{"id":9794,"date":"2015-11-05T23:07:40","date_gmt":"2015-11-06T02:07:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=9794"},"modified":"2015-12-03T11:21:38","modified_gmt":"2015-12-03T14:21:38","slug":"olimpiadas-do-mexico68-o-homem-branco-naquela-fotografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/9794","title":{"rendered":"Olimp\u00edadas do M\u00e9xico\u201968: O homem branco naquela fotografia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/novobloglimpinhoecheiroso.files.wordpress.com\/2015\/11\/olimpiadas_black_power01.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/>\u00c0s vezes, as fotografias enganam. Esta, por exemplo. Representa o gesto de rebeldia de John Carlos e de Tommie Smith no dia em que ganharam medalhas pelos 200 metros nas Olimp\u00edadas de 1968, na Cidade do M\u00e9xico, e \u00e9 certo que me enganou durante muito tempo.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Riccardo Gazzaniga, lido no <a href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/o-homem-branco-naquela-fotografia\/39275\">Esquerda.Net<\/a> em 26\/10\/2015<\/strong><\/p>\n<p>Sempre vi a fotografia como uma imagem poderosa de dois negros descal\u00e7os, com as cabe\u00e7as curvadas, de punhos erguidos com luvas negras, enquanto tocava o hino nacional dos Estados Unidos. Era um forte gesto simb\u00f3lico, tomando posi\u00e7\u00e3o pelos direitos civis afro-americanos num ano de trag\u00e9dias que inclu\u00edram as mortes de Martin Luther King e de Bobby Kennedy.<\/p>\n<p>\u00c9 uma foto hist\u00f3rica de dois homens negros. Por este motivo, nunca prestei realmente aten\u00e7\u00e3o ao outro homem, branco como eu, im\u00f3vel, no segundo degrau do p\u00f3dio de metal. Considerava-o como uma presen\u00e7a casual, um extra no momento de Carlos e de Smith, ou mesmo uma esp\u00e9cie de intruso. Com efeito, pensava mesmo que aquele sujeito \u2013 que parecia ser apenas um rival ingl\u00eas \u2013 representava na sua gelada imobilidade a vontade de resistir \u00e0 mudan\u00e7a que Smith e Carlos invocavam no seu protesto silencioso. Mas estava errado.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a um velho artigo de Gianni Mura, hoje descobri a verdade: aquele branco na fotografia \u00e9, talvez, o terceiro her\u00f3i daquela noite de 1968. Chamava-se Peter Norman, era um australiano que tinha chegado \u00e0s finais dos 200 metros depois de ter corrido em extraordin\u00e1rios 20,22 nas semifinais. S\u00f3 os dois norte-americanos Tommie Smith \u201cO Jato\u201d e John Carlos tinham feito melhor: 20,14 e 20,12, respectivamente.<\/p>\n<p>Parecia como se a vit\u00f3ria tivesse de ser decidida entre os dois norte-americanos. Norman era um velocista que parecia estar a ter uns bons momentos. John Carlos, anos mais tarde, disse que lhe perguntaram o que tinha acontecido \u00e0quele baixote branco de 1,70 de altura e que corria t\u00e3o r\u00e1pido quanto ele e Smith, ambos com cerca de 1,90.<\/p>\n<p>Chega a hora das finais e o <em>outsider<\/em> Peter Norman faz a corrida de uma vida, de novo melhorando seus tempos. Termina a corrida a 20,06, sua melhor marca, um recorde australiano que ainda continua de p\u00e9, 47 anos depois.<\/p>\n<p>Mas esse recorde n\u00e3o foi suficiente, porque Tommie Smith era verdadeiramente \u201cO Jato\u201d e respondeu ao recorde australiano de Norman com um recorde mundial. Em suma, foi uma grande corrida.<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/--lzACn0aZ8?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>Contudo, essa corrida nunca seria t\u00e3o memor\u00e1vel como aquilo que se seguiu na cerim\u00f4nia de entrega das medalhas.\u00a0N\u00e3o demorou muito depois da corrida para se compreender que algo de grande, sem precedentes, estava prestes a acontecer no p\u00f3dio de metal. Smith e Carlos decidiram que queriam mostrar a todo o mundo como era a sua luta pelos direitos humanos e a palavra espalhou-se entre os atletas.<\/p>\n<p>Norman era um branco natural da Austr\u00e1lia, um pa\u00eds que tinha leis de apartheid rigorosas, quase t\u00e3o r\u00edgidas como as da \u00c1frica do Sul. Havia tens\u00e3o e protestos nas ruas da Austr\u00e1lia devido \u00e0s r\u00edgidas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o-branca e \u00e0s leis discriminat\u00f3rias contra os abor\u00edgenes, algumas das quais consistiam em adop\u00e7\u00f5es for\u00e7adas de crian\u00e7as nativas a fam\u00edlias brancas.<\/p>\n<p>Os dois norte-americanos tinham perguntado a Norman se ele acreditava nos direitos humanos. Norman disse que sim. Perguntaram-lhe se acreditava em Deus e ele, que tinha estado no Ex\u00e9rcito da Salva\u00e7\u00e3o, disse que acreditava firmemente em Deus. \u201cSab\u00edamos que aquilo que \u00edamos fazer era de longe maior que qualquer feito atl\u00e9tico e ele disse: \u2018Estou com voc\u00eas\u2019 recorda John Carlos. Esperava ver receio nos olhos de Norman, mas em vez disso vimos amor.\u201d<\/p>\n<p>Smith e Carlos tinham decidido levantar-se no est\u00e1dio usando o emblema do Projeto Ol\u00edmpico para os Direitos Humanos, um movimento de atletas que apoiava a luta pela igualdade. Iriam receber as suas medalhas, descal\u00e7os, representando a pobreza vivida pelos negros. Iriam cal\u00e7ar as famosas luvas pretas, s\u00edmbolo da causa dos Panteras Negras. Mas antes de subirem ao p\u00f3dio perceberam que s\u00f3 tinham um par de luvas. \u201cCalce cada um uma luva\u201d, sugeriu Norman. Smith e Carlos aceitaram o conselho.<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, Norman fez ainda mais. \u201cAcredito naquilo que voc\u00eas acreditam. T\u00eam um desses para mim?\u201d, perguntou ele apontando para o emblema do Projeto Ol\u00edmpico para os Direitos Humanos no peito dos outros. \u201cDesse modo, posso mostrar o meu apoio \u00e0 vossa causa.\u201d Smith admitiu que ficou at\u00f4nito e que pensou: \u201cQuem \u00e9 este fulano branco australiano? Ganhou uma medalha de prata, n\u00e3o lhe chega receb\u00ea-la e pronto?\u201d<\/p>\n<p>Smith respondeu que n\u00e3o, tamb\u00e9m porque n\u00e3o queria deixar de us\u00e1-lo. Aconteceu que com eles estava um remador norte-americano branco, Paul Hoffman ativista do Projeto Ol\u00edmpico para os Direitos Humanos. Depois de ouvir tudo aquilo, pensou \u201cse um branco australiano me viesse pedir um emblema do Projeto Ol\u00edmpico para os Direitos Humanos, por Deus, claro que lho daria!\u201d Hoffman n\u00e3o hesitou: \u201cDei-lhe o \u00fanico que tinha, o meu\u201d.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas avan\u00e7aram pelo campo e subiram ao p\u00f3dio: o resto \u00e9 hist\u00f3ria, preservada pelo poder da fotografia. \u201cEu n\u00e3o podia ver o que estava por acontecer\u201d, conta Norman, \u201c[<em>mas<\/em>] tinha sabido que eles tinham levado avante seus planos quando uma voz na multid\u00e3o cantou o hino norte-americano, mas depois se calou. O est\u00e1dio emudeceu\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0biCuBy4yVg?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>O chefe da delega\u00e7\u00e3o norte-americana jurou que estes atletas iriam pagar enquanto vivessem por esse gesto, um gesto que ele pensava n\u00e3o tinha nada a ver com o esporte. Smith e Carlos foram imediatamente suspensos da equipe ol\u00edmpica norte-americana e expulsos da vila ol\u00edmpica, enquanto o remador Hoffman foi acusado de conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez em casa, os dois homens mais r\u00e1pidos do mundo enfrentaram pesadas consequ\u00eancias e amea\u00e7as de morte. Mas, no fim, o tempo provou que eles tinham raz\u00e3o e tornaram-se campe\u00f5es na luta pelos direitos humanos. Com sua imagem restabelecida, colaboraram com a equipe norte-americana de atletismo, tendo sido erigida uma est\u00e1tua deles na San Jose State University. Peter Norman n\u00e3o est\u00e1 nesta est\u00e1tua. Sua aus\u00eancia no p\u00f3dio parece o epit\u00e1fio de um her\u00f3i em quem ningu\u00e9m nunca reparou. Um atleta esquecido, apagado da hist\u00f3ria mesmo na Austr\u00e1lia, seu pa\u00eds.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/novobloglimpinhoecheiroso.files.wordpress.com\/2015\/11\/olimpiadas_black_power02_monumento.jpg?w=747&#038;h=301&#038;fit=450%2C301\" alt=\"Olimpiadas_Black_Power02_Monumento\" \/><\/p>\n<p>Quatro anos mais tarde, nas Olimp\u00edadas de 1972, em Munique, na Alemanha, Norman n\u00e3o fez parte da equipe de velocistas australianos, apesar de se ter qualificado 13 vezes para os 200 metros e cinco vezes para os 100 metros. Norman deixou o atletismo de competi\u00e7\u00e3o depois deste desapontamento, continuando a correr ao n\u00edvel amador.<\/p>\n<p>Na sua Austr\u00e1lia branca, resistindo \u00e0 mudan\u00e7a, ele foi tratado como um estranho, sua fam\u00edlia foi perseguida e incapaz de arranjar trabalho. Trabalhou uns tempos como professor de gin\u00e1stica, continuando a lutar contra as desigualdades como sindicalista e trabalhando ocasionalmente num talho. Devido a um ferimento, Norman contraiu gangrena que o levou a ter problemas de depress\u00e3o e alcoolismo.<\/p>\n<p>Como John Carlos disse: \u201cSe n\u00f3s fomos segregados, Peter enfrentou um pa\u00eds inteiro e sofreu sozinho.\u201d Durante anos, Norman s\u00f3 teve uma oportunidade de se salvar: foi convidado a condenar o gesto de seus colegas atletas John Carlos e Tommie Smith em troca de um perd\u00e3o do sistema que o jogou no ostracismo.<\/p>\n<p>Um perd\u00e3o que lhe teria permitido arranjar um emprego est\u00e1vel no Comit\u00ea Ol\u00edmpico australiano e fazer parte da organiza\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos de Sydney 2000. Norman nunca cedeu e nunca condenou a escolha dos dois norte-americanos.<\/p>\n<p>Ele foi o maior velocista australiano da hist\u00f3ria e o detentor do recorde dos 200 metros, contudo sequer foi convidado para as Olimp\u00edadas de Sydney. Foi o Comit\u00ea Ol\u00edmpico norte-americano, quando soube da not\u00edcia, que lhe pediu que se juntasse a seu grupo e o convidou para a festa de anivers\u00e1rio do campe\u00e3o ol\u00edmpico Michael Johnson para quem, Peter Norman, era um exemplo e um her\u00f3i.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/novobloglimpinhoecheiroso.files.wordpress.com\/2015\/11\/olimpiadas_black_power03_norman.jpg?w=747&#038;h=275&#038;fit=450%2C275\" alt=\"\" \/>Norman morreu repentinamente de ataque card\u00edaco em 2006 sem que seu pa\u00eds lhe tivesse pedido desculpa pela maneira como o tratara. Em seu funeral, Tommie Smith e John Carlos, amigos de Norman desde aquele momento em 1968 e que o tinham como her\u00f3i, carregaram seu caix\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPeter foi um soldado solit\u00e1rio. Escolheu, conscientemente, ser um cordeiro do sacrif\u00edcio em nome dos direitos humanos. N\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m sen\u00e3o ele que a Austr\u00e1lia devia honrar, reconhecer e apreciar\u201d, disse John Carlos.<\/p>\n<p>\u201cEle pagou o pre\u00e7o com a sua escolha\u201d, explicou Tommie Smith. \u201cN\u00e3o foi apenas um simples gesto para nos ajudar, foi a <strong>SUA<\/strong> luta. Foi um branco, um homem branco australiano entre dois homens negros, levantando-se no momento da vit\u00f3ria, todos em nome da mesma causa.\u201d<\/p>\n<p>S\u00f3 em 2012 o Parlamento australiano aprovou uma mo\u00e7\u00e3o pedindo formalmente desculpa a Peter Norman e dedicando-lhe um lugar na hist\u00f3ria com esta declara\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEsta C\u00e2mara reconhece os extraordin\u00e1rios \u00eaxitos atl\u00e9ticos do falecido Peter Norman que ganhou a medalha de prata na corrida de 200 metros nas Olimp\u00edadas da Cidade do M\u00e9xico de 1968 num tempo de 20.06 segundos, que ainda se mant\u00e9m como recorde australiano.<\/p>\n<p>\u201cReconhece a coragem de Peter Norman, ao ostentar no p\u00f3dio um emblema do Projeto Ol\u00edmpico para os Direitos Humanos, em solidariedade com os atletas afro-americanos Tommie Smith e John Carlos, que fizeram a sauda\u00e7\u00e3o do \u201cpoder negro.<\/p>\n<p>\u201cPede desculpa a Peter Norman pelo mal feito pela Austr\u00e1lia em n\u00e3o o mandar \u00e0s Olimp\u00edadas de Munique de 1972, apesar de repetidamente se ter qualificado e tardiamente reconhece o poderoso papel desempenhado por Peter Norman na prossecu\u00e7\u00e3o da igualdade racial.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Contudo, as palavras que melhor nos lembram Peter Norman s\u00e3o simplesmente as suas pr\u00f3prias ao descrever os motivos de seu gesto, no document\u00e1rio <em>Salute<\/em> escrito, dirigido e produzido pelo seu sobrinho Matt.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o podia ver por que raz\u00e3o um negro n\u00e3o podia beber a mesma \u00e1gua de uma fonte, entrar no mesmo \u00f4nibus ou ir \u00e0 mesma escola que um branco. Havia uma injusti\u00e7a social contra a qual nada podia fazer a partir de onde estava, mas que detestava. Foi dito que ter partilhado a minha medalha de prata com aquele incidente no estrado da vit\u00f3ria diminuiu o meu desempenho. Pelo contr\u00e1rio. Tenho de confessar que fiquei muito orgulhoso por fazer parte dele.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/novobloglimpinhoecheiroso.files.wordpress.com\/2015\/11\/olimpiadas_black_power04_norman.jpg?w=747&#038;h=248&#038;fit=400%2C248\" alt=\"\" \/>Quando mesmo hoje parece que a luta pelos direitos humanos e pela igualdade nunca acaba e que vidas inocentes s\u00e3o sacrificadas, temos de recordar as pessoas que fizeram sacrif\u00edcios como Peter Norman e tentar seguir seu exemplo. A igualdade e a justi\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o lutas de uma \u00fanica comunidade, mas de todos.<\/p>\n<p>Assim, este outubro quando estiver em San Jose, vou visitar a est\u00e1tua do Poder Negro Ol\u00edmpico no campus de San Jose State University e aquele degrau vazio no p\u00f3dio recordar-me-\u00e1 um her\u00f3i esquecido, mas verdadeiramente corajoso, Peter Norman.<\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>: Almerinda Bento.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/limpinhoecheiroso.com\/2015\/11\/02\/olimpiadas-do-mexico68-o-homem-branco-naquela-fotografia\/\">Olimp\u00edadas do M\u00e9xico\u201968: O homem branco naquela&nbsp;fotografia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c0s vezes, as fotografias enganam. Esta, por exemplo. 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