{"id":9071,"date":"2015-08-13T20:52:36","date_gmt":"2015-08-13T23:52:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9071"},"modified":"2015-08-26T00:02:32","modified_gmt":"2015-08-26T03:02:32","slug":"milhares-de-mercenarios-estrangeiros-entraram-na-siria-pela-turquia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9071","title":{"rendered":"\u201cMilhares de mercen\u00e1rios estrangeiros entraram na S\u00edria pela Turquia\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Corresponsal-2.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><b>Leandro Albani\/Resumen Latinoamericano, 6 de agosto de 2015 \u2013<\/b> H\u00e1 seis meses, Miguel Fern\u00e1ndez Mart\u00ednez se encontra na S\u00edria, pa\u00eds assolado por uma guerra de agress\u00e3o que ocorre h\u00e1 quatro anos e parece n\u00e3o ter fim. Fern\u00e1ndez Mart\u00ednez \u00e9 jornalista da ag\u00eancia cubana de not\u00edcias Prensa Latina e o \u00fanico correspondente permanente do Ocidente na na\u00e7\u00e3o governada por Bashar Al Assad.<!--more--><\/p>\n<p>Nesta entrevista com <i>Resumen Latinoamericano<\/i> faz um detalhado relato da atual situa\u00e7\u00e3o do povo s\u00edrio e do poder real que o grupo terrorista Estado Isl\u00e2mico (EI) possui no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, explica o papel desempenhado pela Turquia, pelos Estados Unidos e pelas monarquias do Golfo P\u00e9rsico no plano para desestabilizar a S\u00edria, financiando e apoiando as organiza\u00e7\u00f5es irregulares armadas que operam na na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>&#8211; Depois de quatro anos de guerra de agress\u00e3o contra a S\u00edria, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o atual do pa\u00eds?<\/b><\/p>\n<p>&#8211; De luta e resist\u00eancia. Dificilmente outro pa\u00eds da regi\u00e3o teria resistido mais de quatro anos de guerra imposta por poderosas pot\u00eancias internacionais como \u00e9 o caso da S\u00edria. As medidas de castigo impostas pelos Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o mantidas, persiste a viola\u00e7\u00e3o das fronteiras comuns, o que permite o acesso de milhares de mercen\u00e1rios armados e pagos pelo Ocidente. Por\u00e9m, sobretudo, se imp\u00f5e uma impressionante capacidade de resist\u00eancia do Ex\u00e9rcito s\u00edrio, que em quatro anos perdeu mais de 40 mil homens nas frentes de combate e continua enfrentando os grupos armados. Al\u00e9m disso, os n\u00fameros exibidos por este conflito s\u00e3o alarmantes: mais de 230 mil mortos, quatro milh\u00f5es de refugiados e cerca de sete milh\u00f5es de deslocados dentro do pa\u00eds. A infraestrutura econ\u00f4mica fortemente prejudicada, suas principais fontes de energia e rendas (po\u00e7os de petr\u00f3leo) em terrenos ocupados pelo grupo terrorista Estado isl\u00e2mico (EI). Por\u00e9m, o povo s\u00edrio n\u00e3o se rende e continua lutando.<\/p>\n<p><b>&#8211; Qual a quantidade real de territorio que o Estado Isl\u00e2mico controla hoje?<\/b><\/p>\n<p>&#8211; Ainda que muitos estimem que o EI ocupe quase 50% do territorio do pa\u00eds, \u00e9 preciso ter um olhar objetivo em termos territoriais reais ocupados, popula\u00e7\u00e3o e sua import\u00e2ncia estrat\u00e9gica. A zona de a\u00e7\u00e3o dos grupos jihadistas \u00e9 do centro ao leste do pa\u00eds, zona com grandes extens\u00f5es de deserto e pouca popula\u00e7\u00e3o. Tampouco s\u00e3o fortes em cidades importantes, com exce\u00e7\u00e3o de Raqqa, a 542 quil\u00f4metros ao nordeste de Damasco, e que foi autoproclamada como a capital do Califado Isl\u00e2mico, estabelecido pela for\u00e7a nestes territ\u00f3rios. Tamb\u00e9m se mant\u00eam ocupada a cidade de Palmira, a uns 220 quil\u00f4metros ao leste da capital e declarada Patrim\u00f4nio da Humanidade desde 1980, pela quantidade de riquezas arquitet\u00f4nicas que possui, algumas do s\u00e9culo I. Ao norte, ocupam as cidades de Idleb e Yirs al-Shugur, e um pouco mais ao nordeste, a metade da cidade de Alepo (norte e nordeste), que foi o centro econ\u00f4mico da S\u00edria. O resto do pa\u00eds, e onde se concentra a maior quantidade de popula\u00e7\u00f5es, est\u00e1 sob o controle governamental. Na realidade, o que ocupam os grupos do EI s\u00e3o vias de acesso, estradas que enla\u00e7am diferentes pontos geogr\u00e1ficos do pa\u00eds e que, \u00e9 claro, dificultam as comunica\u00e7\u00f5es, os abastecimentos e o desenvolvimento normal da economia nacional.<\/p>\n<p><b>&#8211; Poderia descrever a vida cotidiana dos s\u00edrios considerando a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds?<\/b><\/p>\n<p>&#8211; Seria dif\u00edcil explicar porque n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo em todos os lugares. Por exemplo, se voc\u00ea visitar Damasco, a capital do pa\u00eds, com pouco mais de dois milh\u00f5es de habitantes, pode chegar a pensar que n\u00e3o est\u00e1 em meio a um cen\u00e1rio de guerra. Apesar dos atentados a bomba, os ataques com morteiros e outras a\u00e7\u00f5es terroristas, a cidade est\u00e1 muito bem protegida pelo Ex\u00e9rcito e a vida transcorre em uma discreta normalidade, que s\u00f3 \u00e9 interrompida pelos sons da avia\u00e7\u00e3o de combate, ou pelo canh\u00e3o da artilharia contra posi\u00e7\u00f5es rebeldes em cidades pr\u00f3ximas. A popula\u00e7\u00e3o permanece em seus trabalhos, circulam t\u00e1xis e \u00f4nibus, e em v\u00e1rios pontos da cidade existe vida noturna (bares, restaurantes, cinemas, teatros, museus) sem restri\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, esse n\u00e3o \u00e9 o caso de outras cidades que, ainda que n\u00e3o estejam sob o controle dos terroristas, se mant\u00e9m assediadas constantemente por ataques com morteiros, carros-bomba acionados por suicidas, sequestros e outras a\u00e7\u00f5es criminosas. Tamb\u00e9m \u00e9 o caso das cidades de Kafarya e Al-Foa, na prov\u00edncia de Idleb, onde cerca de 40 mil civis ficam meses resistindo \u00e0s investidas dos terroristas, completamente sitiadas, com todos os servi\u00e7os cortados (energia el\u00e9trica, \u00e1gua, combust\u00edveis, alimentos) em uma situa\u00e7\u00e3o de absoluto desespero, por\u00e9m dispostos a n\u00e3o se deixar ocupar. E n\u00e3o podemos esquecer as localidades que est\u00e3o sob o controle dos jihadistas, onde as condi\u00e7\u00f5es de vida mudaram radicalmente depois que se impuseram as leis da Sharia (Lei Isl\u00e2mica), obrigando as mulheres a cobrirem o rosto, os homens n\u00e3o podem usar cal\u00e7as apertadas nem penteados modernos, e s\u00e3o castigados brutalmente se violarem estas imposi\u00e7\u00f5es. Nestes lugares, \u00e9 frequente ver degolamentos p\u00fablicos, lan\u00e7amento de homossexuais de edif\u00edcios altos, apedrejamento de mulheres at\u00e9 a morte por determinadas \u201cfaltas\u201d, que podem ser julgadas pelos extremistas isl\u00e2micos. Em tais lugares, a vida pode se converter em um inferno para as minorias \u00e9tnicas (alauitas, xiitas, ismaelitas, drusos, curdos, crist\u00e3os) que, em muitos casos, s\u00e3o sequestrados e vendidos como escravos em pleno s\u00e9culo XXI. Nestes lugares, as meninas s\u00e3o vendidas pelo mesmo pre\u00e7o que os barris de petr\u00f3leo. Os meninos entre um e nove anos de idade podem custar at\u00e9 165 d\u00f3lares, enquanto os adolescentes entre 11 e 16 anos est\u00e3o avaliados em 124 d\u00f3lares. \u00c9 verdadeiramente dantesco.<\/p>\n<p><b>&#8211; Que papel desempenha atualmente a Turquia e as monarquias do Golfo P\u00e9rsico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00edria?<\/b><\/p>\n<p>&#8211; Desde o princ\u00edpio da crise em 2011, a Turquia junto da Jord\u00e2nia, Ar\u00e1bia Saudita e Qatar se converteram nas pontas de lan\u00e7a da grande campanha anti-S\u00edria organizada pelos Estados Unidos, Reino Unido e Fran\u00e7a. A Turquia e a Jord\u00e2nia, que compartilham fronteiras com a S\u00edria pelo norte e sul, respectivamente, ofereceram seus territ\u00f3rios como base de treinamento dos grupos terroristas que depois se infiltram em territ\u00f3rio s\u00edrio para cometer excessos. N\u00e3o se pode esquecer que o presidente turco Recep Tayyip Erdogan \u00e9 a figura pol\u00edtica da Irmandade Mu\u00e7ulmana nesta zona do Oriente M\u00e9dio, e que foi um instigador na S\u00edria do que se convencionou chamar de Primaveras \u00c1rabes em pa\u00edses como a Tun\u00edsia, I\u00eamen, Egito e L\u00edbia, que foi um processo desestabilizador concebido, financiado e liderado pelos Estados Unidos. A Turquia oferece hoje seu territ\u00f3rio para que especialistas militares norte-americanos treinem grupos armados que depois cruzar\u00e3o a fronteira s\u00edria. Milhares de mercen\u00e1rios estrangeiros entraram pela Turquia para se incorporarem ao EI e \u00e0 Frente al-Nusra, bra\u00e7o armado da al-Qaeda, na S\u00edria. Tudo isso com o benepl\u00e1cito do governo de Ankara. As monarquias do Golfo fazem grandes contribui\u00e7\u00f5es em dinheiro para cobrir os gastos de guerra destes grupos criminosos e da campanha suja no terreno pol\u00edtico, que visa deslegitimar o governo de Bashar Al Assad. Se voc\u00ea analisar minuciosamente, perceber\u00e1 imediatamente que \u00e9 todo um plano internacional muito bem concebido para tentar submeter a vontade e a soberania dos s\u00edrios.<\/p>\n<p><b>&#8211; Voc\u00ea conhece o posicionamento do governo sobre o que acontece no norte do pa\u00eds, onde uma guerrilha vinculada ao PKK controla a zona e combate o EI?<\/b><\/p>\n<p>&#8211; As mil\u00edcias curdas que operam no norte da S\u00edria n\u00e3o est\u00e3o ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o (PKK), cujas mil\u00edcias armadas se identificam com as siglas HPG e possuem forte presen\u00e7a no sul da Turquia e algumas zonas do Iraque. Na S\u00edria, funcionam as mil\u00edcias curdas conhecidas como Unidades de Prote\u00e7\u00e3o do Povo (YPG), integradas por populares s\u00edrios-curdos que enfrentam os grupos jihadistas que operam em seus territ\u00f3rios, principalmente no norte da prov\u00edncia de Alepo e na oriental prov\u00edncia de Hasaka. Apesar das diferen\u00e7as pol\u00edticas entre os curdos e o governo de Damasco, hoje o pa\u00eds est\u00e1 em estado de guerra e estas mil\u00edcias contribuem para libert\u00e1-lo de terroristas.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/08\/06\/desde-turquia-han-entrado-miles-de-mercenarios-extranjeros-a-siria\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Leandro Albani\/Resumen Latinoamericano, 6 de agosto de 2015 \u2013 H\u00e1 seis meses, Miguel Fern\u00e1ndez Mart\u00ednez se encontra na S\u00edria, pa\u00eds assolado por uma \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9071\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-9071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2mj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}