{"id":922,"date":"2010-10-23T22:50:13","date_gmt":"2010-10-23T22:50:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=922"},"modified":"2010-10-23T22:50:13","modified_gmt":"2010-10-23T22:50:13","slug":"jorge-briceno-vive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/922","title":{"rendered":"JORGE BRICE\u00d1O VIVE!"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Uma morte gloriosa triunfa sobre o tempo e prolonga a sublime exist\u00eancia at\u00e9 a mais remota posteridade.<\/em> <\/p>\n<p>Simon Bol\u00edvar<\/p>\n<p>30 avi\u00f5es e 27 helic\u00f3pteros, 7 toneladas de explosivo <em>tritonal<\/em> e a tecnologia militar de ponta do <em>South Command<\/em> estadunidense e do <em>Mossad<\/em> israelense, o uso desproporcional da for\u00e7a e da viol\u00eancia terrorista do Estado, todos, contra um homem em seu quartel da montanha, que n\u00e3o era um homem, mas um povo.<\/p>\n<p>O ocorrido na madrugada do dia 22 de setembro nas selvas de La Macarena n\u00e3o foi um combate, mas um vil assassinato, um massacre executado sem nenhum perigo por um Estado terrorista subordinado aos ditados de Washington. Contra o comandante Jorge Brice\u00f1o, do Secretariado das FARC, foi concentrado todo o fogo e todo o \u00f3dio de uma casta dominante criminosa, de ultra-direita, que por d\u00e9cadas ensang\u00fcentou e empobreceu o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Era Jorge um s\u00edmbolo tel\u00farico, potente, da rebeldia e da esperan\u00e7a do povo da Col\u00f4mbia, sa\u00eddo da escola de guerra de guerrilhas m\u00f3veis do legend\u00e1rio Manuel Marulanda V\u00e9lez. Era um ser excepcionalmente humano, e por isso amado pela gente e por toda tropa guerrilheira. Em tempos da zona de distens\u00e3o e dos di\u00e1logos da paz, quando aparecia \u00e0s vezes no povoado de La Macarena, uma aglomera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as descal\u00e7as y descamisadas, agitadas, o seguiam pelas ruas empoeiradas e ele, feliz, deixava que lhe tirassem a boina e que saltassem em seu cora\u00e7\u00e3o, como na can\u00e7\u00e3o \u201cJojoy\u201d do cantor Juli\u00e1n. Era um im\u00e3 em traje de fatiga arrastando povo em seu passo, fundindo-se com seus sonhos. Camponeses, oper\u00e1rios, desempregados, prefeitos, padres, acad\u00eamicos, sindicalistas, professores, estudantes, afro-descendentes, donas de casa, escutavam a magia torrencial de suas palavras que aludiam a um sonho chamado Nova Col\u00f4mbia, P\u00e1tria Grande e Socialismo.<\/p>\n<p>Era um duro, sim, mas aprisionado por uma grande ternura. R\u00edgido com o inimigo, afetuoso com seu povo. N\u00e3o faltava em sua mochila o Di\u00e1rio do Che. Bebia com avidez o pensamento de Guevara, e do guerrilheiro her\u00f3ico havia aprendido a endurecer, sem perder a ternura jamais. Era um guerreiro apaixonado do fulgurante amor dos her\u00f3is pela liberdade e justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Havia ingressado \u00e0 guerrilha das FARC em 1968. Eram os tempos ferozes da repress\u00e3o e da exclus\u00e3o brutal da Frente Nacional bi partidarista e olig\u00e1rquica, que pretendeu criminalizar o direito dos povos \u00e0 op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Empunhando a bandeira comunista, sempre ao lado de Manuel e de Jacobo, forjou como guerreiro nas vicissitudes da guerra justa contra a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, o jovem \u201cMono Jojoy\u201d \u2013 como era conhecido Jorge \u2013 correu, com seu fuzil e sua pol\u00edtica ao ombro, as tr\u00eas cordilheiras andinas da arriscada geografia colombiana.<\/p>\n<p>Sua primeira revolu\u00e7\u00e3o triunfante foi a livrada consigo mesmo. Implac\u00e1vel com seus lastres humanos, pouco a pouco foi levantando at\u00e9 o c\u00e9u a suavidade de sua arquitetura pol\u00edtica e guerreira, de homem novo. Sua paix\u00e3o pela liberdade e esse desejo de dignidade para todos que abra\u00e7ava seu cora\u00e7\u00e3o, foi o acorde mais sonoro de sua fibra humana.<\/p>\n<p>A figura de Jorge continua seu incessante crescimento nas selvas imensas do Cagu\u00e1n, em seus portos fluviais de amarelo tesouro, at\u00e9 alcan\u00e7ar a inusitada dimens\u00e3o da lenda. Incans\u00e1vel construtor de partido e de mil\u00edcias populares, agitador da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica como alternativa pol\u00edtica, impulsionador entre a popula\u00e7\u00e3o da substitui\u00e7\u00e3o de cultivos de coca por planta\u00e7\u00f5es de cacau e seringueiras. Consciente da import\u00e2ncia da propaganda revolucion\u00e1ria instalou, pela primeira vez, uma impressora offset montanha a dentro. Em Remolinos e em Santo Domingo \u00e9 o homem da log\u00edstica, dos uniformes, das armas, das finan\u00e7as. Formador de quadros, Jorge chamava os cadetes rec\u00e9m graduados na Escola Nacional para receber deles, ainda frescos, os novos conhecimentos e t\u00e9cnicas aprendidas. Nunca percebeu sombras nos que podiam saber mais que ele, pelo contr\u00e1rio, os integrava com admira\u00e7\u00e3o, e aprendia com eles. Era um incans\u00e1vel <em>fagocitando<\/em> luzes.<\/p>\n<p>Nenhum chefe insurgente da Nossa Am\u00e9rica havia sido atacado com tanta gana. 50 bombas inteligentes <em>made in USA<\/em> que demoliram e arrasaram seu posto de mando, n\u00e3o foram suficientes para saciar o \u00f3dio das oligarquias. Verificada a morte do comandante, o governo desencadeou, desde todos os flancos, o mais infame ataque medi\u00e1tico, com o prop\u00f3sito quim\u00e9rico de aniquilar tamb\u00e9m sua imagem e seu exemplo de dignidade. N\u00e3o se tratava somente de matar a pessoa, mas ao sonho dessa imensa massa de humildes que cr\u00eaem no projeto pol\u00edtico libert\u00e1rio das FARC-EP. Sangue e fogo, terra arrasada, terrorismo de Estado, foram as pr\u00e1ticas constantes do regime para defender os interesses das transnacionais, da Bolsa e do poder de uma oligarquia ap\u00e1trida e ajoelhada aos gringos.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 barb\u00e1rie do Estado, nem uma s\u00f3 palavra da diligente Katerine Aston da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, nem daqueles que sempre est\u00e3o condenando nossos modestos meios de resist\u00eancia. N\u00e3o necessitamos; o poder moral das FARC \u00e9 inexpugn\u00e1vel. Bem sabemos que pela boca deles fala a iniq\u00fcidade do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O comandante Jorge encarnava os mais profundos sentimentos altru\u00edstas das FARC, na luta e resist\u00eancia dos povos contra o terrorismo do Estado. Como \u00e9 de conhecimento, os Estados terroristas, como o da Col\u00f4mbia, buscam sempre projetar sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o sobre quem os desafia. Por isso, o presidente Santos, ladrando desde Nova Iorque, muito perto de seu amo, desesperado por deslegitimar a luta dos povos por justi\u00e7a, tergiversa a realidade do conflito interno da Col\u00f4mbia, pretendendo em v\u00e3o satanizar o levantamento armado, ao referir-se a Jorge como s\u00edmbolo do terror e da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O que mais se pode esperar de pessoas t\u00e3o sinistras? Faz pouco, oficiando como ministro da defesa e dos \u201cfalsos positivos\u201d, Juan Manuel Santos se divertia com os cad\u00e1veres de guerrilheiros abatidos nos Montes de Maria. Agora, o atual chefe desse posto, senhor Rodrigo Rivera, sente mais pela morte da cadela Sasha, que pelos centos de soldados mortos e feridos no campo de batalha de La Macarena.<\/p>\n<p>\u201cSodoma\u201d, nome da opera\u00e7\u00e3o que tirou a vida dos nossos, n\u00e3o \u00e9 outra coisa que o mesmo Estado colombiano em seu desastre moral. O \u201cesconderijo\u201d do verdadeiro monstro terrorista \u00e9 o Pal\u00e1cio de Nari\u00f1o, sede do governo de Bogot\u00e1. Desde ali se planejou o desastre humanit\u00e1rio que padece a p\u00e1tria. Desde esse mesmo antro, os c\u00e9rebros da <em>seguran\u00e7a democr\u00e1tica<\/em>, t\u00e3o celebrada pelo presidente Santos, ordenaram os massacres contra a popula\u00e7\u00e3o inerme, as execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais (falsos positivos), as fossas comuns, as deten\u00e7\u00f5es massivas, as desapari\u00e7\u00f5es e desocupa\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, e tantos outros abomin\u00e1veis crimes de lesa humanidade.<\/p>\n<p>Aos que hoje desde o governo, \u00e9brios de <em>triunfalismo<\/em> nos exigem a rendi\u00e7\u00e3o, os respondemos com as mesmas palavras que o comandante Jorge Brice\u00f1o dirigiu ao general Padilla em janeiro de 2010, em resposta a uma exig\u00eancia similar:<\/p>\n<p>\u201c<em><strong>Que pouco nos conhece voc\u00ea senhor Padilla de Le\u00f3n. Com toda sinceridade, sem \u00f3dio nem ressentimentos e com o respeito que todo revolucion\u00e1rio professa por seus advers\u00e1rios, o respondo: N\u00e3o, muito obrigado, general!\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Nas FARC n\u00e3o temos alma de traidores, mas de patriotas e revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Lutamos e continuaremos lutando, com valor, entrega e sacrif\u00edcio para derrotar este regime podre das oligarquias e construir outra ordem social, ou por alcan\u00e7ar acordos que ajudem a construir uma p\u00e1tria onde caibamos todos.<\/p>\n<p>Jamais proclamamos o princ\u00edpio da guerra pela guerra, nem assumido esta luta como algo pessoal, j\u00e1 que nossos objetivos s\u00e3o os de conseguir mudan\u00e7as profundas na estrutura social da Col\u00f4mbia, que por fim levem em conta os interesses das maiorias nacionais e dos setores populares e que conduzam ao desmonte do atual regime pol\u00edtico criminoso, olig\u00e1rquico, corrupto, excludente e injusto, como est\u00e1 consignado em nossa Plataforma Bolivariana pela Nova Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Com a honestidade que corresponde a nosso compromisso com a mudan\u00e7a social e a lealdade que devemos a nosso povo, asseguramos que n\u00e3o vamos desistir depois de mais de 40 anos de luta, nem aceitar uma falsa paz. N\u00e3o trairemos os sonhos de justi\u00e7a da Col\u00f4mbia que clama pela paz com justi\u00e7a social, nem a mem\u00f3ria dos milhares de mortos, nem as v\u00edtimas das in\u00fameras trag\u00e9dias que ocasionou esta cruenta guerra, declarada pela oligarquia ao povo desde mais de 50 anos.<\/p>\n<p>Col\u00f4mbia necessita encontrar os caminhos que conduzam ao fim desta guerra entre irm\u00e3os, senderos de concilia\u00e7\u00e3o que nos levem a acordos de paz. Mas n\u00e3o ser\u00e1 atrav\u00e9s de uma paz falsa onde uma minoria olig\u00e1rquica continua concentrando todas as riquezas, a tempo que as grandes maiorias nacionais s\u00e3o esmagadas pelo peso da pobreza, do terror militarista, da mis\u00e9ria e da degrada\u00e7\u00e3o moral de uma classe dirigente corrupta at\u00e9 os ossos, o caminho mais seguro para alcan\u00e7ar a reconstru\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria e a reconcilia\u00e7\u00e3o dos colombianos.<\/p>\n<p>Uma paz entendida como rendi\u00e7\u00e3o ou entrega \u00e9 uma fantasia da oligarquia e somente seria um crime de lesa trai\u00e7\u00e3o ao povo e aos seus hist\u00f3ricos anseios de alcan\u00e7ar, ao fim, a justi\u00e7a social para todos.<\/p>\n<p>Acordos de paz sim, mas o ponto cardinal \u00e9: com ou sem c\u00e2mbios estruturais no pol\u00edtico e no social?<\/p>\n<p>Mais democracia ou mais autoritarismo e mais repress\u00e3o e submiss\u00e3o ao imp\u00e9rio?<\/p>\n<p>O convidamos a refletir sobre estas serenas palavras plenas de sensatez e atualidade, contidas na mensagem que nos dirigiu o comandante Manuel Marulanda V\u00e9lez aos membros das For\u00e7as Militares:<\/p>\n<p><em>O futuro da Col\u00f4mbia n\u00e3o pode ser o da guerra indefinida, nem o da explora\u00e7\u00e3o das riquezas da p\u00e1tria, nem pode continuar a vergonhosa entrega de nossa soberania \u00e0s voracidades pol\u00edticas imperiais do governo dos Estados Unidos; n\u00f3s temos a moral de sentar-nos para conversar s\u00e9rio e dirimir nossas diferen\u00e7as, mediante o intercambio civilizado de opini\u00f5es at\u00e9 a solu\u00e7\u00e3o definitiva das causas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais geradoras do conflito interno, para o bem das futuras gera\u00e7\u00f5es de compatriotas.<\/em><\/p>\n<p>Para alguns analistas mercen\u00e1rios, que pousam de conhecedores do conflito, o golpe da Macarena \u201cdeixa as FARC descabe\u00e7adas sem possibilidade de recomposi\u00e7\u00e3o\u201d. O agente da CIA, Alfredo Rangel, cr\u00ea que as FARC ficaram \u201c\u00f3rf\u00e3s\u201d e feridas em sua moral, perto do abandono da luta armada&#8230; Se equivocam. Como sempre, parecem caminhar com os olhos vendados pelos precip\u00edcios da realidade. Negam-se a entender que somos uma dire\u00e7\u00e3o coletiva, um corpo colegiado de condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar em todos os n\u00edveis de sua estrutura de mando. N\u00e3o observam na n\u00e9voa de um analista parcial, motivado pelas fantasias, o poder da coes\u00e3o que sempre distinguiram o Estado Maior Central das FARC e seu Secretariado. Prevendo que a luta revolucion\u00e1ria \u00e9 at\u00e9 as \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias, todas as instancias de mando das FARC funcionam com supl\u00eancias para encher oportunamente as vagas ocasionadas pela confronta\u00e7\u00e3o ou qualquer outro motivo. Por isso o comandante Pastor Alape, ante a desapari\u00e7\u00e3o de Jorge, passou a ser membro principal do Secretariado, enquanto o Bloco Comandante Jorge Brice\u00f1o se tamb\u00e9m se reestruturou, designando de seu seio um novo suplente.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos soldados inexperientes que se deixam confundir no rumo incerto de uma batalha. Nossa guerra \u00e9 pela paz, a Nova Col\u00f4mbia, a P\u00e1tria Grande e o Socialismo, na forma de um novo poder. No guerrilheiro fariano h\u00e1 consci\u00eancia e lealdade \u00e0 causa, e estar\u00e1 sempre, \u00e1vido de luta e vit\u00f3rias. Como dizia o Jorge uns dias antes de sua partido: \u201cn\u00f3s fazemos parte de uma luta popular e o povo \u00e9 invenc\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>A queda do grande guerrilheiro reviveu em Santos o desvario do fim da guerrilha, da proximidade de uma derrota da insurg\u00eancia, que nunca chegar\u00e1, e que vem sendo pregado desde 1964 para justificar a obsess\u00e3o militarista de um setor da oligarquia, por temor, por f\u00edsico medo, a uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que demanda o fim de seus privil\u00e9gios. N\u00e3o se d\u00e3o conta que ao fechar as portas do di\u00e1logo e da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica est\u00e3o abrindo as portas da revolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 o mesmo que disse Fidel em uma de suas \u00faltimas reflex\u00f5es: \u201cmuito pelo contr\u00e1rio do que afirma o governo colombiano, o assassinato do comandante Jorge&#8230; acelerar\u00e1 o processo revolucion\u00e1rio na Col\u00f4mbia\u201d.<\/p>\n<p>Dizemos sem meias palavras, mas com radicalismo: se Santos quer vir por n\u00f3s, que venha, mas que venha pessoalmente sem utilizar carne de canh\u00e3o que \u00e9 povo uniformizado. A arrog\u00e2ncia e o tom de ultimato de Santos t\u00eam como fundo as ordens em ingl\u00eas, que os guerrilheiros que seguem as comunica\u00e7\u00f5es da for\u00e7a p\u00fablica, captam nos grandes operativos.<\/p>\n<p>Fazemos nossas para este momento de coragem as reflex\u00f5es de Julius Fucik ao p\u00e9 do pat\u00edbulo:<\/p>\n<p>\u201c<em><strong>Quando a luta \u00e9 a morte;\/ o fiel resiste;\/ o indeciso renuncia;\/ o covarde trai;\/ o burgu\u00eas se desespera;\/ e o her\u00f3i combate\u201d.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Vendo a inf\u00e2mia de alguns <em>rep\u00f3rtecos<\/em> da grande imprensa, encarni\u00e7ados frente ao cad\u00e1ver do grande l\u00edder guerrilheiro, grunhindo suas ofensas, \u00e9 dever moral deplorar a baixeza \u00e9tica de quem pretende induzir a opini\u00e3o nacional a favor do <em>guerreirismo<\/em> e do terrorismo de Estado.<\/p>\n<p>Essa maquiaria da desinforma\u00e7\u00e3o se dedicou \u00e0 <em>sataniza\u00e7\u00e3o<\/em> da guerrilha e a santifica\u00e7\u00e3o do governo. Em seus espa\u00e7os silenciam a voz do povo e somente d\u00e3o a palavra a expertos financiados pela CIA e o capital financeiro, que encobrem e justificam os mais f\u00e9tidos crimes de lesa humanidade consumados pelo Estado.<\/p>\n<p>De maneira repetitiva e em hor\u00e1rio estelar, durante 15 minutos, os jornais da televis\u00e3o, mostraram as imagens do devastador bombardeio com claro prop\u00f3sito de legitimar o terrorismo institucional, provocar o aplauso aos crimes, concitar o apoio da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica belicista do Estado e uniformizar o pa\u00eds com a vis\u00e3o do conflito da direita neoliberal.<\/p>\n<p>N\u00e3o som her\u00f3is os pilotos e artilheiros do terrorismo que dispararam suas armas, guiados pela tecnologia, sen\u00e3o covardes instrumentos de um poder tir\u00e2nico e pr\u00f3-ianque que aspira eternizar a injusti\u00e7a sobre o solo da Col\u00f4mbia. Atuam contra seu pr\u00f3prio povo em benef\u00edcio de uma potencia estrangeira. N\u00e3o \u00e9 hero\u00edsmo disparar sobre o amparo da escurid\u00e3o e a v\u00e1rios milhares de p\u00e9s de altura, quando n\u00e3o h\u00e1 equil\u00edbrio de meios de combate entre as for\u00e7as oponentes. Outro foi o resultado na terra: 30 militares mortos, 70 feridos.<\/p>\n<p>Constatada a infausta noticia para os humildes da Col\u00f4mbia, alguns jornalistas robotizados se lan\u00e7aram sobre a popula\u00e7\u00e3o de La Macarena para os for\u00e7ar a uma opini\u00e3o adversa \u00e0 guerrilha ou faz\u00ea-los ratificar que a municipalidade se havia liberado de sua principal crueldade. Descaradamente aludiam a Jorge como principal benfeitor de toda serra. Durante d\u00e9cadas o poder central nunca quis abrir uma estrada que ligasse a rica regi\u00e3o campesina. Jorge e seus guerrilheiros a constru\u00edram, conseguindo comunicar por terra La Macarena com S\u00e3o Vicente do Cagu\u00e1n e Neiva. Igualmente, em auxilio \u00e0quela empobrecida gente construiu a via que conduz a Vistahermosa (Meta). Ergueu pontes sobre rios e riachos, bombardeados logo pela For\u00e7a A\u00e9rea, quando j\u00e1 haviam sido entregues para a comunidade. Sobre a condu\u00e7\u00e3o de Jorge foram pavimentados os bairros de S\u00e3o Vicente do Cagu\u00e1n, realizada a manuten\u00e7\u00e3o das estradas dos campos do Yar\u00ed, ativados v\u00e1rios aquedutos, organizadas brigadas de sa\u00fade, criado um imposto sobre o consumo de bebidas alco\u00f3licas para financiar professores da escola&#8230; E a popula\u00e7\u00e3o lembra tamb\u00e9m com grande gratid\u00e3o como se ativou o comercio sobre a tutela guerrilheira. Esta bonita hist\u00f3ria que fala da preocupa\u00e7\u00e3o social e do sentido solid\u00e1rio do comandante, n\u00e3o poder\u00e1 ser ocultada enquanto viva enraizada no cora\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o esquecida que apenas conheceu a presen\u00e7a do Estado atrav\u00e9s das bombas e metralhadoras.<\/p>\n<p>Pese estar debilitado pela diabetes, o comandante Jorge conseguiu frear por muitos meses na \u00e1rea geral de La Macarena, o avan\u00e7o de v\u00e1rias brigadas m\u00f3veis com mais de 15 mil efetivos. Estupefatos por sua din\u00e2mica impetuosa, por sua vontade inquebrant\u00e1vel, e inspirados em sua profunda admira\u00e7\u00e3o ao Che, hav\u00edamos dirigido a ele as seguintes palavras: \u201cJorge, nosso respeito. Obrigado por teu exemplo, por tua inesgot\u00e1vel capacidade de trabalho em meio do infort\u00fanio de uma doen\u00e7a, e por ensinar-nos como \u00e9 que se deve combater o advers\u00e1rio. Nos alegra que faz muito tenhas superado a tu arqu\u00e9tipo guerreiro, o Che. Com o realizado por ti, j\u00e1 n\u00e3o se trata de ser como o Che, sen\u00e3o superar ao Che\u201d. \u00c0 qual respondeu com sua mod\u00e9stia de sempre: \u201cEstamos fazendo pouco com base na tarefa estrat\u00e9gica que nos corresponde. Estamos \u00e9 despertando um pequeno gigante adormecido\u201d.<\/p>\n<p>O informe militar do Bloco Oriental no m\u00eas de agosto \u00e9 o seguinte:<\/p>\n<p><em>Choques armados 166; soldados mortos 157; soldados feridos 294; helic\u00f3pteros derrubados 10; barcos afundados 2; guerrilheiros mortos 11.<\/em><\/p>\n<p>Agora, aos guerrilheiros das FARC fica o desafio de sermos como Jorge, o mais empenhado dos guerreiros de Manuel. Ainda que a tarefa n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil, \u00e9 nosso dever. Suas palavras ressonar\u00e3o nas mentes guerrilheiras: \u201cnascemos para vencer, n\u00e3o para sermos vencidos\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o invenc\u00edveis os soldados de Manuel Marulanda V\u00e9lez porque sua bandeira \u00e9 a causa do povo, porque seus fuzis s\u00e3o a justi\u00e7a social, a independ\u00eancia e a liberdade combatendo pela P\u00e1tria Nova, porque marcham at\u00e9 a vit\u00f3ria com a pot\u00eancia demolidora do pensamento de Marx e de Bol\u00edvar, com o plano estrat\u00e9gico e o povo organizado.<\/p>\n<p>Do Jorge do \u00faltimo trecho de sua fecunda vida insurgente, devemos destacar:<\/p>\n<p>Eleito pela Oitava Conferencia Guerrilheira em 1993 como membro do Secretariado das FARC, inicia sua ascens\u00e3o at\u00e9 a altura dos her\u00f3is. Com as conclus\u00f5es de plenos e confer\u00eancias guerrilheiras em Mao, segue o pulso ao avan\u00e7o do plano estrat\u00e9gico, denominado Campanha Bolivariana pela Nova Col\u00f4mbia, ao lado de seu grande mestre o comandante Manuel. Reajusta planos e estruturas de mando e se ocupa do bom funcionamento das dire\u00e7\u00f5es. Enfoca-se na Escola Nacional de Quadros Hermano Gonz\u00e1les Acosta e sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de novos quadros comandantes. Organizador do Partido Clandestino, de profundas convic\u00e7\u00f5es comunistas declarava depois de suas reuni\u00f5es de c\u00e9lula: \u201ctomei um banho de comunismo, cumpri com minhas tarefas e deveres militantes\u201d. Apareceu radiante no dia 29 de abril de 2000 no lan\u00e7amento do Movimento Bolivariano em S\u00e3o Vicente, ao lado de Manuel Marulanda e Alfonso Cano e seus companheiros do Estado Maior. Feliz com as 30 mil pessoas congregadas no encontro; havia sido art\u00edfice da convocat\u00f3ria do evento, do reencontro de Bol\u00edvar com seu povo, e jogava papel fundamental na impressionante log\u00edstica de mobiliza\u00e7\u00e3o. Meses depois o vimos \u00e0 frente da liberta\u00e7\u00e3o unilateral de mais de 300 prisioneiros de guerra capturados nas campanhas militares do Bloco Oriental. \u201cRespeito-os \u2013 dizia Jorge -, porque se renderam em combate; olho com o que v\u00e3o dizer \u00e0 imprensa, inclusive se s\u00e3o opini\u00f5es favor\u00e1veis a n\u00f3s, porque isso pode prejudic\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p>Necessariamente devemos destacar seu permanente interesse e respeito por todos os movimentos revolucion\u00e1rios do mundo e por seus processos. Apaixonado pelo estudo e pela supera\u00e7\u00e3o pessoal, lia avidamente e gostava adentrar-se tanto na hist\u00f3ria universal como na de seu pa\u00eds. Somente dormia 3 ou 4 horas para dedicar a maior parte de seu tempo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e ao impulso das tarefas revolucion\u00e1rias. Profundo conhecedor de suas tropas, sabia escutar e ser autocr\u00edtico. Intenso em tudo, no combate, na pol\u00edtica, atento \u00e0s mudan\u00e7as na modalidade operativa do advers\u00e1rio, e muito eficaz no cumprimento das tarefas do movimento.<\/p>\n<p>Homem franco, direto, realista, rigoroso, fraternal, leal \u00e0 causa revolucion\u00e1ria, camarada e amigo de verdade, sem d\u00favida seus melhores valores. N\u00e3o permitiremos que estes atributos da personalidade do comandante Jorge sejam manipulados por pseudo-jornalistas empenhados a ofender sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>De todas as maneiras, com Manuel, com Jacobo, com Jorge, com Ra\u00fal, com Ivan Rios e com todos os que ca\u00edram, com o Libertador, os guerrilheiros das FARC entraremos a Bogot\u00e1 nos punhos levantados do povo, cavalgando na insurrei\u00e7\u00e3o, para instaurar na Pra\u00e7a de Bol\u00edvar o novo governo, patri\u00f3tico e bolivariano inspirador da nossa luta. Justa; mil vezes justa: um direito universal imprescind\u00edvel para destruir o mal maior da opress\u00e3o. N\u00f3s colombianos temos todo o direito do mundo a viver com dignidade, paz e em democracia, em soberania, em liberdade. Como disse Jorge: \u201cPara l\u00e1 vamos!\u201d.<\/p>\n<p>Triunfar! \u00c9 o grito de ordem. Aos revolucion\u00e1rios dizemos com Bertold Brecht:<\/p>\n<p><em>Quem ainda est\u00e1 vivo n\u00e3o diga &#8220;jamais&#8221;\/ O firme n\u00e3o \u00e9 firme\/ Tudo n\u00e3o seguir\u00e1 igual\/ Quando depois de falarem os que dominam\/ falar\u00e3o os dominados\/ Quem pode atrever-se a dizer &#8220;jamais&#8221;?\/ De quem depende que siga a opress\u00e3o? De n\u00f3s\/ De quem depende que se acabe? De n\u00f3s tamb\u00e9m; que se levante aquele que est\u00e1 abatido!\/ Aquele que est\u00e1 perdido, que combata!\/ Quem poder\u00e1 conter ao que conhece sua condi\u00e7\u00e3o?\/ Pois os vencidos de hoje ser\u00e3o os vencedores de amanha\/ e o jamais, se converter\u00e1 em hoje mesmo.<\/em><\/p>\n<p>Gl\u00f3ria aos her\u00f3is que ca\u00edram na resist\u00eancia ao opressor, este \u00e9 o grito do comandante Jorge ressonando no mais profundo da consci\u00eancia guerrilheira. Gl\u00f3ria a Raul Reyes, gl\u00f3ria a Iv\u00e1n R\u00edos, gl\u00f3ria aos que ca\u00edram em Sucumb\u00edos, gl\u00f3ria a todos os combatentes que entregaram sua vida pela causa da liberdade, <em>HASTA SIEMPRE<\/em>.<\/p>\n<p><em><strong>Hasta siempre<\/strong><\/em><strong>, Jorge, camarada, comandante, amigo. Venceremos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Honra ao comandante Jorge Brice\u00f1o, her\u00f3i da liberdade, da Nova Col\u00f4mbia, da P\u00e1tria Grande e do Socialismo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP<\/strong><\/p>\n<p>Montanhas da Col\u00f4mbia, outubro de 2010<\/p>\n<p>Ano do bicenten\u00e1rio do grito de independ\u00eancia<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/anncol.eu\/\" target=\"_blank\">ANNCOL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Anncol\n\n\n\n\n\n\n\n\nBiografia do her\u00f3ico guerrilheiro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/922\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-922","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-eS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=922"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/922\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}