{"id":9340,"date":"2015-09-15T23:50:41","date_gmt":"2015-09-16T02:50:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9340"},"modified":"2017-08-24T22:46:03","modified_gmt":"2017-08-25T01:46:03","slug":"crise-da-fronteira-ou-crise-social-colombiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9340","title":{"rendered":"Crise da fronteira ou crise social colombiana?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/18q7ER3HSSGxyUV5-jQUJJGB9pCLgbWbwV7lX7_jnMrd6FJowKus8woq4fLf1harsq_JnXxl5OArkiIH1smZ9bvJgxGKyl2Akm1SuMd1Z16Ms0-d-e1-ft-620x400.jpg?resize=620%2C400\" alt=\"\" \/>Javier Calder\u00f3n Castillo\/ Resumen Latinoamericano\/ Marcha Patri\u00f3tica\/ 10 de setembro de 2015 \u2013 <strong>O fechamento da fronteira colombo-venezuelana no caminho da Ponte Internacional Sim\u00f3n Bol\u00edvar, assim como a promulga\u00e7\u00e3o do estado de exce\u00e7\u00e3o em 5 munic\u00edpios do Estado de Tachira, na Venezuela, est\u00e1 sendo mostrada pela imprensa hegem\u00f4nica como um ataque \u00e0 Col\u00f4mbia e aos colombianos. <!--more-->Para al\u00e9m das matrizes midi\u00e1ticas, a medida tomada pelo presidente Maduro desnudou um problema profundo gerado por dois modelos diferentes de projeto pol\u00edtico-econ\u00f4mico: o colombiano, profundamente neoliberal, repressivo e contrainsurgente, que tem o paramilitarismo como sua estrat\u00e9gia; e o venezuelano, um projeto p\u00f3s-neoliberal, distribuidor da riqueza e que tem como fundamento a alian\u00e7a povo-for\u00e7as armadas.<\/strong><\/p>\n<p>Para entender o que est\u00e1 acontecendo, \u00e9 preciso recordar que em 1999, nos preparativos do Plano Col\u00f4mbia, foram mobilizados mais de 5 mil paramilitares sob o comando do tem\u00edvel Mancuso, perpetrando massacres, amea\u00e7as e tomando o controle sobre a pol\u00edtica departamental. Mataram ou deslocaram o movimento social e popular, a seguran\u00e7a privada assumiu os movimentos de bairro, monopolizando a economia fronteiri\u00e7a e a pol\u00edtica local, tudo com o apoio das for\u00e7as armadas estatais e dos planos de guerra estabelecidos nos manuais contrainsurgentes e antipopulares ditados pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Nenhum governo colombiano gerou pol\u00edticas sociais para os habitantes da fronteira, a pobreza \u00e9 a regra nos departamentos (prov\u00edncias) do Norte de Santander, Guajira, Arauca, Vichada. N\u00e3o chegaram pol\u00edticas de gera\u00e7\u00e3o de emprego digno, de melhoria da sa\u00fade, de amplia\u00e7\u00e3o da cobertura e qualidade da educa\u00e7\u00e3o, nem muito menos se ampliou a democracia. Pelo contr\u00e1rio, a pol\u00edtica central e local permitiu o dom\u00ednio dos credores, usur\u00e1rios, traficantes de seres humanos, narcotraficantes, contrabandistas, entre outros. Uma pol\u00edtica de fronteira que obriga os colombianos dessas regi\u00f5es a exigir de Miraflores o que n\u00e3o \u00e9 exigido da Casa de Nari\u00f1o.<\/p>\n<p>Tudo isso gerou um impacto negativo na economia venezuelana e ocultou a aus\u00eancia de pol\u00edticas sociais redistributivas na fronteira. Uma din\u00e2mica criminosa liderada pelo narco-paramilitarismo colombiano, que gerou uma cadeia de corrup\u00e7\u00e3o com lucros exorbitantes. Segundo o presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Produtores Av\u00edcolas (FENAVI), da Col\u00f4mbia, por m\u00eas ingressa do pa\u00eds vizinho em torno de <strong>1500 toneladas de frango de contrabando<\/strong>\u00a0(Sandoval: 2015). Em 2006, entraram no pa\u00eds ilegalmente cerca de\u00a0<strong>672.000 gal\u00f5es de gasolina provenientes da Venezuela<\/strong>\u00a0(Revista Semana, 2006), o que permite dimensionar o neg\u00f3cio que possui uma cadeia de valor e corrup\u00e7\u00e3o que chega at\u00e9 os postos de gasolina na Col\u00f4mbia (Egea: 2013, p\u00e1g. 97)<a href=\"http:\/\/www.marchapatriotica.org\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2900%3Acrisis-de-la-frontera-o-crisis-social-colombiana&amp;catid=129%3Ainternacional&amp;Itemid=479#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a a\u00e7\u00e3o narco-paramilitar n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mica. Com a chamada parapol\u00edtica na Col\u00f4mbia, ficou clara a estreita rela\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos de direita colombianos com o poder narco que ostentam os paramilitares. Trata-se de uma estrat\u00e9gia de poder territorial que se estendeu para todos os departamentos de fronteira e que se irradia para a Venezuela na forma de inger\u00eancia estrangeira na pol\u00edtica venezuelana (El Tiempo; infograf\u00eda: 2009). <strong>\u00c9 coincid\u00eancia que dos 335 munic\u00edpios existentes na Venezuela a oposi\u00e7\u00e3o governe 68 e que destes, 68,32% estejam na fronteira com a Col\u00f4mbia?<\/strong> Os fatos nos indicam que n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, que corresponde a uma pol\u00edtica apoiada pela direita colombiana e, em especial, pelo extremista \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez.<\/p>\n<p>O fechamento da fronteira decretado pelo governo venezuelano \u00e9 uma medida que obriga discutir a pol\u00edtica social e econ\u00f4mica do Estado colombiano, n\u00e3o as pol\u00edticas venezuelanas. Da Col\u00f4mbia, o governo e a imprensa hegem\u00f4nica exigem que os vizinhos respeitem os direitos humanos dos migrantes, quando o governo colombiano viola sistematicamente o de sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. Exigem que a Venezuela n\u00e3o feche a fronteira porque ali os colombianos recebem sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e sobrevivem dos neg\u00f3cios gerados pelo contrabando da gasolina, com a comida subsidiada do MERCAL e PDVAL, entre outras coisas. O governo colombiano e os meios hegem\u00f4nicos exigem que a Venezuela outorgue direitos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o colombiana, j\u00e1 que o governo neogranadino n\u00e3o outorga aos cucute\u00f1os nem a nenhum outro colombiano.<\/p>\n<p>O presidente Santos faz uso do negacionismo quando minimiza o \u00eaxodo de colombiano\/as para a Venezuela. No pa\u00eds vizinho existem mais de 300 mil refugiados ou solicitantes de ref\u00fagio deslocados pelo paramilitarismo, e mais de 3,5 milh\u00f5es de migrantes ou exilados pela crise social e econ\u00f4mica colombiana. Muitos colombianos receberam casa pr\u00f3pria pela miss\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o Venezuela, receberam estudo superior pela miss\u00e3o Miranda. Todos querem a cidadania venezuelana para que chegue algo de bem-estar que nunca chegou de Bogot\u00e1.<\/p>\n<p>Santos e a direita colombiana negam cinicamente a exist\u00eancia do paramilitarismo, por\u00e9m continua sendo uma pol\u00edtica de Estado apoiada por empres\u00e1rios e latifundi\u00e1rios, que pretendem permanecer no poder a sangue e fogo, como demonstram os fatos. Estes paramilitares representam os setores do poder que n\u00e3o querem a paz com justi\u00e7a social, que pretendem continuar incendiando as fronteiras para promover uma crise na Venezuela, colocando em xeque a regi\u00e3o e, com isso, os pr\u00f3prios di\u00e1logos de paz, nos quais o pa\u00eds vizinho atua como facilitador e desempenha um papel central como acompanhante do sonho da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao conflito que mobiliza o povo colombiano.<\/p>\n<p>O Estado colombiano deve se encarregar do subs\u00eddio da gasolina na fronteira, da assist\u00eancia m\u00e9dica \u00edntegra e gratuita da popula\u00e7\u00e3o, das pol\u00edticas de emprego digno e bem remunerado, que subsidie os alimentos, que gere planos de habita\u00e7\u00e3o social, que amplie a oferta educativa estatal em todos seus n\u00edveis. Que o Estado nacional se encarregue dos direitos dos habitantes da fronteira com a Venezuela, o que \u00e9 uma tarefa do movimento pol\u00edtico e social colombiano que est\u00e1 emergindo como alternativa. \u00c9 preciso um governo que gere tantos direitos sociais na Col\u00f4mbia, que viajar para a Venezuela ou para qualquer outro pa\u00eds, seja uma op\u00e7\u00e3o de turismo ou de mobilidade e n\u00e3o a \u00fanica op\u00e7\u00e3o para viver dignamente. Isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando se derrotar o neoliberalismo.<\/p>\n<p>O governo venezuelano deveria incluir o movimento popular e social colombiano na busca de solu\u00e7\u00f5es ao que se denominou crise fronteiri\u00e7a, gerar uma ponte real com os projetos americanistas na Col\u00f4mbia que trabalham na busca de uma sociedade p\u00f3s-neoliberal. O povo venezuelano e colombiano s\u00e3o irm\u00e3os e n\u00e3o podem permitir que surjam dist\u00e2ncias entre duas na\u00e7\u00f5es que s\u00e3o as duas asas do mesmo ide\u00e1rio bolivariano. A diplomacia dos povos pode se converter na alternativa para lutar conjuntamente contra o paramilitarismo e o neoliberalismo, dos quais padecem os colombianos e que se pretende impor na Venezuela.<\/p>\n<p>A crise que existe, ent\u00e3o, \u00e9 a pobreza generalizada na Col\u00f4mbia, produto do modelo neoliberal e da repress\u00e3o sistem\u00e1tica. A crise \u00e9 entre dois modelos antag\u00f4nicos que est\u00e3o em disputa em Nossa Am\u00e9rica.<\/p>\n<p><strong>Por<\/strong>\u00a0Javier Calder\u00f3n Castillo<\/p>\n<p><strong>Marcha Patri\u00f3tica Internacional<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/09\/10\/venezuela-colombia-dos-exclentes-aportes-crisis-de-la-frontera-o-crisis-social-colombiana-la-crisis-en-la-frontera\/\">http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/09\/10\/venezuela-colombia-dos-exclentes-aportes-crisis-de-la-frontera-o-crisis-social-colombiana-la-crisis-en-la-frontera\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Javier Calder\u00f3n Castillo\/ Resumen Latinoamericano\/ Marcha Patri\u00f3tica\/ 10 de setembro de 2015 \u2013 O fechamento da fronteira colombo-venezuelana no caminho da Ponte Internacional \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9340\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-9340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2qE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9340\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}