{"id":9787,"date":"2015-11-04T20:14:53","date_gmt":"2015-11-04T23:14:53","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9787"},"modified":"2015-12-03T11:21:20","modified_gmt":"2015-12-03T14:21:20","slug":"chile-a-logica-comunitaria-e-a-destruicao-dos-povos-indigenas-como-a-antessala-de-um-novo-ciclo-expansionista-do-capitalismo-o-mundo-mapuche-com-o-estado-colonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9787","title":{"rendered":"CHILE: A L\u00d3GICA COMUNIT\u00c1RIA E A DESTRUI\u00c7\u00c3O DOS POVOS IND\u00cdGENAS COMO A ANTESSALA DE UM NOVO CICLO EXPANSIONISTA DO CAPITALISMO; O MUNDO MAPUCHE COM O ESTADO COLONIAL"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chile-log-comunitaria-y-destruccion-de....png?w=747\" alt=\"imagem\" \/>Por Pavel Gui\u00f1ez Nahuel\u00f1ir \u2013 <em>Resumen Latinoamericano<\/em>, 29 de outubro de 2015<\/p>\n<p><em>Gra\u00e7as a esta injusti\u00e7a (a destrui\u00e7\u00e3o dos \u00edndios), a Am\u00e9rica, no lugar de permanecer abandonada aos selvagens, incapazes de progresso, est\u00e1 ocupada hoje pela ra\u00e7a caucasiana, a mais perfeita, a mais inteligente, a mais bela e a mais progressiva daquelas que povoam a terra.<!--more--><\/em><\/p>\n<p>(Sarmiento, 1962:218)<\/p>\n<p>Um dos grandes desafios dos movimentos emancipadores radica na capacidade de que estes v\u00e3o al\u00e9m das estruturas e l\u00f3gicas de vida que nos legou o capitalismo. \u00c9 um desafio radical, pois implica introduzir-se em terrenos desconhecidos, inseguros, arriscados, que exigem deixar de lado aquelas ilhas de seguran\u00e7a que nos ensinam a construir as rela\u00e7\u00f5es sociais. A cita\u00e7\u00e3o anterior, nesse sentido, torna-se muito \u00fatil para refletir o colonialismo (que implica domina\u00e7\u00e3o, verdade absoluta, subordina\u00e7\u00e3o, messianismo) como atitude ante a vida, ante o outro ou outra e que circunda as ideias ocidentais para com as sociedades criadas fora do ocidentalismo, povos origin\u00e1rios de Nossa Am\u00e9rica em particular, ilhas de seguran\u00e7a que \u00fateis para negarem responsabilidades hist\u00f3ricas ou criminalizarem conflitos existentes no cone sul latino-americano, tanto entre Estados e povos origin\u00e1rios, como tamb\u00e9m para alimentar as desconfian\u00e7as nos processos de liberta\u00e7\u00e3o em que comungam (mos), necessariamente juntos, esquerdas anticapitalistas e povos ind\u00edgenas\/origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos assim, porque \u00e9 preciso sentar as bases para descolonizar o pensamento e isso requer uma poderosa vontade autocr\u00edtica, que inicia identificando o pior inimigo: o colonialismo interno. Torna-se, ent\u00e3o, necess\u00e1rio colocar em debate as identidades e povos latino-americanos fora dos iluminismos e verdades reveladas, pr\u00f3prias daqueles que compreendem a luta de classes como um saber petrificado, assumindo as contribui\u00e7\u00f5es e pap\u00e9is dos diferentes sujeitos de acordo com a realidade hist\u00f3rica que convoca todos os subalternos, na confronta\u00e7\u00e3o contra o capital e pela constru\u00e7\u00e3o do bem viver, ideias que emergir\u00e3o sempre e conforme formos ampliando o olhar sobre um conflito de car\u00e1ter hist\u00f3rico que transcendeu governos, ditaduras, democracias e Estados modernos, e que permanece teimosamente qual primavera, irredut\u00edvel. Os invasores pensaram que o tempo e a fome nos faria sumir na mesti\u00e7agem e abra\u00e7ar o desenvolvimento como ideia e como vida, \u00fanica porta ao bem-estar oferecido a ambos os lados da cordilheira, para que os selvagens nos salv\u00e1ssemos do massacre. Por\u00e9m, aqui estamos. Continuamos tentando superar o capitalismo e seu modelo depredador, individualista, irrespons\u00e1vel e segregador que trouxeram os av\u00f3s dos atuais governantes \u00e0s terras f\u00e9rteis do <em>abya yala<\/em>.<\/p>\n<p>Em termos de uma r\u00e1pida s\u00edntese que permita uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o para identificar pontos comuns com outras realidades latino-americanas, a partir do conflito dos Estados chileno e argentino com o povo mapuche, poder\u00edamos identificar tr\u00eas grandes ra\u00edzes, todas derivadas do modelo pol\u00edtico-econ\u00f4mico e social imposto pelos colonizadores;<\/p>\n<p><u>1 \u2013<\/u><u> Uma raz\u00e3o geogr\u00e1fico-militar<\/u>: que se remonta aproximadamente ao ano de 1878, pelo lado argentino, e 1861, pelo lado chileno, Estados que, desconhecendo todo tratado com o povo mapuche, realizaram um movimento militar que consistiu basicamente em mover suas linhas de fogo para assim conquistar o territ\u00f3rio ocupado at\u00e9 ent\u00e3o por comunidades mapuche assentadas e com movimentos est\u00e1veis em um territ\u00f3rio que abarcava desde o Pac\u00edfico ao Atl\u00e2ntico e desde o rio Biob\u00edo e rio Negro at\u00e9 o estreito de Magalh\u00e3es. Dito territ\u00f3rio foi conquistado a sangue e fogo em um confronto desigual proporcionado pelos atuais Estados nacionais para al\u00e9m dos Andes, suas popula\u00e7\u00f5es massacradas, saqueadas, os meninos e meninas roubados e escravizados nas casas dos latifundi\u00e1rios, se multiplicam as queimas de culturas, sementeiras e casas, os roubos de joias de prata, animais e meninos foram o p\u00e3o de cada dia, os homens assassinados ou colocados para trabalhar nos campos e as mulheres violadas e postas ao servi\u00e7o das casas patronais que impulsionaram essa ofensiva com um s\u00f3 objetivo: <em>apropriar-se do territ\u00f3rio e de suas riquezas<\/em>.<\/p>\n<p>O movimento militar consistiu em avan\u00e7ar de mar \u00e0 cordilheira sob a l\u00f3gica de \u201cterra arrasada\u201d, n\u00e3o deixando nada em seu caminho de forma tal que os fortes militares foram construindo em torno de si campos de refugiados cheios de fam\u00edlias pedindo algo para comer, algo como as cru\u00e9is imagens das crises migrat\u00f3rias europeias e os bombardeios sionistas em Gaza, por\u00e9m em territ\u00f3rio latino-americano, onde o povo mapuche, que antes da invas\u00e3o controlava 10 milh\u00f5es de hectares, passou a ter somente 500 mil hectares.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que hoje em um Chile onde 70% da popula\u00e7\u00e3o ganha menos de $300.000 (algo como 4 mil pesos argentinos), a propor\u00e7\u00e3o na comunidade mapuche seja de 90% que ganha menos de $500.000. A pol\u00edtica do despojo para submeter e da fome para assimilar estiram seus bra\u00e7os at\u00e9 hoje, trazendo como consequ\u00eancia um hist\u00f3rico de despojo que ainda habita na mem\u00f3ria de gera\u00e7\u00f5es vivas, que criam e recriam o traum\u00e1tico processo durante as reuni\u00f5es familiares:<\/p>\n<p><em>Queimamos todos os barracos dos \u00edndios e o trigo que encontramos, o que n\u00e3o foi pouco. A \u00fanica guerra poss\u00edvel com estes b\u00e1rbaros, e que d\u00e1 resultados certos, \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o de seus recursos. As colheitas perdidas nos prometem paz dur\u00e1vel dentro de pouco e, talvez, os \u00edndios pe\u00e7am a paz antes do inverno.<\/em><\/p>\n<p>(<em>El Mercurio<\/em>, Valpara\u00edso, Chile, 11 de fevereiro de 1861)<\/p>\n<p><u>2 \u2013 Uma raz\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica<\/u>: que est\u00e1 relacionada com a expans\u00e3o dos limites territoriais \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o dos latifundi\u00e1rios nacionais, \u00fanicos favorecidos com a independ\u00eancia da Espanha. Nascia no Chile (e Argentina) o celeiro da Am\u00e9rica a custa do sangue ind\u00edgena, orientando seu uso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o massiva de gr\u00e3os e bens fornecidos pela industrializa\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o, encarregada pelos migrantes estrangeiros. O Estado se fez a partir dos 9,5 milh\u00f5es de hectares que foram distribu\u00eddos a alem\u00e3es, italianos, su\u00ed\u00e7os e outros em menor medida, que se apropriaram do territ\u00f3rio. Ficaram aproximadamente 500 mil hectares em m\u00e3os mapuche, que foram concebidos sob o regime de propriedade individual e o \u00e2nimo sempre expansionista dos colonos, significando uma nova onda de perda de territ\u00f3rio e expropria\u00e7\u00e3o na medida em que avan\u00e7ou o tempo, isso amparado pela justi\u00e7a das armas. Seu impacto: uns 150 mil h\u00e1 menos at\u00e9 1960.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio, usurpado e apropriado por umas poucas fam\u00edlias, se manteve nas m\u00e3os dos colonos at\u00e9 aproximadamente 1960, d\u00e9cada em que as ideias de reforma agr\u00e1ria e os movimentos revolucion\u00e1rios se encontravam suficientemente avan\u00e7adas para come\u00e7ar a consolidar o processo na dire\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria. No entanto, a contrarrevolu\u00e7\u00e3o fascista instalada no Chile a partir de 1973, significou um novo retrocesso \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es mapuche. Em 1990, apenas contavam em m\u00e3os mapuche cerca de 360 mil hectares, que foram divididos e parcelados arbitrariamente pela ditadura e corriam o serio perigo de desaparecer nas m\u00e3os dos projetos capitalistas em \u00e1reas florestais, mineradoras ou energ\u00e9ticas.<\/p>\n<p>J\u00e1 no ano 2000 e em uma suposta democracia dirigida pelo duop\u00f3lio pol\u00edtico ligado ao bloco no poder, existiam 3 milh\u00f5es de hectares nas m\u00e3os de empresas florestais, propriedade das fam\u00edlias mais ricas do pa\u00eds, vinculadas aos atuais esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e que s\u00e3o donas, ao mesmo tempo, dos portos, estradas, mineradoras e empresas de produ\u00e7\u00e3o de salm\u00e3o e de pesca industrial. As terras mapuche, agora repletas de monocultivos florestais subsidiados pelo Estado neoliberal atrav\u00e9s do decreto 701 (onde o Estado d\u00e1 3 em cada 4 \u00e1rvores plantadas \u00e0s fam\u00edlias enriquecidas nas asas da ditadura), conflitam hoje com os projetos mineradores, energ\u00e9ticos e de produ\u00e7\u00e3o de salm\u00e3o, que amea\u00e7am constantemente o escasso controle territorial das comunidades que ainda habitam seus territ\u00f3rios, tornando extremamente complexa a possibilidade de manter seu modo de vida devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada pelo modelo. Al\u00e9m disso, os povos origin\u00e1rios s\u00e3o os que representam maior propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o chilena no que se refere aos indicadores de indig\u00eancia, desemprego e trabalhos prec\u00e1rios, claramente consequ\u00eancia do modelo de depreda\u00e7\u00e3o e saqueio sustentado e ansiado pelo Estado, frente ao qual a rebeli\u00e3o do mundo mapuche n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 compreens\u00edvel como fundamentalmente necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>J\u00e1 s\u00e3o 20 anos de aplica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da Lei Antiterrorista e da Lei de Seguran\u00e7a Interior do Estado (que implica a utiliza\u00e7\u00e3o de testemunhas sem rosto, testemunhas de ouvido, impedimento de expressar-se na l\u00edngua materna, deten\u00e7\u00f5es preventivas que duram anos, press\u00f5es das m\u00e1fias empresariais e pol\u00edticas, entre outras), cuja m\u00e1xima express\u00e3o foi alcan\u00e7ada pelo governo anterior da atual mandat\u00e1ria Michelle Bachelet, assassinando 5 mapuche. Hoje a estrat\u00e9gia do governo mudou e a aposta transita em seu desenvolvimento sob a justi\u00e7a ordin\u00e1ria, acusando as comunidades e seus dirigentes de delitos comuns que s\u00e3o sancionados de maneira r\u00e1pida, para que sejam detidos por usar as mat\u00e9rias primas que crescem no territ\u00f3rio mapuche usurpado e que interessam \u00e0 med\u00edocre ind\u00fastria florestal.<a href=\"https:\/\/bay175.mail.live.com\/ol\/#150b55c3caebdd23_sdendnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/p>\n<p><em>A pol\u00edtica, a ind\u00fastria, a coloniza\u00e7\u00e3o, todos os grandes interesses demandam a anexa\u00e7\u00e3o de Arauco. A dignidade do pa\u00eds ofendida pelos selvagens, a necessidade de ampliar o territ\u00f3rio, a imigra\u00e7\u00e3o, as ind\u00fastrias que devem se estabelecer ali, tudo isso pede a redu\u00e7\u00e3o de Arauco. A imprensa, as c\u00e2maras, o com\u00e9rcio e a opini\u00e3o da na\u00e7\u00e3o inteira est\u00e3o conformes com o projeto de anexa\u00e7\u00e3o de Arauco.<\/em><\/p>\n<p>(<em>El Correo del Sur<\/em>, 1854 \u2013 em Herrera, Grez e Loyola, 2002; 84)<\/p>\n<p><u>3 \u2013 Uma raz\u00e3o filos\u00f3fico-espiritual<\/u>: O que motiva tanta resist\u00eancia por parte das comunidades? Muitas foram as tentativas de controlar e submeter o povo mapuche, visando vincul\u00e1-los ao desenvolvimento econ\u00f4mico, fomentando a educa\u00e7\u00e3o, o empreendimento e diversas express\u00f5es econ\u00f4micas, onde o eixo central do problema se situa em torno da supera\u00e7\u00e3o da pobreza e da criminaliza\u00e7\u00e3o das express\u00f5es de protesto, acusando e culpando em julgamentos de duvidosa imparcialidade dezenas de moradores mapuche.<sup>2<\/sup> No entanto, o conflito n\u00e3o radica nas possibilidades de participa\u00e7\u00e3o nas cadeias produtivas nem na integra\u00e7\u00e3o aos mercados para acumular importantes quantidades de dinheiro. Por outro lado, a aposta repressiva deu in\u00fameras mostras de ser insuficiente para conter as aspira\u00e7\u00f5es mapuche. A soberania negada e usurpada, h\u00e1 menos de 120 anos nas m\u00e3os de interesses particulares, n\u00e3o pode ser apagada da mem\u00f3ria. Ao contr\u00e1rio, emerge como a \u00fanica resposta plaus\u00edvel ante a situa\u00e7\u00e3o de pobreza e mis\u00e9ria obrigada \u00e0 qual temos sido arrastados e contra a qual nos batemos com as ferramentas que temos nas m\u00e3os, pois como diziam os antigos dirigentes mapuche: \u201cpara pensar \u00e9 preciso comer\u201d.<\/p>\n<p>A vida tem como antessala a luta necess\u00e1ria para faz\u00ea-la digna. N\u00e3o merece viv\u00ea-la quem n\u00e3o luta por fazer de sua vida e pela dos demais um lugar melhor e mais digno onde viver e morrer. O choque entre concep\u00e7\u00f5es de vida tem a magnitude do horizonte que levamos gravado na retina, onde o EU colonial confronta abertamente com o N\u00d3S comunit\u00e1rio, onde a centralidade do ser humano como b\u00fassola colonial confronta abertamente com a centralidade do TODO, onde a <em>parte<\/em> \u00e9 isso, uma <em>parte<\/em> que tem seu papel pertencente a um todo maior e colabora, como cada <em>parte<\/em>, com a multid\u00e3o de equil\u00edbrios que comp\u00f5e a vida como complexo org\u00e2nico, vivo, solid\u00e1rio e multiforme. A fragilidade desse equil\u00edbrio impele aos povos guardi\u00e3es da hist\u00f3ria organizarem-se para restaur\u00e1-los, todavia hoje, ainda quando signifique sangue, suor e l\u00e1grimas. N\u00e3o necessitamos de estudos que nos digam que os gelos eternos derretem a uma velocidade espantosa, que a superexplora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo tem graves consequ\u00eancias atmosf\u00e9ricas, que a camada de oz\u00f4nio est\u00e1 cada vez mais ferida, nem que o sol, nascido para nos aquecer, agora nos prejudica gra\u00e7as ao acelerado ritmo de vida engendrado pelo capitalismo, que nos faz basear nossa vida em um s\u00f3 verbo: \u201ccomprar\u201d. Menos ainda precisamos que nos digam que as abelhas s\u00e3o vitais para a cadeia que sustenta a vida e que seu desaparecimento se ligaria inevitavelmente a nossa morte, nem que os monocultivos ressecam a terra, assassinando-a. N\u00e3o precisamos porque o vivemos e sofremos diariamente, porque a terra nos reclama nos dias e nas noites, porque n\u00e3o podemos deixar nas m\u00e3os dos invasores que atuam como aves carniceiras o futuro de nossos filhos e filhas. O esp\u00edrito nos obriga a nos mobilizarmos para defender o que nos resta e, sobre isso, projetar nosso futuro que n\u00e3o \u00e9 mais que a vida em equil\u00edbrio.<sup>3<\/sup> J\u00e1 sabemos que, se n\u00e3o o fizermos, morremos e apenas os covardes se resignam de sua sorte.<\/p>\n<p><em>Os homens n\u00e3o nasceram para viver inutilmente e como os animais selv\u00e1ticos, sem proveito do g\u00eanero; e uma associa\u00e7\u00e3o de b\u00e1rbaros, t\u00e3o b\u00e1rbaros como os pampas ou os araucanos, n\u00e3o \u00e9 mais que uma horda de feras, que \u00e9 urgente encarcerar ou destruir pelo interesse da humanidade e pelo bem da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>(<em>El Mercurio<\/em>, 1859)<\/p>\n<p>Para ir concluindo, o territ\u00f3rio mapuche argentino e chileno, altamente produtivo e rico em recursos naturais, tem as maiores taxas de pobreza e mis\u00e9ria, como resultado dos interesses capitalistas cravados na exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, a atual cara do saqueio imperialista. Junto \u00e0 nega\u00e7\u00e3o for\u00e7ada \u00e0s pr\u00e1ticas culturais pr\u00f3prias como uma forma de reduzir o inimigo, processo resguardado, alentado e defendido pelas cartas magnas de ambos os pa\u00edses e as for\u00e7as policiais, notam-se dezenas de detidos em julgamentos parciais e defendidos sem vergonha alguma por coaliz\u00f5es pol\u00edticas j\u00e1 vendidas ao poder econ\u00f4mico transnacionalizado.<\/p>\n<p>O dique de conten\u00e7\u00e3o das apostas transformadoras e anticapitalistas em nosso continente n\u00e3o foi apenas a pouca capacidade de incorporar identidades subalternas distintas e suas l\u00f3gicas particulares do \u201ctrabalhador\u201d ou do \u201cprolet\u00e1rio\u201d, mas tamb\u00e9m permanentemente foi a incapacidade de irmos nos colocando de acordo com honestidade e franqueza entre n\u00f3s mesmos. A esquerda, por um lado, com sua pretens\u00e3o messi\u00e2nica e capitalizadora que tenta cooptar antes de compreender e cravar suas bandeiras antes de entender-se com o outro, age tal como Colombo, em 1492, e, por outro lado, as desconfian\u00e7as naturais dos povos origin\u00e1rios ante tudo o que se apresente a partir do mundo ocidental, pois sua marca tem sido se impor sem dialogar. \u00c9 um dever conjunto demonstrar o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c0 domina\u00e7\u00e3o territorial para explorar as riquezas naturais, seguiu-se o controle dos corpos previamente disciplinados pelo castigo da guerra e da fome para despoj\u00e1-los agora de sua for\u00e7a de trabalho, ambos os componentes essenciais da domina\u00e7\u00e3o neoliberal. Hoje esse despojo se complementa com desarraigamento, com o esquecimento for\u00e7ado, com o sil\u00eancio, com as verdades inquestion\u00e1veis do dogmatismo colonialista que quando n\u00e3o sabe inventa. Surdo, cego e coxo. N\u00e3o escuta, mas fala, grita e golpeia. No entanto, cheiramos seu fracasso, sentimos sua derrota e o sintoma inquestion\u00e1vel somos n\u00f3s, despertos, seguros e seguras. J\u00e1 \u00e9 tempo de perder o medo, de nos juntarmos e lutarmos por uma manh\u00e3 decente que chega aos nossos, e ensin\u00e1-los aos de cima que nossa paci\u00eancia acabou, que voltamos, que somos milh\u00f5es e que s\u00f3 lutando venceremos.<\/p>\n<p>Pavel Gui\u00f1ez Nahuel\u00f1ir<\/p>\n<p>Mapuche Lafkenche<\/p>\n<p>Militante Esquerda Libert\u00e1ria \u2013 Chile<\/p>\n<p>Ngulumapu \u2013 Wallmapu<\/p>\n<p>1. <a href=\"http:\/\/www.latercera.com\/noticia\/tendencias\/2015\/10\/659-652182-9-chile-es-uno-de-los-paises-que-menos-tierra-les-ofrece-a-los-pueblos-indigenas.shtml\">http:\/\/www.latercera.com\/noticia\/tendencias\/2015\/10\/659-652182-9-chile-es-uno-de-los-paises-que-menos-tierra-les-ofrece-a-los-pueblos-indigenas.shtml<\/a><\/p>\n<p>2. Listagem atualizada Prisioneiros Pol\u00edticos Mapuche, outubro de 2015 <a href=\"http:\/\/meli.mapuches.org\/spip.php?article3359\">http:\/\/meli.mapuches.org\/spip.php?article3359<\/a><\/p>\n<p>3. <a href=\"http:\/\/www.biobiochile.cl\/2015\/10\/20\/fisco-indemnizara-a-machi-linconao-tras-ser-absuelta-de-presunta-tenencia-de-arma.shtml\">http:\/\/www.biobiochile.cl\/2015\/10\/20\/fisco-indemnizara-a-machi-linconao-tras-ser-absuelta-de-presunta-tenencia-de-arma.shtml<\/a><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/10\/29\/chile-la-logica-comunitaria-y-la-destruccion-de-los-pueblos-indigenas-como-la-antesala-a-un-nuevo-ciclo-expansivo-del-capitalismo-el-mundo-mapuche-con-el-estado-colonial\/\">http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2015\/10\/29\/chile-la-logica-comunitaria-y-la-destruccion-de-los-pueblos-indigenas-como-la-antesala-a-un-nuevo-ciclo-expansivo-del-capitalismo-el-mundo-mapuche-con-el-estado-colonial\/<\/a><\/p>\n<p><strong><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Pavel Gui\u00f1ez Nahuel\u00f1ir \u2013 Resumen Latinoamericano, 29 de outubro de 2015 Gra\u00e7as a esta injusti\u00e7a (a destrui\u00e7\u00e3o dos \u00edndios), a Am\u00e9rica, no \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9787\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[87],"tags":[],"class_list":["post-9787","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c100-chile"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-2xR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9787\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}