{"id":9260,"date":"2015-09-03T20:36:49","date_gmt":"2015-09-03T23:36:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9260"},"modified":"2015-09-24T23:47:43","modified_gmt":"2015-09-25T02:47:43","slug":"siria-a-pior-crise-humanitaria-do-mundo-em-70-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9260","title":{"rendered":"S\u00edria: a pior crise humanit\u00e1ria do mundo em 70 anos"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.patrialatina.com.br\/fotos\/31-08-2015_12_12_42_.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>Damasco (Prensa Latina)\u00a0A S\u00edria enfrenta a pior crise humanit\u00e1ria vista no mundo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, com cifras que superam os 4 milh\u00f5es de refugiados e cerca de 11 milh\u00f5es de deslocados em consequ\u00eancia da guerra.<!--more--><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m j\u00e1 se assombra de ler manchetes da imprensa que ressaltam os milhares de refugiados s\u00edrios que esperam um comboio para a Europa na fronteira entre Gr\u00e9cia e Maced\u00f4nia, buscando chegar \u00e0 Alemanha, Fran\u00e7a ou a qualquer na\u00e7\u00e3o que os acolha como asilados.<\/p>\n<p>O terror, a mis\u00e9ria, e sobretudo a falta de seguran\u00e7a nos lugares ocupados pelos grupos terroristas do Estado Isl\u00e2mico (EI) e a Frente Al-Nusra, entre outras organiza\u00e7\u00f5es extremistas armadas presentes aqui, provocaram esta avalanche humana que coloca a S\u00edria hoje entre os primeiros emissores de refugiados.<\/p>\n<p>As cifras s\u00e3o assustadoras: quase 1 milh\u00e3o e 200 mil s\u00edrios refugiados no L\u00edbano, mais de 832 mil na Turquia, 612 mil na Jord\u00e2nia, 217 mil no Iraque e 138 mil no Egito, sem contar outras dezenas de milhares espalhados pela Europa, Am\u00e9rica e outros rinc\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>O QUE OS IMPULSIONA A ABANDONAR SEU PA\u00cdS?<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de 50 meses de sangrenta guerra, a imposi\u00e7\u00e3o de dogmas religiosos nas regi\u00f5es ocupadas pelos jihadistas, a perda de moradias e propriedades e o risco permanente a morrer entre o fogo cruzado, milh\u00f5es de s\u00edrios optaram por deixar seus territ\u00f3rios e buscar amparo em lugares seguros.<\/p>\n<p>Mas estas n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas causas destes deslocamentos em massa. Tamb\u00e9m respondem a manobras pol\u00edticas desenvolvidas pelos estrategistas que organizaram esta guerra e que est\u00e3o dirigidas a gerar o caos, a fragmenta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas sobretudo, para debilitar as for\u00e7as armadas do governo s\u00edrio de potenciais combatentes que refor\u00e7am a capacidade do ex\u00e9rcito e as mil\u00edcias.<\/p>\n<p>Segundo o intelectual franc\u00eas Thierry Meyssan, fundador da Rede Voltaire, al\u00e9m das raz\u00f5es l\u00f3gicas que imp\u00f5em o conflito armado entre a popula\u00e7\u00e3o civil, esta onda de imigrantes \u00e9 consequ\u00eancia da estrat\u00e9gia desenhada pelos Estados Unidos para a regi\u00e3o e posta em pr\u00e1tica a partir de 2001.<\/p>\n<p>Em uma recente entrevista oferecida por Meyssan ao site s\u00e9rvio Geopolitika, afirmou que &#8220;Washington j\u00e1 n\u00e3o tenta se apoderar do controle dos Estados, mas sim destruir os Estados e de impor um caos que torna imposs\u00edvel organizar algo sem contar com a vontade estadunidense&#8221;.<\/p>\n<p>Para o analista gal\u00eas, tudo se baseia na aplica\u00e7\u00e3o das teorias do fil\u00f3sofo Leo Strauss &#8211; paradigma te\u00f3rico de muitos oficiais do Departamento de Defesa norte-americano -, que afirmam que &#8220;o verdadeiro poder n\u00e3o se exerce em uma situa\u00e7\u00e3o de imobilidade mas, pelo contr\u00e1rio, mediante a destrui\u00e7\u00e3o de toda forma de resist\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>OLHAR INTERNACIONAL<\/p>\n<p>Recentemente, a diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos das Na\u00e7\u00f5es Unidas (PMA), Ertharin Cousin, solicitou \u00e0 comunidade internacional 163 milh\u00f5es de d\u00f3lares para garantir o apoio aos refugiados s\u00edrios em diferentes pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em particular, para atender as necessidades de aproximadamente 1,5 milh\u00f5es que vivem amontoados na Jord\u00e2nia, L\u00edbano, Turquia, Iraque e Egito.<\/p>\n<p>Segundo dados publicados por meios de imprensa e oferecidos pela Comiss\u00e3o espanhola de Ajuda ao Refugiado (CEAR), nestas ocasi\u00f5es uma das principais vias de sa\u00edda para os refugiados s\u00edrios \u00e9 atrav\u00e9s das m\u00e1fias migrat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Muitas fam\u00edlias refugiadas &#8211; sublinha um relat\u00f3rio da CEAR &#8211; re\u00fanem suas poupan\u00e7as e chegam a pagar aos traficantes at\u00e9 4 mil e 500 euros pela viagem de um \u00fanico passageiro para a Europa, que inclui o bilhete de avi\u00e3o, o passaporte e a documenta\u00e7\u00e3o falsa.<\/p>\n<p>Explica que os refugiados costumam permanecer na Turquia v\u00e1rios meses esperando instru\u00e7\u00f5es da m\u00e1fia para dali, e sem levantar suspeitas, voar a diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, como Col\u00f4mbia e Brasil, ainda que os itiner\u00e1rios a\u00e9reos possam variar.<\/p>\n<p>Este caos humanit\u00e1rio afeta fundamentalmente \u00e0s crian\u00e7as, j\u00e1 que as condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, alimentares, escolares e psicol\u00f3gicas se encarecem e se dificultam, e deixam um saldo de mais de cinco milh\u00f5es de menores refugiados ou deslocados e a alarmante cifra de 10 mil crian\u00e7as mortas em consequ\u00eancia da crise.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se imp\u00f5e a mis\u00e9ria na qual se encontram as fam\u00edlias dos deslocados e refugiados que obriga, principalmente aos menores, a se dedicar \u00e0 mendic\u00e2ncia, ou a buscar qualquer forma de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>REALIDADES IMEDIATAS<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o que vive a S\u00edria hoje, com uma popula\u00e7\u00e3o que se debate entre dois fogos, com mais de 240 mil mortos em consequ\u00eancia da guerra, e ante o olhar de pa\u00edses desenvolvidos que continuam apostando no terrorismo, como via r\u00e1pida para alcan\u00e7ar seus prop\u00f3sitos hegem\u00f4nicos e expansionistas.<br \/>\nEnquanto as fam\u00edlias s\u00edrias seguem buscando vias de escape, ainda que tenham que superar obst\u00e1culos, para al\u00e9m das balas.<\/p>\n<p>O governo da Turquia ordenou em data recente a constru\u00e7\u00e3o de um muro de concreto de tr\u00eas metros de altura em um trecho de oito quil\u00f4metros da fronteira comum com a S\u00edria.<\/p>\n<p>Ainda que os porta-vozes do governo encabe\u00e7ado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan tenham se apressado em dizer que a medida foi adotada em consequ\u00eancia da recente onda de ataques terroristas no sul do pa\u00eds, est\u00e1 claro que o que busca \u00e9 frear o fluxo migrat\u00f3rio dos povoados s\u00edrios.<\/p>\n<p>Por outro lado, os traficantes de seres humanos lucram, com ganhos que apontam a quase meio milh\u00e3o de d\u00f3lares por cada travessia clandestina pelo mar, um terr\u00edvel cemit\u00e9rio que continua custando vidas inocentes.<\/p>\n<p>Por Miguel Fern\u00e1ndez Mart\u00ednez<\/p>\n<p>Correspondente da Prensa Latina na S\u00edria.<\/p>\n<p>Fonte: Prensa Latina<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Damasco (Prensa Latina)\u00a0A S\u00edria enfrenta a pior crise humanit\u00e1ria vista no mundo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, com cifras que superam os 4 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9260\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-9260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2pm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9260\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}