{"id":9698,"date":"2015-10-28T12:45:52","date_gmt":"2015-10-28T15:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9698"},"modified":"2015-11-01T10:01:59","modified_gmt":"2015-11-01T13:01:59","slug":"fora-as-tropas-brasileiras-do-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9698","title":{"rendered":"FORA AS TROPAS BRASILEIRAS DO HAITI!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/4.bp.blogspot.com\/-wDewlwM_cZ4\/VimOhDAOKVI\/AAAAAAAAAgI\/k9s9FrLzfLg\/s1600\/haitibrasminustaharrest0802.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>A imprensa corporativa e a assessoria de comunica\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas Brasileiras informam que, de 5 a 23 de outubro, na cidade de Pelotas, RS, haver\u00e1 treinamento conjunto dos 850 militares de diversas partes do pa\u00eds que compor\u00e3o o 23\u00ba contingente de tropas brasileiras (BRABAT 23) a serem enviados ao Haiti no bojo da chamada MINUSTAH, Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a \u201cEstabiliza\u00e7\u00e3o\u201d do Haiti.<!--more--><\/p>\n<p>Como vem ocorrendo desde 2004, a imprensa corporativa capitalista e o discurso oficial das For\u00e7as Armadas Brasileiras constroem uma vis\u00e3o idealizada da miss\u00e3o da ONU e do papel das tropas brasileiras que a comandam dentro do contingente internacional, como se esse papel fosse o de levar a \u201cpaz\u201d a um pa\u00eds e uma sociedade falidos e incapazes de definir seu destino de maneira aut\u00f4noma. A imagem passada \u00e9 a de um povo que, por raz\u00f5es n\u00e3o explicadas explicitamente (mas, subrepticiamente, com insinua\u00e7\u00f5es racistas e colonialistas), sem a \u201cajuda\u201d externa \u2013 de for\u00e7as militares! \u2013 n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de governar a si mesmo sem que a viol\u00eancia impere em seu meio. As for\u00e7as armadas brasileiras, no contexto da miss\u00e3o da ONU, est\u00e3o l\u00e1 para salvar o povo haitiano de si mesmo e levar a paz e a civiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 o discurso do \u201cfardo do homem branco\u201d, t\u00e3o conhecido das justificativas do colonialismo mais brutal dos s\u00e9culos XIX e XX, recuperada para a propaganda imperialista (e subimperialista, no caso brasileiro) do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>A realidade n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p><b>Haiti: H\u00e1 Dois S\u00e9culos, Punido Por N\u00e3o Se Submeter \u00e0 Opress\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p><b> <\/b>A hist\u00f3ria do Haiti tem sido a hist\u00f3ria da resist\u00eancia do povo haitiano \u00e0 opress\u00e3o. E isso, em um mundo desigual e baseado na explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, n\u00e3o pode ser perdoado.<\/p>\n<p>No fim do s\u00e9culo XVIII, o Haiti era a mais pr\u00f3spera col\u00f4nia francesa. Os grandes propriet\u00e1rios franceses, \u00e0s custas do trabalho escravizado, criavam fortunas com a cultura da cana de a\u00e7\u00facar para satisfazer os mercados europeu e norte-americano. Aos negros, trazidos da \u00c1frica para gerar essa riqueza com seu suor e sangue, s\u00f3 restava a viol\u00eancia indiz\u00edvel dos propriet\u00e1rios no ritmo extenuante da explora\u00e7\u00e3o escravista.<\/p>\n<p>Mas, quando estoura, na Europa, a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, e a burguesia em ascens\u00e3o, para derrotar a aristocracia, agita o discurso da Liberdade e dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o com que pretende liderar todo o povo contra reis e nobres, as estruturas sociais da col\u00f4nia de S\u00e3o Domingos s\u00e3o grandemente afetadas. Os latifundi\u00e1rios propriet\u00e1rios de escravos, ou s\u00e3o monarquistas, ou s\u00e3o apoiadores dos setores mais \u00e0 direita entre os revolucion\u00e1rios. Alguns nutrem a esperan\u00e7a de ficarem independentes da metr\u00f3pole e administrarem a col\u00f4nia por conta pr\u00f3pria, apropriando-se sozinhos da riqueza que exploram do trabalho escravizado. Fala-se dos direitos dos homens \u2013 brancos \u2013 e cidad\u00e3os \u2013 livres \u2013 em S\u00e3o Domingos. Mas n\u00e3o se fala na extin\u00e7\u00e3o do trabalho servil.<\/p>\n<p>Mas, na Europa, a revolu\u00e7\u00e3o se radicaliza. Em face da timidez da alta burguesia e no contexto da agress\u00e3o reacion\u00e1ria aristocr\u00e1tica interna e externa, a pequena-burguesia assume a dire\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o e investe contra a nobreza e a alta burguesia. O partido jacobino, hegem\u00f4nico por um tempo, dep\u00f5e e executa o rei, dizima as hostes mais conservadoras das lideran\u00e7as burguesas e prop\u00f5e um programa popular que inclui a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o. O caos se instala na col\u00f4nia de S\u00e3o Domingos, porque os propriet\u00e1rios de terra e de escravos se rebelam contra a metr\u00f3pole francesa.<\/p>\n<p>Os trabalhadores escravizados n\u00e3o ficam alheios a essa agita\u00e7\u00e3o. Os ideais de Liberdade e Direitos calam fundo na mente dos que trabalham sob o chicote do feitor e lhes incendeiam a imagina\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia cotidiana da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o ganha um programa pol\u00edtico e uma lideran\u00e7a capaz. Toussaint Louverture, ex-escravo, forma um ex\u00e9rcito de ex-trabalhadores servis rebelados que come\u00e7am a luta contra os escravocratas. Outros l\u00edderes se formam entre ex-escravos e libertos, Jacques Dessalines, Henri Christophe, Al\u00e9xandre P\u00e9tion.<\/p>\n<p>A bravura dos negros insurretos os leva \u00e0 vit\u00f3ria em uma guerra encarni\u00e7ada. Os latifundi\u00e1rios escravistas s\u00e3o mortos ou expulsos. Pela trai\u00e7\u00e3o, o grande l\u00edder da revolu\u00e7\u00e3o, Louverture, \u00e9 preso e enviado \u00e0 Fran\u00e7a, onde ir\u00e1 morrer no c\u00e1rcere. Mas Dessalines, Christophe e P\u00e9tion levam adiante a luta. Na Fran\u00e7a, a rea\u00e7\u00e3o termidoriana traz de volta ao poder a alta burguesia de direita. Revertem-se os avan\u00e7os pol\u00edticos e sociais. A rep\u00fablica popular \u00e9 substitu\u00edda pela rep\u00fablica olig\u00e1rquica e esta acaba sendo substitu\u00edda pelo imp\u00e9rio e o poder se acumula nas m\u00e3os de Napole\u00e3o, que tenta reintroduzir a escravid\u00e3o nas col\u00f4nias. N\u00e3o conseguir\u00e1 no Haiti. Enfrentando os jacobinos negros haitianos, as tropas de Napole\u00e3o, muito antes da R\u00fassia, v\u00e3o ser derrotadas na ilha de S\u00e3o Domingos. Em 1805, surge a primeira rep\u00fablica negra da hist\u00f3ria, fruto da primeira revolta escrava vitoriosa. Muito antes da independ\u00eancia das col\u00f4nias espanholas da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>O crime da liberdade, de uma liberdade n\u00e3o branca e n\u00e3o europeia, n\u00e3o pode ser perdoado. \u201cHaitiada\u201d passa a ser um termo e um conceito temido em todas os territ\u00f3rios escravistas. E uma esperan\u00e7a para todos os trabalhadores escravizados. A Europa \u201ccivilizada\u201d n\u00e3o pode aceitar uma rep\u00fablica negra livre. Os Estados Unidos, supostos defensores da liberdade \u2013 mas cujos l\u00edderes, como Thomas Jefferson, s\u00e3o propriet\u00e1rios de escravos \u2013 n\u00e3o podem reconhecer o Haiti como seu igual e membro pleno da comunidade das na\u00e7\u00f5es livres. Por isso, um bloqueio econ\u00f4mico de fato \u00e9 imposto ao Haiti, o que leva \u00e0 crise e \u00e0 instabilidade interna. Passar\u00e1 meio s\u00e9culo antes que Europa e EUA reconhe\u00e7am o Haiti. E, para isso, a jovem rep\u00fablica tem de comprar sua aceita\u00e7\u00e3o com uma indeniza\u00e7\u00e3o exorbitante \u00e0 Fran\u00e7a, que custar\u00e1 um s\u00e9culo e imensos sacrif\u00edcios econ\u00f4micos para honrar.<\/p>\n<p><b>Imperialismo Estadunidente: A Primeira Invas\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p>E, mesmo assim, o Haiti n\u00e3o consegue obter a paz. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, os EUA se lan\u00e7am \u00e0 empreitada imperialista e desejam dominar completamente o estrat\u00e9gico Mar do Caribe. A pretexto de garantir os interesses dos bancos estadunidenses &#8211; a quem o Haiti deve muito &#8211; em face da instabilidade interna, o presidente americano Woodrow Wilson envia os <i>Marines<\/i> para subjugar a rep\u00fablica negra. N\u00e3o conseguir\u00e1 faz\u00ea-lo sem luta e resist\u00eancia por parte dos haitianos. Ser\u00e3o precisos quatro anos (1915-1919) para acabar com a resist\u00eancia. A simb\u00f3lica imagem do corpo do l\u00edder rebelde Charlemagne P\u00e9ralte como que crucificado, que corre o mundo, sela a vit\u00f3ria dos invasores estadunidenses, que permanecer\u00e3o na ilha at\u00e9 1934.<\/p>\n<p>Durante a ocupa\u00e7\u00e3o, os EUA cultivam uma elite local que tem seus interesses ligados ao imperialismo e que trata de explorar e oprimir o pr\u00f3prio povo em conson\u00e2ncia com os ditames de Washington e dos executivos das multinacionais. For\u00e7as armadas locais s\u00e3o treinadas pelos EUA e seguem fielmente as orienta\u00e7\u00f5es norte-americanas. \u201cPacificado\u201d o Haiti e entregue a uma burguesia local submissa, os EUA retiram as tropas, em 1934, mas mant\u00eam o controle das finan\u00e7as do pa\u00eds at\u00e9 1947. E n\u00e3o se furtam de intervir na pol\u00edtica da rep\u00fablica caribenha sempre que consideram que seus interesses est\u00e3o amea\u00e7ados. De 1934 a 1956, sucessivos presidentes ir\u00e3o se curvar aos ditames de fora sob pena de terem seus governos interrompidos. Ainda assim, mant\u00e9m-se uma fachada de \u201cdemocracia\u201d no pa\u00eds.<\/p>\n<p><b>A Ditadura Duvalier.<\/b><\/p>\n<p>Em 1957, um m\u00e9dico carism\u00e1tico, famoso por sua participa\u00e7\u00e3o em campanhas de combate a doen\u00e7as infecciosas promovidas pela USAID, Fran\u00e7ois Duvalier (conhecido como Papa Doc), com o apoio expl\u00edcito das for\u00e7as armadas, se candidata \u00e0 presid\u00eancia e ganha as elei\u00e7\u00f5es com expressiva vota\u00e7\u00e3o. No governo, rapidamente institui um regime ditatorial pessoal, com firme comando das for\u00e7as armadas e a cria\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a armada paralela de \u201cvolunt\u00e1rios\u201d (na verdade, esquadr\u00f5es da morte), chamada de <i>Tontons Macoutes<\/i>, que espalha o terror contra todos os que se op\u00f5em ao seu dom\u00ednio. A ditadura Duvalier se torna uma das mais opressoras e violentas do continente. Os EUA, para al\u00e9m de algumas censuras pontuais, mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es estreitas com o regime de Papa Doc, que beneficia as multinacionais estadunidenses e se alinha militar e diplomaticamente com o imperialismo americano. Duvalier governa at\u00e9 a morte, em 1971, e sua ditadura pessoal \u00e9 continuada pelo filho, Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc. A ditadura da fam\u00edlia Duvalier persiste at\u00e9 1986.<\/p>\n<p><b>O Despertar da Luta Popular e a Rea\u00e7\u00e3o Imperialista.<\/b><\/p>\n<p>Em 1986, uma revolta popular leva \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o de Jean-Claude Duvalier pelas for\u00e7as armadas, que organizam uma transi\u00e7\u00e3o \u201cdemocr\u00e1tica\u201d controlada e sem participa\u00e7\u00e3o popular efetiva para al\u00e9m do voto. Em 1988, \u00e9 eleito Leslie Manigat, que \u00e9, logo depois, derrubado em um golpe militar.<\/p>\n<p>Mas, nos bairros pobres e favelas do pa\u00eds, desde o fim da ditadura Duvalier, se organiza um movimento popular com um programa progressista, de esquerda (ainda que n\u00e3o revolucion\u00e1rio), inspirado, entre outras fontes, na Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Destaca-se, nesse movimento, a figura do padre salesiano Jean-Bertrand Aristide. Em 1990, Aristide \u00e9 eleito com 67% dos votos e obt\u00e9m a maioria no parlamento. Logo a seguir, tenta implementar um programa reformista de esquerda, de car\u00e1ter nacionalista, que desagrada a elite local e o imperialismo estadunidense. Menos de um ano depois, em setembro de 1991, as for\u00e7as armadas haitianas implementam um novo e sangrento golpe, derrubando Aristide, que vai para o ex\u00edlio. O novo regime militar \u00e9 comandado por Raoul C\u00e9dras.<\/p>\n<p>Em 1994, durante o governo Clinton, com um discurso em defesa da \u201cdemocracia\u201d, os EUA se prop\u00f5em a aceitar o retorno de Aristide \u00e0 presid\u00eancia do Haiti&#8230; desde que ele se comprometa a renunciar a todo o programa popular e nacionalista e que, de volta ao governo, implemente a pauta neoliberal. Aristide se curva aos ditames imperiais e, sob a prote\u00e7\u00e3o dos <i>Marines<\/i>, retorna ao Haiti. As for\u00e7as armadas s\u00e3o abolidas.<\/p>\n<p>Aristide consegue eleger seu sucessor, Ren\u00e9 Pr\u00e9val, mas, logo ap\u00f3s, rompe com ele e funda um novo partido, o <i>Fanmi Lavalas<\/i>, que, nas elei\u00e7\u00f5es locais seguintes, obt\u00e9m um ter\u00e7o dos votos. Pr\u00e9val segue os ditames neoliberais.<\/p>\n<p>Em 2001, novamente agitando um programa popular e progressista, Aristide obt\u00e9m uma vit\u00f3ria avassaladora e consegue maioria no parlamento. A elite local n\u00e3o reconhece a vit\u00f3ria e procura subverter o novo governo. Muito dependente da ajuda econ\u00f4mica internacional, o Haiti fica vulner\u00e1vel, quando os doadores, descontentes com Aristide, suspendem as remessas.<\/p>\n<p>Em 2004, sob acusa\u00e7\u00f5es dos EUA de que estaria restringindo os direitos democr\u00e1ticos da oposi\u00e7\u00e3o, Aristide passa a enfrentar uma revolta armada, comandada por antigos oficiais das for\u00e7as armadas desmobilizadas e antigos participantes dos esquadr\u00f5es da morte da ditadura Duvalier, os <i>Tontons Macoutes<\/i>. Alguns destes comandantes rebeldes tinham liga\u00e7\u00f5es com o servi\u00e7o secreto dos EUA e viviam no ex\u00edlio sob prote\u00e7\u00e3o estadunidense. Os rebeldes foram armados a partir da Rep\u00fablica Dominicana, que faz fronteira com o Haiti a leste.<\/p>\n<p>Sem condi\u00e7\u00f5es de defender seu governo, porque n\u00e3o h\u00e1 for\u00e7as armadas e s\u00f3 os rebeldes da oposi\u00e7\u00e3o t\u00eam armas pesadas, Aristide, ainda assim, busca resistir, na capital, apoiado pelas organiza\u00e7\u00f5es populares, nas favelas de Porto Pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>Mas os EUA n\u00e3o ir\u00e3o permitir a resist\u00eancia. Em 29 de fevereiro de 2004, for\u00e7as especiais dos EUA desembarcam na capital haitiana, sequestram Aristide, fazem-no assinar uma declara\u00e7\u00e3o de ren\u00fancia e o retiram do pa\u00eds para o ex\u00edlio for\u00e7ado na Rep\u00fablica Centro-Africana. Imediatamente, os rebeldes e a oposi\u00e7\u00e3o empossam o presidente da Suprema Corte, Boniface Alexandre, como presidente interino. Os EUA, logo a seguir, reconhecem o novo governo surgido do golpe e da interven\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>Boniface Alexandre solicita a interven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Enquanto n\u00e3o se forma a miss\u00e3o da ONU, as tropas estadunidenses ocupam o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A seguir ao golpe que derrubou Aristide, a persegui\u00e7\u00e3o ao movimento popular haitiano \u00e9 severa, com pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, assassinatos e a proibi\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da organiza\u00e7\u00e3o mais popular do pa\u00eds, o partido de Aristide, <i>Fanmi Lavalas.<\/i><\/p>\n<p><i> <\/i>Em junho de 2004, se forma a MINUSTAH, a Misss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a \u201cEstabiliza\u00e7\u00e3o\u201d do Haiti, comandada pelo Brasil. Do lado brasileiro, temos o desejo de inser\u00e7\u00e3o subordinada na ordem imperialista internacional e exerc\u00edcio de um subimperialismo regional. O governo oportunista e de concilia\u00e7\u00e3o de classes do PT, na \u00e9poca liderado por Lula, pretendia obter uma cadeira de Membro Permanente do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e precisava da anu\u00eancia do imperialismo estadunidense. Por outro lado, os EUA, com a necessidade de liberar tropas para as aventuras imperialistas no Afeganist\u00e3o e no Iraque, desejavam fieis executores de sua pol\u00edtica de subjuga\u00e7\u00e3o do Haiti, que substitu\u00edssem os <i>Marines<\/i> no pa\u00eds caribenho.<\/p>\n<p>Apesar do sil\u00eancio ou da cumplicidade da imprensa corporativa e pr\u00f3-imperialista, h\u00e1 ampla documenta\u00e7\u00e3o do papel das for\u00e7as de \u201cpaz\u201d da ONU em abusos, viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e repress\u00e3o ao movimento popular, no Haiti, que, no linguajar dos invasores, s\u00e3o \u201cgangues\u201d e \u201cgrupos armados\u201d. A atual ordem \u201cdemocr\u00e1tica\u201d, no Haiti, exclui a principal organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica popular, o partido <i>Fanmi Lavalas<\/i>, de Aristide, de participar das elei\u00e7\u00f5es. Se foi permitido o retorno do presidente sequestrado ao pa\u00eds, foi-lhe imposta a pris\u00e3o domiciliar e a proibi\u00e7\u00e3o de participar politicamente.<\/p>\n<p>As tropas brasileiras, no Haiti, sob as ordens do atual governo brasileiro, s\u00e3o c\u00famplices, junto com o imperialismo estadunidense e europeu e a burocracia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de manterem um regime de opress\u00e3o e repress\u00e3o \u00e0s classes trabalhadora e camponesa e ao movimento popular haitiano, perpetuando a mis\u00e9ria e o sofrimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a interven\u00e7\u00e3o militar brasileira, no Haiti, tem uma perigosa consequ\u00eancia interna para o Brasil. Ela treina e acostuma os soldados profissionais brasileiros \u00e0 pr\u00e1tica da repress\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es pobres em ambientes urbanos. Ela cria as condi\u00e7\u00f5es operacionais e psicol\u00f3gicas para que esses soldados se sintam \u00e0 vontade e preparados para levar a cabo a repress\u00e3o nas favelas e periferias brasileiras, contra o pr\u00f3prio povo trabalhador, pobre, negro, favelado.<\/p>\n<p>Por isso, em respeito \u00e0 luta secular do povo haitiano contra a opress\u00e3o colonial e imperialista e contra a explora\u00e7\u00e3o escravista e assalariada e em defesa de nossa pr\u00f3pria classe trabalhadora brasileira, tamb\u00e9m oprimida e explorada, exigimos:<\/p>\n<p><b>FORA AS TROPAS BRASILEIRAS DO HAITI!<\/b><\/p>\n<p><b>PELO DIREITO DO POVO HAITIANO DECIDIR SOBERANAMENTE O SEU DESTINO SEM A INTERVEN\u00c7\u00c3O IMPERIALISTA ESTRANGEIRA!<\/b><\/p>\n<p>http:\/\/pcbpelotas.blogspot.com.br\/2015\/10\/fora-as-tropas-brasileiras-do-haiti.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A imprensa corporativa e a assessoria de comunica\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas Brasileiras informam que, de 5 a 23 de outubro, na cidade de \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9698\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[55],"tags":[],"class_list":["post-9698","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c66-haiti"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2wq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9698","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9698\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}