado. Inclusive, existem professores universit\u00e1rios, incluindo membros do Departamento de Sociologia, que aplaudiram o sequestro oficial de Miguel \u00c1ngel, algo que se entende j\u00e1 que este incomodava por conta de suas posturas pol\u00edticas e pelos temas pesquisados, relacionados com os problemas sociais da Col\u00f4mbia e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Esse inc\u00f4modo aumentou quando, ap\u00f3s sair da pris\u00e3o, Miguel \u00c1ngel reassumiu o cargo de professor da UN. No dia que se apresentou ao Departamento de Sociologia, poucos se atreveram a saud\u00e1-lo e quase todos deram-lhe as costas, literalmente falando, de forma desdenhosa. Depois chegaram amea\u00e7as de morte e Miguel \u00c1ngel partiu para o ex\u00edlio, uma terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o na qual o apoio da UN foi quase simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Estando no ex\u00edlio, em 3 de setembro de 2013, o Procurador Geral da Na\u00e7\u00e3o, Alejandro Ordo\u00f1ez, o destituiu de seu cargo de professor, baseando-se nas mesmas evid\u00eancias pelas quais tinha sido absolvido, principalmente acerca do suposto computador m\u00e1gico e indestrut\u00edvel de Reyes. Durante v\u00e1rios meses esteve em suspenso a destitui\u00e7\u00e3o, tempo durante o qual alguns professores e estudantes da UN e de outras universidades se mobilizaram e denunciaram a persegui\u00e7\u00e3o ao pensamento cr\u00edtico e \u00e0 liberdade de pensamento. Neste intervalo, Miguel \u00c1ngel reintegrou-se ao trabalho em come\u00e7os de 2014 e assumiu sua c\u00e1tedra durante o primeiro semestre acad\u00eamico desse ano.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Ord\u00f3\u00f1ez n\u00e3o cessou em seu desempenho inquisitorial e no dia 24 de julho de 2014, confirmou a destitui\u00e7\u00e3o de Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n e a proibi\u00e7\u00e3o de exercer algum cargo p\u00fablico pelos pr\u00f3ximos treze anos. O reitor da UN, Ignacio Mantilla, dando mostras de uma vergonhosa prostra\u00e7\u00e3o ante a Procuradoria, procedeu com a destitui\u00e7\u00e3o, sem questionar a decis\u00e3o de Ord\u00f3\u00f1ez nem reivindicar o direito \u00e0 autonomia de que goza a universidade. Baseou-se em conceitos jur\u00eddicos de advogados \u201cprogressistas\u201d para quem era prefer\u00edvel a destitui\u00e7\u00e3o de Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n a opor-se \u00e0 decis\u00e3o da Procuradoria, posto que segundo sua ret\u00f3rica sof\u00edstica esta \u00faltima possibilidade implicava questionar o Estado de Direito, algo inaudito para seu cretinismo jur\u00eddico. O lament\u00e1vel radica em que uma institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, tendo uma das bandeiras \u00e9 a liberdade de opini\u00e3o e pensamento, tenha assumido como v\u00e1lidos os pobres argumentos do Procurador que acusou Miguel \u00c1ngel de formar grupos de pesquisa e de escrever artigos e f\u00f3runs com \u201csentido pol\u00edtico\u201d, nos quais se admitia que o conflito armado na Col\u00f4mbia originou-se da luta dos camponeses, o que a Procuradoria considerou como uma instiga\u00e7\u00e3o ao terrorismo.<\/p>\n<p>Desta forma, as autoridades universit\u00e1rias \u2013 com o apoio t\u00e1cito do grosso da comunidade acad\u00eamica \u2013 puseram no jogo uma nova engrenagem do terrorismo de Estado: <i>a morte do trabalho<\/i>. Com efeito, a destitui\u00e7\u00e3o de seu cargo de professor na UN significa, na pr\u00e1tica, para Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n a morte profissional, porque est\u00e1 inabilitado para exercer qualquer cargo p\u00fablico durante 13 anos (toda uma vida em termos profissionais) e, depois dessa destitui\u00e7\u00e3o, \u00e9 duvidoso que alguma outra universidade queira contratar um professor destitu\u00eddo pela Procuradoria, sobre o qual tamb\u00e9m se difundiu toda uma classe de mentiras e cal\u00fanias.<\/p>\n<p><b>Terceiro ato: a condena\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Faltava, depois da destitui\u00e7\u00e3o da UN, em finais de 2014, conhecer a condena\u00e7\u00e3o proferida por um ministro da Se\u00e7\u00e3o Penal do Tribunal Superior de Bogot\u00e1 a 100 meses de pris\u00e3o, pelo delito de rebeli\u00e3o. Esta segunda inst\u00e2ncia se derivou da apela\u00e7\u00e3o que fez um Promotor \u00e0 decis\u00e3o de deixar livre Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n. Ainda que aparentemente esta decis\u00e3o n\u00e3o tenha se baseado nas provas \u201cm\u00e1gicas\u201d empregadas ap\u00f3s o sequestro no M\u00e9xico, ao longo elas foram endossadas, como assinala uma informa\u00e7\u00e3o do jornal El Espectador: \u201cSegundo a Promotoria Geral, <i><b>o professor universit\u00e1rio era conhecido como \u2018Jaime Cienfuegos\u2019, ide\u00f3logo da comiss\u00e3o internacional das FARC<\/b><\/i>. O \u00f3rg\u00e3o acusador chegou a essa conclus\u00e3o ap\u00f3s revisar os documentos que encontraram no computador do chefe guerrilheiro conhecido como \u2018Ra\u00fal Reyes\u2019, abatido em 2 de mar\u00e7o de 2008, na fronteira entre Col\u00f4mbia e Equador\u201d. Isto foi dito pela Promotoria e foi o que assumiu como v\u00e1lido o Tribunal Superior de Bogot\u00e1.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixa de ser sintom\u00e1tico que a condena\u00e7\u00e3o tenha se dado em plena greve do judici\u00e1rio no pa\u00eds, o que indica que os membros da Se\u00e7\u00e3o Penal do Tribunal Superior de Bogot\u00e1 s\u00e3o fura-greves. Para al\u00e9m desta curiosidade, fica claro que o aparato judicial na Col\u00f4mbia \u00e9 outra inst\u00e2ncia pr\u00f3pria do terrorismo de Estado, e n\u00e3o \u00e9 nenhum poder independente, como o afirma a teoria liberal sobre a separa\u00e7\u00e3o dos ramos do Estado e, por isso, atua com claro crit\u00e9rio de classe para perseguir estudantes, professores, camponeses, trabalhadores, mulheres pobres&#8230; Enquanto sobre estes recai a for\u00e7a do Estado, como se evidencia com a origem social dos milhares de presos comuns e pol\u00edticos que abarrotam os c\u00e1rceres do pa\u00eds e s\u00e3o tratados pior que animais, aos delinquentes e aos animais, aos delinquentes e aos criminosos de colarinho branco \u00e9 concedido todo tipo de arb\u00edtrio para que fujam, como aconteceu com Luis Carlos Restrepo, Andr\u00e9s Felipe Arias, Pilar Hurtado, Sandra Morelli\u2026 para n\u00e3o falar da impunidade que encobre os crimes de ex-presidentes, ministros, generais e seus familiares, como ocorre com os respons\u00e1veis pelos \u201cfalsos positivos\u201d.<\/p>\n<p>O aparato judicial colombiano funciona \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o quando se trata de castigar trabalhadores em greve, camponeses que protestam nas rodovias, estudantes que fazem manifesta\u00e7\u00f5es&#8230; e o mesmo quando persegue e castiga aqueles que se op\u00f5em ao regime, submetidos a um inesgot\u00e1vel terrorismo de Estado. Isso \u00e9 o que aconteceu com Miguel \u00c1ngel Beltr\u00e1n, por atrever-se a pensar, a discordar, a duvidar das falsas verdades do governo e de seus intelectuais org\u00e2nicos. Para que isto n\u00e3o fique em generalidades, recordemos que o promotor que inicialmente acusou Miguel \u00c1ngel, cujo nome \u00e9 Ricardo Bejarano Beltr\u00e1n, costuma posar nas redes sociais com uniforme militar e entre suas p\u00e1ginas favoritas se encontram a da Escola Militar e a dos Veteranos da Guerra do Vietn\u00e3. Entre seus fetiches, encontram as opera\u00e7\u00f5es contraguerrilha \u2018F\u00e9nix\u2019 e \u2018Sodoma\u2019. Essa \u00e9 uma boa mostra da \u201cimparcialidade da justi\u00e7a\u201d colombiana. \u00c9 por isso, voltando \u00e0 greve do judici\u00e1rio, que se diz em tom de brincadeira que ningu\u00e9m participou desse protesto, porque na Col\u00f4mbia a justi\u00e7a vive eternamente paralisada, salvo quando se trata de <i>f<\/i><i>oder<\/i> os pobres e insurretos.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/08\/08\/colombia-el-caso-de-miguel-angel-beltran-terrorismo-de-estado-en-tres-actos\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Ren\u00e1n Vega Cantor \/ Resumen Latinoamericano \/ LaHaine \/7 de agosto de 2015 \u2013 O aparato jur\u00eddico colombiano funciona perfeitamente quando se \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9069\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-9069","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2mh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9069\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}