{"id":925,"date":"2010-10-23T23:29:16","date_gmt":"2010-10-23T23:29:16","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=925"},"modified":"2010-10-23T23:29:16","modified_gmt":"2010-10-23T23:29:16","slug":"o-brasil-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/925","title":{"rendered":"O Brasil de Lula"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Um balan\u00e7o de oito anos do governo Lula: um social-liberalismo \u00e0 brasileira, em um pa\u00eds que ganha import\u00e2ncia maior na geopol\u00edtica regional e internacional. Conhe\u00e7a a an\u00e1lise do polit\u00f3logo Franck Gaudichaud, doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e mestre em Civiliza\u00e7\u00e3o Hispanoamericana na Universidade Grenoble 3 (ILCEA), membro do Comit\u00ea de Reda\u00e7\u00e3o da revista Dissidences e da Associa\u00e7\u00e3o Fran\u00e7a-Am\u00e9rica Latina. <\/em><\/p>\n<p><strong>P &#8211; Como se situa o Brasil numa perspectiva geopol\u00edtica, especialmente com respeito aos demais pa\u00edses latino-americanos? <\/strong><\/p>\n<p>R \u2013 Algumas cifras s\u00e3o esclarecedoras: o Brasil representa em extens\u00e3o a metade do territ\u00f3rio Sul-americano e sua popula\u00e7\u00e3o supera 190 milh\u00f5es de habitantes. \u00c9 um gigante sob todos os pontos de vista. Sua economia se situa, aproximadamente, no oitavo ou nono lugar mundial, logo atr\u00e1s da Espanha. Faz parte do grupo BRIC: Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China, acr\u00f4nimo que designa os grandes pa\u00edses chamados emergentes. Mas os dirigentes brasileiros rejeitam esse termo e consideram que representam uma economia \u201cemergida\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um pa\u00eds que, no plano diplom\u00e1tico e geopol\u00edtico, sempre buscou a autonomia, multilateralismo e certa independ\u00eancia. Desde que Lula governa, esse aspecto se acentuou ainda mais. O Brasil quer jogar na primeira divis\u00e3o. Reclama, por exemplo, um lugar no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. \u00c9 tamb\u00e9m um dos promotores do G-20, que foi concebido como um f\u00f3rum econ\u00f4mico mais amplo que o G-8 e aberto a alguns pa\u00edses do Sul.<\/p>\n<p>A vontade de se desenvolver de forma independente frente ao poder estadunidense levou o Brasil a dizer \u201cn\u00e3o\u201d ao projeto imperial da ALCA em 2005, junto da Venezuela e Argentina. \u00c9 um fato que o voto do Brasil era absolutamente determinante j\u00e1 que dele dependia a continuidade do projeto. Por outro lado, n\u00e3o existe d\u00favida de que o Brasil desempenha um papel predominante no Mercosul e, em geral, \u00e9 um pa\u00eds chave para pensar a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Assim, o Brasil teve um papel essencial na recente entrada da Venezuela nesse mercado comum. No entanto, ainda que o Brasil preconize a autonomia, n\u00e3o defende um modelo de desenvolvimento alternativo ao capitalismo, exatamente o contr\u00e1rio. No campo econ\u00f4mico atua seguindo uma orienta\u00e7\u00e3o capitalista desenvolvimentista e, em alguns aspectos, neoliberal. Em suas rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses da regi\u00e3o, se detecta um claro desejo de hegemonia de proximidade. Alguns autores falam de \u201csemi-imperialismo\u201d ou de \u201cimperialismo perif\u00e9rico\u201d.<\/p>\n<p>V\u00e1rias empresas brasileiras s\u00e3o multinacionais que praticam uma pol\u00edtica econ\u00f4mica agressiva com seus vizinhos: Petrobras, com o petr\u00f3leo, ou Odebrecht, no \u00e2mbito da constru\u00e7\u00e3o, provocaram conflitos importantes com pa\u00edses pr\u00f3ximos, como a Bol\u00edvia ou o Equador&#8230; A mesma rela\u00e7\u00e3o desigual se d\u00e1 com o Paraguai, concernente aos recursos hidroel\u00e9tricos comuns em Itaipu, onde o Paraguai foi privado de sua soberania no setor. A burguesia financeira e industrial brasileira (em especial a de S\u00e3o Paulo) defende assim suas prerrogativas no mercado mundial, o que, por outro lado, n\u00e3o impede os acordos estrat\u00e9gicos entre Brasil e Estados Unidos, com respeito, por exemplo, aos agrocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Do ponto de vista diplom\u00e1tico, a presid\u00eancia atual tentou se esconder, ao apoiar os governos de esquerda ou centro-esquerda da regi\u00e3o. Lula sempre apoiou Ch\u00e1vez (como, por exemplo, durante o golpe de Estado de abril de 2002), tamb\u00e9m mant\u00e9m boas rela\u00e7\u00f5es com o governo cubano e foi muito claro sobre a situa\u00e7\u00e3o em Honduras diante do golpe contra o presidente Zelaya.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Lula amea\u00e7ou n\u00e3o participar da C\u00fapula UE-Am\u00e9rica Latina de Madri, em maio, se Lobo \u2013 o presidente hondurenho golpista \u2013 estivesse presente (este \u00faltimo teve que desistir). Sua diplomacia favorece as rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul no plano diplom\u00e1tico, mas tamb\u00e9m no econ\u00f4mico. A China veio a ser um dos seus principais s\u00f3cios econ\u00f4micos: em oito anos, o com\u00e9rcio desse pa\u00eds com o Brasil aumentou 750%&#8230;<\/p>\n<p>Seguindo um princ\u00edpio de multipolaridade e buscando ter mais espa\u00e7o no cen\u00e1rio mundial, o governo brasileiro rejeita as inger\u00eancias das grandes pot\u00eancias do Norte em assuntos dos pa\u00edses do Sul, o que explica seu apoio ao Ir\u00e3 frente aos Estados Unidos ou a den\u00fancia das novas bases militares estadunidenses na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>O Brasil investe no desenvolvimento da Unasul (Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-americanas), que responde \u00e0 sua preocupa\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia pol\u00edtica e consolida\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, com um projeto que prev\u00ea instaurar uma moeda e um parlamento comuns. Se se materializa, a dita uni\u00e3o concentrar\u00e1 uma popula\u00e7\u00e3o de 360 milh\u00f5es de habitantes e ser\u00e1, em extens\u00e3o (17 milh\u00f5es de km\u00b2), a maior uni\u00e3o econ\u00f4mica, monet\u00e1ria e pol\u00edtica do mundo.<\/p>\n<p>Mas numerosos obst\u00e1culos ainda precisam ser superados, devidos \u00e0s m\u00faltiplas competi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas intrarregionais e as tens\u00f5es existentes entre os diferentes setores do capital, obst\u00e1culos que, paradoxalmente, foram criados pelas elites brasileiras ao defender sistematicamente seus interesses em detrimento da perspectiva de coopera\u00e7\u00e3o real.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es do Brasil com a Uni\u00e3o Europeia se inscrevem nessa preocupa\u00e7\u00e3o de maior inser\u00e7\u00e3o competitiva no mercado mundial. O Brasil firmou com a Fran\u00e7a um importante contrato de fornecimento de armamento. O Mercosul est\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o com a UE, ainda que se choque com o protecionismo europeu, sobretudo no terreno da agricultura.<\/p>\n<p><strong>P \u2013 Qual balan\u00e7o se pode fazer ao final de oito anos de governo Lula? <\/strong><\/p>\n<p>R \u2013 Segundo v\u00e1rios analistas, as enormes decep\u00e7\u00f5es que seguiram \u00e0 chegada do PT e do Lula ao governo em 2002 eram previs\u00edveis. \u00c9 verdade que uma parte da esquerda e dos movimentos sociais n\u00e3o havia analisado at\u00e9 que ponto a natureza e a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do PT tinham mudado entre o come\u00e7o dos anos 80 e a vit\u00f3ria eleitoral de 2002.<\/p>\n<p>O PT foi fundado em fevereiro de 1980 a partir de uma oposi\u00e7\u00e3o coletiva e popular radical \u00e0 ditadura militar. Desde o final de 1978, sindicalistas, intelectuais, dirigentes de movimentos populares falavam da necessidade de criar no Brasil um novo partido independente, de classe e abertamente socialista. O PT foi um dos maiores partidos oper\u00e1rios do mundo e continua sendo o partido de esquerda mais importante da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, reuniu v\u00e1rios setores sociais mobilizados: sindicalistas, \u00e9 certo que procedentes principalmente da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), que representam sua coluna vertebral; militantes de movimentos associativos, de feministas, de bairros; mas tamb\u00e9m muitas comunidades crist\u00e3s de base, inspiradas na Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Em 20 anos, e depois de tr\u00eas derrotas eleitorais sucessivas nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, o partido mudou muito. De um programa inicial anticapitalista, que prometia uma alternativa radical, o discurso se tornou cada vez mais moderado, de centro-esquerda.<\/p>\n<p>Em 2002, o slogan da campanha de Lula era \u201cPaz e amor\u201d&#8230; Temos aqui um novo exemplo do que o brit\u00e2nico Perry Anderson analisou na Europa: \u201ca esquerda ganhou seus gal\u00f5es de partido de governo depois de ter perdido a batalha das ideias\u201d. O PT sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o de sua composi\u00e7\u00e3o social, deixando um lugar cada vez maior para as classes m\u00e9dias e intelectuais num processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o-burocratiza\u00e7\u00e3o do seu aparato e de sua dire\u00e7\u00e3o, progressivamente ocupada pelos parlamentares e pelos diferentes eleitos em detrimento dos sindicalistas de ontem.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, a vit\u00f3ria de Lula em 2002 despertou muitas esperan\u00e7as no pa\u00eds e inclusive em toda Am\u00e9rica Latina. Mas chegou o momento de fazer um balan\u00e7o. O soci\u00f3logo Emir Sader fala do \u201cenigma Lula\u201d, que escaparia dos julgamentos j\u00e1 feitos. Outros soci\u00f3logos como Michael L\u00f6wy ou Atilio Boron s\u00e3o mais cr\u00edticos, e este \u00faltimo aponta que esses dois mandatos foram marcados pelo \u201cpossibilismo conservador\u201d. Seguramente, \u00e9 poss\u00edvel constatar que Lula renegou os ideais do PT de 1980 em prol da estabilidade macroecon\u00f4mica e dos interesses do capital, que ficaram muito acima das reformas sociais prometidas.<\/p>\n<p>H\u00e1 sinais evidentes de continu\u00edsmo da pol\u00edtica de F. H. Cardoso (o governante anterior), com o argumento de que a salva\u00e7\u00e3o do Brasil continua sendo o mercado mundial, a explora\u00e7\u00e3o massiva de mat\u00e9rias primas e a abertura do pa\u00eds (e de sua m\u00e3o de obra) para as transnacionais. Neste sentido, o \u201c\u00eaxito\u201d econ\u00f4mico \u00e9 real: a economia do Brasil \u00e9 uma das mais din\u00e2micas do mundo, com mais de 5 % de crescimento anual, e vista de Bras\u00edlia a crise s\u00f3 foi uma \u201cmarolinha\u201d, em palavras do pr\u00f3prio Lula.<\/p>\n<p>Sem tocar na estrutura social, e com o aplauso dos grandes empres\u00e1rios e do FMI, o governo do Brasil pratica taxas de juros muito elevadas, para grande beneficio dos capitais especulativos internacionais. Este \u201c\u00eaxito\u201d tem como contraponto a manuten\u00e7\u00e3o, inclusive o incremento, das desigualdades sociais e de renda, o que constitui um dos principais problemas democr\u00e1ticos reais do pa\u00eds. O Brasil \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cSu\u00ed\u00e7a-\u00cdndia\u201d, que re\u00fane no mesmo territ\u00f3rio rendas extremas.<\/p>\n<p>Mesmo assim, Lula n\u00e3o atuou sobre essas desigualdades estruturais: durante seu mandato, a renda dos mais pobres aumentou de maneira not\u00e1vel, por\u00e9m a dos ricos ainda mais. Segundo o economista Pierre Salama, o n\u00famero de brasileiros com mais de um bilh\u00e3o de d\u00f3lares em ativos financeiros cresceu mais de 19%, somente entre 2006 e 2007.<\/p>\n<p>Outro problema ainda maior \u00e9 que o Brasil embarcou em uma pol\u00edtica de agroneg\u00f3cios, que inclui o cultivo intensivo de organismos geneticamente modificados e de agrocombust\u00edveis, para grande alegria de empresas como a Monsanto, acolhidas com os bra\u00e7os abertos, mas com consequ\u00eancias sociais e ambientais desastrosas. Isto foi o que levou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a se demitir.<\/p>\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es, a grande reforma agr\u00e1ria t\u00e3o esperada, t\u00e3o anunciada durante a campanha, n\u00e3o foi cumprida. No Brasil, n\u00e3o poder\u00e1 haver desenvolvimento alternativo, democr\u00e1tico e sustent\u00e1vel sem uma reforma agr\u00e1ria radical. Trata-se de um problema incontorn\u00e1vel. Toda esta pol\u00edtica foi um jato de \u00e1gua fria para os movimentos sociais e em particular para o Movimento dos Sem Terra (MST), que \u00e9 o maior movimento social do continente e um dos mais interessantes por suas formas de auto-organiza\u00e7\u00e3o e da impressionante educa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, essas pol\u00edticas p\u00fablicas conservadoras foram favorecidas pelos obst\u00e1culos institucionais do Estado federal que \u00e9 o Brasil. O PT \u00e9 minorit\u00e1rio na C\u00e2mara de Deputados e no Senado, e s\u00f3 \u00e9 majorit\u00e1rio em tr\u00eas estados. Desde o princ\u00edpio, tentou aliar-se com a direita liberal e latifundi\u00e1ria para governar, o que acentuou sua imobilidade, em particular do ponto de vista da pol\u00edtica agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ademais, a exig\u00eancia de estabilidade econ\u00f4mica e o respeito \u00e0 grande propriedade privada eram argumentos aos quais Lula era muito sens\u00edvel no momento de sua elei\u00e7\u00e3o, como mostra a Carta aos Brasileiros que publicou durante a campanha. Seus principais assessores econ\u00f4micos haviam sa\u00eddo das escolas do pensamento neoliberal estadunidense, e a contra-reforma do sistema de pens\u00f5es dos funcion\u00e1rios foi uma das primeiras medidas que tomou seu governo.<\/p>\n<p>Esta revis\u00e3o das conquistas sociais dos funcion\u00e1rios conduziu \u00e0 apari\u00e7\u00e3o das primeiras diferen\u00e7as no seio do PT e levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do PSOL, em torno das figuras da esquerda como Helo\u00edsa Helena ou Pl\u00ednio de Arruda Sampaio. Mesmo assim, seria errado esquecer que Lula continua sendo extraordinariamente popular, sobretudo entre as classes mais pobres (particularmente do Nordeste). Levou a cabo v\u00e1rios programas sociais assistencialistas (especialmente durante o segundo mandato), muito rent\u00e1veis eleitoralmente, como o Bolsa Fam\u00edlia, que conseguiu tirar da mis\u00e9ria extrema mais de 20 milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p>A cobertura social e os sal\u00e1rios m\u00ednimos tamb\u00e9m foram ampliados e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais por parte do Estado baixou consideravelmente, abrindo espa\u00e7os de di\u00e1logo e inclusive de coopta\u00e7\u00e3o de muitos dirigentes sociais e sindicais. N\u00e3o se deve ignorar que os grandes grupos midi\u00e1ticos est\u00e3o nas m\u00e3os de uma oligarquia arcaica, ainda ferozmente hostil a Lula, que continua a consider\u00e1-lo um sindicalista procedente da esquerda, e por isso t\u00e3o potencialmente perigoso em raz\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o de sua base social.<\/p>\n<p>Em resumo, poderia dizer que a pol\u00edtica de Lula conjuga uma pol\u00edtica macroecon\u00f4mica neoliberal e uma pol\u00edtica social assistencialista centrada na luta contra a extrema pobreza, dando finalmente estabilidade ao sistema, raz\u00e3o pela qual o ex-sindicalista \u00e9 considerado por Wall Street e por grande parte das elites como um dos melhores presidentes da hist\u00f3ria democr\u00e1tica do pa\u00eds. Poderia qualificar sua gest\u00e3o de \u201csocial liberalismo \u00e0 brasileira\u201d ou talvez como fazem alguns autores de \u201cliberal-desenvolvimentismo\u201d, posto que o Estado brasileiro continua querendo regular uma parte da atividade econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>P \u2013 Como v\u00ea o futuro do pa\u00eds? <\/strong><\/p>\n<p>R \u2013 Lula n\u00e3o pode voltar a se apresentar nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es de outubro. Para o PT, o desafio \u00e9 fazer \u201clulismo sem Lula\u201d, captar sua popularidade, evidentemente com poucas mudan\u00e7as na orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica. A candidata atual \u00e9 Dilma Rousseff. Economista de forma\u00e7\u00e3o, chefe do gabinete ministerial de Lula, uma esp\u00e9cie de primeira-ministra, militou na juventude nos movimentos de luta armada contra a ditadura. Pouco carism\u00e1tica, subiu muito nas pesquisas gra\u00e7as ao apoio decidido de Lula, e \u00e9 prov\u00e1vel que ganhe as elei\u00e7\u00f5es no primeiro turno frente ao principal candidato da oposi\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Serra (social-democracia liberal).<\/p>\n<p>\u00c0 esquerda do PT, o PSOL apresenta Pl\u00ednio de Arruda Sampaio, lutador social incans\u00e1vel e grande defensor da reforma agr\u00e1ria. Mas, infelizmente, n\u00e3o haver\u00e1 candidato comum da esquerda radical, em particular com o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado \u2013 trotskista) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Marina Silva ser\u00e1 a candidata dos verdes, encarnando a ecologia liberal.<\/p>\n<p>Apesar da cr\u00edtica de uma parte da esquerda, \u00e9 prov\u00e1vel que o PT consiga o apoio de importantes setores populares e daqueles que n\u00e3o querem a volta de uma direita repressiva e do centro neoliberal encarnado pela candidatura de Serra. A m\u00e9dio prazo, creio que \u00e9 interessante ver o que sucede no Movimento Sem Terra, dos sem teto e das organiza\u00e7\u00f5es sindicais. Este ver\u00e3o se tentou criar uma nova central sindical classista, na perspectiva de um sindicalismo mais independente que a CUT frente ao poder e que congregue oper\u00e1rios combativos junto a estudantes, feministas e coletivos afro-brasileiros e ind\u00edgenas. Este primeiro passo n\u00e3o deu certo. Mas acredito que este tipo de recomposi\u00e7\u00e3o \u201cdesde baixo\u201d pode fazer surgir a esperan\u00e7a de uma renova\u00e7\u00e3o das alternativas anticapitalistas no Brasil, terra do F\u00f3rum Social Mundial e da consigna \u201coutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>9\/10\/2010<\/p>\n<p><strong>Fonte: ViaPol\u00edtica\/Tlaxcala\/Noveaux Regards <\/strong><\/p>\n<p><strong>Fonte: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.cetri.be\/spip.php?article1827%E2%8C%A9=fr\" target=\"_blank\"><strong>http:\/\/www.cetri.be<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>T\u00edtulo do original em franc\u00eas: \u201cBilan Lula: Um social-liberalisme a la bresilienne\u201d <\/strong><\/p>\n<p><strong>Evelyne Bechtold-Rogno \u00e9 jornalista do Comit\u00ea de Reda\u00e7\u00e3o da revista <\/strong><em><strong>Nouveaux Regards<\/strong><\/em><strong>, de Paris. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Contato com o entrevistado: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.viapolitica.com.br\/franck.gaudichaud@u-grenoble3.fr\" target=\"_blank\"><strong>franck.gaudichaud@u-grenoble3.fr<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>URL desta entrevista em Tlaxcala: <\/strong> <a href=\"http:\/\/www.tlaxcala-int.org\/article.asp?reference=1585\" target=\"_blank\"><strong>http:\/\/www.tlaxcala-int.org<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Data de publica\u00e7\u00e3o do texto original em franc\u00eas: 29\/09\/2010 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Em espanhol: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.cetri.be\/spip.php?article1828%E2%8C%A9=es\" target=\"_blank\"><strong>http:\/\/www.cetri.be<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Traduzido por Mariana Ferreira Gomes Stelko, para Tlaxcala <\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 3.bp.blogspot.com\n\n\n\n\n\n\n\n\nPor Evelyne Bechtold-Rogno, de Nouveaux Regards\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/925\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-eV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}