{"id":9118,"date":"2015-08-15T17:28:38","date_gmt":"2015-08-15T20:28:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9118"},"modified":"2015-09-01T13:38:04","modified_gmt":"2015-09-01T16:38:04","slug":"hiroximanagasakium-duplo-crime-dos-eua-contra-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9118","title":{"rendered":"Hiroxima\u2026Nagasaki\u2026Um duplo crime dos EUA contra a humanidade"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/Nagasaki.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Collectif Communiste Polex<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento de bombas at\u00f3micas sobre Hiroxima e Nagasaki permanece como o mais hediondo e injustificado crime de guerra at\u00e9 hoje cometido pelos EUA. Por muito que a sua propaganda tenha tentado ocult\u00e1-lo ao longo dos 70 anos passados, essas ac\u00e7\u00f5es monstruosas tiveram um \u00fanico objectivo: impedir a capitula\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o perante a URSS.<!--more--><\/p>\n<p>A 6 de Agosto de 1945, Little Boy \u00e9 lan\u00e7ada sobre Hiroxima. A cidade inteira \u00e9 arrasada, estima-se em cerca de 234 000 o n\u00famero de mortos. Tr\u00eas dias depois o fogo nuclear americano \u00e9 de novo desencadeado, em Nagasaki: mais 74 000.<\/p>\n<p>A 15 de Agosto, o Jap\u00e3o capitula. Sob o efeito conjugado dos dois ataques, \u00e9 o que costumamos ouvir dizer.<\/p>\n<p>Para o historiador Peter Kuznick, professor de hist\u00f3ria e director do Instituto de estudos nucleares na universidade americana de Washington, o presidente Truman sabe ent\u00e3o perfeitamente que a entrada em guerra da URSS ser\u00e1 decisiva. Os \u201cJaps\u201d est\u00e3o \u201carrumados\u201d, diz na altura. Os servi\u00e7os secretos americanos tinham interceptado mensagens japonesas provando que o pr\u00f3prio Jap\u00e3o se considerava perdido se Sovi\u00e9ticos interviessem. \u201cTruman refere-se nomeadamente a um telegrama interceptado a 18 de Julho como \u201co telegrama do imperador jap pedindo a paz\u201d, sublinha o historiador.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea, ent\u00e3o, ter utilizado a bomba ? Numa logica de pr\u00e9-guerra fria, afirma Peter Kuznick. \u201cTruman esperava que isso aceleraria a rendi\u00e7\u00e3o japonesa. Queria acabar a guerra se poss\u00edvel antes que os Russos nela interviessem e viessem a obter aquilo que os Estados Unidos lhes tinham prometido em Ialta.\u201d<\/p>\n<p>Juntamente com o realizador Oliver Stone, Peter Kuznick escreveu em 2013 \u201cOs Crimes ocultos dos presidentes\u201d (publicado em franc\u00eas pelas edi\u00e7\u00f5es Saint-Simon). A 11 de Outubro do mesmo ano publicavam um texto no Huffington Post , intitulado \u201cOs Estados Unidos e o Jap\u00e3o: parceiros na falsifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d. O poder americano, afirmam, n\u00e3o cessou de impor a ideia de uma \u201cboa guerra\u201d, que teria permitido poupar milhares de vidas americanas, guerra ganha mais pelos Estados Unidos do que pela URSS. A vers\u00e3o contada aos jovens Japoneses \u00e9 igualmente \u201cfalaciosa e desonesta\u201d, acrescentam. Se conhecemos o massacre de Nanquim e a escravatura sexual imposta \u00e0s Coreanas \u2013 as \u201cmulheres de reconforto\u201d \u2013, continuamos efectivamente a ignorar em grande medida a brutalidade das conquistas nip\u00f3nicas, \u201ca morte de mais um milh\u00e3o de Vietnamitas, as atrocidades cometidas na Indon\u00e9sia, na Mal\u00e1sia, nas Filipinas, em Taiwan, na Birm\u00e2nia\u201d. \u201cA pr\u00f3pria rendi\u00e7\u00e3o foi maquilhada numa compassiva vontade do imperador em se sacrificar a fim de poupar o seu povo.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a capitula\u00e7\u00e3o, adiantam Peter Kuznick e Oliver Stone, os dois pa\u00edses tinham interesse em defender a mesma interpreta\u00e7\u00e3o de Hiroxima: os Estados Unidos podiam justificar a utiliza\u00e7\u00e3o da bomba apresentando-a como uma viragem na guerra; o Jap\u00e3o, se reclamasse justi\u00e7a, arriscava-se a ver os seus pr\u00f3prios crimes de guerra expostos perante os tribunais. 70 anos depois, a \u201cparceria\u201d continua a existir. Mas as l\u00ednguas desatam-se.<\/p>\n<p>Ward Wilson \u00e9 um deles. Director do projecto \u201cRepensar as armas nucleares\u201d para o think tank British American Security Information Council (BASIC), combate a ideia, em parte apoiada no precedente Hiroxima, de uma efic\u00e1cia sem igual da dissuas\u00e3o nuclear. J\u00e1 em 1965, recorda num artigo publicado pela revista Foreign Policy e traduzido pela Slate, o historiador americano Gal Alperowitz relativizava o impacto estrat\u00e9gico da bomba, e garantia que os \u201cdirigentes japoneses tinham a inten\u00e7\u00e3o de capitular e t\u00ea-lo-iam provavelmente feito antes da data da invas\u00e3o prevista pelos Estados Unidos, 1 de Novembro 1945\u2033.<\/p>\n<p>Por muito abomin\u00e1veis que tenham sido as suas consequ\u00eancias, a utiliza\u00e7\u00e3o da arma at\u00f3mica em Hiroxima n\u00e3o teve o efeito de choque que lhe \u00e9 atribu\u00eddo, afirma Ward Wilson. A For\u00e7a A\u00e9rea dos Estados Unidos estava na altura \u201ca efectuar uma das mais intensas campanhas de destrui\u00e7\u00e3o de centros urbanos da hist\u00f3ria mundial. 68 cidades japonesas s\u00e3o bombardeadas, e todas s\u00e3o parcial ou integralmente destru\u00eddas.\u201d A ofensiva far\u00e1 no total mais de um milh\u00e3o de mortos e de feridos \u2013 um tributo humano que o governo japon\u00eas h\u00e1 muitos meses dizia estar disposto a pagar. O general Anami Korechika, ministro da Guerra, afirma mesmo a 13 de Agosto que as bombas at\u00f3micas n\u00e3o s\u00e3o \u201cpiores\u201d do que as bombas incendi\u00e1rias que h\u00e1 semanas devastam o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A reac\u00e7\u00e3o do Conselho supremo qui dirige ent\u00e3o o pa\u00eds parece confirmar esta tese. Os seus seis membros n\u00e3o encaram uma rendi\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a 9 de Agosto, algumas horas antes do bombardeamento de Nagasaki. No dia seguinte a Hiroxima, adianta historiador americano Tsuyoshi Hasegawa, a agenda era ainda a procura de uma sa\u00edda mais favor\u00e1vel para os Japoneses do que a que fora preparada a 27 Julho pelo ultimato de Postdam, que amea\u00e7ava o pa\u00eds com uma \u201cdestrui\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e total\u201d se n\u00e3o capitulasse incondicionalmente. Desde o m\u00eas de Maio que os Japoneses procuram convencer Estaline, com quem tinham acordado em 1941 um pacto de n\u00e3o-agress\u00e3o, a obter garantias para eles \u2013 nomeadamente no que diz respeito \u00e0 sorte do imperador Hiroito. \u00c9 ainda o caso, ao que parece, quando a 7 Agosto o ministro dos Neg\u00f3cios estrangeiros, Togo Shigenori, envia um telegrama urgente ao embaixador na URSS, Naotake Sato. \u201cA situa\u00e7\u00e3o torna-se cada vez mais urgente\u201d, escreve. \u201cPrecisamos de conhecer de imediato a posi\u00e7\u00e3o dos Sovi\u00e9ticos. Fa\u00e7a os maiores esfor\u00e7os para obter a sua resposta imediatamente.\u201d<\/p>\n<p>Como resposta, no dia seguinte 8 de Agosto, Sato ficar\u00e1 a saber que a URSS declara tamb\u00e9m guerra ao Jap\u00e3o. Na manh\u00e3 do dia 9 o Ex\u00e9rcito Vermelho invade a Manch\u00faria, na altura sob protectorado japon\u00eas. \u00c9 este acontecimento, muito mais do que o pesadelo Hiroxima, que decide T\u00f3quio a capitular, afirmam Tsuyoshi Hasegawa e Ward Wilson.<\/p>\n<p><em>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.collectif-communiste-polex.org\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.collectif-<wbr \/>communiste-polex.org<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Collectif Communiste Polex O lan\u00e7amento de bombas at\u00f3micas sobre Hiroxima e Nagasaki permanece como o mais hediondo e injustificado crime de guerra at\u00e9 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9118\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-9118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2n4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9118\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}