{"id":9283,"date":"2015-09-06T13:04:12","date_gmt":"2015-09-06T16:04:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9283"},"modified":"2015-09-24T23:53:43","modified_gmt":"2015-09-25T02:53:43","slug":"a-crise-fronteirica-colombo-venezuelana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9283","title":{"rendered":"A crise fronteiri\u00e7a Colombo-Venezuelana"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/frontera1.jpg?w=747\" alt=\"\" \/>Editorial ANNCOL<\/p>\n<p>Este esclarecedor Editorial da ANNCOL cont\u00e9m elementos essenciais para o enquadramento da atual crise fronteiri\u00e7a entre Col\u00f4mbia e Venezuela e para a compreens\u00e3o dos fatores que conduziram a ela. E \u00e9 particularmente significativo que, assumindo Uribe \u2013 o \u201cpe\u00e3o do imperialismo\u201d \u2013 um papel central, o pr\u00f3prio imperialismo venha tratando esta crise de forma t\u00e3o discreta.<!--more--><\/p>\n<p>Descobrem-se a cada dia que passa novas complexidades da chamada \u201ccrise fronteiri\u00e7a colombo-venezuelana\u201d. Por essa raz\u00e3o, quem hoje aventure opini\u00f5es ou \u201chip\u00f3teses\u201d corre o risco de ser desmentido amanh\u00e3. Proporemos, com este pressuposto, alguns elementos gerais de an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o presente entre as duas na\u00e7\u00f5es irm\u00e3s.<br \/>\n1- N\u00edvel Macro:\u00a0O primeiro e talvez mais importante que se deve fazer notar \u00e9 que este \u00e9 um episodio regional de uma situa\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica continental, ou se se quiser global, situada necessariamente dentro do Quadro Global da grande crise civilizacional mundial que est\u00e1 em curso ou em pleno desenvolvimento.<br \/>\nHaver\u00e1 sempre que considerar aquela terr\u00edvel espada que o presidente dos EUA Obama colocou, em 9 de Mar\u00e7o de 2015, sobre a cabe\u00e7a do governo e do povo venezuelanos, ao declarar que a \u201cVenezuela \u00e9 uma amea\u00e7a para a seguran\u00e7a dos EUA e do seu sistema financeiro \u2013 como lhe chamou &#8211; pelos fluxos financeiros il\u00edcitos da corrup\u00e7\u00e3o p\u00fablica na Venezuela\u201d. Por \u00faltimo, que \u00e9 uma express\u00e3o da luta mais geral pela hegemonia e a divis\u00e3o do mundo entre as pot\u00eancias capitalistas da \u201ctr\u00edade imperialista hegem\u00f3nica\u201d com grande experi\u00eancia imperialista (EUA, Europa e Jap\u00e3o) e as economias capitalistas emergentes de China, R\u00fassia, Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul.<br \/>\n2- N\u00edvel Meso:\u00a0O segundo elemento a considerar \u00e9 o n\u00edvel m\u00e9dio ou Regional, compreendido em territ\u00f3rio militar que o US Army consignou ao seu Comando Sul; onde se inclui o \u201cmare nostrum\u201d do Caribe, a regi\u00e3o Andino-Amaz\u00f3nica e o Cone Sul do Continente americano. Ali existe uma regi\u00e3o muito conflitiva constitu\u00edda pelas 6 fronteiras que a Col\u00f4mbia possui (com Venezuela, com Equador, com Panam\u00e1, com Nicar\u00e1gua, com Peru e com Brasil, onde tem sido posto \u00e0 prova e por meio das armas o dom\u00ednio tradicional dos EUA, quer dizer at\u00e9 onde chegou o chamado Conflito Interno colombiano (atualmente em conversa\u00e7\u00f5es em Havana para lhe p\u00f4r fim) e que ao que parece ultrapassou a capacidade militar do gigantesco ex\u00e9rcito colombiano (500 mil homens em armas para al\u00e9m dos seus paramilitares) armados, financiados e apoiados por nove mega bases militares do US Army, para que mantenha enquistado o referido conflito interno, e dentro das mal chamadas fronteiras colombianas. Comprovamos hoje uma vez mais que este ultrapassou todas as linhas fronteiri\u00e7as, sem que o terror\u00edfico ex\u00e9rcito colombiano com os seus paramilitares tenha nesta ocasi\u00e3o podido fazer nada, exceto calar e fingir que n\u00e3o \u00e9 nada com ele.<\/p>\n<p>3- N\u00edvel Micro. O terceiro elemento \u00e9 o micro ou Local, que envolve os dois Estados fronteiri\u00e7os, ou seja, \u00e9 \u201cbilateral\u201d, mas que como de costume tem sido tratado e utilizado unicamente de forma unilateral e de maneira manique\u00edsta, esquecendo os muitos elementos da luta de classes que explodiram ou eclodiram na crise atual e que est\u00e3o intimamente inter-relacionados entre si ou t\u00eam componentes em ambos os pa\u00edses. Mencionemos alguns:<\/p>\n<p>A- A m\u00e1fia narcotraficante transnacional cuja cadeia exportadora de coca\u00edna e de lavagem de d\u00f3lares se inicia na Col\u00f4mbia, com os seus escal\u00f5es mais fortes, experimentados e transnacionalizados, mas tamb\u00e9m compromete narcotraficantes venezuelanos. Isto foi honestamente reconhecido pelo governo venezuelano, mas n\u00e3o pelo colombiano.<br \/>\nB- O contrabando da Venezuela para Col\u00f4mbia de mercadorias, alimentos, artigos de primeira necessidade, o mercado negro de d\u00f3lares ou divisas, e de um produto geoestrat\u00e9gico e fundamental na economia internacional atual como o petr\u00f3leo e seus derivados, nas suas duas formas:<br \/>\nEm pequena escala com os \u201cbachaqueros\u201d (palavra derivada de \u201cbachaco\u201d com a qual os camponeses da regi\u00e3o nomeiam as formigas carregadoras com as suas grandes cargas) e os \u201cpimpineros\u201d (palavra derivada de \u201cpimpina\u201d ou cilindro de g\u00e1s metano).<br \/>\nE o contrabando \u00e0 grande escala, em grandes caminh\u00f5es e caravanas de ve\u00edculos todo-o-terreno para as refinarias de Ecopetrol, como acaba de mostrar a esclarecedora an\u00e1lise de Franco Vielma (ver esta liga\u00e7\u00e3o:\u00a0http:\/\/prensarural.org\/spip\/spip.php?article17589\u00a0)<\/p>\n<p>c- O narco paramilitarismo (produto genuinamente colombiano) que desde finais do s\u00e9culo passado (1997, com o governo de Pastrana), com a implementa\u00e7\u00e3o do Plano Col\u00f4mbia a n\u00edvel nacional durante o act\u00ednio de Uribe V\u00e9lez 2002-2010 e os 5 anos de Santos, se foi expandindo gradualmente a todo o pa\u00eds e em especial aos departamentos fronteiri\u00e7os de la Guajira, Norte de Santander, Santander del Sur, Arauca e Casanare, utilizando parte dos 4 milh\u00f5es de deslocados pelo terror Estatal, chamados respectivamente pelo Regime \u201cmigrantes internos\u201d, muitos dos quais, aproveitando a porosidade da fronteira, ou a corrup\u00e7\u00e3o das autoridades de emigra\u00e7\u00e3o colombianas, passaram \u00e0 Venezuela para \u201crebuscarse la vida\u201d (rebusque) e se instalaram especialmente nas regi\u00f5es de Zulia, T\u00e1chira e dos Llanos venezuelanos. Sobre esse substrato miser\u00e1vel de desenraizados e deslocados pelo regime colombiano e seus paramilitares e contando com a simpatia de algumas autoridades antichavistas dessas regi\u00f5es; a m\u00e1fia narco-paramilitar colombiana &#8211; seguindo o modelo experimentado com \u00eaxito na Col\u00f4mbia &#8211; come\u00e7ou a minar criando, ampliando e controlando todo o tipo de neg\u00f3cios criminosos, que finalmente vieram a amea\u00e7ar a formalidade e a legalidade do governo atual da Venezuela, que preparou uma a\u00e7\u00e3o defensiva de tipo militar.<br \/>\nAos dias de hoje e ainda sem que a crise esteja j\u00e1 de todo resolvida, h\u00e1 alguns elementos que pela sua evid\u00eancia s\u00e3o concludentes:<br \/>\n1- O sil\u00eancio da maioria dos governos latino-americanos e caribenhos que, embora o governo colombiano o tivesse solicitado, n\u00e3o vieram em seu apoio, mostra o isolamento do governo santista e da sua pretens\u00e3o de eludir as responsabilidades pr\u00f3prias no que diz respeito ao alastramento do narco paramilitarismo a outros pa\u00edses.<br \/>\n2- N\u00e3o houve e n\u00e3o parece que venha a haver uma guerra entre Col\u00f4mbia e Venezuela. Em boa hora e com um ins\u00f3lito sentido da realidade surgido \u00e0 \u00faltima da hora, o presidente Santos, reunido \u00e0 porta fechada com as c\u00fapulas dos partidos de governo, decidiu seguir a via diplom\u00e1tica para a solu\u00e7\u00e3o do impasse e ignorou os teatrais apelos dos belicistas contra-insurgentes. Uma guerra entre Col\u00f4mbia e Venezuela induzir\u00e1 definitivamente o fim do Bloco de Poder Contra-Insurgente dominante na Col\u00f4mbia. Sempre sustentei dialeticamente que a revolu\u00e7\u00e3o em Col\u00f4mbia passa por Venezuela.<br \/>\n3- As Farc declararam taxativamente que a presen\u00e7a do governo Venezuelano \u00e9 fundamental para o \u00eaxito do processo de paz que se desenvolve em Havana.<br \/>\n4- Contrariamente ao que o Oligop\u00f3lio Medi\u00e1tico Contra-Insurgente da Col\u00f4mbia histericamente sustenta, Uribe V\u00e9lez, \u201co pe\u00e3o do Imperialismo\u201d como lhe chamou em certa ocasi\u00e3o o Presidente Ch\u00e1vez, atualmente apontado de forma direta pelo governo venezuelano e perante o mundo como o respons\u00e1vel pela conspira\u00e7\u00e3o narco-paramilitar contra si, n\u00e3o obteve qualquer triunfo, nem pol\u00edtico nem de nenhum outro tipo dos que pretendia: N\u00e3o houve guerra fronteiri\u00e7a. N\u00e3o se rompeu o processo de paz. A Col\u00f4mbia n\u00e3o sai de Unasur. O governo de Venezuela dever\u00e1 continuar sendo parte do processo de paz em Havana. O governo dos EUA atua cautelosamente. O presidente Maduro n\u00e3o caiu mas, pelo contr\u00e1rio, recolhe apoios multitudin\u00e1rios nas ruas e cidades, n\u00e3o em concili\u00e1bulos fechados como Santos, e pode dar-se ao luxo de viajar a China e Vietnam em plena crise. Ningu\u00e9m, exceto os mesmos jornalistas de sempre, apoia as palha\u00e7adas uribistas. Nem apoia o narco paramilitarismo transnacional que ficou completamente desmascarado ante o Mundo<\/p>\n<p>E as elei\u00e7\u00f5es? Para regozijo de Santos, logo veremos como lhe sair\u00e1 o conluio com o Ub\u00e9rrimo e os seus narco parapol\u00edticos.<br \/>\nE na Venezuela?<br \/>\nTamb\u00e9m logo veremos como os bolivarianos alcan\u00e7ar\u00e3o uma imensa vit\u00f3ria e como os \u201cescu\u00e1lidos\u201d n\u00e3o ir\u00e3o mais al\u00e9m do que ser o que s\u00e3o: \u201cpe\u00f5es do imperialismo\u201d, aliados com Uribe contra o seu pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"0R9vynxXtr\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3757\">Estado espanhol beira os seis milh\u00f5es de desempregados e 21% da popula\u00e7\u00e3o pobre<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3757\/embed#?secret=0R9vynxXtr\" data-secret=\"0R9vynxXtr\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Estado espanhol beira os seis milh\u00f5es de desempregados e 21% da popula\u00e7\u00e3o pobre&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Editorial ANNCOL Este esclarecedor Editorial da ANNCOL cont\u00e9m elementos essenciais para o enquadramento da atual crise fronteiri\u00e7a entre Col\u00f4mbia e Venezuela e para \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9283\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34,45],"tags":[],"class_list":["post-9283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2pJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9283\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}