{"id":9671,"date":"2015-10-26T08:52:13","date_gmt":"2015-10-26T11:52:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9671"},"modified":"2015-11-01T10:00:23","modified_gmt":"2015-11-01T13:00:23","slug":"termina-o-jogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9671","title":{"rendered":"Termina o jogo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/3.bp.blogspot.com\/-zhndm9t8igY\/Vgwe2whdZZI\/AAAAAAAAI0E\/oUbmcf6YkoI\/s1600-r\/EncuentroInternacional_Pueblos%2BdeEuropa_Levantaos.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>\u00c1ngeles Maestro<\/p>\n<p>A tragicom\u00e9dia representada pelo Syriza neste Ver\u00e3o de 2015 teve a virtude de deixar claro perante grandes sectores da popula\u00e7\u00e3o as chaves do momento pol\u00edtico que caracterizam as sociedades de uma boa parte dos pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica Latina. Tornaram-se evidentes pontos de ruptura que at\u00e9 este momento s\u00f3 eram percebidos por minorias com capacidade de influ\u00eancia muito limitada.<!--more--><\/p>\n<p>As pol\u00edticas imperialistas no quadro de uma grav\u00edssima crise geral do capitalismo n\u00e3o t\u00eam nenhuma margem de manobra para ac\u00e7\u00f5es sociais que melhorem \u2013 ainda que minimamente \u2013 as condi\u00e7\u00f5es de vida das suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da UE e do Euro \u00e9 imposs\u00edvel qualquer outro tipo de pol\u00edticas que n\u00e3o seja o aprofundamento das medidas de austeridade. A capitula\u00e7\u00e3o absoluta do Syriza marca a derrocada dos seus imitadores da &#8220;esquerda radical&#8221; ou da &#8220;nova esquerda&#8221;.<\/p>\n<p>Definitivamente, surge em primeiro plano do palco a demonstra\u00e7\u00e3o palp\u00e1vel de que n\u00e3o h\u00e1 democracia. Em consequ\u00eancia, ainda que passe algum tempo para que esta certeza se transforme em consci\u00eancia pol\u00edtica, abre passagem a convic\u00e7\u00e3o de que a via eleitoral n\u00e3o conduz a alguma mudan\u00e7a real e perdur\u00e1vel nas condi\u00e7\u00f5es de vida. N\u00e3o h\u00e1 caminhos interm\u00e9dios: ou submeter-se \u00e0 ditadura do capital, ou preparar-se para uma confronta\u00e7\u00e3o dura e sustentada destinada a destruir as bases do sistema.<\/p>\n<p>O mito da volta ao &#8220;Estado de Bem-Estar&#8221; e da &#8220;Europa Social&#8221; [1] \u2013 mais falso que um trapaceiro da rua Sierpes \u2013 durante d\u00e9cadas foi sem rubor utilizado como isco por todo tipo de reformismo, desde os velhos sociais-democratas at\u00e9 os radicais modernos, passando pelos grandes sindicados do sistema. O objectivo era prestar o en\u00e9simo servi\u00e7o \u00e0 burguesia no sentido de desactivar o conflito social e, sobretudo, evitar que a classe oper\u00e1ria identificasse seus inimigo e, em consequ\u00eancia, suas tarefas inilud\u00edveis. Sua \u00faltima e agonizante edi\u00e7\u00e3o por estas plagas foram as chamadas Euromarchas, vers\u00e3o camuflada da Cumbre Social e do Podemos para, fazendo-se passar pelas Marchas de la Dignidad, oferecer um palco aos l\u00edderes &#8220;velhos&#8221; e &#8220;novos&#8221; do mesmo reformismo.<\/p>\n<p>Essa m\u00e1scara, que demorou d\u00e9cadas a cair, ruiu na Gr\u00e9cia em sete meses e desactiva-se a passos agigantados no Estado espanhol, mostrando que lhes faltam as condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para serem instrumentos \u00fateis a fim de resolver os grav\u00edssimos problemas do povo trabalhador.<\/p>\n<p>A enorme crise do capitalismo obriga-o a mostrar sua cara mais brutal. E manifesta-se tanto no saqueio e na destrui\u00e7\u00e3o de pa\u00edses da periferia (ainda que, como demonstra a Ucr\u00e2nia e demonstrou a Jugosl\u00e1via, o fogo esteja cada vez mais perto do centro), como na liquida\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas s\u00f3cio-laborais nos pa\u00edses nucleares do sistema e que lhe permitiram em outros tempos cercar-se de um certo colch\u00e3o legitimador. Agora j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 nem sequer migalhas com as quais lubrificar a colabora\u00e7\u00e3o de classe.<\/p>\n<p>E na Europa a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do imperialismo \u00e9 a UE e, muito especialmente, toda a estrutura de andaimes institucionais da Eurozona. Seu brutal aparelho de domina\u00e7\u00e3o, espezinhando qualquer ilus\u00e3o de democracia ou de soberania, foi o que se revelou na Gr\u00e9cia perante todos os holofotes do palco e \u00e9 o mesmo que governa com m\u00e3o de ferro todos os pa\u00edses do Euro.<\/p>\n<p>Red Roja foi praticamente a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que analisou em pormenor \u2013 h\u00e1 mais de dois anos \u2013 os infernais mecanismos legais que concretizam o controle f\u00e9rreo por parte da Troika da despesa de todos os governos (municipais, auton\u00f3micos, estatal e da Seguran\u00e7a Social) para os objectivos do d\u00e9fice e de redu\u00e7\u00e3o da divida, em todos os estados que integram a Eurozona. O Tratado de Estabilidade, Coordena\u00e7\u00e3o e Governa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Econ\u00f3mica e Monet\u00e1ria de 2012 e a Lei Org\u00e2nica que o aplica no Estado espanhol [2] s\u00e3o e ser\u00e3o \u2013 para qualquer hipot\u00e9tico governo &#8220;de esquerdas&#8221; que possa surgir das elei\u00e7\u00f5es gerais \u2013 as mesmas coura\u00e7as de ferro que se impuseram ao Syriza. Tanto o PP, como o PSOE, como todas as direitas nacionalistas os apoiaram com o seu voto. E os que n\u00e3o o fizeram, como a IU e o Podemos, carecem de credibilidade se prop\u00f5em pol\u00edticas anti-cortes sem confrontar esse quadro institucional e legislativo.<\/p>\n<p>Esta realidade incontest\u00e1vel varreu de uma vez as pol\u00edticas ilusionistas do Syriza e dos muitos &#8220;syrizos&#8221; locais que propunham &#8220;convencer&#8221; a oligarquia financeira a que pusesse fim aos memorandos alegando as necessidades perempt\u00f3rias do povo grego, o respeito \u00e0 sua soberania e \u00e0 democracia para assim, de dentro, reformar a UE e recuperar a &#8220;Europa Social&#8221;.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 que o governo do Syriza ou era composto por uma pandilha de iludidos ignorantes (apesar de seus governos estarem praguejados de ilustres professores universit\u00e1rios, tal como os seus imitadores daqui) ou mentiam como velhacos acreditando nas suas pr\u00f3prias mentiras.<\/p>\n<p>\u00c9 um esc\u00e1rnio e um insulto ao seu povo que se alegue a trai\u00e7\u00e3o \u00e0 sua boa f\u00e9 depois das centenas de exemplos hist\u00f3ricos que mostram com rios de sangue que o capitalismo, e ainda mais em tempos de crise, n\u00e3o conhece outros limites sen\u00e3o os da for\u00e7a popular que seja capaz de se lhe opor.<\/p>\n<p>O que interessa saber \u00e0 classe oper\u00e1ria e aos povos da Europa \u00e9 que o que prometia o Syriza e o que defendem todas as for\u00e7as pol\u00edticas integradas no Partido da Esquerda Europeia (PEE) \u2013 dentre elas Die Linke (Alemanha), Frente de Esquerda (Fran\u00e7a), Bloco de Esquerda (Portugal) e no Estado espanhol pelo Podemos, Partido Comunista da Espanha, IU e Esquerda Unida e Alternativa \u2013 \u00e9 materialmente imposs\u00edvel. Todos eles arrastam o povo para o beco sem sa\u00edda da reforma da UE e da &#8220;Europa Social&#8221;.<\/p>\n<p>O problema do Syriza e de todos eles \u00e9 que enganam o povo fazendo-lhe crer que h\u00e1 democracia e que os povos s\u00e3o soberanos, que atrav\u00e9s das elei\u00e7\u00f5es podem ser resolvidos seus problemas. Primeiro derrotam o povo, debilitam-no, enlameiam-no com os cantos de sereia eleitorais e ocultam-lhe suas tarefas hist\u00f3ricas. Depois adoptam poses tr\u00e1gicas e dizem que n\u00e3o se podia fazer outra coisa porque os representantes da Troika s\u00e3o &#8220;anti-democr\u00e1ticos&#8221;. [3]<\/p>\n<p>O essencial \u00e9 saber que acaba o jogo. Que a crise acelera os tempos pol\u00edticos, que as contradi\u00e7\u00f5es se agudizam e que desaparecem as formas interm\u00e9dias. Quando se aproximam per\u00edodos g\u00e9lidos da luta de classes \u00e9 preciso dizer a verdade \u00e0 classe oper\u00e1ria e ao povo trabalhador e convocar e preparar a organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia para uma etapa de confronta\u00e7\u00e3o longa e dura.<\/p>\n<p>O cancelamento unilateral da D\u00edvida, a sa\u00edda do Euro e da UE, a expropria\u00e7\u00e3o da banca e dos grandes monop\u00f3lios e a sa\u00edda da NATO (OTAN) s\u00e3o pontos program\u00e1ticos e de ruptura com a ordem existente incontorn\u00e1veis. Mas s\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1veis se n\u00e3o se apostar em construir a for\u00e7a oper\u00e1ria e popular capaz de lev\u00e1-los a cabo.<\/p>\n<p>Se nos pomos de joelhos (ou nos arrastamos como Tsipras), Merkel, Lagarde, Junker, etc parecem gigantes. No mais, s\u00f3 atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o dessa for\u00e7a conseguiremos a melhor garantia para preservar nossos direitos e conquistas.<\/p>\n<p>As op\u00e7\u00f5es reformistas, as mesmas do passado em copo novo, desgastam-se a muito mais velocidade que as originais. N\u00f3s que sabemos que temos pela frente um sistema em crise grav\u00edssima, que se nutre da destrui\u00e7\u00e3o da vida e que administra uma burguesia criminosa, seremos respons\u00e1veis se n\u00e3o aprendermos as duras li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Urge que multipliquemos nosso empenho para ajudar a que cada vez mais sectores da classe oper\u00e1ria e do nosso povo deixem de ser seduzidos pela mesma social-democracia travestida de &#8220;radicalidade&#8221; e vejam claramente que \u00e9 irracional esperar alguma mudan\u00e7a positiva mediante op\u00e7\u00f5es meramente eleitorais sem for\u00e7a oper\u00e1ria e popular organizada que as apoie. E que a \u00fanica op\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel e que nos pressiona \u00e9 preparar-nos, com todas as consequ\u00eancia, para a incontorn\u00e1vel tarefa de destruir o capitalismo e construir o socialismo.<\/p>\n<p>06\/Outubro\/2015<br \/>\n[1] Red Roja analisou com suficiente rigor o car\u00e1cter hist\u00f3rico concreto do chamado &#8220;Estado de Bem Estar&#8221; no quadro de uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as favor\u00e1vel \u00e0 classe oper\u00e1ria (exist\u00eancia da URSS, derrota do fascismo por parte do povo em armas), numa etapa de crescimento econ\u00f3mico e mediante uma intensifica\u00e7\u00e3o da pilhagem e da explora\u00e7\u00e3o dos povos da periferia do sistema. www.redroja.net&#8230;<br \/>\n[2] www.redroja.net&#8230;<br \/>\n[3] Declara\u00e7\u00f5es de Pablo Iglesias ap\u00f3s a aceita\u00e7\u00e3o pelo Syriza do terceiro memorando, www.eldiario.es&#8230;<br \/>\n[4] &#8220;La Maza&#8221;, Silvio Rodrigues, www.musica.com\/letras.asp?letra=59562<\/p>\n<p>O original encontra-se em www.lahaine.org\/est_espanol.php\/el-juego-se-termina<\/p>\n<p>http:\/\/resistir.info\/espanha\/a_maestro_06out15.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c1ngeles Maestro A tragicom\u00e9dia representada pelo Syriza neste Ver\u00e3o de 2015 teve a virtude de deixar claro perante grandes sectores da popula\u00e7\u00e3o as \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9671\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-9671","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2vZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9671\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}