{"id":9714,"date":"2015-10-28T21:40:21","date_gmt":"2015-10-29T00:40:21","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9714"},"modified":"2015-11-04T21:50:22","modified_gmt":"2015-11-05T00:50:22","slug":"28-anos-do-assassinato-do-lider-africano-de-burkina-faso-sankara-a-divida-e-o-fim-do-terceiro-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9714","title":{"rendered":"28 anos do assassinato do l\u00edder africano de Burkina Faso: Sankara, a d\u00edvida e o fim do terceiro mundo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"400\" width=\"620\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/arton1136-620x400.jpg?resize=620%2C400\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<p>Por <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/mostrar.php?tipo=5&amp;id=Hu%E1scar%20Sologuren&amp;inicio=0\" target=\"_blank\">Hu\u00e1scar Sologuren <\/a>\/ Resumen Latinoamericano \/ Rebeli\u00f3n \/ outubro de 2015 \u2013 Com o desgarrado grito de \u201clibert\u00e9 ou la mort\u201d nasceu o Terceiro Mundo. Em uma ins\u00f3lita ilha do Caribe, os escravos negros de Saint-Domingue liderados por Toussaint Louverture e Dessalines, iniciaram uma revolu\u00e7\u00e3o a sangue e fogo que culminou, em 1804, com a aboli\u00e7\u00e3o da <!--more-->escravid\u00e3o das col\u00f4nias francesas, a proclama\u00e7\u00e3o da primeira na\u00e7\u00e3o ex-colonial do sul do planeta na rep\u00fablica do Haiti e a consolida\u00e7\u00e3o do sentido de \u201cnegritude\u201d como um sentimento compartilhado pelos povos oprimidos do mundo. Assim, os \u201cjacobinos negros\u201d iniciaram uma tend\u00eancia que se estenderia pelo Caribe e Am\u00e9rica Latina. Os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional confrontados \u00e0 l\u00f3gica do sistema colonial da modernidade teriam um profundo impacto na concep\u00e7\u00e3o da liberdade humana e da democracia.<\/p>\n<p>O Terceiro Mundo como projeto pol\u00edtico<\/p>\n<p>Ainda que o n\u00famero de na\u00e7\u00f5es libertas do f\u00e9rreo dom\u00ednio colonial tenha aumentado pelo mundo ao longo do s\u00e9culo XX, n\u00e3o foi at\u00e9 1952 que o soci\u00f3logo franc\u00eas Alfred Sauvy deu-lhes seu c\u00e9lebre nome. Em seu artigo \u201ctr\u00eas mundos, um planeta.\u201d [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb1\" target=\"_blank\">1<\/a>] Sauvy destacava, devido ao processo de descoloniza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses africanos e do sudeste asi\u00e1tico, a nova presen\u00e7a de na\u00e7\u00f5es \u201csubdesenvolvidas\u201d, \u201cexploradas\u201d e a margem da nova ordem internacional regida entre a polaridade das pot\u00eancias capitalistas e comunistas, ou seja, entre o primeiro e o segundo mundo. A utiliza\u00e7\u00e3o por parte do soci\u00f3logo franc\u00eas do termo Terceiro Mundo n\u00e3o foi fortuita, j\u00e1 que quis fazer um oportuno paralelismo com o contexto da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, onde uma grande massa, o Terceiro Estado, enfrentava um minorit\u00e1rio poder absoluto, o Primeiro Estado. No novo contexto das rela\u00e7\u00f5es internacionais da metade do s\u00e9culo XX, um Terceiro Mundo enfrentando um Primeiro Mundo.<\/p>\n<p>Estas novas \u201cna\u00e7\u00f5es obscuras\u201d, como chama o professor Vijay Prashad, pareciam estar condenadas \u00e0s margens da hist\u00f3ria, por\u00e9m gra\u00e7as \u00e0 f\u00e9rrea vontade de sua popula\u00e7\u00e3o conseguiram o reconhecimento dentro da ONU com a hist\u00f3rica resolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Geral 1514(XIV) de 1960 [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb2\" target=\"_blank\">2<\/a>] intensamente anticolonialista, que iniciava um processo descolonizador amplo e que declarava \u201cque todos os povos t\u00eam direito \u00e0 livre determina\u00e7\u00e3o, a determinar livremente sua condi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e perseguir livremente seu desenvolvimento econ\u00f4mico, social e cultural\u201d.<\/p>\n<p>A partir desse momento, \u201co Terceiro Mundo n\u00e3o foi um lugar. Foi um projeto\u201d. [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb3\" target=\"_blank\">3<\/a>] As na\u00e7\u00f5es libertas da \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina embarcaram em uma luta comum, que canalizariam atrav\u00e9s de organiza\u00e7\u00f5es como G77, a UNTAC, a CEPAL e sobretudo pelo Movimento de Pa\u00edses n\u00e3o Alinhados (NOAL). Seus l\u00edderes, Nehru (\u00cdndia), Nasser (Egito), Tito (Iugosl\u00e1via), Sukarno (Indon\u00e9sia), Nkrumah (Gana) e Castro (Cuba). Dos anos 60 aos 80, realizaram confer\u00eancias em Bandung, Cairo, Buenos Aires, Belgrado ou Havana. Seus objetivos: o reconhecimento dos Direitos Humanos para todos os povos do mundo, a luta contra a desigualdade e a opress\u00e3o entre pa\u00edses ricos e pobres, o reconhecimento da igual dignidade entre todos os humanos e a necess\u00e1ria satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas para a vida: terra, paz e liberdade.<\/p>\n<p>Parecia que as \u201cna\u00e7\u00f5es obscuras\u201d ao longo dos anos sessenta eram conscientes de si mesmas e levantaram dita consci\u00eancia para iniciar sua luta dentro dos f\u00f3runs internacionais. Expresso em termos hegelianos, o Terceiro Mundo passou de ser uma consci\u00eancia em si, para ser uma consci\u00eancia para si. Os anos 60 e 70 foram duas d\u00e9cadas de grandes esperan\u00e7as e vit\u00f3rias, os novos povos reivindicavam seu reconhecimento dentro do mundo e votavam sistematicamente juntos na Assembleia Geral da ONU a favor de resolu\u00e7\u00f5es que guiassem seus povos \u00e0 dignidade. Em 1979, 95 pa\u00edses eram membros do NOAL e depois de sua sexta confer\u00eancia em Havana, como representante do NOAL, Fidel Castro pronunciou um discurso hist\u00f3rico no f\u00f3rum da assembleia geral. [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb4\" target=\"_blank\">4<\/a>] A mensagem era clara, as na\u00e7\u00f5es pobres do mundo n\u00e3o podem continuar tolerando \u201cuma ordem econ\u00f4mica internacional especulativa que ningu\u00e9m entende\u201d, que \u201ca troca desigual arru\u00edna nossos povos e deve parar\u201d e que \u201ca d\u00edvida dos pa\u00edses pobres s\u00e3o insuport\u00e1veis e n\u00e3o t\u00eam solu\u00e7\u00e3o; as d\u00edvidas devem ser canceladas\u201d. O Terceiro Mundo parecia firme em seu caminho pela conquista da dignidade.<\/p>\n<p>A contrarrevolu\u00e7\u00e3o neoliberal<\/p>\n<p>Da mesma forma que no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa teve sua contrapartida contrarrevolucion\u00e1ria no acervo da restaura\u00e7\u00e3o absolutista contra a vontade do Terceiro Estado, nos anos 70 do s\u00e9culo XX se iniciou uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o de voos financeiros contra a vontade do Terceiro Mundo. A crise do sistema fordista, o abandono do padr\u00e3o ouro por parte da Reserva Federal dos EUA em 1971 e a impossibilidade dos estados de gerir esta infla\u00e7\u00e3o (produto da crise do petr\u00f3leo em 1973) com pol\u00edticas tradicionais de corte keynesiano criaram o caldo de cultura necess\u00e1rio para uma virada radical na economia internacional.<\/p>\n<p>As novas estrelas do firmamento econ\u00f4mico, Friedman y Hayek, iluminados pelo esplendor do Nobel em economia, impulsionaram o planeta ao modelo neoliberal. A tradicional pol\u00edtica de pleno emprego seria abandonada pela necessidade de manter baixas as taxas de juros, a IFIs (Banco Mundial e Fundo Monet\u00e1rio Internacional) substituiriam obedientemente nos anos 80 suas pol\u00edticas keynesianas pelas neoliberais e a liberaliza\u00e7\u00e3o dos mercados viria converter-se na maior das necessidades. \u201cA revolu\u00e7\u00e3o keynesiana passou dessa para melhor. Na hist\u00f3ria da economia, \u00e0 era de John Maynard Keynes sucedeu a de Milton Friedman\u201d [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb5\" target=\"_blank\">5<\/a>] ou como escreveu Harvey: \u201cO neoliberalismo surgiu como projeto pol\u00edtico para restabelecer as condi\u00e7\u00f5es de acumula\u00e7\u00e3o de capital e restaurar o poder das elites econ\u00f4micas\u201d [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb6\" target=\"_blank\">6<\/a>]<\/p>\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o contra o Terceiro Mundo parecia firme. As IFIs se guiariam por crit\u00e9rios neoliberais, cada vez mais universidade de \u201cprest\u00edgio\u201d se tornariam f\u00e3s dos \u201cChicago Boys\u201d e os estados hegem\u00f4nicos Reino Unido e EUA teriam seus mais sol\u00edcitos aprendizes da \u201cnova ordem econ\u00f4mica\u201d nas figuras de Thatcher e Reagan. Esta moderna \u201cSanta Alian\u00e7a\u201d inovaria com armas financeiras: endividamento em d\u00f3lares dos pa\u00edses pobres atrav\u00e9s da reciclagem dos petrod\u00f3lares e de empr\u00e9stimos atrav\u00e9s do Banco Mundial [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb7\" target=\"_blank\">7<\/a>] , crescimento deliberado das taxas de juros por parte da Reserva Federal [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb8\" target=\"_blank\">8<\/a>] dos EUA e especula\u00e7\u00e3o com mat\u00e9rias primas, provocando a queda do pre\u00e7o desta nos mercados internacionais. A claudica\u00e7\u00e3o se daria em 1982: M\u00e9xico de declararia em crise, assim como Argentina e Brasil. A crise da d\u00edvida do Terceiro Mundo explodiu. Posteriormente, seria a triste situa\u00e7\u00e3o das Pol\u00edticas de Ajuste Estrutural (PAE) do FMI e a f\u00fanebre hist\u00f3ria das \u201cd\u00e9cadas perdidas\u201d para os povos do Sul.<\/p>\n<p>\u201cO informe da Comiss\u00e3o do Sul, publicado em 1990, determinou que as estrat\u00e9gias de ajuste estrutural da globaliza\u00e7\u00e3o impulsionada pelo FMI enfraqueceram o Terceiro Mundo como for\u00e7a pol\u00edtica. A UNCTAD, o G77, o NOAL e outros f\u00f3runs e organismos internacionais desapareciam at\u00e9 tornarem-se insignificantes. N\u00e3o ficaria em p\u00e9 nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica cr\u00edvel que advogasse por uma aboli\u00e7\u00e3o da d\u00edvida ou por uma estrat\u00e9gia de ajuda social para o planeta em seu conjunto. O Sul precisava de controle sobre o Norte e n\u00e3o tinha sequer a capacidade necess\u00e1ria para introduzir e ativar quest\u00f5es de interesse coletivo. \u201cO Terceiro Mundo, por assim dizer, se dissolveu\u201d. [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb9\" target=\"_blank\">9<\/a>]<\/p>\n<p>\u201cSomos os herdeiros de todas as revolu\u00e7\u00f5es do mundo\u201d<\/p>\n<p>No caso do Terceiro Mundo como projeto pol\u00edtico, um \u00faltimo eco desesperado de rebeldia se faria notar na voz de Thomas Sankara, l\u00edder revolucion\u00e1rio de Burkina Faso. Dentro do f\u00f3rum da 25\u00aa Confer\u00eancia na C\u00fapula da Organiza\u00e7\u00e3o da Unidade Africana (OUA), em Addis Abeba, em 29 de julho de 1987, Sankara pronunciou um contundente discurso contra a d\u00edvida externa dos pa\u00edses africanos. [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb10\" target=\"_blank\">10<\/a>] \u201cA d\u00edvida \u00e9 um mecanismo de neocolonialismo\u201d, \u201cos pa\u00edses do Terceiro Mundo n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por suas d\u00edvidas\u201d e \u201co pagamento da d\u00edvida sup\u00f5e a morte dos povos do sul. Conclus\u00e3o: a d\u00edvida nem deve e nem pode ser paga. Por isso, Sankara prop\u00f5e \u00e0 assembleia criar \u201co clube de Addis Abeba\u201d frente ao \u201cConsenso de Washington\u201d e manifestou umas palavras que pareceram prof\u00e9ticas: \u201cSe Burkina Faso se mantiver apenas repudiando a d\u00edvida, eu n\u00e3o estarei na confer\u00eancia seguinte\u201d. Sankara saiu apenas daquela reuni\u00e3o. Sankara seria assassinado dois meses depois em Burkina Faso, em 15 de outubro, devido a um trai\u00e7oeiro golpe de estado organizado por seu \u201ccompanheiro de armas\u201d, Compaor\u00e9, apoiado pelas pot\u00eancias ocidentais.<\/p>\n<p>Fim do Terceiro Mundo? Fim da Hist\u00f3ria, como assegurava Fukuyama depois da queda do Muro de Berlim, em 1989?<\/p>\n<p>N\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, 39\u00aa Assembleia da ONU, de 4 de outubro de 1984, Sankara declarou sentir-se falar em nome dos \u201cabandonados\u201d porque nada humano lhe era estranho. De querer ser \u201cherdeiro de todas as revolu\u00e7\u00f5es do Mundo\u201d, de ter a consci\u00eancia de que os povos oprimidos do planeta aprenderam com a Revolu\u00e7\u00e3o Americana e Francesa, e de todos os processos de liberta\u00e7\u00e3o nacional. E que, portanto, \u201capenas a luta liberta\u201d. [<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nb11\" target=\"_blank\">11<\/a>]<\/p>\n<p>As \u201cna\u00e7\u00f5es obscuras\u201d nunca poder\u00e3o ser derrotadas, porque nunca poder\u00e1 ser calado de seus povos aquele remoto grito de liberdade que os \u201cjacobinos negros\u201d pronunciaram no nascimento do Terceiro Mundo; \u201cliberte ou la mort!!\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/spip.php?page=recherche&amp;recherche=Hu%C3%A1scar%20Sologuren\" target=\"_blank\">Hu\u00e1scar Sologuren <\/a><a href=\"http:\/\/auditoriaciudadana.net\/\" target=\"_blank\">Plataforma Auditor\u00eda Ciudadana de la Deuda<\/a> [Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida]<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh1\" target=\"_blank\">1<\/a>] Artigo de Sauvy: <a href=\"http:\/\/www.homme-moderne.org\/societe\/demo\/sauvy\/3mondes.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.homme-<wbr \/>moderne.org\/societe\/demo\/<wbr \/>sauvy\/3mondes.html<\/a><\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh2\" target=\"_blank\">2<\/a>] Resolu\u00e7\u00e3o 1514 (XV): <a href=\"http:\/\/www.un.org\/es\/comun\/docs\/?symbol=A\/RES\/1514%28XV%29\" target=\"_blank\">http:\/\/www.un.org\/es\/<wbr \/>comun\/docs\/?symbol=A\/RES\/1514%<wbr \/>28XV%29<\/a><\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh3\" target=\"_blank\">3<\/a>] Prashad, V. (2012) Las naciones oscuras. Una historia del Tercer Mundo. Barcelona. Ediciones Pen\u00ednsula.<\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh4\" target=\"_blank\">4<\/a>] Discurso de Fidel Castro como representante da NOAL na 31\u00aa se\u00e7\u00e3o da Assembleia Gera da ONU de 1979: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9N1LGKNRzXs\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/<wbr \/>watch?v=9N1LGKNRzXs<\/a><\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh5\" target=\"_blank\">5<\/a>] Galbraith J.K. (1989). Historia de la econom\u00eda. Barcelona. Editorial Ariel.(pg. 300)<\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh6\" target=\"_blank\">6<\/a>] Harvey D. (2005) Breve historia del neoliberalismo. Madrid. Akal. (pg. 24).<\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh7\" target=\"_blank\">7<\/a>] Em 1970, os Estados de renda baixa deviam \u00e0s IFIs 25000 milh\u00f5es de $. Em 2000, 523000 milh\u00f5es. Durante essas d\u00e9cadas, esses pa\u00edses pagaram 550000 milh\u00f5es em conceito de servi\u00e7o da d\u00edvida sobre uns empr\u00e9stimos contra\u00eddos por 5400000 milh\u00f5es e ainda se continua devendo 523000 milh\u00f5es. Prashad, V. (2012) (pg. 457)<\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh8\" target=\"_blank\">8<\/a>] A Reserva Federal passou de umas taxas de juros de 2% em 1970 para 8,1% em 1981. Toussaint E. y Millet D. (2009) 60 preguntas. 60 respuestas sobre la deuda, el FMI y el Banco Mundial. Barcelona. Icaria. (pg. 77)<\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh9\" target=\"_blank\">9<\/a>] Prashad, V. (2012)(pg. 259)<\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh10\" target=\"_blank\">10<\/a>] <a href=\"http:\/\/cadtm.org\/Discurso-de-Thomas-Sankara-sobre\" target=\"_blank\">http:\/\/cadtm.org\/<wbr \/>Discurso-de-Thomas-Sankara-<wbr \/>sobre<\/a><\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/www.elsalmoncontracorriente.es\/?Sankara-la-deuda-y-el-fin-del#nh11\" target=\"_blank\">11<\/a>] Discurso em franc\u00eas: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Mv5TPUL1NcU\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.<wbr \/>com\/watch?v=Mv5TPUL1NcU<\/a>. Para uma transcri\u00e7\u00e3o para o castelhano: Sankara T. (2007) Somos los herederos de las revoluciones del mundo. Discursos de la revoluci\u00f3n de Burkina Faso 1983-1987. USA. Pathfinder Press. (pg. 61-85)<\/p>\n<p>V\u00eddeo 1: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9N1LGKNRzXs&amp;authuser=0\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?<wbr \/>v=9N1LGKNRzXs&amp;authuser=0<\/a><\/p>\n<p>V\u00eddeo 2: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Mv5TPUL1NcU\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?<wbr \/>v=Mv5TPUL1NcU<\/a><\/p>\n<p>Fonte:<a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/10\/19\/a-28-anos-del-asesinato-del-lider-africano-de-burkina-faso-sankara-la-deuda-y-el-fin-del-tercer-mundo\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.<wbr \/>resumenlatinoamericano.org\/<wbr \/>2015\/10\/19\/a-28-anos-del-<wbr \/>asesinato-del-lider-africano-<wbr \/>de-burkina-faso-sankara-la-<wbr \/>deuda-y-el-fin-del-tercer-<wbr \/>mundo\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Hu\u00e1scar Sologuren \/ Resumen Latinoamericano \/ Rebeli\u00f3n \/ outubro de 2015 \u2013 Com o desgarrado grito de \u201clibert\u00e9 ou la mort\u201d nasceu \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9714\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-9714","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2wG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9714","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9714"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9714\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}