{"id":9516,"date":"2015-10-09T23:47:33","date_gmt":"2015-10-10T02:47:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9516"},"modified":"2015-10-22T22:27:29","modified_gmt":"2015-10-23T01:27:29","slug":"reflexao-sobre-as-eleicoes%e2%80%8b-portuguesas%e2%80%8b-miguel-urbano-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9516","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o sobre as elei\u00e7\u00f5es\u200b (portuguesas)\u200b Miguel Urbano Rodrigues"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.odiario.info\/b2-img\/passoscoelhocavacosilvapauloportas.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Miguel Urbano Rodrigues<\/p>\n<p>Os comentaristas de servi\u00e7o dedicam-se a prever que governo sair\u00e1 de um parlamento no qual a coliga\u00e7\u00e3o vencedora obteve apenas uma maioria relativa, 104 deputados. O Presidente da Republica, que se comportou como um aliado do governo, vai agora incumbir Passos Coelho de formar governo. Mas que governo? Como escreveu o director executivo do seman\u00e1rio de direita Expresso, a vit\u00f3ria do PSD-CDS \u00abs\u00f3 chega para um governo provis\u00f3rio\u00bb.<!--more--><\/p>\n<p>A alian\u00e7a PSD-CDS foi a for\u00e7a mais votada nas elei\u00e7\u00f5es legislativas, mas teve uma quebra de quase 750 mil votos em rela\u00e7\u00e3o a 2011, perdendo a maioria absoluta.<\/p>\n<p>A campanha da coliga\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria intitulada \u00abPortugal \u00e0 Frente\u00bb, apoiada ostensivamente pela maioria dos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social, excedeu em demagogia, hipocrisia e mentiras as anteriores de Passos &amp; Portas. Chocante foi tamb\u00e9m a cobertura oferecida aos micro-partidos dos quais apenas o PAN elegeu um deputado.<\/p>\n<p>As televis\u00f5es, as r\u00e1dios e os jornais ditos de refer\u00eancia subscreveram a tese oficial de que n\u00e3o havia alternativa para a austeridade. N\u00e3o negaram que Portugal est\u00e1 mais endividado e empobrecido, que os objetivos da parceria PSD-CDS n\u00e3o foram atingidos, que o deficit em 2014 (com o rombo do adiamento da venda do Novo Banco) era afinal o mesmo de 2011, mas evitaram responsabilizar o governo. De modo geral, a situa\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica do Pais foi falsamente atribu\u00edda ao funcionamento de leis da economia e da finan\u00e7a que atingiram tamb\u00e9m outros povos.<\/p>\n<p>Passos, Portas e os seus candidatos enalteceram com despudor a sua obra devastadora. Citaram tantas vezes a Irlanda e a Gr\u00e9cia que as cita\u00e7\u00f5es massacraram os eleitores quase como um refr\u00e3o.<\/p>\n<p>Coincidiram nos insultos ao povo grego, mas abstiveram-se de reconhecer que a Irlanda reduziu com \u00eaxito as exig\u00eancias de Bruxelas enquanto aqui o governo foi mais longe do que lhe era pedido no sinistro memorando.<\/p>\n<p>N\u00e3o ousaram confessar o \u00f3bvio, a determina\u00e7\u00e3o de prosseguir a pol\u00edtica que arruinou o pa\u00eds. Abstiveram-se falar do seu programa de governo e da estrat\u00e9gia que anunciaram \u00e0 Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>A ministra das Finan\u00e7as, candidata por Set\u00fabal, chamou a aten\u00e7\u00e3o pelo seu estilo mel\u00edfluo. Ela, que n\u00e3o costuma sorrir, abriu-se desta vez em sorrisos. Ter\u00e1 estabelecido um recorde de mentiras com o discurso tecnocr\u00e1tico em que virou do avesso a realidade, negando fraudes de que foi c\u00famplice, falsificando n\u00fameros, e apresentando como grandes vit\u00f3rias e s\u00e1bias decis\u00f5es os atos governativos que conduziram o Pais \u00e0 ru\u00edna.<\/p>\n<p>Passos falou como um c\u00f4nsul romano em v\u00e9speras de ser aclamado pelo Senado. O seu triunfalismo arrogante apresenta j\u00e1 matizes patol\u00f3gicos.<br \/>\nPortas, hoje descredibilizado mesmo no seio da fam\u00edlia coligada, passeou ombro a ombro com Passos, de Norte a Sul, com ou sem chap\u00e9u, distribuindo promessas e fugindo a vaias.<\/p>\n<p>A CDU \u2013 cujo n\u00facleo fulcral \u00e9 o PCP &#8211; fez uma grande campanha. Os seus com\u00edcios e arruadas atra\u00edram multid\u00f5es. O entusiasmo que envolveu o candidato comunista de Norte a Sul do Pais foi transparente. Mas a elei\u00e7\u00e3o de 17 deputados &#8211; mais um do que na anterior legislatura &#8211; ficou aqu\u00e9m da expectativa.<\/p>\n<p>O Bloco de Esquerda &#8211; m\u00e9rito de Catarina Martins, inteligente e simp\u00e1tica &#8211; elegeu 19, um resultado que meses atr\u00e1s era imprevis\u00edvel. Partido sem ideologia definida, o BE beneficiou do voto de socialistas frustrados e de eleitores potenciais da CDU.<\/p>\n<p>O QUE VAI ACONTECER<\/p>\n<p>Os comentaristas de servi\u00e7o dedicam-se agora a prever que governo sair\u00e1 de um parlamento no qual a coliga\u00e7\u00e3o vencedora obteve apenas uma maioria relativa, 104 deputados. Dos 9 439 651 eleitores inscritos votaram nela somente 2 071 376 (a absten\u00e7\u00e3o foi levemente superior a 43%).<\/p>\n<p>O Presidente da Republica, que se comportou como um aliado do governo, vai agora incumbir Passos Coelho de formar governo.<\/p>\n<p>Mas que governo? Como escreveu o diretor executivo do seman\u00e1rio de direita Expresso, a vit\u00f3ria do PSD-CDS \u00abs\u00f3 chega para um governo provis\u00f3rio\u00bb.<br \/>\nO povo portugu\u00eas pronunciou-se nas urnas contra a pol\u00edtica da coliga\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria. Os tr\u00eas partidos da oposi\u00e7\u00e3o elegeram 121 deputados e a alian\u00e7a PSD-CDS apenas 104 (falta apurar os 4 da emigra\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Existe portanto agora no Parlamento uma maioria que teria for\u00e7a suficiente para viabilizar uma mudan\u00e7a no rumo da sociedade portuguesa. No entanto, ela n\u00e3o ocorrer\u00e1 porque o PS n\u00e3o a deseja e prefere negociar com o PSD-CDS.<\/p>\n<p>Passos revelou temor do futuro. Apressou-se ali\u00e1s a lan\u00e7ar um apelo \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o do PS, sublinhando que sem ela as suas \u00abreformas\u00bb n\u00e3o ser\u00e3o poss\u00edveis.<br \/>\nNo momento \u00e9 imprevis\u00edvel o que vai acontecer nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n<p>Mas o discurso de Ant\u00f3nio Costa, ontem, foi amb\u00edguo. Se respeitasse compromissos assumidos durante a campanha, o PS n\u00e3o deixaria passar no Parlamento um governo PSD-CDS.<\/p>\n<p>Mas o pr\u00f3prio emprego contradit\u00f3rio que na sua fala fez do verbo \u00abinviabilizar\u00bb n\u00e3o justifica a esperan\u00e7a de uma pol\u00edtica de firmeza perante as for\u00e7as lideradas por Passos &amp; Portas.<\/p>\n<p>LI\u00c7\u00d5ES DAS ELEI\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p>Que ensinamentos extrair destas elei\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar cabe perguntar por que n\u00e3o castigou o eleitorado severamente nas urnas os partidos respons\u00e1veis pela ruina do Pais? Como explicar que quatro d\u00e9cadas apos o 25 de Abril mais de dois milh\u00f5es de portugueses tenham concedido uma maioria parlamentar relativa a uma alian\u00e7a de direita que assume posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas aparentadas com o fascismo?<\/p>\n<p>A resposta a essas perguntas conduz a uma conclus\u00e3o dolorosa.<\/p>\n<p>As novas gera\u00e7\u00f5es de portugueses t\u00eam muito pouco de comum com aquela que tornou poss\u00edvel Abril e soube depois defender com firmeza as suas grandes conquistas sociais.<\/p>\n<p>Hoje o n\u00edvel de consci\u00eancia de classe e de consci\u00eancia pol\u00edtica da maioria dos portugueses \u00e9 muito baixo. A sociedade mudou profundamente. A ideologia do capitalismo, sob o bombardeamento esmagador da classe dominante, sobretudo ap\u00f3s a entrada de Portugal na Uni\u00e3o Europeia, fez estragos devastadores.<br \/>\nN\u00e3o estamos perante um caso \u00fanico. A Hist\u00f3ria apresenta-nos situa\u00e7\u00f5es similares. Na R\u00fassia, por exemplo.<\/p>\n<p>A grande gera\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, que a defendeu com hero\u00edsmo, e a seguinte, que resistiu vitoriosamente \u00e0 agress\u00e3o do Reich nazi e fez da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a segunda pot\u00eancia mundial, n\u00e3o tiveram continuidade. Os filhos e netos dos revolucion\u00e1rios de Outubro acompanharam passivamente a ofensiva contrarrevolucionaria de Gorbatchov e Ieltsin e do imperialismo que destruiu a URSS, reimplantando na R\u00fassia o capitalismo.<\/p>\n<p>Como comunista sou e continuarei a ser otimista.O sistema capitalista n\u00e3o \u00e9 reform\u00e1vel por desumano e est\u00e1 condenado a desaparecer.<\/p>\n<p>O resultado das elei\u00e7\u00f5es foi insatisfat\u00f3rio. Estavam reunidas condi\u00e7\u00f5es objectivas para se infligir uma derrota esmagadora \u00e0s for\u00e7as que ocupam o poder. Faltavam por\u00e9m as subjectivas.<\/p>\n<p>Mas, como afirmou odiario.info na sua NOTA DOS EDITORES, \u00e9 na for\u00e7a criadora das massas populares que o povo portugu\u00eas encontrar\u00e1 a sa\u00edda para o desfecho das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"vDOFqQIvjm\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3791\">PCV: Exercemos o leg\u00edtimo direito a postular candidaturas<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3791\/embed#?secret=vDOFqQIvjm\" data-secret=\"vDOFqQIvjm\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;PCV: Exercemos o leg\u00edtimo direito a postular candidaturas&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Miguel Urbano Rodrigues Os comentaristas de servi\u00e7o dedicam-se a prever que governo sair\u00e1 de um parlamento no qual a coliga\u00e7\u00e3o vencedora obteve apenas \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9516\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[98],"tags":[],"class_list":["post-9516","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c111-portugal"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2tu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9516\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}