{"id":966,"date":"2010-11-11T11:31:24","date_gmt":"2010-11-11T11:31:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=966"},"modified":"2010-11-11T11:31:24","modified_gmt":"2010-11-11T11:31:24","slug":"intersindical-instrumento-de-luta-dos-trabalhadores-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/966","title":{"rendered":"INTERSINDICAL Instrumento de Luta dos Trabalhadores Brasileiros"},"content":{"rendered":"\n<p>O momento em que se realiza esse Encontro da Intersindical representa um ponto de retomada das lutas da classe trabalhadora em todo o mundo. Na Europa, a retomada das lutas surge como resposta aos projetos da burguesia de fazer com que as massas paguem o pre\u00e7o da crise pela imposi\u00e7\u00e3o de um conjunto de contra-reformas. Para sanar a crise do capital, os governo da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, inclusive aqueles que nominalmente se dizem socialistas ou social-democratas (caso da Espanha e Gr\u00e9cia), apresentam como sa\u00edda um profundo corte nos gastos p\u00fablicos, cujos impactos se far\u00e3o sentir na demiss\u00e3o de funcion\u00e1rios p\u00fablicos e em uma nova reforma de previd\u00eancia social que dificultar\u00e1 ainda mais o acesso \u00e0 aposentadoria. \u00c9 em rea\u00e7\u00e3o a tais planos de ajuste que os trabalhadores europeus, especialmente os da Fran\u00e7a e Gr\u00e9cia, t\u00eam protagonizado grandes lutas de massa, realizando em curto per\u00edodo de tempo v\u00e1rias greves gerais.<\/p>\n<p>\u00c9 importante considerarmos que a magnitude dos ataques contra os trabalhadores pode representar o come\u00e7o do fim das ilus\u00f5es com a social-democracia e com a constru\u00e7\u00e3o de um Estado de bem-estar social. Esse movimento poder\u00e1 abrir uma nova conjuntura mundial onde os trabalhadores, em rea\u00e7\u00e3o aos ataques sofridos, adquiram um protagonismo capaz de oferecer sa\u00eddas alternativas a ordem capitalista. Em outras palavras, dentro da impossibilidade do capital superar a crise sem retirar direitos, podemos estar assistindo o aparecimento de uma retomada das lutas oper\u00e1rias de orienta\u00e7\u00e3o anticapitalista.<\/p>\n<p>Mas os ataques do capital n\u00e3o se resumem apenas ao \u00e2mbito da esfera econ\u00f4mica e na retirada de direitos dos trabalhadores. A crise tamb\u00e9m aumenta a agressividade do capitalismo, que tendo \u00e0 frente o imperialismo norte-americano, acena com a possibilidade de novas guerras como forma de manter a produ\u00e7\u00e3o aquecida e, assim, superar a crise. Tais fatos demonstram que o capitalismo a cada dia se torna uma amea\u00e7a \u00e0 exist\u00eancia da esp\u00e9cie humana, precisando ser urgentemente derrotado para n\u00e3o sucumbirmos num aumento ainda maior da barb\u00e1rie e de uma crise de dimens\u00f5es ainda maiores.<\/p>\n<p>No Brasil, a crise econ\u00f4mica n\u00e3o atingiu o mesmo n\u00edvel das economias centrais. Nem por isso os ataques aos trabalhadores foram menores. As demiss\u00f5es, a rotatividade da for\u00e7a de trabalho como forma de reduzir sal\u00e1rios e direitos, as terceiriza\u00e7\u00f5es e as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista continuam se aprofundando, com os argumentos oportunistas de que s\u00e3o medidas \u201cnecess\u00e1rias para fazer frente e defender a economia brasileira da crise internacional\u201d. Isso deixa claro que para o capital, quem sempre deve pagar o pre\u00e7o de sua crise s\u00e3o os trabalhadores. Al\u00e9m das demiss\u00f5es, os efeitos da crise no Brasil foram sentidos pelos trabalhadores de outra forma, pela intensifica\u00e7\u00e3o, para os que ficaram na produ\u00e7\u00e3o, do ritmo de trabalho e no grau de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto o capital recebeu gordos benef\u00edcios por parte do Estado para n\u00e3o verem seus lucros diminu\u00eddos, aos trabalhadores restou amargar o desemprego, a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e medidas paliativas como o aumento de parcelas do seguro desemprego. Isso mostra que tanto no Brasil como no mundo, a a\u00e7\u00e3o do Estado capitalista, no sentido de salvar o lucro das empresas, jogou por terra toda a cantilena neoliberal do Estado m\u00ednimo. Diante da crise o Estado foi m\u00e1ximo, agindo para salvar os interesses do capital.<\/p>\n<p>A nova presidente eleita j\u00e1 demonstrou que aprofundar\u00e1 as medidas de ajuste fiscal e de medidas macroecon\u00f4micas de interesse do capital, podendo tamb\u00e9m aprofundar a j\u00e1 prec\u00e1ria condi\u00e7\u00e3o do trabalho em nosso pa\u00eds, dando continuidade ao ciclo de contra-reformas que poder\u00e3o atingir a previd\u00eancia social, os direitos trabalhistas e aprofundar ainda mais as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es para a venda da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Esse quadro de ataque aos nossos direitos previsto para o pr\u00f3ximo per\u00edodo encontra o movimento sindical dividido e fragmentado. De um lado, o campo abertamente governista, formado por centrais sindicais pelegas e neopelegas (CUT, For\u00e7a Sindical, UGT, CTB e NCST), cuja lealdade ao governo \u00e9 garantida pela reparti\u00e7\u00e3o que este faz com as centrais do dinheiro do imposto sindical. Estas centrais, durante a crise, foram c\u00famplices e participantes ativos dos ataques promovidos pelo capital contra os trabalhadores, ao assinarem acordos que rebaixavam direitos, como sal\u00e1rios, em nome da manuten\u00e7\u00e3o dos empregos. De outro, h\u00e1 um campo antigovernista, (formado pela Intersindical, pela Conlutas, e por organiza\u00e7\u00f5es sindicais ligadas ao Psol) herdeiro de uma concep\u00e7\u00e3o classista e combativa, que busca reorganizar o movimento da classe, mas que se encontra dividido e fragmentado.<\/p>\n<p>Os trabalhadores brasileiros, em sua rica hist\u00f3ria de lutas, vivenciaram diversas experi\u00eancias organizativas. Todas essas experi\u00eancias refletiram o momento hist\u00f3rico vivido pela luta dos trabalhadores e o seu grau de organiza\u00e7\u00e3o. Tiveram o seu surgimento, exist\u00eancia e desaparecimento condicionados pela necessidade hist\u00f3rica de os trabalhadores constru\u00edrem as suas organiza\u00e7\u00f5es para enfrentar o capital, naquele est\u00e1gio da luta de classes.<\/p>\n<p>A supera\u00e7\u00e3o dos limites organizativos impostos pelo Estado, com a circunscri\u00e7\u00e3o dos sindicatos \u00e0 representa\u00e7\u00e3o das respectivas categorias, sempre foi bandeira do movimento sindical em nosso pa\u00eds. A luta pela liberdade e autonomia sindicais sempre esteve presente na pauta da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Do bojo da CUT surgem duas experi\u00eancias organizativas dos trabalhadores no pa\u00eds: a Intersindical e a Conlutas. A Intersindical foi fundada pelos setores que romperam com a CUT no processo congressual dessa entidade no ano de 2006. A Intersindical surgiu como um instrumento de organiza\u00e7\u00e3o e luta dos trabalhadores. Participaram de sua funda\u00e7\u00e3o a Unidade Classista &#8211; PCB, a ASS e as correntes do PSOL que n\u00e3o faziam parte da Conlutas: a APS, o Enlace e o Csol. Mesmo sem organiza\u00e7\u00e3o em todos os estados, a Intersindical teve um papel relevante nas lutas do \u00faltimo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em 2008, no II Encontro Nacional da Intersindical, em S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s um profundo debate sobre a oportunidade ou n\u00e3o de se criar a Central Sindical naquele momento, precipitou-se uma fissura nesse encontro, tendo como eixo norteador a continuidade da Intersindical ou a unifica\u00e7\u00e3o com a Conlutas. As correntes do PSOL optaram pela estrat\u00e9gia de unifica\u00e7\u00e3o com a Conlutas, o que redundou na convocat\u00f3ria para o Congresso de Santos, em 05 e 06 de junho deste ano. Por outro lado, os comunistas, a ASS e independentes optaram por refor\u00e7ar a Intersindical como instrumento de organiza\u00e7\u00e3o e luta dos trabalhadores.<\/p>\n<p>O Congresso de Santos, que teria como objetivo principal a unifica\u00e7\u00e3o da Conlutas com as correntes do PSOL que reivindicam a Intersindical, terminou com a retirada dessas correntes, juntamente com Unidos pra Lutar e do Movimento Avan\u00e7ando Sindical. O fracasso da tentativa de unifica\u00e7\u00e3o tem causas que transcendem o Congresso e evidenciam as contradi\u00e7\u00f5es de concep\u00e7\u00e3o de central, da metodologia de sua constru\u00e7\u00e3o e de condu\u00e7\u00e3o do processo em si.<\/p>\n<p>A UC contrap\u00f4s \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de central sindical e popular defendida pela Conlutas, a necessidade de uma organiza\u00e7\u00e3o que expresse a interven\u00e7\u00e3o dos trabalhadores enquanto classe, tendo como mote a contradi\u00e7\u00e3o capital-trabalho. Os movimentos contra a opress\u00e3o \u2013 anti-racismo, g\u00eanero, diversidade sexual \u2013 devem ser entendidos pelo ponto de vista de classe. Essas quest\u00f5es s\u00e3o importantes, mas s\u00e3o dimens\u00f5es da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o do capital sobre o trabalho. Sem essa compreens\u00e3o, os movimentos contra a opress\u00e3o se tornam movimentos de busca por melhores condi\u00e7\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o na din\u00e2mica do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Todas as experi\u00eancias organizativas dos trabalhadores brasileiros refletiram uma necessidade colocada pelo grau de mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio. Apesar de lutas significativas de diversos ramos e categorias, a mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora n\u00e3o possui ainda um car\u00e1ter nacional. A necess\u00e1ria unidade de a\u00e7\u00e3o do conjunto da classe \u00e9 uma tarefa para este momento. Para tal, a a\u00e7\u00e3o da central supera o puro e simples economicismo. Ultrapassa, tamb\u00e9m, as manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas dos trabalhadores. A a\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, sem politiza\u00e7\u00e3o, descamba no peleguismo e na adapta\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio ao jogo da concorr\u00eancia capitalista. Ou seja, n\u00e3o bastam conquistas salariais e de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Tamb\u00e9m \u00e9 importante superar o obreirismo, evitando a divis\u00e3o entre setor p\u00fablico e privado, situa\u00e7\u00e3o formal ou informal, lutas da cidade e do campo.<\/p>\n<p>O patamar da luta de classes no Brasil coloca para os trabalhadores a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de uma Central Sindical Classista. O maior patrim\u00f4nio do movimento oper\u00e1rio \u00e9 a sua unidade. Mas essa unidade n\u00e3o pode ser constru\u00edda burocraticamente. Promover essa unidade de a\u00e7\u00e3o \u00e9 responsabilidade dos setores que se reivindicam de vanguarda. N\u00f3s da UC estamos dispostos a participar de todas as discuss\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da unidade de a\u00e7\u00e3o e do programa capazes de nortear o caminho para a efetiva cria\u00e7\u00e3o da Central Sindical Classista, uma central aut\u00f4noma frente ao governo e ao patronato, que tenha centro nas organiza\u00e7\u00f5es sindicais da classe trabalhadora. A constru\u00e7\u00e3o dessa central n\u00e3o pode ser fundada por mero ato de vontade. Sua concep\u00e7\u00e3o tem que ser debatida a fundo entre as organiza\u00e7\u00f5es da classe e n\u00e3o pode se submeter apenas \u00e0s disputas entre partidos e correntes. A Central surgir\u00e1 como uma constru\u00e7\u00e3o da luta dos trabalhadores em nosso pa\u00eds, juntamente com a sua vanguarda, organizada na unidade de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, fortalecimento da Intersindical &#8211; instrumento de organiza\u00e7\u00e3o e luta dos trabalhadores \u2013 passa pela firme determina\u00e7\u00e3o de ampliar a luta dos trabalhadores, contra o capital, desde a base, e com todas aquelas organiza\u00e7\u00f5es sindicais classistas que, nesse dif\u00edcil momento, lutam para resistir aos ataques do capital e para avan\u00e7ar nas conquistas. Para o fortalecimento da Intersindical, devemos buscar garantir a participa\u00e7\u00e3o de todas as organiza\u00e7\u00f5es que entendem a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de uma Central Sindical Classista surgida da a\u00e7\u00e3o e do debate entre as diversas for\u00e7as representativas da classe trabalhadora, que se dedicam de fato \u00e0 unidade e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da classe no enfrentamento ao capital e na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>UNIDADE CLASSISTA\/PCB<\/p>\n<p>Entre em Contato<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pcb.org.br\/\" target=\"_blank\">www.pcb.org.br<\/a> \/ <a href=\"mailto:pcb@pcb.org.br\" target=\"_blank\">pcb@pcb.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Unidade CLassista &#8211; UC\n\n\n\n\n\n\n\n\nEncontro da Intersindical\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/966\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-966","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c31-unidade-classista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-fA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=966"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/966\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}