{"id":956,"date":"2010-11-05T18:04:21","date_gmt":"2010-11-05T18:04:21","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=956"},"modified":"2017-11-29T13:47:41","modified_gmt":"2017-11-29T16:47:41","slug":"tendencias-da-barbarie-e-perspectivas-do-socialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/956","title":{"rendered":"Tend\u00eancias da Barb\u00e1rie e Perspectivas do Socialismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/4.bp.blogspot.com\/-MmaWjdNeDpI\/VxP0McVcCHI\/AAAAAAAAA8Y\/RF7WHZLqLbERaTzmTOeUj5rstS2wAqIBgCLcB\/s1600\/foto%2Bbandeira.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As sociedades e Estados ocidentais caminham inexoravelmente para condi\u00e7\u00f5es que aparentam barb\u00e1rie; acontecem mudan\u00e7as estruturais que invertem d\u00e9cadas de benef\u00edcios sociais e submetem os trabalhadores, recursos naturais e a riqueza das na\u00e7\u00f5es \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, pilhagem e roubo, baixando o n\u00edvel de vida e criando patamares de descontentamento sem precedentes.<\/p>\n<p>A barb\u00e1rie torna-se mais evidente nas guerras genocidas, organizadas e dirigidas pelos EUA e pela Europa Ocidental. A destrui\u00e7\u00e3o imperial de sociedades inteiras \u00e9 acompanhada pela desarticula\u00e7\u00e3o, assass\u00ednios e ex\u00edlio do actual n\u00facleo cient\u00edfico secular e art\u00edstico da sociedade iraquiana e pelo fomento de conflitos \u00e9tnico-religiosos retr\u00f3grados e s\u00e1trapas. A barb\u00e1rie imperial manifesta-se na aplica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de castigos cru\u00e9is e pouco habituais, torturas sancionadas pelo governo e assassinatos transfronteiras fazendo parte da pol\u00edtica de Estado. O imperialismo b\u00e1rbaro \u00e9 conduzido pelos militaristas e sionistas que tentam destruir os advers\u00e1rios, as suas economias e sociedades, em contraste com os imperialistas tradicionais que procuram controlar e explorar os recursos e os trabalhadores especializados. As pr\u00e1ticas barb\u00e1ricas s\u00e3o o resultado dos formuladores das pol\u00edticas e os seus assessores infiltrados em institui\u00e7\u00f5es barb\u00e1ricas: m\u00e9dicos e psic\u00f3logos aconselham e participam nas torturas; acad\u00e9micos propagam doutrinas (\u00abguerras justas\u00bb) que defendem guerras b\u00e1rbaras; respons\u00e1veis militares projectam e praticam crimes contra a humanidade para garantir promo\u00e7\u00f5es, sal\u00e1rios maiores e pens\u00f5es lucrativas. Os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o social transmitem os eufemismos triunfalistas oficiais apoiando os deslocamentos em massa das popula\u00e7\u00f5es, atribuindo crimes de guerra \u00e0s v\u00edtimas e aplaudindo os carrascos. Em suma, a barb\u00e1rie come\u00e7a com a elite urbana e filtra at\u00e9 ao trabalhador manual provinciano.<\/p>\n<p>Vamos continuar definindo os processos econ\u00f3micos, pol\u00edticos e militares que impulsionam o processo de decl\u00ednio e decomposi\u00e7\u00e3o e seguir com um relato da resposta popular das massas \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es em deteriora\u00e7\u00e3o. As profundas mudan\u00e7as estruturais que acompanham o crescimento da barb\u00e1rie tornam-se a base para analisar as perspectivas do socialismo no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p><strong>A Onda Crescente da Barb\u00e1rie<\/strong><\/p>\n<p>Na sociedade antiga a \u00abbarb\u00e1rie\u00bb e os seus portadores, \u00abos b\u00e1rbaros\u00bb, foram encarados como amea\u00e7as de invasores exteriores de regi\u00f5es afastadas que desciam sobre Roma e Atenas. Nas sociedades ocidentais contempor\u00e2neas, os b\u00e1rbaros vieram de dentro, da elite da sociedade, apostados em impor uma nova ordem que destr\u00f3i o tecido social e a base produtiva da sociedade, transformando meios de vida est\u00e1veis num dia a dia inseguro e em deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A chave para a barb\u00e1rie contempor\u00e2nea encontra-se nas profundas estruturas do Estado e da economia. Elas incluem:<\/p>\n<p>1. A ascend\u00eancia de uma elite financeira e especulativa que pilhou bili\u00f5es de d\u00f3lares dos aforristas, investidores, pessoas com hipotecas, consumidores e Estados, sugando enormes recursos da economia produtiva para uma elite parasit\u00e1ria infiltrada dentro do Estado e numa economia de papel.<\/p>\n<p>2. Uma elite pol\u00edtica militarista que se encontra num estado de guerra permanente desde os meados do s\u00e9culo passado. Guerras intermin\u00e1veis, assass\u00ednios transfronteiras, terrorismo de Estado, suspens\u00e3o das garantias tradicionais levaram a uma concentra\u00e7\u00e3o de poderes ditatoriais, pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, torturas e nega\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>habeas corpus<\/em>.<\/p>\n<p>3. No meio de uma profunda recess\u00e3o econ\u00f3mica, grandes gastos do Estado na constru\u00e7\u00e3o de um imp\u00e9rio econ\u00f3mico e militar \u00e0 custa da economia interna e o n\u00edvel de vida reflectem a subordina\u00e7\u00e3o da economia local \u00e0s actividades do Estado imperial.<\/p>\n<p>4. Crimes e corrup\u00e7\u00e3o ao mais alto n\u00edvel, em todas as esferas da actividade do Estado e neg\u00f3cios \u2013 desde as compras do Estado \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es, aos subs\u00eddios para os super-ricos \u2013 estimulam o crescimento do crime internacional de cima para baixo, a\u00a0<em>lumpeniza\u00e7\u00e3o <\/em>da classe capitalista e um Estado onde a lei e ordem ca\u00edram em desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>5. Como resultado dos grandes custos de constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio e da pilhagem pela oligarquia financeira, o peso socio-econ\u00f3mico recaiu em cheio sobre os ombros dos sal\u00e1rios e trabalhadores assalariados, pensionistas e trabalhadores por conta pr\u00f3pria, criando um abaixamento da mobilidade a longo prazo e em larga escala. Com a perda de empregos e a perda de empregos bem remunerados, a execu\u00e7\u00e3o de hipotecas dispara em flecha e a classe m\u00e9dia est\u00e1vel e trabalhadora encolhe e \u00e9 obrigada a aumentar as suas horas e anos de trabalho.<\/p>\n<p>6. \u00c0 medida que as guerras imperiais se espalham pelo mundo atingindo popula\u00e7\u00f5es inteiras, com bombardeamentos continuados e opera\u00e7\u00f5es de terror clandestinas, geram-se redes de terroristas opositoras que tamb\u00e9m atingem civis nos mercados, nos transportes e nos espa\u00e7os p\u00fablicos. O mundo parece um mundo\u00a0<em>Hobbesiano<\/em>, sem regras, de \u00abtodos contra todos\u00bb.<\/p>\n<p>Na realidade, o \u00abmundo occidental\u00bb (EUA\/UE\/NATO\/Israel e seus sat\u00e9lites) est\u00e3o empenhados numa \u00abguerra total\u00bb contra os povos do mundo, que resistem a submiss\u00e3o imperialista e sionista. A \u00abguerra total\u00bb tal como \u00e9 praticada pelo Ocidente, significa que<\/p>\n<p>(a) n\u00e3o existe distin\u00e7\u00e3o entre alvos militares e civis \u2013 todos s\u00e3o sempre considerados dignos de destrui\u00e7\u00e3o. Num sentido perverso de ironia totalit\u00e1ria, ao bombardear os civis, os poderes imperiais transformam uma guerra de guerrilha numa \u00abguerra popular\u00bb: guerras totais unem comunidades, fam\u00edlias, cl\u00e3s aos lutadores da resist\u00eancia.<\/p>\n<p>(b) As guerras totais utilizam todos os meios para aniquilar o inimigo \u2013 armas de envenenamento em massa (ur\u00e2nio enfraquecido), esquadr\u00f5es de morte, execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, bombardeamento indiscriminado de aldeias com\u00a0<em>drones<\/em>teleguiados, pris\u00f5es em massa de homens adultos nas regi\u00f5es de grande conflito. Como resultado da \u00abguerra total\u00bb imperial como padr\u00e3o de conflito, a oposi\u00e7\u00e3o replica, atingindo civis, incluindo professores, m\u00e9dicos e tradutores utilizados pelas ag\u00eancias internacionais.<\/p>\n<p>7. O crescente extremismo \u00e9tnico-religioso ligado ao militarismo existe entre os crist\u00e3os, judeus, mu\u00e7ulmanos, hindus, substituindo a solidariedade internacional de classe por doutrinas de supremacia racial e penetrando com profundidade as estruturas do Estado e da sociedade,<\/p>\n<p>Um dos mais flagrantes resultados do per\u00edodo p\u00f3s 2\u00aa Guerra Mundial tem sido a influ\u00eancia sem precedentes da configura\u00e7\u00e3o do poder Judaico-Sionista e o seu papel central dentro do Estado imperial dos EUA, juntando as b\u00e1rbaras pr\u00e1ticas imperiais dos EUA e Israelitas. Essas incluem torturas sistem\u00e1ticas, san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, bombardeamento de civis e outros crimes contra a humanidade. \u00c0s longas guerras de Israel contra os povos \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos \u2013 mais de 60 anos e continuam \u2013 juntam-se agora aos estrategas sionistas em Washington que promovem guerras prolongadas, em s\u00e9rie e que seguem a agenda israelita incitando uma islamofobia hist\u00e9rica atrav\u00e9s dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o social e a academia. Hoje, o Judeo-fascismo est\u00e1 infiltrado no governo israelita (3 ministros), ex\u00e9rcito, ordens religiosas e sectores significativos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8. O desaparecimento do colectivismo provid\u00eancial Europeu e Asi\u00e1tico \u2013 na ex-URSS e China \u2013 retirou as press\u00f5es de competi\u00e7\u00e3o sobre o capitalismo ocidental e animou-o a revogar todas as concess\u00f5es de previd\u00eancia concedidas aos trabalhadores no per\u00edodo p\u00f3s 2\u00aa Guerra Mundial.<\/p>\n<p>9. O desaparecimento do Comunismo e a integra\u00e7\u00e3o da social-democracia no sistema capitalista conduziu a um forte enfraquecimento da Esquerda, que os protestos sociais espor\u00e1dicos dos movimentos sociais n\u00e3o conseguiram substituir.<\/p>\n<p>10. Tendo em vista o actual ataque em grande escala contra o n\u00edvel de vida dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia, existem protestos ocasionais na melhor das hip\u00f3teses e impot\u00eancia pol\u00edtica no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>11. A explora\u00e7\u00e3o maciva do trabalho nas sociedades p\u00f3s-revolucion\u00e1rias, como na China e Vietname, inclui a exclus\u00e3o de centenas de milh\u00f5es de trabalhadores emigrantes dos servi\u00e7os p\u00fablicos elementares de ensino e sa\u00fade. A pilhagem sem precedentes e o confisco pelos oligarcas dom\u00e9sticos e multinacionais de milhares de empresas p\u00fablicas estrat\u00e9gicas lucrativas na R\u00fassia, nas rep\u00fablicas ex-Sovi\u00e9ticas, Europa do Leste, os Balc\u00e3s e pa\u00edses B\u00e1lticos representou a maior transfer\u00eancia da riqueza p\u00fablica para o privado e no mais curto per\u00edodo de toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em suma, a \u00abbarb\u00e1rie\u00bb surgiu como uma realidade definidora, produto da emerg\u00eancia nos EUA de uma classe parasit\u00e1ria dominante militarista sionizada e financeira. Os b\u00e1rbaros est\u00e3o aqui e agora, presentes dentro das fronteiras das sociedades e Estados ocidentais. S\u00e3o dominantes e prosseguem agressivamente uma agenda que reduz continuamente o n\u00edvel de vida, transfere a riqueza p\u00fablica para os seus cofres privados, pilham recursos p\u00fablicos, destroem direitos constitucionais na sua busca de guerras imperiais, segregando e perseguindo milh\u00f5es de trabalhadores imigrantes e promovendo a desintegra\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o de uma classe m\u00e9dia e trabalhadora est\u00e1vel. Mais do que nunca na hist\u00f3ria recente, 1% da popula\u00e7\u00e3o do topo controla uma parte cada vez maior da riqueza e os recursos nacionais.<\/p>\n<p><strong>Mitos e Realidades do Capitalismo Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>O corte, sustentado e em larga escala, dos direitos e disposi\u00e7\u00f5es sociais, sal\u00e1rios, seguran\u00e7a no emprego, pens\u00f5es e sal\u00e1rios demonstra a falsidade das ideias de um progresso linear do capitalismo. O retrocesso, fruto do maior poder da classe capitalista, demonstra a validade da proposi\u00e7\u00e3o marxista de que a luta de classes \u00e9 a for\u00e7a motora da hist\u00f3ria \u2013 pelo menos, na medida em que a condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 considerada o centro da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A segunda premissa falsa \u00e9 que os Estados com base em \u00abeconomias de mercado\u00bb precisam da paz e o corol\u00e1rio de que os \u00abmercados\u00bb derrotam o militarismo, \u00e9 refutada pelo facto de que a economia de mercado principal, os Estados Unidos, tem estado num estado de guerra constante desde os princ\u00edpios de 1940; activamente empenhados em guerras, em quatro continentes, at\u00e9 aos dias de hoje. Com novas guerras maiores e mais sangrentas no horizonte. A causa e resultado da guerra permanente, \u00e9 o crescimento de um \u00abEstado nacional securit\u00e1rio\u00bb monstruoso que n\u00e3o reconhece quaisquer fronteiras nacionais e absorve a maior parte do or\u00e7amento nacional.<\/p>\n<p>O terceiro mito do capitalismo \u201cavan\u00e7ado\u201d maduro \u00e9 que ele revoluciona constantemente a produ\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da inova\u00e7\u00e3o e da tecnologia. Com o crescimento da elite militarista e financeira especulativa, as for\u00e7as produtivas t\u00eam sido pilhadas e a \u201cinova\u00e7\u00e3o\u201d fica principalmente pela cria\u00e7\u00e3o de instrumentos financeiros que exploram os investidores, roubam os activos e aniquilam o emprego produtivo.<\/p>\n<p>Enquanto o imp\u00e9rio cresce, a economia interna diminui, o poder fica centralizado no executivo, os poderes legislativos s\u00e3o cortados e nega-se \u00e0 cidadania uma representatividade real e at\u00e9 mesmo um veto atrav\u00e9s de processos eleitorais.<\/p>\n<p><strong>A Resposta das Massas ao Crescimento da Barb\u00e1rie<\/strong><\/p>\n<p>O crescimento da barb\u00e1rie no nosso seio criou uma repulsa p\u00fablica maci\u00e7a contra o seus principais autores. As sondagens mostram repetidamente:<\/p>\n<p>1. Um desgosto profundo e repulsa contra todos os partidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>2. Vastas maiorias sentem uma grande desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 elite empresarial e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>3. Maiorias rejeitam a concentra\u00e7\u00e3o do poder empresarial e o abuso deste poder, principalmente pelos banqueiros e financeiros.<\/p>\n<p>4. Existe um questionamento generalizado das credenciais democr\u00e1ticas dos dirigentes pol\u00edticos que actuam ao mando da elite empresarial e promovem as pol\u00edticas repressivas do Estado de seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p>5. Uma grande maioria rejeita a pilhagem dos cofres do Estado para salvar os bancos e a elite financeira, ao mesmo tempo que imp\u00f5em programas regressivos de austeridade na classe m\u00e9dia e trabalhadora.<\/p>\n<p><strong>A Transi\u00e7\u00e3o do Imperialismo Econ\u00f3mico para o B\u00e1rbaro<\/strong><\/p>\n<p>Os EUA t\u00eam estado envolvidos em guerras imperiais cont\u00ednuas h\u00e1 mais de 60 anos. A guerra tem sido end\u00e9mica ao sistema imperial: na maioria dos casos tem sido para garantir recursos econ\u00f3micos, quotas de mercado e a explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra barata. A dial\u00e9ctica entre expans\u00e3o militar e conquista, dom\u00ednio pol\u00edtico atrav\u00e9s de regimes colaborantes e acesso econ\u00f3mico privilegiado para as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais dos EUA (CMC) foi efectivamente o car\u00e1cter definidor do imperialismo dos EUA. Hoje, a dial\u00e9ctica imperial j\u00e1 n\u00e3o funciona. O crescimento do capital financeiro e a fuga das CMC dos EUA para o estrangeiro, para Estados asi\u00e1ticos soberanos enfraqueceu o papel do capital industrial como motor da expans\u00e3o imperial. Hoje, existem novos mecanismos que fomentam as guerras imperiais \u2013 militarismo e sionismo \u2013 que olham para as guerras e conquista militar como \u00abum fim em si mesmo\u00bb. N\u00e3o capturam recursos ou quotas de mercado, destroem-nos, como demonstram as guerras dos EUA no Iraque, Afeganist\u00e3o, Som\u00e1lia, I\u00e9men, Honduras e noutros locais. Estas guerras destroem a riqueza das na\u00e7\u00f5es. Elas enfraquecem o tesouro americano. N\u00e3o enriquecem as corpora\u00e7\u00f5es (excepto temporariamente as empresas de mercen\u00e1rios de guerra) e n\u00e3o levam a uma remessa de lucros para os EUA\/UE.<\/p>\n<p>As guerras imperiais, que destroem a sociedade civil, o Estado e desarticulam as sociedades modernas seculares, criam alian\u00e7as com as colectividades clericais e \u00e9tnicas mais retr\u00f3gradas que compartilham as tend\u00eancias assassinas b\u00e1rbaras dos seus apoiantes e patrocinadores imperiais.<\/p>\n<p><strong>Perspectivas do Socialismo<\/strong><\/p>\n<p>As esperan\u00e7as t\u00e9nues do socialismo existem fora da Europa e dos Estados Unidos. Mesmo nas regi\u00f5es de guerra anti-imperialista de grande intensidade como no Golfo, \u00c1sia do Sul, o Corno de \u00c1frica, as principais for\u00e7as de resist\u00eancia s\u00e3o dirigidas por movimentos isl\u00e2micos que rejeitam os programas socialistas seculares. Movimentos liderados por movimentos isl\u00e2micos podem enfraquecer o imp\u00e9rio mas tamb\u00e9m s\u00e3o contra e reprimem quaisquer movimentos oper\u00e1rios abertamente marxistas. Na Am\u00e9rica Latina, os regimes nacionalistas t\u00eam enfraquecido o garrote do imperialismo americano sobre a sua pol\u00edtica externa e criaram oportunidades para que a classe capitalista local ganhasse novos mercados, mas tamb\u00e9m se desradicalizaram, desmobilizaram e cooptaram os antigos movimentos de classe independentes e sindicatos dirigidos pelos marxistas e socialistas.<\/p>\n<p>Na medida em que o socialismo existe como fen\u00f3meno de massas \u2013 e n\u00e3o apenas entre os acad\u00e9micos e os intelectuais que comparecem nas confer\u00eancias uns dos outros \u2013 encontra-se entre sectores dissidentes dos mineiros bolivianos, trabalhadores industriais e do sector p\u00fablico, sindicatos, sectores dos sem-terra brasileiros e espalhando-se entre minorias nos sindicatos e movimentos camponeses em toda a regi\u00e3o. Somente na Venezuela, com o Presidente Ch\u00e1vez, um programa socialista tem um apoio popular do Estado e das massas populares, apesar de co-existirem grandes contradi\u00e7\u00f5es entre \u00abEstado\u00bb e \u00abregime\u00bb.<\/p>\n<p>Na \u00c1sia, as recentes ondas de greves dos trabalhadores, num quadro de um passado revolucion\u00e1rio socialista, d\u00e1 subst\u00e2ncia \u00e0 esperan\u00e7a de um renascimento socialista de massas baseado na milit\u00e2ncia da classe oper\u00e1ria e do campesinato. O mesmo se aplica ao Vietname, onde a milit\u00e2ncia dos trabalhadores procura organiza\u00e7\u00f5es de classe independentes contra a explora\u00e7\u00e3o selvagem do capital estrangeiro e oligarcas locais \u00abcomunistas\u00bb. Na \u00cdndia, guerrilheiros camponeses controlam vastas extens\u00f5es de regi\u00f5es tribais e estabeleceram um \u00abpoder duplo\u00bb em certos dom\u00ednios, sujeitos a cerco militar e miss\u00f5es de busca e destrui\u00e7\u00e3o. Protestos de massas na Gr\u00e9cia, Espanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia mostram uma grande hostilidade dos trabalhadores contra os programas de austeridade de classe selectivos. Teoricamente, poderiam constituir uma base para o renascimento de uma pol\u00edtica marxista; mas de momento, nenhum partido revolucion\u00e1rio importante ou movimento existe para transformar as greves num projecto de poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Embora as perspectivas do socialismo, nomeadamente nos EUA, estejam bastante distantes e actualmente quase invis\u00edveis, certas situa\u00e7\u00f5es poderiam provocar um ressurgimento radical \u2013 que infelizmente pode \u00abvirar \u00e0 direita\u00bb antes de olhar para a esquerda. Em qualquer caso, as perspectivas de socialismo nos EUA e na Europa Ocidental envolvem um processo longo e dif\u00edcil, baseado na (re)cria\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o de classe.<\/p>\n<p>A ofensiva capitalista tem certamente um grande impacto nas condi\u00e7\u00f5es objectivas e subjectivas das classes trabalhadoras e m\u00e9dias, aumentado a mis\u00e9ria e criando uma onda crescente de descontentamento pessoal, mas n\u00e3o ainda movimentos anti-capitalistas massivos ou mesmo uma resist\u00eancia organizada din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Grandes mudan\u00e7as estruturais requerem um acerto de contas com as actuais circunst\u00e2ncias adversas e a identifica\u00e7\u00e3o de novas entidades e formas de luta de classes e de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos principais problemas \u00e9 a necessidade de recriar uma economia produtiva e reconstruir um novo operariado industrial, tendo em conta anos de pilhagem financeira e de desindustrializa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o necessariamente as ind\u00fastrias \u00absujas\u00bb do passado, mas certamente novas ind\u00fastrias que utilizem e inventem novos recursos energ\u00e9ticos limpos.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, as sociedades capitalistas altamente endividadas necessitam de uma mudan\u00e7a fundamental no militarismo e constru\u00e7\u00e3o de imp\u00e9rio muito caros para uma esp\u00e9cie de austeridade baseada na classe, que imponha sacrif\u00edcios e reformas estruturais aos sectores da banca, financeiros e sectores de retalho de grande importa\u00e7\u00e3o, substituindo pela produ\u00e7\u00e3o local as importa\u00e7\u00f5es de consumo baratas.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, a redu\u00e7\u00e3o dos sectores financeiro e de retalho exige a melhoria das qualifica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e empregados deslocados, bem como mudan\u00e7as no sector das TI para se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as da economia. Mudan\u00e7as paradigm\u00e1ticas do sal\u00e1rio em dinheiro para sal\u00e1rio social, em que o ensino p\u00fablico gratuito ao mais alto n\u00edvel e cuidados de sa\u00fade universais e pens\u00f5es adequadas substituam o consumismo financiado pelo endividamento. Estas mudan\u00e7as podem tornar-se a base para fortalecer a consci\u00eancia de classe contra o consumismo individual.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que se p\u00f5e \u00e9 saber como transportar movimentos laborais e sociais enfraquecidos, fragmentados em retrac\u00e7\u00e3o ou na defensiva para uma posi\u00e7\u00e3o de lan\u00e7ar uma ofensiva anti-capitalista.<\/p>\n<p>Talvez muitos factores subjectivos e objectivos trabalhem para esse fim. Em primeiro lugar, existe uma rejei\u00e7\u00e3o crescente de largas maiorias contra os pol\u00edticos incumbentes e em particular contra as elites financeiras e econ\u00f3micas que s\u00e3o claramente identificadas pela quebra das condi\u00e7\u00f5es de vida e desigualdades crescentes. Em segundo lugar, existe uma opini\u00e3o popular, partilhada por milh\u00f5es, de que os actuais programas de austeridade s\u00e3o claramente injustos \u2013 com os trabalhadores a pagarem pelas crises criadas pela classe capitalista. Contudo, estas maiorias s\u00e3o mais \u00abanti\u00bb situa\u00e7\u00e3o do que pr\u00f3 transforma\u00e7\u00e3o. A transi\u00e7\u00e3o do descontentamento privado para ac\u00e7\u00e3o colectiva \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto sobre quem e como, mas a oportunidade existe.<\/p>\n<p>V\u00e1rios factores objectivos podem desencadear uma mudan\u00e7a qualitativa do descontentamento de raiva passivo num movimento anti-capitalista massivo. Uma recess\u00e3o muito acentuada, o fim da actual recupera\u00e7\u00e3o an\u00e9mica e o aparecimento de uma recess\u00e3o\/depress\u00e3o mais profunda e prolongada, podem desacreditar ainda mais os actuais governantes e os seus apoiantes econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>Em segundo lugar um per\u00edodo de austeridade intermin\u00e1vel e profundo iria desacreditar a no\u00e7\u00e3o actual da classe dirigente da \u00abdor necess\u00e1ria para ganhos futuros\u00bb e abrir as mentes e movimentar as entidades para procurar solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no sentido obter ganhos imediatos infringindo dor nas elites econ\u00f3micas<\/p>\n<p>Guerras imperiais sem fim e n\u00e3o vitoriosas que sangram a economia, acabam por criar a consci\u00eancia de que a classe dirigente \u00absacrificou o pa\u00eds\u00bb sem \u00abqualquer prop\u00f3sito \u00fatil\u00bb.<\/p>\n<p>Talvez, a combina\u00e7\u00e3o de uma nova fase da recess\u00e3o, a austeridade perp\u00e9tua e guerras imperiais irracionais possam virar o actual mal-estar das massas e lan\u00e7ar hostilidade contra a elite pol\u00edtica e econ\u00f3mica, para os movimentos, partidos e sindicatos socialistas\u2026<\/p>\n<p><em>* Professor (Emeritus) de Sociologia na Universidade Binghamton de Nova York e professor adjunto na Universidade Saint Mary, no Canad\u00e1. Recebeu numerosas distin\u00e7\u00f5es profissionais e acad\u00e9micas.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 autor de mais de 60 livros e de centenas de artigos especializados na \u00e1rea da Sociologia, e de mais de 2.000 artigos de opini\u00e3o publicados em jornais internacionais de grande projec\u00e7\u00e3o. Actualmente colabora com regularidade no jornal mexicano La Jornada, contribui para o Conter Punch e Atlantic Free Press, e integra o colectivo editorial de Canadian Dimension.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/www.odiario.info\/?p=1788<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nJames Petras*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/956\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[89],"tags":[],"class_list":["post-956","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c102-civilizacao-ou-barbarie"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-fq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=956"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/956\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}