{"id":9293,"date":"2015-09-09T07:12:11","date_gmt":"2015-09-09T10:12:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9293"},"modified":"2015-09-24T23:51:17","modified_gmt":"2015-09-25T02:51:17","slug":"venezuela-uma-cruzada-contra-o-paramilitarismo-e-o-contrabando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9293","title":{"rendered":"Venezuela: uma cruzada contra o paramilitarismo e o contrabando"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/COlombia-Venezuela.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>Sof\u00eda Athanassopoulos*\/Resumen Latinoamericano\/Marcha, 3 de agosto de 2015 \u2013<\/strong> Para muitos venezuelanos, o an\u00fancio do presidente Nicol\u00e1s Maduro, em 20 de agosto passado, decretando o fechamento da fronteira com a Col\u00f4mbia, no estado do T\u00e1chira, era algo que se esperava devido ao crescimento descomunal do contrabando tanto de alimentos como de gasolina.<!--more--><\/p>\n<p>A isso se soma a persistente problem\u00e1tica do narcotr\u00e1fico e do paramilitarismo, que vinham aumentando os \u00edndices delitivos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O mandat\u00e1rio venezuelano tomou esta decis\u00e3o ap\u00f3s o evento de 19 de agosto, no qual tr\u00eas soldados da For\u00e7a Armada Nacional Bolivariana (FANB) ficaram gravemente feridos em uma emboscada paramilitar na zona fronteiri\u00e7a enquanto realizavam uma opera\u00e7\u00e3o anticontrabando.<\/p>\n<p>Depois, Maduro decretou o Estado de Exce\u00e7\u00e3o por 60 dias em seus munic\u00edpios do estado do T\u00e1chira, o que incluiu o deslocamento de 1.500 efetivos militares para capturar os culpados do ataque aos soldados venezuelanos.<\/p>\n<p>Desde o an\u00fancio do fechamento da fronteira, foram capturados 32 paramilitares e cerca de 1.100 colombianos em condi\u00e7\u00e3o irregular foram deportados. Tamb\u00e9m foram detidos ao menos 50 efetivos da Guarda Nacional Bolivariana da Venezuela (GNB) e 110 funcion\u00e1rios da pol\u00edcia por seu envolvimento no contrabando de gasolina e alimentos.<\/p>\n<p><strong>Fogo cruzado<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o provocou uma forte troca de acusa\u00e7\u00f5es entre ambos os governos, que vem aumentando nos \u00faltimos dias. Maduro prop\u00f4s que a Uni\u00e3o Sul-americana de Na\u00e7\u00f5es (Unasul) debata o tema, coisa que Juan Manuel Santos repudiou.<\/p>\n<p>O presidente colombiano tentou fazer com que o espa\u00e7o mediador fosse a Organiza\u00e7\u00e3o de Estados Americanos (OEA), por\u00e9m n\u00e3o contou com os votos necess\u00e1rios para convocar uma reuni\u00e3o de chanceleres desse organismo.<\/p>\n<p>Ante esse fracasso, Santos anunciou que buscar\u00e1 novas inst\u00e2ncias multilaterais para \u201cproteger os direitos dos conacionais que est\u00e3o sendo violados pela Venezuela\u201d. Disse que recorrer\u00e1 \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ao secret\u00e1rio geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, ao Alto Comissariado de Direitos Humanos em Genebra e \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Migra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De sua parte, Maduro informou: \u201cChamei o presidente Santos para que fiz\u00e9ssemos uma reuni\u00e3o cara a cara e busc\u00e1ssemos a verdade, com base no di\u00e1logo, no respeito, n\u00e3o na promo\u00e7\u00e3o do \u00f3dio promovido contra mim, mas que busc\u00e1ssemos canalizar e resolver a raiz desta quest\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O mandat\u00e1rio bolivariano chamou a \u201cestabelecer e construir uma fronteira de paz, de trabalho, livre do paramilitarismo, da chantagem, da guerra econ\u00f4mica, da viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fronteira quente<\/strong><\/p>\n<p>A Venezuela e a Col\u00f4mbia compartilham uma fronteira de 2.219 km que compreende quatro estados venezuelanos (T\u00e1chira, Zulia, Apure e Amazonas) e sete colombianos (Guajira, Cesar, Norte de Santander, Boyac\u00e1, Arauca, Vichada e Guainia).<\/p>\n<p>Este ano, o contrabando de extra\u00e7\u00e3o nesta regi\u00e3o fronteiri\u00e7a se aprofundou no marco da denominada \u201cguerra econ\u00f4mica\u201d, que sendo denunciada pelo governo Maduro, chegando a n\u00edveis incontrol\u00e1veis e trazendo como consequ\u00eancia o desabastecimento de produtos de primeira necessidade, que se tornaram muito dif\u00edceis de adquirir pela popula\u00e7\u00e3o venezuelana devido \u00e0 rede de \u201cbachaqueros\u201d, pessoas dedicadas \u00e0 compra sistem\u00e1tica de produtos muito econ\u00f4micos na Venezuela e que s\u00e3o revendidos na Col\u00f4mbia, gerando um lucro absurdo.<\/p>\n<p>Em 29 de agosto, Maduro estendeu o decreto de exce\u00e7\u00e3o a outros quatro munic\u00edpios do T\u00e1chira, somando dez no total, e ordenou a mobiliza\u00e7\u00e3o de tr\u00eas mil militares para \u201climpar a zona de paramilitarismo, criminalidade, sequestro e narcotr\u00e1fico\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>\u201cQuando decidi fechar a fronteira para C\u00facuta, com este pulso firme que ningu\u00e9m vai dobr\u00e1-lo, vislumbrava a hist\u00f3ria de 60 anos de dor na fronteira da Venezuela. Estava fazendo justi\u00e7a pelos povos despossu\u00eddos da Venezuela e da Col\u00f4mbia\u201d. Maduro expressou que sua paci\u00eancia chegou ao limite com a situa\u00e7\u00e3o na fronteira e recordou seu encontro, h\u00e1 um ano, com Santos para planejar o combate ao contrabando. \u201cUm ano depois, nada foi feito\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>O presidente venezuelano assegurou, tamb\u00e9m, que n\u00e3o abrir\u00e1 a fronteira para o norte de Santander at\u00e9 que o Governo da Col\u00f4mbia passe a proibir a venda de produtos venezuelanos que entram em seu territ\u00f3rio atrav\u00e9s do contrabando ou at\u00e9 que parem os ataques \u00e0 moeda.<\/p>\n<p><strong>Rea\u00e7\u00f5es ao fechamento<\/strong><\/p>\n<p>Ao conhecer a medida, Santos a criticou com for\u00e7a, disse que era injustificada e n\u00e3o ia solucionar o contrabando e a inseguran\u00e7a na zona. \u201cFechar fronteira traz preju\u00edzos para muita gente de ambos os lados da fronteira. Al\u00e9m disso, gera muito mal estar porque coloca muita gente inocente para pagar o pato\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Em 26 de agosto, a chanceler venezuelana Delcy Rodr\u00edguez se reuniu com sua hom\u00f3loga colombiana, Mar\u00eda \u00c1ngela Holgu\u00edn, em Cartagena, e acordaram uma futura reuni\u00e3o entre os ministros da Defesa de ambos os pa\u00edses. Holgu\u00edn manifestou que este encontro foi um dos mais francos que j\u00e1 ocorreram com a Venezuela. Reconheceu que o contrabando \u201cpromove um preju\u00edzo imenso \u00e0 economia venezuelana\u201d, por\u00e9m solicitou a r\u00e1pida abertura da fronteira.<\/p>\n<p>De sua parte, Rodr\u00edguez lembrou que desde o in\u00edcio do conflito armado na Col\u00f4mbia, h\u00e1 quase 60 anos, a Venezuela tem dado abrigo a milh\u00f5es de cidad\u00e3os desse pa\u00eds, deslocados pela viol\u00eancia. Estima-se mais de cinco milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para o governador do estado T\u00e1chira, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complexa, dado que considera que a Col\u00f4mbia n\u00e3o se ocupa de seus problemas e esta ina\u00e7\u00e3o na luta contra o contrabando e o narcotr\u00e1fico gerou uma economia que manipula 7 milh\u00f5es de d\u00f3lares de d\u00f3lares nesta zona e sem prestar contas. \u201cN\u00f3s praticamente alimentamos 8,2 milh\u00f5es de colombianos que est\u00e3o nos diferentes departamentos lim\u00edtrofes com a Venezuela. Eu n\u00e3o sei por que os venezuelanos continuam insistindo em que isto \u00e9 culpa de nossas autoridades. Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o binacional\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es conjuntas para um problema humanit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Ante a \u201cchamada guerra econ\u00f4mica\u201d que o governo de Maduro denunciou em todos os cen\u00e1rios e que afirma ser a causa do desabastecimento de produtos de primeira necessidade, o contrabando e a especula\u00e7\u00e3o, uma pesquisa realizada recentemente pela reconhecida empresa Hinterlaces apresentou que 59% da popula\u00e7\u00e3o venezuelana est\u00e1 de acordo com o fechamento fronteiri\u00e7o.<\/p>\n<p>Diante de todos estes fatos, o Governo colombiano acusou a Venezuela de violar os direitos humanos com a deporta\u00e7\u00e3o de pessoas. Sobre isto, o Defensor do Povo da Venezuela, Tarek William Saab, que visitou a zona lim\u00edtrofe junto da representante do Alto Comissionado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), M\u00f3nica Sandri, assinalou que nem a Defensoria do povo desse pa\u00eds nem a Acnur registraram casos de deporta\u00e7\u00e3o de refugiados. As pessoas que foram repatriadas n\u00e3o possu\u00edam documentos legais ou tiveram seu envolvimento com o paramilitarismo e\/ou contrabando comprovado.<\/p>\n<p>Para Saab, o fato de milh\u00f5es de colombianos escolherem ficar na Venezuela demonstra que seus direitos como seres humanos s\u00e3o respeitados, al\u00e9m de gozarem de servi\u00e7os gratuitos de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, somados \u00e0 possibilidade de ter uma habita\u00e7\u00e3o digna e alimentos b\u00e1sicos a pre\u00e7os acess\u00edveis.<\/p>\n<p>O Defensor solicitou ao governo de Santos que apresente um plano concreto que contribua com a paz e a seguran\u00e7a na fronteira entre ambos os pa\u00edses e que acabe com o paramilitarismo, narcotr\u00e1fico e contrabando.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/09\/03\/venezuela-una-cruzada-contra-el-paramilitarismo-y-el-contrabando\/\">http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/09\/03\/venezuela-una-cruzada-contra-el-paramilitarismo-y-el-contrabando\/<\/a><\/p>\n<p><strong><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sof\u00eda Athanassopoulos*\/Resumen Latinoamericano\/Marcha, 3 de agosto de 2015 \u2013 Para muitos venezuelanos, o an\u00fancio do presidente Nicol\u00e1s Maduro, em 20 de agosto passado, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9293\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34,45],"tags":[],"class_list":["post-9293","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2pT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9293"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9293\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}