{"id":965,"date":"2010-11-11T11:12:09","date_gmt":"2010-11-11T11:12:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=965"},"modified":"2010-11-11T11:12:09","modified_gmt":"2010-11-11T11:12:09","slug":"as-cacadas-de-pedrinho-a-caca-da-liberdade-intelectual-contra-o-obscurantismo-pseudo-libertador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/965","title":{"rendered":"AS CA\u00c7ADAS DE PEDRINHO \u00c0 CA\u00c7A DA LIBERDADE INTELECTUAL &#8211; CONTRA O OBSCURANTISMO PSEUDO-LIBERTADOR!"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o me estranha ler nas p\u00e1ginas dos jornais manifesta\u00e7\u00f5es de xenofobia e racismo. Elas est\u00e3o por toda parte, em todo o mundo. Ciganos na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia, \u00e1rabes, romenos e polacos em toda a Europa, latinoamericanos e negros nos EUA, \u00edndios no Brasil central, negros e nordestinos no Brasil meridional, etc. Um velho fen\u00f4meno muito discutido, mas pouco apreendido em suas ra\u00edzes fundantes. O ponto nevr\u00e1lgico e &#8220;universal&#8221; dessa discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 que todas essas popula\u00e7\u00f5es discriminadas tem como origem pa\u00edses ou regi\u00f5es miser\u00e1veis. S\u00e3o os &#8220;Condenados da Terra&#8221;, como diria Frantz Fanon, sem perspectivas, abandonados \u00e0 pr\u00f3pria sorte, estigmas vivos, membros permanentes da<em> inclus\u00e3o exclusora<\/em> da ordem e da l\u00f3gica do capitalismo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Muitos intelectuais e ativistas de movimentos contra o racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o apontam como elemento central do problema duas quest\u00f5es correlatas: a cultura e a ideologia no que, em princ\u00edpio, mas s\u00f3 em princ\u00edpio, estamos de acordo. A domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (aqui em sentido ideo-cultural) sempre foi acompanhada por justificativas de superioridade, seja &#8220;racial&#8221;, seja &#8220;cultural&#8221;. Toda <em>forma social<\/em> hegem\u00f4nica buscou legitima\u00e7\u00e3o afirmando-se como superior diante dos outros povos. At\u00e9 seus deuses eram maiores e mais poderosos que o dos outros! R\u00e1 do Egito era superior \u00e0 deusa Saushka (equivalente \u00e0 deusa Ishtar mesopot\u00e2mica) dos Hititas. Joev\u00e1, o deus vingador dos judeus (e depois dos crist\u00e3os), superior ao panteon eg\u00edpcio e romano, que fazia cair muralhas ao som das trombetas dos anjos. No capitalismo, as manifesta\u00e7\u00f5es ideo-culturais ocidentais s\u00e3o apresentadas como &#8220;superiores&#8221; \u00e0s outras, e assim por diante. Ali\u00e1s, foi esse cientificismo positivista, t\u00edpico da ideologia da sociedade capitalista, que justificou a assim chamada &#8220;teoria racial&#8221; dos finais do s\u00e9culo XIX e do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desde o ensaio de Gobineau, <em>Essai sur l&#8217;in\u00e9galit\u00e9 des races humaines, <\/em>de 1855, e dos escritos raciais do ingl\u00eas Huston Chamberlain, com seu livro <em>Os fundamentos do S\u00e9culo XIX<\/em> (<em>Die Grundlagen des Neunzehnten Jahrhunderts<\/em>) de 1899, at\u00e9 o pol\u00eamico e racista livro de Herrstein e Murray, <em>The Bell Curve<\/em> (<em>A Curva de Bell<\/em> ), de 1994, todas as tentativas de &#8220;justificar&#8221; a desigualdade entre os seres humanos partiram de &#8220;bases&#8221; fundadas em aspectos raciais. A descoberta do DNA e a comprova\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tico-estrutural dos seres humanos, quer dizer,<em> n\u00e3o existem ra\u00e7as humanas <\/em> mas sim as manifesta\u00e7\u00f5es fenot\u00edpicas&#8221;, ou seja, meramente morfol\u00f3gicas, de apar\u00eancia, n\u00e3o desestimulou os adeptos das &#8220;teorias das ra\u00e7as&#8221;, como atesta o livro de Murray e Herrstein. Ali, obscuramente tenta-se comprovar que o isolamento de parte da esp\u00e9cie humana proporcionou, segundo os autores, o desenvolvimento qualitativamente diferenciado da &#8220;ra\u00e7a branca&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa entrevista \u00e0 Folha de S\u00e3o Paulo (05\/11\/2007), um dos autores do livro, o cientista pol\u00edtico Charles Murray assinala: \u201c<em>Pois a ci\u00eancia est\u00e1 nos dizendo claramente nos \u00faltimos anos que, ainda que o ser humano tenha a mesma imensa maioria de genes, aquele n\u00famero comparativamente pequeno que difere pode produzir diferen\u00e7as muito grandes entre grupos. Quanto \u00e0 probabilidade de ter certas doen\u00e7as, por exemplo, como a Doen\u00e7a de Tay-Sachs nos judeus ou a anemia falciforme nos negros. Certamente afeta a apar\u00eancia f\u00edsica e n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para pensar que n\u00e3o tenha havido press\u00f5es evolucion\u00e1rias diferentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 habilidade intelectual. N\u00e3o sabemos ainda se \u00e9 verdade, mas certamente n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para pensar que n\u00e3o \u00e9 verdade&#8221;<\/em> (cit.). Mais adiante, Murray, justificando outro te\u00f3rico racista estadunidense, o pr\u00eamio Nobel de fisiologia e medicina, James Watson &#8211; para quem os negros s\u00e3o inferiores aos brancos &#8211; , afirma que o erro de Watson foi declarar aos jornalistas que &#8220;quem tem que lidar com empregados negros sabe a diferen\u00e7a&#8221;.(cit.)<\/p>\n<p align=\"justify\">A tal &#8220;prova&#8221; cient\u00edfica defendida pelos &#8220;tr\u00eas amigos&#8221; (Murray, Herrstein e Watson) \u00e9 a capacidade intelectual diferenciada entre negros e brancos. Para tal, realizaram testes de quoeficiente intelectual (QI) aplicados em negros e brancos, e entre &#8220;tipos&#8221; diferenciados de brancos&#8221; (variante racial\/de esp\u00e9cie?) como os judeus. Independente de ser essa uma abordagem meramente ideol\u00f3gica, ainda se quis\u00e9ssemos buscar algum m\u00e9rito cient\u00edfico nessas conclus\u00f5es, perder\u00edamos muito tempo para nada. Em primeiro lugar, \u00e9 sabido que testes de QI tem por base um &#8220;tipo&#8221; de forma\u00e7\u00e3o cultural e intelectual centrado numa universalidade cultural relativa, porque centrada nos pa\u00edses ocidentais ou de forte influ\u00eancia ocidentalizante. Dispersa e fragmentada em pa\u00edses perif\u00e9ricos e onde predominam etnias distanciadas do mundo ocidental. Em segundo lugar, e que se entrela\u00e7a com o primeiro argumento, h\u00e1 o fator social e de classe, porque o acesso \u00e0 cultura \u00e9 sempre dificultado aos segmentos proletarizados das sociedades contempor\u00e2neas. Isto \u00e9, esse tipo de teste pressup\u00f5e uma pessoa que possua forma\u00e7\u00e3o integralmente articulada com os valores da sociabilidade capitalista em sua totalidade. Finalmente, essa avalia\u00e7\u00e3o ignora o fundamental da constru\u00e7\u00e3o da sociabilidade humana, sua <em>PRAXIS SOCIAL<\/em>! \u00c9 em sua <em>praxis<\/em> (<em>o trabalho enquanto praxis humana<\/em>) que o homem, como <em>ser social<\/em>, se objetiva e se diferencia de si e dos outros homens (<em>como seres sociais ontol\u00f3gicos<\/em>). Dai, as diferen\u00e7as est\u00e3o centradas em suas formas societais, nas formas de organiza\u00e7\u00e3o da vida. Os diferentes n\u00edveis de compreens\u00e3o do mundo e de constru\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria criam as condi\u00e7\u00f5es e os &#8220;graus&#8221; de sofistica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica entre as formas de sociabilidade. Nunca o determinismo biol\u00f3gico!<\/p>\n<p align=\"justify\">Seguramente um ind\u00edgena ou um negro n\u00e3o familiarizado com o universalismo burgu\u00eas seria reprovado num teste como esse. Al\u00e9m do mais, as argumenta\u00e7\u00f5es dos &#8220;tr\u00eas amigos&#8221; s\u00e3o recheadas de senso comum preconceituoso e isso elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de &#8220;ci\u00eancia&#8221;, ou melhor dizendo, de pseudo-ci\u00eancia, torna-se arma perigosa para preconceitos e intoler\u00e2ncias de todos os matizes. Para amenizar suas concep\u00e7\u00f5es racistas, e dentro de um racismo \u00e0s avessas, Murray afirma que chegou \u00e0 conclus\u00e3o que os judeus possuem um quoeficiente intelectual acima da m\u00e9dia humana, principalmente os asquenazes (judeus da Europa oriental). Esse tipo de afirma\u00e7\u00e3o plena de ideologismos, ignora processos hist\u00f3ricos, a luta pela e contra a domina\u00e7\u00e3o e o &#8220;supremacismo&#8221; dos pa\u00edses dominantes, principalmente na fase imperialista do capitalismo. Se notarmos a \u00faltima argumenta\u00e7\u00e3o sobre os judeus asquenazes (que geraram intelectuais de grande express\u00e3o, como Freud, Einstein e Mahler, entre outros) veremos que ela est\u00e1 baseada numa pretensa &#8220;muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica&#8221;, porque estes judeus miscigenaram-se com os brancos europeus!<\/p>\n<p align=\"justify\">Nada diferente do que propunha nosso mesti\u00e7o racista de Saquarema Oliveira Viana, que j\u00e1 em seu <em>Popula\u00e7\u00f5es Meridionais do Brasil<\/em>, de 1920, propunha a miscigena\u00e7\u00e3o para &#8220;aprimorar&#8221; e forjar uma &#8220;ra\u00e7a&#8221; brasileira e com isso, eliminar os aspectos &#8220;degenerados&#8221; presentes no negro e nos \u00edndios! Com informa\u00e7\u00f5es de uma ci\u00eancia gen\u00e9tica incipiente, esse autor pregava uma sutil &#8220;limpeza&#8221; racial atrav\u00e9s da preponder\u00e2ncia gen\u00e9tica branca, isto \u00e9, a teoria eug\u00eanica do embranquecimento do brasileiro. O historiador Thomas Skidmore, em seu livro<em> Preto no Branco<\/em>, lembra da boa impress\u00e3o que tal teoria causou em Theodore Roosevelt, futuro presidente estadunidense, em artigo publicado no jornal <em>Correio da Manh\u00e3<\/em> onde afirmava que o projeto era a elimina\u00e7\u00e3o total do negro, branqueando-o gradativamente atrav\u00e9s da miscigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ora, essa vis\u00e3o permeou todo o imagin\u00e1rio intelectual brasileiro, pelo menos at\u00e9 a segunda metade do s\u00e9culo XX e vem permeando ainda hoje, mesmo que de forma mais &#8220;sofisticada&#8221; e dissimulada. N\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade que nas for\u00e7as armadas e at\u00e9 em muitos cursos de direito e de biologia, essas express\u00f5es ideol\u00f3gicas ainda s\u00e3o visitadas. intelectuais como Nina Rodrigues, que apesar de ter uma proposta de pol\u00edtica &#8220;afirmativa&#8221; para o negro brasileiro, irmanava-se a Sylvio Romero na vis\u00e3o cientificista da &#8220;inferioridade&#8221; do negro. Podemos dizer que pol\u00edtica e ideologicamente o primeiro confronto real contra a teoria do branqueamento, ent\u00e3o vis\u00e3o hegem\u00f4nica na sociedade brasileira, foi realizada na pr\u00e1tica pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro), ao lan\u00e7ar como candidato \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica, o negro e oper\u00e1rio marmorista, Minervino de Oliveira, atrav\u00e9s do Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas (BOC), em 1930.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outros intelectuais da \u00e9poca, tamb\u00e9m pagaram seus tributos ao velho preconceito, gerado nas senzalas das casas grandes, mesmo que tenham colocado quest\u00f5es relevantes sobre a problem\u00e1tica &#8220;racial&#8221; brasileira, como Nina Rodrigues. Gilberto Freire publica seu <em>Casa Grande e Senzala<\/em>, no mesmo ano em que Monteiro Lobato publica <em>Ca\u00e7adas de Pedrinho<\/em>, em 1933. Tr\u00eas anos depois, S\u00e9rgio Buarque de Holanda publica seu <em>Ra\u00edzes do Brasil<\/em>. Tanto em Gilberto Freyre como em S\u00e9rgio Buarque, est\u00e3o presente fortes tra\u00e7os da vis\u00e3o patrimonialista e escravista, como resultado n\u00e3o s\u00f3 da sociabilidade escravista e agro-exportadora, como tamb\u00e9m de seu n\u00facleo ideol\u00f3gico legitimador. Para Freyre, o escravismo brasileiro foi &#8220;brando&#8221; permitindo a &#8220;intera\u00e7\u00e3o positiva&#8221; entre escravo e senhor. Para Buarque de Holanda, a sociabilidade da escravid\u00e3o gera o brasileiro como &#8220;homem cordial&#8221;! Em 1928 \u00e9 publicado <em>Macuna\u00edma<\/em>, de M\u00e1rio de Andrade, romance que tamb\u00e9m apresenta problemas,quando avaliamos sua caracteriza\u00e7\u00e3o do brasileiro como o \u00edndio aculturado e sem car\u00e1ter (nacional) e o da miscigena\u00e7\u00e3o racial e cultural do Brasil, considerada como negativa, representada pelo imigrante italiano.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se foi assim com esses intelectuais, se foram produtos ideol\u00f3gicos de uma forma de sociabilidade, n\u00e3o poderia ser diferente com Monteiro Lobato. Em 1918, sai a primeira edi\u00e7\u00e3o de Urup\u00eas, onde est\u00e1 seu o anti-her\u00f3i Jeca Tat\u00fa, matuto caipira, caboclo pregui\u00e7oso que encarna o que h\u00e1 de pior no pa\u00eds. Ai n\u00e3o \u00e9 o negro mas o caboclo, mesti\u00e7o de branco com \u00edndio, que \u00e9 o alvo da cr\u00edtica, pelo menos at\u00e9 a d\u00e9cada de 1920, quando pesquisas cient\u00edficas demonstram que a malfadada pregui\u00e7a do caboclo Jeca Tat\u00fa era resultado de doen\u00e7as v\u00e1rias, presentes no Vale do Para\u00edba. Imediatamente Lobato escreve um pref\u00e1cio para seu livro pedindo desculpas a seu personagem, dizendo n\u00e3o saber o motivo real de sua indol\u00eancia. Seu personagem ser\u00e1 utilizado por campanhas sanitaristas de combate as pragas end\u00eamicas em todo o pa\u00eds. Tanto em Urup\u00eas como em Ca\u00e7adas de Pedrinho (1933), est\u00e3o presentes as contradi\u00e7\u00f5es de uma <em>intelligentzia <\/em>hegem\u00f4nica moldada por uma sociedade que pagava seus tributos a s\u00e9culos de escravid\u00e3o e de autocracia olig\u00e1rquica. Os estere\u00f3tipos sobre a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o branca, negros, mesti\u00e7os e \u00edndios grassavam em nossa sociedade. Havia tamb\u00e9m os estere\u00f3tipos dos imigrantes que chegavam. O italiano comil\u00e3o, briguento e agitador, o polaco b\u00eabado, o espanhol miser\u00e1vel de sapatos rotos, as lituanas &#8220;vagabundas e prostitutas&#8221; e tantos outros.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas se temos estere\u00f3tipos preconceituosos nas obras de Lobato, e certamente encontraremos muitos deles, ali tamb\u00e9m est\u00e3o balan\u00e7os cr\u00edticos de um voraz processo de moderniza\u00e7\u00e3o &#8220;pelo alto&#8221;, t\u00edpico do capitalismo brasileiro. Em Urup\u00eas, e Negrinha est\u00e3o as den\u00fancias de uma sociedade de burgueses parasit\u00e1rios e de um Estado burocr\u00e1tico, de abusos contra a inf\u00e2ncia, do preconceito racial. Lobato em suas obras &#8220;adultas&#8221;, desvela um Brasil que \u00e9 violento contra as mulheres e contra os imigrantes. Temos em Lobato um homem de seu tempo, com as contradi\u00e7\u00f5es de seu tempo, com as limita\u00e7\u00f5es de um intelectual preocupado com o nacional, mas que nunca chegou a ser <em>intelectual nacional-popular<\/em>, como diria Gramsci. A ruptura e a constru\u00e7\u00e3o de uma intelectualidade de <em>car\u00e1ter nacional-popular<\/em>, afinada com o projeto dos trabalhadores come\u00e7ar\u00e1 a ser organizada a partir de intelectuais org\u00e2nicos do movimento oper\u00e1rio e popular, como Astrojildo Pereira, Oct\u00e1vio Brand\u00e3o, Nelson Werneck-Sodr\u00e9 e Caio Prado Jr.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que depreendemos dessas breves considera\u00e7\u00f5es \u00e9 que obras de importantes intelectuais nos ajudaram compreender o Brasil e a construir elementos anal\u00edticos para lutar contra o preconceito, a explora\u00e7\u00e3o dos mais fracos e contra o obscurantismo. Tentar censurar Lobato, ou qualquer produ\u00e7\u00e3o intelectual, estejamos de acordo ou n\u00e3o com ela \u00e9 cair no obscurantismo. \u00c9 travar a luta da emancipa\u00e7\u00e3o humana com &#8220;argumentos&#8221; de for\u00e7a, os mesmos da inquisi\u00e7\u00e3o ou do nazi-fascismo. N\u00e3o se combate a ideologia do racismo com racismo &#8220;qualificado&#8221;. N\u00e3o se liberta aprisionando. A liberdade e a cr\u00edtica devem ser nossas armas fundamentais, se quisermos construir uma sociabilidade superior a esta capitalista.<\/p>\n<p>*<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001324124814\">Antonio Carlos Mazzeo<\/a> \u00e9 membro do Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro &#8211; PCB.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Mazzeo\n\n\n\n\n\n\n\n\nAntonio Carlos Mazzeo*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/965\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c62-debate"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-fz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}