{"id":9579,"date":"2015-10-20T13:06:37","date_gmt":"2015-10-20T16:06:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9579"},"modified":"2016-05-18T21:56:54","modified_gmt":"2016-05-19T00:56:54","slug":"a-ameaca-iraniana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9579","title":{"rendered":"\u201cA amea\u00e7a iraniana\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/citelighter-cards.s3.amazonaws.com\/p1781n464flfk1v72o391s101lh40_16128.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><strong>Quem \u00e9 o perigo mais grave para a paz mundial?<\/strong><\/p>\n<p>Noam Chomsky<\/p>\n<p>De acordo com as ag\u00eancias de opini\u00e3o ocidentais (WIN\/Gallup International), o campeonato da \u201cmaior amea\u00e7a\u201d \u00e9 ganho pelos EUA. O resto do mundo v\u00ea-os como a mais s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 paz mundial, por grande margem. No segundo lugar, bastante abaixo, est\u00e1 o Paquist\u00e3o com uma pontua\u00e7\u00e3o <!--more-->possivelmente exagerada pelo voto indiano. O Ir\u00e3o est\u00e1 classificado bastante abaixo desses dois, junto com a China, Israel, Coreia do Norte e Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 grande al\u00edvio e otimismo em todo o mundo sobre o acordo nuclear alcan\u00e7ado em Viena entre o Ir\u00e3o e os pa\u00edses do grupo P5+1, os cinco membros com poder de veto no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, mais a Alemanha. A maior parte dos pa\u00edses partilha aparentemente da avalia\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Controle de Armas dos EUA, segundo a qual \u201co Plano Integral de A\u00e7\u00e3o Conjunta estabelece por um per\u00edodo superior a uma gera\u00e7\u00e3o uma f\u00f3rmula poderosa e eficiente de bloqueio de todas as vias pelas quais o Ir\u00e3o poderia adquirir materiais para armas nucleares e um sistema de verifica\u00e7\u00e3o que durar\u00e1 indefinidamente para r\u00e1pida dete\u00e7\u00e3o e dissuas\u00e3o de poss\u00edveis tentativas do Ir\u00e3o para secretamente procurar conseguir armas nucleares.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 contudo not\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es ao entusiasmo geral: os Estados Unidos e os seus mais pr\u00f3ximos aliados, Israel e Ar\u00e1bia Saudita. Uma consequ\u00eancia disto \u00e9 que as grandes empresas americanas, com muita pena sua, est\u00e3o impedidas de se juntar em Teer\u00e3o \u00e0s suas an\u00e1logas europeias. Setores proeminentes do poder e da opini\u00e3o americanos partilham a posi\u00e7\u00e3o dos dois aliados regionais e por isso encontram-se em estado de virtual histeriacom a \u201camea\u00e7a iraniana.\u201d Coment\u00e1rios a s\u00e9rio que atravessam o leque das opini\u00f5es nos Estados Unidos afirmam esse pa\u00eds como \u201ca mais grave amea\u00e7a para a paz mundial.\u201d Mesmo apoiantes do acordo s\u00e3o cautelosos, dada a excecional gravidade dessa amea\u00e7a. Ao fim e ao cabo, como podemos confiar nos iranianos com o seu terr\u00edvel palmar\u00e9s de agress\u00e3o, viol\u00eancia, revoltas e enganos?<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o no interior da classe pol\u00edtica \u00e9 t\u00e3o forte que a opini\u00e3o p\u00fablica mudou rapidamente do\u00a0apoio significativoao acordo para um\u00a0empate.\u00a0Os republicanos op\u00f5em-se quse unanimemente ao acordo. As atuais prim\u00e1rias republicanas ilustram as raz\u00f5es proclamadas. O senador Ted Cruz, considerado um intelectual dentro do numeroso grupo de candidatos presidenciais,\u00a0avisa\u00a0que o Ir\u00e3o ainda pode fabricar armas nucleares e poderia um dia usar uma delas para efetuar um Pulso Eletro-Magn\u00e9tico que \u201cdeitaria abaixo a rede el\u00e9trica de toda a costa leste\u201d dos Estados Unidos, matando \u201cdezenas de milh\u00f5es de americanos.\u201d<\/p>\n<p>Os dois mais prov\u00e1veis vencedores, o antigo governador da Florida, Jeb Bush, e o governador do Wisconsin, Scott Walker, discutem sobre se bombardeiam o Ir\u00e3o\u00a0imediatamente a seguir\u00a0\u00e0 elei\u00e7\u00e3o ou depois da\u00a0primeira reuni\u00e3o do governo\u00a0. O candidato com alguma experi\u00eancia de pol\u00edtica externa, Lindsey Graham,\u00a0apresenta\u00a0o acordo como \u201cuma senten\u00e7a de morte para o estado de Israel,\u201d o que certamente cai como uma\u00a0surpresa\u00a0para a\u00a0espionagem\u00a0israelita e para os analistas de estrat\u00e9gia e que Graham sabe ser um completo disparate, levantando de imediato d\u00favidas sobre a sua real motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembremos que os republicanos h\u00e1 muito abandonaram a pretens\u00e3o de funcionarem como um partido do Congresso normal. Conforme\u00a0observou\u00a0o respeitado comentador pol\u00edtico conservador Norman Ornstein do American Enterprise Institut de direita, tornaram-se uma \u201cinsurg\u00eancia radical\u201d que mal procura participar na pol\u00edtica normal do Congresso.<\/p>\n<p>Desde o tempo do presidente Ronald Reagan, a lideran\u00e7a do partido mergulhou t\u00e3o fundo nos bolsos dos muito ricos e do setor das grandes empresas que s\u00f3 consegue atrair votos mobilizando a parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o previamente organizada em for\u00e7as pol\u00edticas. Entre elas, est\u00e3o os crist\u00e3os evang\u00e9licos extremistas, que \u00e9 talvez agora a maioria dos votantes republicanos, descendentes dos antigos estados esclavagistas, nacionalistas aterrorizados com a ideia de que \u201celes\u201d est\u00e3o a conquistar-nos o nosso pa\u00eds, branco, crist\u00e3o e anglo-sax\u00f3nico, e outros que transformam as prim\u00e1rias republicanas em espet\u00e1culos \u00e0 parte na corrente dominante das sociedades modernas, ainda que n\u00e3o na que domina o mais poderoso pa\u00eds da hist\u00f3ria mundial.<\/p>\n<p>O afastamento da norma geral vai contudo muito para al\u00e9m dos limites da insurg\u00eancia radical republicana. Atrav\u00e9s do leque pol\u00edtico, existe por exemplo concord\u00e2ncia geral com a\u00a0\u201cpragm\u00e1tica\u201d conclus\u00e3o\u00a0do general Martin Dempsey, chefe da Junta de Estado-Maior, de que o acordo de Viena n\u00e3o \u201cimpede os Estados Unidos de atacar as instala\u00e7\u00f5es iranianas, se os funcion\u00e1rios decidirem que est\u00e3o fazendo batota com o acordo,\u201d embora um ataque militar unilateral seja \u201cmuito menos prov\u00e1vel\u201d se o Ir\u00e3o se portar bem.<\/p>\n<p>O antigo negociador de Clinton e Obama para o M\u00e9dio-Oriente, Dennis Ross, tipicamente recomenda que \u201co Ir\u00e3o n\u00e3o deve ficar com d\u00favidas de que, se o virmos aproximar-se da arma, isso desencadeia o uso da for\u00e7a\u201d, mesmo ap\u00f3s o fim do acordo, quando o Ir\u00e3o teoricamente estiver livre de fazer o que entender. De facto, a exist\u00eancia de um prazo final para daqui a 15 anos \u00e9, conforme acrescenta, \u201co \u00fanico problema importante do acordo.\u201d Sugere tamb\u00e9m que os EUA forne\u00e7am a Israel\u00a0bombardeiros B-52 especialmente equipados\u00a0e bombas anti-bunker para se protegerem antes de t\u00e3o terr\u00edvel data chegar.<\/p>\n<p>\u201cA maior amea\u00e7a\u201d<\/p>\n<p>Os opositores do acordo nuclear criticam que ele n\u00e3o vai suficientemente longe. Alguns apoiantes concordam com isso,\u00a0mantendo que\u00a0\u201cse o acordo de Viena significar alguma coisa, ent\u00e3o todo o M\u00e9dio-Oriente tem que se ver livre das armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva.\u201d O autor destas palavras, o ministro iraniano dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Javad Zarif, acrescentou que \u201co Ir\u00e3o, dentro da sua capacidade nacional e como atual presidente do Movimento dos N\u00e3o-Alinhados [governos de grande maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial], est\u00e1 preparado para trabalhar com a comunidade internacional para alcan\u00e7ar esses objetivos, sabendo muito bem que, ao longo do caminho, h\u00e1-de encontrar muitos obst\u00e1culos levantados pelos c\u00e9ticos da paz e da diplomacia.\u201d O Ir\u00e3o assinou \u201cum acordo nuclear hist\u00f3rico\u201d, continua ele, e agora chegou a vez do \u201crenitente\u201d Israel.<\/p>\n<p>Israel, claro, \u00e9 uma das tr\u00eas pot\u00eancias nucleares, junto com a \u00cdndia e o Paquist\u00e3o, cujos programas de armas receberam ajuda dos Estados Unidos e se recusam a assinar o Tratado de N\u00e3o-Prolifera\u00e7\u00e3o (TNP).<\/p>\n<p>Zarif referia-se \u00e0 confer\u00eancia normal de revis\u00e3o do TNP de cinco em cinco anos, que terminou sem \u00eaxito em abril quando os EUA, acompanhados pelo Canad\u00e1 e Gr\u00e3-Bretanha, uma vez mais bloquearam os esfor\u00e7os no sentido de uma zona livre de armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva no M\u00e9dio-Oriente. Esses esfor\u00e7os foram conduzidos pelo Egipto e por outros estados \u00e1rabes durante 20 anos. Conforme Jayantha Dhanapala e S\u00e9rgio Duarte, figuras cimeiras na promo\u00e7\u00e3o desses esfor\u00e7os no seio do TNP e noutras ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas,\u00a0observam\u00a0no artigo do boletim da Associa\u00e7\u00e3o para o Controle de Armas \u201cH\u00e1 futuro para o TNP?\u201d: \u201cO \u00eaxito da ado\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o sobre o estabelecimento de uma zona livre de armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva (ADM) no M\u00e9dio-Oriente em 1955 foi o principal elemento de um pacote que permitiu a extens\u00e3o indefinida do TNP.\u201d O TNP, por sua vez, constitui o mais importante tratado de controle de armamento. Se fosse adotado, terminaria com o flagelo das armas nucleares.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o tem sido repetidamente bloqueada pelos EUA e mais recentemente pelo presidente Obama em 2010 e de novo em 2015, conforme Dhanapala e Duarte salientam, \u201cem nome de um estado que n\u00e3o \u00e9 parceiro do TNP e que \u00e9 largamente conhecido como sendo o \u00fanico da regi\u00e3o a possuir armas nucleares\u201d, uma elegante e discreta refer\u00eancia a Israel. Este fracasso, esperam eles, \u201cn\u00e3o ser\u00e1 o golpe de miseric\u00f3rdia nos dois objetivos de longo prazo do TNP para acelerar o avan\u00e7o do desarmamento nuclear e o estabelecimento de uma zona livre de ADM no M\u00e9dio-Oriente.\u201d<\/p>\n<p>Uma zona livre de armas nucleares no M\u00e9dio-Oriente seria uma maneira pr\u00e1tica de lidar com qualquer alegada amea\u00e7a representada pelo Ir\u00e3o, mas h\u00e1 muito mais em jogo na cont\u00ednua sabotagem dessa iniciativa por Washington para proteger o seu cliente israelita. Ao fim e ao cabo, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico caso em que a oportunidade para acabar com a alegada amea\u00e7a iraniana foi sabotada por Washington, o que levanta quest\u00f5es sobre o que est\u00e1 de facto em causa.<\/p>\n<p>Ao considerar esta quest\u00e3o, \u00e9 instrutivo verificar tanto os pressupostos da situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o mencionados, como as quest\u00f5es que raramente s\u00e3o encaradas. Consideremos alguns desses pressupostos, come\u00e7ando com o mais s\u00e9rio: que o Ir\u00e3o \u00e9 a mais grave amea\u00e7a \u00e0 paz mundial.<\/p>\n<p>Nos EUA, \u00e9 clich\u00e9 virtual entre os altos funcion\u00e1rios e comentadores que o Ir\u00e3o \u00e9 o campe\u00e3o desse sinistro campeonato. H\u00e1 um outro mundo fora dos EUA e, embora as suas perspetivas n\u00e3o sejam referidas nos \u00f3rg\u00e3os de opini\u00e3o dominantes, talvez elas tenham interesse. De acordo com as ag\u00eancias de opini\u00e3o ocidentais (WIN\/Gallup International), o campeonato da \u201cmaior amea\u00e7a\u201d \u00e9\u00a0ganho pelos EUA\u00a0. O resto do mundo v\u00ea-os como a mais s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 paz mundial por grande margem. No segundo lugar, bastante abaixo, est\u00e1 o Paquist\u00e3o com uma pontua\u00e7\u00e3o possivelmente exagerada pelo voto indiano. O Ir\u00e3o est\u00e1 classificado bastante abaixo desses dois, junto com a China, Israel, Coreia do Norte e Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO maior apoiante mundial do terrorismo\u201d<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 seguinte quest\u00e3o \u00f3bvia, qual \u00e9 de facto a amea\u00e7a iraniana? Porqu\u00ea, por exemplo, tremem de medo Israel e a Ar\u00e1bia Saudita com esse pa\u00eds? Seja qual f\u00f4r a amea\u00e7a, dificilmente poder\u00e1 ser militar. H\u00e1 anos, a espionagem americana informou o Congresso que o Ir\u00e3o tem despesas militares muito pequenas comparadas com a norma na regi\u00e3o e que a doutrina estrat\u00e9gica que segue \u00e9 defensiva, isto \u00e9, preparada para dissuadir agress\u00f5es. O grupo de informa\u00e7\u00f5es americanas\u00a0relatou\u00a0igualmente n\u00e3o ter qualquer prova de que o Ir\u00e3o esteja a prosseguir qualquer programa de armas nucleares e que \u201co programa nuclear do Ir\u00e3o e a sua vontade de manter aberta a possibilidade de desenvolver armas nucleares fa\u00e7a parte da sua estrat\u00e9gia de dissuas\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A respeitada revista de armamento global\u00a0SIPRI\u00a0coloca os EUA, como habitualmente, \u00e0 cabe\u00e7a das despesas militares. A China vem em segundo, com cerca de um ter\u00e7o das despesas americanas. Bastante abaixo, ficam a R\u00fassia e a Ar\u00e1bia Saudita, que no entanto est\u00e3o bem acima de qualquer estado da Europa ocidental. O Ir\u00e3o \u00e9\u00a0pouco mencionado\u00a0. Os detalhes completos encontram-se no\u00a0relat\u00f3rio de Abril\u00a0do Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos e Internacionais (CSIS) que acha \u201cconcludente os estados do Golfo da Ar\u00e1bia terem\u2026 esmagadora vantagem sobre o Ir\u00e3o quer em despesas militares, quer no acesso a armamento moderno.\u201d<\/p>\n<p>As despesas militares do Ir\u00e3o, por exemplo, s\u00e3o uma fra\u00e7\u00e3o apenas da Ar\u00e1bia Saudita e mesmo muito inferiores \u00e0s dos Emiratos \u00c1rabes Unidos (EAU). No seu conjunto, os estados do Concelho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo (Bahrain, Kuwait, Oman, Ar\u00e1bia Saudita e EAU) ultrapassam o Ir\u00e3o por um fator de oito, um desequil\u00edbrio que vem de h\u00e1 d\u00e9cadas. O relat\u00f3rio do CSIS acrescenta: \u201cOs estados do Golfo da Ar\u00e1bia adquiriram e est\u00e3o a adquirir algumas das mais avan\u00e7adas e eficientes armas do mundo, [enquanto] o Ir\u00e3o tem essencialmente sido obrigado a viver no passado, baseado muitas vezes em sistemas fornecidos originalmente no tempo do X\u00e1.\u201d Por outras palavras, s\u00e3o virtualmente obsoletos. No que se refere a Israel, evidentemente que o desequil\u00edbrio \u00e9 ainda maior. Com o armamento americano mais avan\u00e7ado e uma base militar virtual offshore para a superpot\u00eancia global, tem um grande stock de armas nucleares.<\/p>\n<p>Na verdade, Israel enfrenta a \u201camea\u00e7a existencial\u201d das declara\u00e7\u00f5es iranianas. O Supremo L\u00edder Khamenei e o antigo presidente Mahmoud Ahmadinejad ficaram famosos por o amea\u00e7arem de destrui\u00e7\u00e3o.\u00a0S\u00f3 que\u00a0eles\u00a0n\u00e3o o fizeram\u00a0&#8211; e, se o tivessem feito, teria sido por pouco tempo. Ahmadinejad, por exemplo, previu que \u201cpela gra\u00e7a de Deus [o regime sionista] ser\u00e1 varrido do mapa.\u201d Por outras palavras, mostrou esperan\u00e7a em que uma mudan\u00e7a de regime algum dia aconte\u00e7a. Mesmo isso est\u00e1 muito aqu\u00e9m dos apelos diretos de Washington e Tel Aviv para uma mudan\u00e7a de regime no Ir\u00e3o, para n\u00e3o falar das a\u00e7\u00f5es empreendidas para se efetuar tal mudan\u00e7a. S\u00e3o as que remontam \u00e0 efetiva \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d de 1953, quando os Estados Unidos e a Gr\u00e3-Bretanha organizaram um golpe militar para derrubar o governo parlamentar do Ir\u00e3o e instalar a ditadura do X\u00e1, o qual iniciou uma cole\u00e7\u00e3o das piores viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no mundo.<\/p>\n<p>Estes crimes s\u00e3o certamente conhecidos de quem l\u00ea os relat\u00f3rios da Amnistia Internacional e outras organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, mas n\u00e3o dos leitores da imprensa americana, a qual tem devotado imenso espa\u00e7o a viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos pelo Ir\u00e3o, mas apenas desde 1979 quando o regime do X\u00e1 foi derrubado. (Para confirmar este facto, leia-se&gt;em&gt;\u00a0The U.S. Press and Iran,\u00a0um estudo cuidadosamente documentado por Mansour Farhang e William Dorman.)<\/p>\n<p>Nada disto difere do normal. Os Estados Unidos, como bem se sabe, det\u00eam o t\u00edtulo de campe\u00e3o mundial de altera\u00e7\u00f5es de regimes, enquanto Israel tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 para desprezar. A mais destruidora das suas invas\u00f5es do L\u00edbano, em 1982, foi expressamente dirigida para alterar o regime, assim como para garantir o seu dom\u00ednio dos territ\u00f3rios ocupados. Os pretextos utilizados eram realmente fracos e esboroaram-se num instante. Tamb\u00e9m isso n\u00e3o \u00e9 raro e bastante independente da natureza do pa\u00eds em causa, desde as queixas na Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia sobre \u201cos impiedosos selvagens \u00edndios\u201d, at\u00e9 \u00e0 defesa da Alemanha perante o \u201cterror selvagem\u201d dos polacos por Hitler.<\/p>\n<p>Nenhum analista s\u00e9rio acredita que o Ir\u00e3o alguma vez use, ou mesmo ameace usar, a arma nuclear caso tenha alguma e dessa forma enfrente a imediata destrui\u00e7\u00e3o. Existe no entanto real preocupa\u00e7\u00e3o que uma arma nuclear possa cair em m\u00e3os jihadistas, n\u00e3o gra\u00e7as ao Ir\u00e3o, mas atrav\u00e9s do aliado americano Paquist\u00e3o. No boletim do Royal Institute of International Affairs, dois importantes cientistas nucleares paquistaneses, Pervez Hoodbhoy e Zia Mian,escrevem\u00a0que o receio crescente de \u201cmilitantes que possam roubar armas ou materiais nucleares e desencadear terrorismo nuclear [levaram \u00e0]\u2026 crea\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a especial de 20.000 soldados para guardar as instala\u00e7\u00f5es nucleares. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para supor, no entanto, que esta for\u00e7a seja imune aos problemas associados \u00e0s unidades que guardam as instala\u00e7\u00f5es militares normais,\u201d que frequentemente sofrem ataques com \u201cajuda interna.\u201d Em resumo, o problema \u00e9 real, apenas deslocado para o Ir\u00e3o devido a fantasias engendradas por outras raz\u00f5es.<\/p>\n<p>Outras preocupa\u00e7\u00f5es sobre a amea\u00e7a iraniana incluem o seu papel como \u201co mais importante apoiante mundial do terrorismo,\u201d que se refere principalmente ao seu apoio ao Hezbollah e ao Hamas. Ambos estes movimentos emergiram da resist\u00eancia \u00e0 agress\u00e3o e viol\u00eancia israelita apoiada pelos EUA, a qual ultrapassa de longe tudo o que lhes possa ser atribu\u00eddo, para n\u00e3o falar da pr\u00e1tica corrente da pot\u00eancia hegem\u00f3nica cuja\u00a0campanha global de assass\u00ednios com drones\u00a0domina o terrorismo internacional e ajuda a aliment\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Esses dois celerados clientes iranianos comungam tamb\u00e9m o crime de ganhar o voto popular nas \u00fanicas elei\u00e7\u00f5es livres do mundo \u00e1rabe. O Hezbollah \u00e9 culpado do ainda mais odioso crime de obrigar Israel a retirar-se do sul do L\u00edbano, cuja ocupa\u00e7\u00e3o teve lugar d\u00e9cadas atr\u00e1s em viola\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, incluindo um regime ilegal de terror e por vezes extrema viol\u00eancia. Seja o que f\u00f4r que se pense do Hezbollah, do Hamas, ou de outros benefici\u00e1rios do apoio iraniano, o Ir\u00e3o dificilmente faz parte dos apoiantes do terrorismo mundial.<\/p>\n<p>\u201cAlimentar a instabilidade\u201d<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o,\u00a0comunicada\u00a0na ONU pela embaixadora americana Samantha Power, \u00e9 a \u201cinstabilidade alimentada pelo Ir\u00e3o, para al\u00e9m do seu programa nuclear.\u201d Os Estados Unidos continuam a vigiar esta m\u00e1 conduta, disse ela. Ao faz\u00ea-lo, fez-se eco da garantia que o secret\u00e1rio da Defesa Ashton Carter\u00a0ofereceu\u00a0ao dizer na fronteira norte de Israel que \u201ccontinuaremos a ajudar Israel contra a influ\u00eancia maligna do Ir\u00e3o\u201d no apoio ao Hezbollah e que os EUA se reservam o direito de usar a for\u00e7a militar contra o Ir\u00e3o quando o julgarem apropriado.<\/p>\n<p>A forma como o Ir\u00e3o \u201calimenta a instabilidade\u201d pode ser vista com particular dramatismo no Iraque onde, entre outros crimes, foi sozinho em socorro dos curdos que se defendiam da invas\u00e3o por militantes do Estado Isl\u00e2mico, ao mesmo tempo que constr\u00f3i\u00a0uma central el\u00e9trica de 2.500 milh\u00f5es de d\u00f3lares\u00a0na cidade-porto do sul Basra, tentando fazer regressar a pot\u00eancia el\u00e9trica instalada ao n\u00edvel anterior \u00e0 invas\u00e3o de 2003. A forma como a embaixadora Power fala \u00e9 t\u00edpica, quando devido a essa invas\u00e3o foram mortos centenas de milhares, surgiram milh\u00f5es de refugiados, foram cometidos atos de tortura b\u00e1rbaros (os iraquianos compararam a destrui\u00e7\u00e3o \u00e0 invas\u00e3o mongol do s\u00e9culo XIII), deixando o Iraque como o mais desgra\u00e7ado pa\u00eds do mundo de acordo com a sondagem WIN\/Gallup. Entretanto, estalou um conflito sect\u00e1rio que despeda\u00e7ou a regi\u00e3o e abriu caminho \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da monstruosidade que \u00e9 o ISIS. E a tudo isso chama ela \u201cestabiliza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>S\u00f3 as vergonhosas a\u00e7\u00f5es do Ir\u00e3o, contudo, \u201calimentam a instabilidade.\u201d A interpreta\u00e7\u00e3o t\u00edpica atinge por vezes n\u00edveis quase surrealistas, como quando o comentador James Chace, antigo editor da Foreign Affairs,\u00a0explicou\u00a0que os EUA procuraram \u201cdesestabilizar um governo marxista livremente eleito no Chile\u201d porque \u201cest\u00e1vamos determinados a procurar a estabilidade\u201d sob a ditadura de Pinochet.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros que est\u00e3o danados com o facto de Washington negociar com um regime \u201cdesprez\u00edvel\u201d como o do Ir\u00e3o, com o seu horr\u00edvel registo de direitos humanos, e que pressionam para que em vez disso se procure \u201cuma alian\u00e7a sob os ausp\u00edcios americanos entre Israel e os estados sunitas.\u201d Assim\u00a0escreve\u00a0Leon Wieseltier, editor colaborador do vener\u00e1vel jornal liberal Atlantic, que mal consegue disfar\u00e7ar o seu \u00f3dio visceral a tudo que \u00e9 iraniano. Com ar s\u00e9rio, este respeitado intelectual liberal recomenda que a Ar\u00e1bia Saudita, ao lado da qual o Ir\u00e3o \u00e9 como um para\u00edso virtual, e Israel, com os seus viciosos crimes em Gaza e por todo o lado, deviam aliar-se para ensinarem esse pa\u00eds a portar-se bem. Talvez a recomenda\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja de todo desrazo\u00e1vel quando consideramos o registo de direitos humanos dos regimes que os Estados Unidos t\u00eam imposto e apoiado em todo o mundo.<\/p>\n<p>Embora o governo iraniano seja sem d\u00favida uma amea\u00e7a para o seu pr\u00f3prio povo, n\u00e3o h\u00e1 lamentavelmente registos seus nesse campo, pelo menos ao mesmo n\u00edvel dos aliados favoritos dos Estados Unidos. No entanto, isso parece n\u00e3o interessar a Washington e muito menos a Tel Aviv ou Riyadh.<\/p>\n<p>Seria tamb\u00e9m \u00fatil lembrar (certamente que os iranianos o fazem) que nem um s\u00f3 dia passou desde 1953 sem que os Estados Unidos tenham prejudicado os iranianos. Ao fim e ao cabo, a partir do momento em que derrubaram em 1979 o odioso regime do X\u00e1 imposto pelos EUA, Washington passou a apoiar o l\u00edder iraquiano Saddam Hussein que haveria de lan\u00e7ar em 1980 um assalto assassino ao seu pa\u00eds. O presidente Reagan foi ao ponto de negar o maior crime de Saddam, o ataque de guerra qu\u00edmica \u00e0 popula\u00e7\u00e3o curda do Iraque, culpando o Ir\u00e3o por isso. Quando Saddam foi julgado pelos seus crimes sob os ausp\u00edcios dos americanos, esse crime horr\u00edvel, tal como outros nos quais os EUA foram c\u00famplices, foi cuidadosamente exclu\u00eddo das acusa\u00e7\u00f5es, as quais ficaram restritas a um dos seus crimes menores, o assass\u00ednio de 148 xiitas em 1982, uma nota de rodap\u00e9 na sua sinistra carreira.<\/p>\n<p>Saddam era um amigo t\u00e3o valorizado por Washington que at\u00e9 foi agraciado com um privil\u00e9gio apenas concedido a Israel. Em 1987, as suas for\u00e7as foram autorizadas a atacar impunemente uma unidade naval americana, o USS Stark, matando 37 homens da tripula\u00e7\u00e3o (Israel atuara de modo semelhante no seu ataque de 1967 ao USS Liberty). O Ir\u00e3o reconheceu praticamente a sua derrota pouco depois, quando os EUA lan\u00e7aram a Opera\u00e7\u00e3o Louva-a-Deus contra navios iranianos e plataformas petrol\u00edferas em \u00e1guas territoriais iranianas. Essa opera\u00e7\u00e3o culminou quando o USS Vincennes, sem qualquer amea\u00e7a cred\u00edvel, abateu um avi\u00e3o civil iraniano em espa\u00e7o a\u00e9reo iraniano fazendo 290 mortos, e com a subsequente concess\u00e3o da\u00a0Medalha da Legi\u00e3o de M\u00e9rito\u00a0ao comandante do Vincennes por \u201cconduta excecionalmente merit\u00f3ria\u201d e por manter um \u201cclima calmo e profissional\u201d durante o per\u00edodo em que o ataque ao avi\u00e3o teve lugar. Comenta o fil\u00f3sofo Thill Raghu, \u201cS\u00f3 podemos ficar apavorados perante tal demonstra\u00e7\u00e3o do excecionalismo americano!\u201d<\/p>\n<p>Depois da guerra ter terminado, os EUA continuaram a apoiar Saddam Hussein, o principal inimigo do Ir\u00e3o. O presidente George H.W.Bush convidou mesmo engenheiros nucleares iraquianos para os Estados Unidos para forma\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada em produ\u00e7\u00e3o de armas, uma amea\u00e7a extremamente grave ao Ir\u00e3o. As san\u00e7\u00f5es contra este pa\u00eds intensificaram-se, incluindo as empresas estrangeiras que com ele negociavam, e foram iniciadas a\u00e7\u00f5es para o expulsar do sistema financeiro internacional.<\/p>\n<p>Nos anos recentes, a hostilidade estendeu-se \u00e0 sabotagem, ao assass\u00ednio de cientistas nucleares (presumivelmente por Israel), e \u00e0 ciber-guerra, abertamente proclamada com orgulho. O Pent\u00e1gono encara a ciber-guerra como um ato de guerra, justificando uma resposta militar, tal como o faz a NATO, que afirmou em setembro de 2014 que os ciber-ataques podem desencadear os mecanismos de defesa coletiva das pot\u00eancias da NATO quando somos n\u00f3s o alvo, n\u00e3o os autores.<\/p>\n<p>\u201cO principal estado acima da lei\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 justo acrescentar que tem havido quebras neste padr\u00e3o. O presidente George W.Bush, por exemplo, deu algumas prendas significativas ao Ir\u00e3o quando destru\u00edu os seus maiores inimigos, Saddam Hussein e os talib\u00e3s. Colocou mesmo o inimigo iraquiano do Ir\u00e3o sob sua influ\u00eancia ap\u00f3s a derrota americana, uma derrota t\u00e3o s\u00e9ria que levou Washington a abandonar os seus objetivos oficialmente declarados de estabelecer bases militares permanentes (\u201ccampos duradoiros\u00a0\u201d) e de\u00a0garantir\u00a0que as grandes empresas americanas tivessem acesso privilegiado \u00e0s vastas reservas de petr\u00f3leo do Iraque.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os dirigentes iranianos tencionam desenvolver hoje armas nucleares? Podemos decidir por n\u00f3s pr\u00f3prios qu\u00e3o fi\u00e1veis s\u00e3o os seus desmentidos, mas que tenham tido tais inten\u00e7\u00f5es no passado est\u00e1 fora de quest\u00e3o. Ao fim e ao cabo, isso era abertamente afirmado ao mais alto n\u00edvel e os jornalistas estrangeiros eram informados que o Ir\u00e3o iria desenvolver armas nucleares \u201ccom toda a certeza e mais cedo do que se pensa\u201d. O pai do programa de energia nuclear do Ir\u00e3o e antigo diretor da Organiza\u00e7\u00e3o de Energia At\u00f3mica do Ir\u00e3o estava convencido que o plano dos dirigentes \u201cera construir uma bomba nuclear.\u201d A CIA tamb\u00e9m relatou que n\u00e3o tinha \u201cqualquer d\u00favida\u201d que o Ir\u00e3o iria desenvolver armas nucleares se os pa\u00edses vizinhos o fizessem (como fizeram).<\/p>\n<p>Tudo isto se passou evidentemente com o X\u00e1, o acima citado \u201cmais alto n\u00edvel\u201d, e numa altura em que funcion\u00e1rios superiores americanos, como Dick Cheney, Donald Rumsfeld e Henry Kissinger entre outros, o pressionavam para continuar com os seus programas nucleares e pressionavam as universidades para se adaptarem a esses esfor\u00e7os. A minha pr\u00f3pria universidade, o MIT, foi assim pressionada para um acordo com o X\u00e1 para admiss\u00e3o de estudantes iranianos no programa de engenharia nuclear em troca de bolsas por ele oferecidas, sob fortes obje\u00e7\u00f5es do corpo de estudantes, mas com o apoio comparativamente mais forte da faculdade (numa reuni\u00e3o que os mais velhos da faculdade sem d\u00favida recordam bem).<\/p>\n<p>Inquirido mais tarde porque tinha apoiado tais programas com o X\u00e1 e era agora contra eles, Kissinger respondeu honestamente que o Ir\u00e3o era nessa altura um aliado.<\/p>\n<p>Pondo de lado as absurdidades, qual a real amea\u00e7a do Ir\u00e3o que inspira tanto medo e tanta f\u00faria? Onde naturalmente devemos procurar uma resposta \u00e9, novamente, na espionagem americana. Lembremos a sua an\u00e1lise sobre a aus\u00eancia de amea\u00e7a militar do Ir\u00e3o, sobre a sua doutrina estrat\u00e9gica defensiva e sobre os seus programas nucleares (sem inclus\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de bombas, tanto quanto pode ser apurado) serem \u201cum elemento central da sua estrat\u00e9gia de dissuas\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Quem ent\u00e3o estaria preocupado com um Ir\u00e3o dissuasor? A resposta \u00e9 simples: os estados-p\u00e1ria que agitam a regi\u00e3o e n\u00e3o querem admitir qualquer estorvo ao seu recurso constante \u00e0 agress\u00e3o e \u00e0 viol\u00eancia. \u00c0 frente, neste campo, est\u00e3o os Estados Unidos e Israel, com a Ar\u00e1bia Saudita a tentar os poss\u00edveis para se juntar ao grupo com a sua invas\u00e3o do Bahrain (em apoio do esmagamento de um movimento reformador local) e agora com o criminoso ataque ao I\u00e9men, amplificando a crescente cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria nesse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para os Estados Unidos, essa caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 habitual. H\u00e1 quinze anos, o destacado analista pol\u00edtico Samuel Huntington, professor de ci\u00eancia de governo em Harvard, avisou no jornal situacionista\u00a0Foreign Affairs\u00a0que para a maior parte do mundo os Estados Unidos se tinham \u201ctornado a pot\u00eancia canalha\u2026 a \u00fanica grande amea\u00e7a externa \u00e0s suas sociedades.\u201d Pouco tempo depois, estas palavras eram repetidas por Robert Jervis, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Ci\u00eancia Pol\u00edtica: \u201cAos olhos de grande parte do mundo, o primeiro estado p\u00e1ria hoje \u00e9 os Estados Unidos.\u201d Como vimos, a opini\u00e3o global apoia este ju\u00edzo por grande margem.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, o t\u00edtulo \u00e9 exibido com orgulho. \u00c9 esse o claro sentido da insist\u00eancia da classe pol\u00edtica para que os Estados Unidos se reservem o direito de recorrer \u00e0 for\u00e7a se unilateralmente achar que o Ir\u00e3o est\u00e1 a violar qualquer compromisso. Esta pol\u00edtica vem de longe, especialmente para os liberais democratas e n\u00e3o \u00e9 exclusiva para o Ir\u00e3o. A doutrina Clinton, por exemplo, confirmou que os EUA se davam o direito de recorrer ao \u201cuso unilateral de poder militar\u201d at\u00e9 para garantir \u201co acesso sem restri\u00e7\u00f5es aos mercados chave, \u00e0s fontes de energia e aos recursos estrat\u00e9gicos,\u201d para n\u00e3o falar das preocupa\u00e7\u00f5es com a \u201cseguran\u00e7a\u201d ou \u201chumanit\u00e1rias.\u201d V\u00e1rias vers\u00f5es desta doutrina t\u00eam sido adotadas que bem a confirmam na pr\u00e1tica, tornando desnecess\u00e1ria a sua discuss\u00e3o entre pessoas com vontade de olhar para os factos da hist\u00f3ria presente.<\/p>\n<p>S\u00e3o estes alguns dos assuntos cr\u00edticos que deviam ser o foco de aten\u00e7\u00e3o ao analisar o acordo nuclear de Viena, quer ele se mantenha, quer seja sabotado pelo Congresso, como bem pode acontecer.<\/p>\n<p>Noam Chomsky\u00a0\u00e9 catedr\u00e1tico aposentado do Departamento de Lingu\u00edstica e Filosofia no Massachusetts Institute of Technology (M.I.T). Colaborador regular de TomDispatch, entre os seus recentes livros est\u00e3o Hegemony or Survival (Hegemonia ou Sobreviv\u00eancia), Failed States (Estados Falhados), Power Systems (Sistemas de Poder), Hopes and Prospects (Esperan\u00e7as e Perspetivas), e Masters of Mankind (Senhores da Humanidade). Haymarket Books publicaram recentemente\u00a0doze dos seus livros cl\u00e1ssicos\u00a0em novas edi\u00e7\u00f5es. O seu s\u00edtio na rede \u00e9\u00a0www.chomsky.info.<br \/>\nCopyright 2015 Noam Chomsky<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Jorge Vasconcelos<\/p>\n<blockquote data-secret=\"ApCX5bNcj2\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3801\">&#8216;Bico&#8217; de Natal salda d\u00edvidas de assalariado<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3801\/embed#?secret=ApCX5bNcj2\" data-secret=\"ApCX5bNcj2\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;&#8216;Bico&#8217; de Natal salda d\u00edvidas de assalariado&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quem \u00e9 o perigo mais grave para a paz mundial? Noam Chomsky De acordo com as ag\u00eancias de opini\u00e3o ocidentais (WIN\/Gallup International), o \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9579\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165,38],"tags":[],"class_list":["post-9579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2uv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}