{"id":9426,"date":"2015-09-26T23:34:13","date_gmt":"2015-09-27T02:34:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9426"},"modified":"2015-10-22T22:11:47","modified_gmt":"2015-10-23T01:11:47","slug":"em-memoria-a-ayotzinapa-o-que-sao-as-escolas-normais-rurais-do-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9426","title":{"rendered":"Em mem\u00f3ria a Ayotzinapa: o que s\u00e3o as escolas normais rurais do M\u00e9xico?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/4.bp.blogspot.com\/-FkaKTw-pgr8\/VgdLEorWrFI\/AAAAAAAAK4g\/jubTQTWA6tE\/w1044-h341-no\/0Ayotzinapa.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Mariana Pahim Hyppolito*<\/p>\n<p>Nesse 26 de setembro em que se completa um ano desde o desaparecimento dos 43 normalistas da cidade de Iguala, no M\u00e9xico, \u00e9 parte da solidariedade que direcionamos a quem segue lutando por uma resposta, que continuemos debatendo a fundo alguns aspectos que esse ataque do estado mexicano coloca em voga. Para iniciar qualquer debate acerca de Ayotzinapa \u00e9 fundamental ter em mente que o desaparecimento desses estudantes e o fato de serem alunos de uma Escola Normal Rural do M\u00e9xico <!--more-->n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. As escolas normais rurais do M\u00e9xico representam um importante modelo de educa\u00e7\u00e3o com car\u00e1ter emancipat\u00f3rio e revolucion\u00e1rio, e a todos lutadores que buscam construir uma universidade popular cabe levar seu olhar ao M\u00e9xico para observar, compreender e absorver o que a educa\u00e7\u00e3o popular mexicana tem para nos ensinar.<\/p>\n<p><b>O que s\u00e3o as escolas normais rurais<\/b><\/p>\n<p>As \u201cnormales rurales\u201d, escolas normais rurais do M\u00e9xico surgem no s\u00e9culo XX, a partir da exig\u00eancia de implementa\u00e7\u00e3o de um programa revolucion\u00e1rio para o pa\u00eds, que passa a ser realizado quando o governo ganha estabilidade, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana.<\/p>\n<p>As escolas, que formam professores de Ensino B\u00e1sico, como o modelo de educa\u00e7\u00e3o popular que s\u00e3o, v\u00e3o para al\u00e9m do projeto capitalista de educa\u00e7\u00e3o que vivemos hoje nas escolas de todo o mundo, a come\u00e7ar para quem s\u00e3o pensadas: suas vagas s\u00e3o destinadas a fam\u00edlias do campo, filhos de pequenos agricultores, ind\u00edgenas e fam\u00edlias pobres. Sua cria\u00e7\u00e3o se deu em \u00e1reas de pobreza intensa e com grandes \u00edndices de analfabetismo, se afirmando nesses locais atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas solid\u00e1rias e cooperativas, com ideais vinculados ao autogoverno e \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social. Essas escolas possuem uma estrutura para internato, refeit\u00f3rios, fornecem bolsas para os alunos e possuem unidades de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, oficinas de carpintaria, ferraria, clubes de cultura e desportivos.<\/p>\n<p>As normais rurais dirigem a forma\u00e7\u00e3o de seus estudantes n\u00e3o apenas a ensinar como ler e escrever, mas principalmente refor\u00e7a os conhecimentos gerais para que os futuros professores se relacionem com o espa\u00e7o que est\u00e3o atuando, podendo ajudar com a sa\u00fade, constru\u00e7\u00e3o e agricultura do local. Exemplo disso \u00e9 o ensino de l\u00ednguas ind\u00edgenas da regi\u00e3o em que est\u00e1 inserida a escola.<\/p>\n<p>Pelo car\u00e1ter de emancipa\u00e7\u00e3o, as escolas se tornam espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sendo tamb\u00e9m um importante instrumento para a tomada de consci\u00eancia sobre a condi\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria que assola a \u00e1rea rural mexicana. As rurais s\u00e3o a base de organiza\u00e7\u00e3o para o movimento estudantil mais antigo no pa\u00eds, a Federa\u00e7\u00e3o de Estudantes Camponeses Socialistas do M\u00e9xico, fundada em 1935.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, durante a dura repress\u00e3o pol\u00edtica no M\u00e9xico, nos anos 60, centenas de estudantes das escolas normais rurais foram perseguidos. As escolas eram seguidamente alvo de ataques policiais, por serem consideradas espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o para l\u00edderes comunistas e de guerrilha. Em 1969, s\u00e3o fechadas in\u00fameras unidades de forma autorit\u00e1ria, com argumento de que era necess\u00e1rio proteger a sociedade mexicana contra a organiza\u00e7\u00e3o de comunistas.<\/p>\n<p>Hoje, resta algo em torno de 13 escolas normais rurais no M\u00e9xico, que seguem seu projeto de educa\u00e7\u00e3o popular, com forte liga\u00e7\u00e3o aos movimentos pol\u00edticos anti-capitalistas, anti-imperialistas, socialistas e comunistas do pa\u00eds. Seguem os ataques e a persegui\u00e7\u00e3o, pois as escolas s\u00e3o uma contraven\u00e7\u00e3o ao modelo econ\u00f4mico que vem sendo implementado pelo governo mexicano.<\/p>\n<p><b>Relembrando Ayotzinapa: 1 ano do desaparecimento<\/b><\/p>\n<p>Os 43 estudantes normalistas que desapareceram em setembro de 2014, voltavam de uma atividade de arrecada\u00e7\u00e3o financeira para as manifesta\u00e7\u00f5es de 2 de outubro, contra o massacre de Tlatelolco \u2013 caso em que centenas de estudantes que protestavam foram assassinados pela pol\u00edcia. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que o estado mexicano responde com repress\u00e3o e descaso a quem se mobiliza contra o perverso sistema capitalista. Mas n\u00e3o nos calaremos, desde o Brasil, nos solidarizamos e n\u00e3o deixaremos que a mem\u00f3ria desses lutadores se apague. Vivos os levaram, vivos os queremos!<\/p>\n<p>Viva as escolas normais rurais do M\u00e9xico, viva a educa\u00e7\u00e3o popular, viva os lutadores mexicanos!<\/p>\n<p>*Mariana Pahim Hyppolito \u00e9 miliante do Coletivo Ana Montenegro e da UJC<\/p>\n<p>http:\/\/pcbrs.blogspot.com.br\/2015\/09\/em-memoria-ayotzinapa-o-que-sao-as.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mariana Pahim Hyppolito* Nesse 26 de setembro em que se completa um ano desde o desaparecimento dos 43 normalistas da cidade de Iguala, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9426\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[90],"tags":[],"class_list":["post-9426","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c103-mexico"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2s2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9426"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9426\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}