{"id":9161,"date":"2015-08-21T07:41:54","date_gmt":"2015-08-21T10:41:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9161"},"modified":"2016-05-18T21:50:59","modified_gmt":"2016-05-19T00:50:59","slug":"mao-de-obra-escrava-nos-carceres-dos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9161","title":{"rendered":"M\u00e3o de obra escrava nos c\u00e1rceres dos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/USA-c%C3%A1rcel.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Anahi Rubin\/Resumen Latinoamericano\/Telesur, 17 de agosto de 2015 \u2013Os Estados Unidos possuem 2.300.000 pessoas privadas de liberdade, a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria mais extensa do mundo. Com apenas 5% da popula\u00e7\u00e3o mundial, este pa\u00eds tem 25% dos presos do mundo.<!--more--><\/p>\n<p>Centro do capitalismo mundial, sabe muito bem como usufruir e aumentar a mais valia a seu n\u00edvel m\u00e1ximo. Trabalhos com baixos sal\u00e1rios, profissionais que trabalham sem benef\u00edcios, pessoas sem documentos submetidas a todo tipo de explora\u00e7\u00f5es formam parte do dia a dia.<\/p>\n<p>O que muita gente n\u00e3o sabe e os grandes meios ocultam \u00e9 a nova forma de explora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 exercida sobre pessoas reclusas nas pris\u00f5es deste pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a das leis nos anos 80, a puni\u00e7\u00e3o e a reclus\u00e3o por uso e venda de drogas foram recrudescidas, fazendo com que o n\u00famero de prisioneiros encarcerados por estas causas aumentasse em 11%. Assim, as pris\u00f5es federais viram cheias a sua capacidade, dando desculpas para o surgimento da abertura de pris\u00f5es privadas e, com isto, a explos\u00e3o de um dos neg\u00f3cios mais rent\u00e1veis dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Durante os governos de Ronald Reagan e George Bush, a abertura destas pris\u00f5es foi iniciada. Com Bill Clinton, o neg\u00f3cio foi afian\u00e7ado. Atualmente, existem 100 pris\u00f5es distribu\u00eddas privadas em todo o territ\u00f3rio americano. As duas Corpora\u00e7\u00f5es que se destacam neste grupo s\u00e3o: Corporations of Am\u00e9rica (possui 66 c\u00e1rceres, com 91.000 prisioneiros e lucros anuais de 1.700 milh\u00f5es de d\u00f3lares) e Geo (65 pris\u00f5es, 65.700 detidos e 1.600 milh\u00f5es em lucros). Estes dois grupos aumentaram em 46% seus lucros, entre os anos de 2007 e 2014.<\/p>\n<p>A esta altura da nota, o leitor se perguntar\u00e1 como estas corpora\u00e7\u00f5es obt\u00e9m tanto dinheiro. Como qualquer outro neg\u00f3cio, necessitam \u201cclientes\u201d que povoem as pris\u00f5es. 50% prov\u00eam dos consumidores e vendedores de entorpecentes e outra grande porcentagem \u00e9 formada por imigrantes sem documenta\u00e7\u00e3o \u2013 400.000 s\u00e3o detidos por ano. O Congresso formulou uma cota que requer que o Departamento de Seguran\u00e7a Interna assegure 34.000 pessoas por dia nos centros de deten\u00e7\u00f5es por viola\u00e7\u00f5es migrat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de pessoas que ocupem os c\u00e1rceres, precisam de pol\u00edticos que aprovem leis para promover todos estes encarceramentos. Como retribui\u00e7\u00e3o, ditos pol\u00edticos recebem milh\u00f5es de d\u00f3lares. Por outra parte, os estados se comprometem para que as pris\u00f5es privadas tenham entre 95 e 100% de ocupa\u00e7\u00e3o; se a meta n\u00e3o \u00e9 cumprida, o estado tem que pagar.<\/p>\n<p>Entre as tarefas realizadas pelos presidi\u00e1rios est\u00e1 a de trabalhar. N\u00e3o seria ruim caso fosse parte de um programa de reabilita\u00e7\u00e3o e beneficiaria a pessoa. Por\u00e9m, na realidade, os que mais se beneficiam s\u00e3o as grandes empresas que possuem milhares de pessoas que realizam trabalho escravo, sem sindicatos, e benef\u00edcios de nenhum tipo.<\/p>\n<p>Antes de 1970, era proibido que empresas privadas utilizassem reclusos para trabalhar. No entanto, em 1979, o Departamento de Justi\u00e7a e o Congresso Norte-americano suspenderam a restri\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, existem 37 estados que permitem que os prisioneiros trabalhem.<\/p>\n<p>Segundo o site Alternet.org, os presos federais recebem um sal\u00e1rio um pouco maior, oscilando entre $0.23 a $ 1.23 por hora. S\u00e3o empregados pela Unicor, uma corpora\u00e7\u00e3o do Governo, cujo principal cliente \u00e9 o Departamento de Defesa. Mais de 20.000 reclusos trabalham nestes programas, fazendo coletes \u00e0 prova de balas, capacetes, cabos para atirar m\u00edsseis (incluindo os que s\u00e3o utilizados nos m\u00edsseis Patriot durante a Guerra do Golfo).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nos \u00faltimos anos outras grandes corpora\u00e7\u00f5es se incorporaram ao mercado penitenci\u00e1rio; como IBM, Motorola, Microsoft, Telecom, Target, Pierre Cardin, Macys. Entre 1980 e 1994, os lucros destas empresas aumentaram de $392 milh\u00f5es a 1310 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Aproximadamente um milh\u00e3o de internos trabalha em tempo integral nas pris\u00f5es norte-americanas. N\u00e3o t\u00eam muitas op\u00e7\u00f5es: no caso de n\u00e3o aceitarem, t\u00eam seus privil\u00e9gios de uso de cantinas retirados ou s\u00e3o mandados \u00e0s celas de castigo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o apenas os reclusos s\u00e3o obrigados a trabalhar no interior das pris\u00f5es. Algumas empresas ou indiv\u00edduos utilizam esta m\u00e3o de obra para outras tarefas fora dos c\u00e1rceres. Por exemplo, a companhia petroleira inglesa BP, tristemente c\u00e9lebre pelo desastre ambiental que provocou em 2011, quando ocorreu a explos\u00e3o no Golfo do M\u00e9xico, contratou presidi\u00e1rios do estado da Louisiana para tarefas de limpeza. Este estado possui a taxa de encarceramento mais alta da na\u00e7\u00e3o, sendo 70% constitu\u00edda por afro-americanos.<\/p>\n<p>As corpora\u00e7\u00f5es descobriram qu\u00e3o vantajoso \u00e9 contratar reclusos, n\u00e3o apenas pelos baix\u00edssimos sal\u00e1rios, mas porque se evitam problemas com os sindicatos. Em Wisconsin, os reclusos ocupam postos de trabalho que, anteriormente, eram desempenhados por trabalhadores que estavam sindicalizados. Talvez muitas empresas privadas j\u00e1 necessitem ir aos pa\u00edses do terceiro mundo para estabelecer suas ind\u00fastrias e contratar empregados a baixo custo, se neste pa\u00eds t\u00eam milh\u00f5es de presidi\u00e1rios que ganham centavos. Segundo um informe da revista Perpective, em 1990, a Escod Ind\u00fastrias preferiu Carolina do Sul ao inv\u00e9s do M\u00e9xico, porque os trabalhadores exigiam mais dinheiro.<\/p>\n<p>Sem mudan\u00e7a nas leis que criminalizam a imigra\u00e7\u00e3o e penalizam os pobres, afro-americanos e latinos, estes neg\u00f3cios das grandes corpora\u00e7\u00f5es continuar\u00e3o crescendo em detrimento da justi\u00e7a social e da liberdade.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/08\/17\/mano-de-obra-esclava-en-las-carceles-de-estados-unidos\/<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Anahi Rubin\/Resumen Latinoamericano\/Telesur, 17 de agosto de 2015 \u2013Os Estados Unidos possuem 2.300.000 pessoas privadas de liberdade, a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria mais extensa do \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9161\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[],"class_list":["post-9161","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2nL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9161\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}