{"id":9348,"date":"2015-09-18T14:19:05","date_gmt":"2015-09-18T17:19:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9348"},"modified":"2015-10-20T14:05:52","modified_gmt":"2015-10-20T17:05:52","slug":"risco-brasil-onde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9348","title":{"rendered":"Risco Brasil? Onde?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/-QAi7jmSFzfI\/VfxHKzHEouI\/AAAAAAAAK1E\/1Ee5NY0OBiY\/s512-Ic42\/fabinho.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>Por F\u00e1bio Bezerra.<\/p>\n<p>Em grego antigo, Kr\u00edsis significa a condi\u00e7\u00e3o \u00e0 qual geralmente os m\u00e9dicos diagnosticavam um paciente enfermo e as alternativas poss\u00edveis quando se chegava a um limite, por exemplo, a cura ou a morte. Etimologicamente a express\u00e3o possui a ideia b\u00e1sica de um momento processual que chega a um limite e que for\u00e7a por sua vez, a uma decis\u00e3o em um momento dif\u00edcil, a uma separa\u00e7\u00e3o ou defini\u00e7\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p>Ao longo do tempo a express\u00e3o foi ganhando contornos sem\u00e2nticos espec\u00edficos para cada \u00e1rea do conhecimento, tais como: na sociologia, na filosofia ou na economia por exemplo.<\/p>\n<p>Mas em todas essas \u00e1reas a ideia central de altera\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7a no sentido, est\u00e1 presente, assim como a ideia geral de crise reproduzida pelo senso comum, traz consigo tamb\u00e9m uma perspectiva psicol\u00f3gica negativa.<\/p>\n<p>De fato em todo processo de separa\u00e7\u00e3o ou defini\u00e7\u00f5es ou mesmo de ruptura quando se chega a um extremo, a op\u00e7\u00e3o por um caminho leva inevitavelmente \u00e0 nega\u00e7\u00e3o do outro- o que n\u00e3o significa necessariamente uma nega\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica-, que gera por sua vez a condi\u00e7\u00e3o de perdas irrepar\u00e1veis.<\/p>\n<p>No caso da Crise brasileira as perdas at\u00e9 agora tem sido dos trabalhadores em geral com o aumento do endividamento, a diminui\u00e7\u00e3o do poder de compra, o corte de investimentos nas \u00e1reas sociais e consecutiva precariza\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os e em especial ao funcionalismo p\u00fablico federal que amarga cortes de direitos e achatamento salarial. Mas se h\u00e1 perdas por um lado, por outro, h\u00e1 ganhos e no caso da economia brasileira, h\u00e1 lucrativos ganhos ao grande capital internacional, que se aproveita das imposi\u00e7\u00f5es feitas pelo sistema financeiro internacional, atrav\u00e9s das chantagens das ag\u00eancias financeiras e tamb\u00e9m da fragilidade pol\u00edtica do Governo sob as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, para ganhar terreno e avan\u00e7ar seu dom\u00ednio econ\u00f4mico em \u00e1reas ainda &#8220;incultas&#8221; \u00e0 sana da cobi\u00e7a e do poder dos grandes transnacionais.<\/p>\n<p>O melhor exemplo desse processo de avan\u00e7o dos interesses externos na economia brasileira \u00e9 o que est\u00e1 em curso atualmente com a retomada dos programas de concess\u00f5es (leia-se privatiza\u00e7\u00f5es) que o governo Dilma Rousseff anunciou desde fevereiro desse ano e que foi apresentado em Junho passado como tentativa de &#8220;acalmar&#8221; o mercado sob a justificativa de impulsionar a economia com a redu\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos para o cumprimento das metas do famigerado super\u00e1vit prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Programa de Investimento Log\u00edstico (PIL) prop\u00f5e a entrega \u00e0 iniciativa privada, por meio de leil\u00f5es e do modelo de outorga (t\u00e3o criticado pelo PT \u00e0 \u00e9poca do Governo FHC) toda a malha de infraestrutura nacional: portos, aeroportos, ferrovias, rodovias e as futuras estradas regionais, o que assegurar\u00e1 um monop\u00f3lio privado nesses setores, em alguns casos por mais de 30 anos!<\/p>\n<p>O BNDES continuar\u00e1 financiando reformas como aconteceu em obras nos aeroportos internacionais que foram privatizados sem contrapartida compat\u00edvel aos investimentos p\u00fablicos realizados e isso fica mais grave e evidente, no modelo proposto, que fixa metas de investimento que poder\u00e3o ser balizadores de contrapartida das empresas nos lances dados nos leil\u00f5es, ou seja, a arrecada\u00e7\u00e3o dos leil\u00f5es poderia inclusive ser abaixo do estipulado.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, do grande neg\u00f3cio rent\u00e1vel que est\u00e1 sendo investir no Brasil nesse momento de crise, o Governo registrou um recorde de empresas estrangeiras interessadas em realizar os estudos t\u00e9cnicos e de viabilidade sobre as &#8220;concess\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>O Lote de privatiza\u00e7\u00e3o das rodovias ( chegar\u00e1 a17 mil kil\u00f4metros privatizados) recebeu 314 propostas de estudo, das quais 49 foram de empresas estrangeiras, entre elas a FTI Consulting uma das maiores administradoras de concession\u00e1rias do mundo.(1)<\/p>\n<p>Os aeroportos receberam 92 propostas dos quais 30 eram de empresas estrangeiras; no caso das ferrovias o neg\u00f3cio: &#8220;\u00e9 da China&#8221;, pois o pa\u00eds asi\u00e1tico pretende investir o equivalente a R$ 30 bilh\u00f5es para construir a ferrovia transoce\u00e2nica que ligar\u00e1 o oceano pac\u00edfico na costa peruana ao oceano atl\u00e2ntico, facilitando assim o transporte de commodities como min\u00e9rio de ferro, al\u00e9m de gr\u00e3os, principalmente a soja.<\/p>\n<p>A multinacional francesa Louis Dreyfus Commodites(2) (LDC) uma das maiores do mundo no setor do agroneg\u00f3cio, est\u00e1 focada em arrematar o leil\u00e3o de privatiza\u00e7\u00e3o do chamado &#8220;Arco Norte&#8221; que compreende todo o norte do MT e a regi\u00e3o norte do pa\u00eds, onde a estimativa \u00e9 de aumento da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os 30 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os com a abertura de tr\u00eas milh\u00f5es de hectares para o agroneg\u00f3cio nos pr\u00f3ximos anos. Seus executivos justificam o empreendimento ao baixo custo de produ\u00e7\u00e3o comparado com outros pa\u00edses e a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real que propicia que propicia uma margem de lucro compat\u00edvel com o investimento estipulado.<\/p>\n<p>Para finalizar, para quem ainda tem d\u00favidas dos interesses das multinacionais no Brasil em per\u00edodo de crise, s\u00f3 no processo de estudos de viabilidade t\u00e9cnica para a privatiza\u00e7\u00e3o dos portos de S\u00e3o Francisco do Sul (SC), de Santos (SP), de Suape (PE) e do Rio de Janeiro (RJ), figuram multinacionais e empresas brasileiras consorciadas com grupos de investimento estrangeiros, como: Rpeotta Engenharia e Consultoria, Linktech International Gest\u00e3o de Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, Eagle Servi\u00e7os Diferenciados, Tegma Gest\u00e3o e Log\u00edstica, Ra\u00edzen Combust\u00edveis e DTA Engenharia(3), as maiores do mundo no setor.<\/p>\n<p>Cinicamente a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de riscos: Standard &amp; Poor\u2019s, &#8211; a mesma que avaliou com nota m\u00e1xima o Banco Lehman Brothers, no mesmo m\u00eas que a institui\u00e7\u00e3o quebrou e que foi obrigada a pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 1,5 bilh\u00f5es ao governo dos EUA, por manipula\u00e7\u00e3o no mercado-, rebaixou recentemente o grau de investimento no Brasil, o que alimentou mais ainda a cantilena neoliberal pela redu\u00e7\u00e3o do Estado em investimentos p\u00fablicos justificando a onda de privatiza\u00e7\u00f5es que o Governo vem operando a fim de conquistar a chamada credibilidade do mercado.<\/p>\n<p>O Standard &amp; Poor&#8217;s cumpre bem o papel de algoz do mercado financeiro, atrav\u00e9s da chantagem, alimenta os interesses econ\u00f4micos dos investidores estrangeiros e seus lacaios no Congresso, na imprensa e nas institui\u00e7\u00f5es financeiras a pautarem e definirem, sem qualquer resist\u00eancia, os rumos de um Governo cada vez mais subserviente e que evolui rapidamente da esfera da concilia\u00e7\u00e3o de classe para o conservadorismo mais pusil\u00e2nime.<\/p>\n<p>Com o desenvolvimento desse processo, a op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a defini\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica que o Governo petista optou, foi a de atender as imposi\u00e7\u00f5es do mercado e as chantagens da burguesia associada promovendo a privatiza\u00e7\u00e3o de toda a infraestrutura log\u00edstica da economia brasileira, sob a argumenta\u00e7\u00e3o da retomada do desenvolvimento econ\u00f4mico, que na realidade encobre a op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pela promo\u00e7\u00e3o da abertura da economia ao mercado internacional de modo a agradar de maneira subserviente, em troca de uma \u201cestabilidade\u201d imposs\u00edvel de se alcan\u00e7ar, as demandas de mercado ao grande Capital, que encontra na crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica uma grande oportunidade de investimentos no Brasil, altamente lucrativos.<\/p>\n<p><strong> Risco Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Grande farsa ideol\u00f3gica que encobre as contradi\u00e7\u00f5es do atual momento conjuntural e auxilia o discurso do ajuste fiscal ou melhor do ajuste de contas do Capital contra os trabalhadores(as).<\/p>\n<p>S\u00f3 a classe trabalhadora \u00e9 que est\u00e1 em risco. O risco eminente com o aprofundamento do neoliberalismo, de ficar cada vez mais pobre, com o aviltamento nas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de exist\u00eancia devido aos cortes nos investimentos ou custeio da educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, a redu\u00e7\u00e3o do poder aquisitivo com o aumento da carga de impostos e agora com o an\u00fancio de mais reformas que retirar\u00e3o mais direitos previdenci\u00e1rios e trabalhistas.<\/p>\n<p>Sob o engodo do \u201cRisco Brasil\u201d e a press\u00e3o psicol\u00f3gica e ideol\u00f3gica que a m\u00eddia joga o tempo todo para cima da popula\u00e7\u00e3o, de que a crise exige sacrif\u00edcios \u201cde todos\u201d, ajustes e cortes, os \u00fanicos que est\u00e3o sendo sacrificados h\u00e1 d\u00e9cadas, tem sido o conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras, em detrimento do avan\u00e7o do capital que aproveita do cen\u00e1rio atual para aumentar o grau de explora\u00e7\u00e3o, poder e lucratividade sobre o mundo do trabalho.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio de crises (econ\u00f4mica, pol\u00edtica e moral), o sentido que o governo vem tomando n\u00e3o nos surpreende, mas, lamentavelmente, a op\u00e7\u00e3o pela covardia e pela subservi\u00eancia pol\u00edtica -com clara perspectiva reformista e institucional em muitos casos- que algumas organiza\u00e7\u00f5es sociais, que ainda contam com forte influ\u00eancia no movimento sindical e popular, sob o pretexto de combater a crise, defendendo o Governo do chamado \u201cgolpismo\u201d, veem exercendo nesse cen\u00e1rio, um sentido que s\u00f3 colaboram com a dispers\u00e3o de for\u00e7as e a aliena\u00e7\u00e3o, desarmando ideologicamente a classe, enganando e colaborando para a mistifica\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica, como algo que n\u00e3o passa pelas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ( neoliberais) do PT, conscientes e coniventes com todo esse processo.<\/p>\n<p><i>* F\u00e1bio Bezerra \u00e9 professor e membro do Comit\u00ea Central do PCB.<\/i><\/p>\n<hr \/>\n<p>1. http:\/\/www.segs.com.br\/veiculos\/58692-concessao-de-rodovias-devera-crescer-70-no-brasil.html<\/p>\n<p>2. http:\/\/www.valor.com.br\/search\/apachesolr_search\/%22LOUIS%20DREYFUS%20COMMODITIES%22?page=5<\/p>\n<p>3. http:\/\/infraestruturaurbana.pini.com.br\/solucoes-tecnicas\/Transporte\/dez-empresas-vao-elaborar-estudos-para-leiloes-dos-portos-de-363589-1.aspx<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por F\u00e1bio Bezerra. 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